É a irritação total: um puto que não se cala na fila de trás, em conversa com o avô, perguntando o que é isto sobre tudo e mais alguma coisa. Três miúdas portuguesas com tom de voz beto que viajam com uma ama estrangeira, que travaram, sozinhas, durante 15 minutos, uma fila do Burger King no aeroporto de Schiphol a protestar em inglês perfeito que não foi aquilo que pediram, também estão a bordo e não se calam mas, felizmente, estão lá para trás. Na fila da frente, há um tipo que faz um ruído que me parece ser teclar num computador mas que, vai-se a ver, está apenas a brincar com um copo de plástico. E, quando quero refrescar-me na casa de banho, sou travado durante dez minutos pelo duty-free que foi parado quatro vezes — três das quais por portugueses que não se decidiam se queriam ou não levar o produto e depois queriam pagar com notas altas para as quais o comissário de bordo não tinha troco, resultando numa fila de gente agastada porque o comissário de bordo não avançava nem deixava passar.
Quando chego a Lisboa, está a chover que é uma coisa estúpida.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
Pesquisa personalizada
Mostrar mensagens com a etiqueta dans le port d'Amsterdam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dans le port d'Amsterdam. Mostrar todas as mensagens
2 de junho de 2009
24 de maio de 2009
UM SEGREDO MUITO NOSSO
A vinte quilómetros a Norte de Amesterdão, esconde-se o segredo bem guardado de Broek en Waterland, pacatíssima cidadezinha que está suficientemente próxima para poder ser considerada subúrbio, mas que a presença constante de canais e vegetação torna num oásis bucólico a meia hora da cidade. O centro (como de costume à volta da igreja...) mantém intactas a traça e a arquitectura originais, mesmo que por dentro as casas tenham todos os confortos modernos. O Taco explica que os habitantes são essencialmente gente endinheirada pouco ou nada interessada no turismo, e que o bucolismo que a torna tão atraente é algo que eles não querem, de todo, partilhar com o mundo exterior. Parece-me que têm razão.
(Fotos: Taco van der Werf, Maio de 2009 - dank je wel)
20 de maio de 2009
PATHÉ DE MUNT
É uma das fachadas mais extraordinárias que já tive hipótese de ver e pertence ao arquitecto Christian de Portzamparc. Está em pleno centro de Amesterdão e podem vê-la aqui.
18 de maio de 2009
GASTRONOMIA PARA TODOS
Os holandeses comem ao contrário de nós, e um bocado à americana (embora a comparação não funcione da mesma maneira, porque como sabemos os americanos abusam das doses, e os holandeses nem por isso, mas como andam muito de transporte público e de bicicleta acabam por gastar mais calorias). Fazem um bom pequeno-almoço, com café, fruta, sumos, queijo, cereais, leite; comem depois um almoço pequeno, ligeiro (na base do queijo, pão, carnes frias, etc); e a refeição principal do dia acaba por ser o jantar, que comem por volta das seis, sete da tarde (embora jantem até às nove). Uma das coisas mais peculiares que por lá descobri é o que eles chamam de "hagelslag" (o equivalente holandês do nosso granizo): aquilo que nós usamos como decorações de açúcar colorido ou de chocolate em bolos eles comem sobre torradas, pão de forma ou "beschuit" — uma tosta local conhecida fora da Holanda como "zwieback", por ir ao forno duas vezes.
16 de maio de 2009
PARANOID PARK
Atravesso Amesterdão a pé da estação central até aos museus — digo mais tarde, a brincar, aos meus amigos holandeses que já visitei metade da cidade, e eles não acham assim tão estranho como isso. Mesmo ao lado do Rijksmuseum (que está em obras e só tem uma das alas abertas, com uma exposição sobre Vermeer), há uma piscina pública e o proverbial parque de estacionamento de bicicletas. Desemboco em Museumplein, a praça dos museus, é um jardim completamente moderno, com árvores e um pequeno lago ao centro, um parque infantil, esplanadas, cafés, barracas de comes e bebes (do proverbial hamburger ao muito típico arenque), a loja dos museus, gente sentada na relva a desfrutar do bom tempo ou a ensaiar coreografias ou a jogar futebol ou a andar de bicicleta ou apenas deitada na relva. E um skate park ali mesmo ao lado, embora vazio a estas horas. Numa ponta, o Rijksmuseum, na outra o Concertgebouw (aparentemente, uma das melhores acústicas do mundo), pelo meio o Van Gogh, único dos museus da praça que está em funcionamento a cem por cento (o Stedelijk está também ele fechado para obras). E os museus todos — que, pormenor importante, não fecham ao domingo e em alguns casos nem mesmo aos feriados — com filas que nunca mais acabam...
BABEL
Ouve-se muita língua diferente nas ruas de Amesterdão; é a capital mais turística que conheço, o que é surpreendente para uma cidade de apenas 750 mil habitantes. Em qualquer altura do fim-de-semana que lá passo, mais de metade das pessoas por quem passo são turistas (identificáveis não apenas pelas máquinas fotográficas, pelas mochilas ou pelos mapas nas mãos, mas também por viajarem em grupos, por terem sacos de lojas de souvenirs ou simplesmente por falarem línguas mais reconhecíveis que o holandês). Uns quantos ingleses, muitos franceses — perto de Oude Zijde Voorburgwal, uma francesa de bicicleta delira ao telemóvel: "Amsterdam, c'est génial, j'ai dormi deux heures mais bon...". Uns quantos espanhóis e, surpreendentemente, alguns argentinos, alemães, até portugueses (ouvir a palavra "merda" numa das pontes dos canais é, ao mesmo tempo, surpreendente e hilariante). E o caos absoluto nas ruas principais, com a combinação de trânsito automóvel, eléctricos e bicicletas a desorientarem ainda mais gente que não vem de sítios onde a bicicleta é um banal transporte quotidiano.
14 de maio de 2009
MOLENPOORT PASSAGE
Antes de apanhar o comboio para Amesterdão, o John leva-me a conhecer o centro histórico de Nijmegen, confirmando o que eu suspeitava sobre o modo civilizado como os holandeses souberam manter a sua identidade histórica sem abdicarem dos confortos modernos. A par de igrejas antigas impecavelmente restauradas e de parques públicos onde se desmontam as tendas montadas para as celebrações do Dia da Rainha, há edifícios de uma modernidade extraordinária como a Biblioteca Pública (completamente informatizada e onde os membros podem levantar e devolver livros sem precisarem de falar com um assistente), as espantosas arcadas de Marikenstraat onde nos perdemos a passear na livraria Selexyz Dekker van de Vegt (onde compro a Mojo de Junho com Nick Drake na capa e um CD de raridades da Island que o empregado me diz "parecer uma excelente edição"), ou o Lux, um moderníssimo multiplex de oito salas dedicado exclusivamente ao cinema de autor (e que foi inaugurado por... Catherine Deneuve). E tudo isto atravessado por pistas para ciclistas que estão por vezes mais cheias que as próprias estradas — para já não falar dos parques de estacionamento para bicicletas que existem por todo o lado.
13 de maio de 2009
YAMAHA DIVERSION 900
O meu amigo John leva-me numa volta de motocicleta pelos arredores de Nijmegen. Dá-lhe jeito: é dia da mulher a dias vir limpar a casa. Fazemos qualquer coisa como 40, talvez 50 km à volta da cidade, atravessando a combinação de canais, comportas e pradaria que rodeia a cidade, passando por dentro ou ao lado de uma série de pequenas aldeias como Lent, Bemmel ou Doorneburg, onde paramos no castelo medieval para tomar um café.
Problema: são 10h40 da manhã e o café do castelo ainda não abriu (só abre às 11h00), mas o dono é um porreiro que até nos utiliza como "cobaias" da nova máquina que acaba de ser instalada. Infelizmente, é bem evidente que ainda ninguém sabe mexer bem na máquina e o café não é grande coisa. Enquanto tomamos um café no pátio do hotel, um enorme cão branco não larga o John e sempre que ele o manda embora o cão apenas se instala mais aos seus pés. De Doorneburg seguimos para mais alguns arredores, atravessamos um dos canais próximos numa das plataformas móveis (que estão a cair em desuso) que fazem a ligação entre margens, atravessamos a fronteira para ir ao supermercado a Kleve, na Alemanha, onde alguns bens essenciais são mais baratos que na Holanda.
À noite, vamos tomar café a casa da irmã do John, que fica a cinco minutos fora de Nijmegen, no meio da Natureza: é uma construção moderna, de uma sobriedade escandinava, que ela mandou construir há dez anos num terreno anteriormente ocupado por um pequeno bungalow rústico de férias. O escritório tem uma varanda panorâmica com uma vista deslumbrante sobre os arredores rurais de Nijmegen — e aqui é mesmo verde, bosque, floresta a perder de vista. Qualidade de vida, digo-vos.
À noite, vamos tomar café a casa da irmã do John, que fica a cinco minutos fora de Nijmegen, no meio da Natureza: é uma construção moderna, de uma sobriedade escandinava, que ela mandou construir há dez anos num terreno anteriormente ocupado por um pequeno bungalow rústico de férias. O escritório tem uma varanda panorâmica com uma vista deslumbrante sobre os arredores rurais de Nijmegen — e aqui é mesmo verde, bosque, floresta a perder de vista. Qualidade de vida, digo-vos.
DE GOFFERT
Qualidade de vida é isto: morar no centro urbano de uma cidade de classe média-alta de 170 mil habitantes como se morássemos na província, com um jardim por trás da casa a dar para o que parece ser (mas não é) um bosque. E grande parte de Nijmegen é assim, composto por vivendas mais ou menos modernas ou mais ou menos antigas, com grandes janelas panorâmicas deixadas aberta que permitem ver todo o interior da sala, com os nomes dos residentes afixados às portas em placas.
12 de maio de 2009
VERTREK: INTERCITY NIJMEGEN
Às 11h30 da manhã, embarco, na plataforma 3 da estação de comboio do aeroporto de Schiphol, no intercidades para Nijmegen. Não faço ideia de onde vem (talvez Den Halder?) mas sei que passa em Schiphol todos os 30 minutos e que não passa pelo centro de Amesterdão (mas passa pelo estádio do Ajax em Amsterdam Bijlmer).
A viagem para Nijmegen leva 90 minutos por uma paisagem verde e plana pontuada por canais e ribeiros e riachos e cavalos e vacas e ovelhas e estradas e cidades. Nesses 90 minutos que me levam à cidade mais antiga da Holanda (a poucos quilómetros da fronteira com a Alemanha), atravesso Utrecht, Driebergen-Zeist, Ede-Wageningen e Arnhem; a carruagem tem dois níveis e as cadeiras são confortáveis, há quem durma ou quem almoce uma sanduíche ou um bolo. De Amesterdão a Utrecht são 30 minutos e começo a perceber o que me tinham dito quanto ao comboio ser a maneira mais prática de viajar nos Países Baixos.
06/05/2009: KL 1692 LIS 07h10-AMS 11h00
O embarque no avião – que vai completamente cheio – é lento: supostamente começa às 06h30, mas na realidade a coisa parece decorrer a passo de caracol, e às 07h10, supostamente hora de partida, ainda há gente a entrar. Mas o avião acaba por sair apenas com dez minutos de atraso, e como há uma senhora com um pé partido na saída de emergência, a hospedeira do ar diz-lhe que não pode ficar ali sentada e pergunta-me se não me importo de trocar com a senhora (que não ficou especialmente agradada e fez questão de só trocar para uma coxia).
Ao meu lado, um jovem casal holandês lê violentamente durante as quase três horas de vôo. Ele não faço ideia do que está a ler. Ela está a ler “Het Bernini Mysterie” — que o mesmo é dizer, “Anjos e Demónios” em tradução holandesa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)