Ouvido no trajecto entre o Campo Pequeno e o Marquês de Pombal:
"Se houvesse autocarros da Carris até ao Porto é que era sempre a bombar."
15 de Novembro de 2009
14 de Novembro de 2009
OPERAÇÕES ESPECIAIS
Acabo de ouvir no noticiário da noite da SIC que a GNR iniciou no Alentejo uma operação para impedir os furtos nas plantações de azeitona que se chama "Operação Azeitona Segura".
Presumo que, brevemente, teremos a "Operação Bolota Segura", a "Operação Uva Segura", a "Operação Amêndoa Segura" e por aí fora...
Presumo que, brevemente, teremos a "Operação Bolota Segura", a "Operação Uva Segura", a "Operação Amêndoa Segura" e por aí fora...
por outras palavras:
observações descentradas,
portugal no seu melhor
13 de Novembro de 2009
QUESTÕES EXISTENCIAIS DE SEXTA-FEIRA
Porque é que os meus sonhos envolvem sempre
a) carruagens do metro
b) a minha mãe a descer escadas
c) alguém a telefonar-me para me convidar para fazer qualquer coisa que não me sabem explicar
d) combinações variáveis dos itens acima?
a) carruagens do metro
b) a minha mãe a descer escadas
c) alguém a telefonar-me para me convidar para fazer qualquer coisa que não me sabem explicar
d) combinações variáveis dos itens acima?
por outras palavras:
observações descentradas
1 de Novembro de 2009
24 de Outubro de 2009
NEVER AGAIN
Há poucas coisas mais estranhas do que sermos interpelados na rua por alguém que não vemos há 25 anos, sobretudo quando a pessoa interpelada (no caso, eu) tem uma memória fotográfica inexistente, daquela do género "eu-sei-quem-este-tipo-é-mas-não-estou-nada-a-ver", que nos deixa sempre completamente à toa qualquer que seja a opção que tomamos.
No caso, eu sabia perfeitamente quem era a pessoa, mas não tinha nada a imagem na cara — bastou vir o nome para eu me lembrar, Escola Secundária dos Anjos no tempo antes de ela ser um centro de apoio ao emigrante, aí 1983? 8º? 9º? 10º? Já não me lembro, mas lembro-me que foi na altura em que comecei a ouvir música mesmo a sério, e o Miguel lembrou-me que tinha lá em casa uma das primeiras críticas de discos que escrevi, sobre os Classix Nouveaux (of all people, mas eu na altura era um neo-romântico gorduchito que não tinha coragem de me vestir à neo-romântico, os Duran Duran eram o nec plus ultra). Lembro-me, sobretudo, que o Miguel foi a primeira pessoa a apresentar-me aos U2, emprestou-me o War e eu escrevi-lhe um texto em que dizia que o disco seria tão melhor se o Larry Mullen fosse um bom baterista (admito que a aparelhagem não estivesse bem equalizada).
Para algumas pessoas, sou gajo para não ter aprendido muito desde então. Eu, pessoalmente, discordo (o War não é o meu U2 favorito, mas é um discão do caraças). Mas os Classix Nouveaux continuam a ser um prazer culpado.
No caso, eu sabia perfeitamente quem era a pessoa, mas não tinha nada a imagem na cara — bastou vir o nome para eu me lembrar, Escola Secundária dos Anjos no tempo antes de ela ser um centro de apoio ao emigrante, aí 1983? 8º? 9º? 10º? Já não me lembro, mas lembro-me que foi na altura em que comecei a ouvir música mesmo a sério, e o Miguel lembrou-me que tinha lá em casa uma das primeiras críticas de discos que escrevi, sobre os Classix Nouveaux (of all people, mas eu na altura era um neo-romântico gorduchito que não tinha coragem de me vestir à neo-romântico, os Duran Duran eram o nec plus ultra). Lembro-me, sobretudo, que o Miguel foi a primeira pessoa a apresentar-me aos U2, emprestou-me o War e eu escrevi-lhe um texto em que dizia que o disco seria tão melhor se o Larry Mullen fosse um bom baterista (admito que a aparelhagem não estivesse bem equalizada).
Para algumas pessoas, sou gajo para não ter aprendido muito desde então. Eu, pessoalmente, discordo (o War não é o meu U2 favorito, mas é um discão do caraças). Mas os Classix Nouveaux continuam a ser um prazer culpado.
por outras palavras:
a história do rock'n'roll,
anos 80 bem medidos,
isto anda tudo ligado,
obsessões pop,
prazeres culpados
PDC (projecto de digitalização em curso)
5 de Outubro de 2009
POSTAL DE LONDRES
War Horse no New London Theatre - mil espectadores num auditório acanhado construído em 1973 nos andares superiores de um prédio em pleno Soho, acessível através de uma interminável sucessão de lances de escadas, uma peça que o Alex definiu como "magia pura", com o trabalho da Handspring Puppet Company sul-africana nesta adaptação do romance de Michael Morpurgo absolutamente sublime na capacidade de recriar a alma do cavalo com três marionetistas visíveis a darem corpo e vida a um esqueleto articulado.
Uma visita à Waterstone's de Piccadilly (203-206 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), seis andares de livros no antigo edifício da loja de cavalheiros Simpsons - uma extraordinária arquitectura Art Deco a que a cadeia de livrarias emprestou uma funcionalidade pragmática e um stock absolutamente interminável. Um par de números mais abaixo, descubro a extraordinária Hatchard's (187 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), quatro pisos que se confirmam de maneira notável à imagem que temos de uma livraria inglesa: cheia de cantos, confortável, discreta, elegante, educada, vazia nesta hora de almoço de domingo.
Uma sanduíche, um café e um hedonista quadrado de caramelo no Caffe Nero do Piccadilly Market, no jardim da igreja de S. Jaime (197 Piccadilly, metro Piccadilly Circus) com a caravana verde do acompanhamento psicológico a dar para o túmulo do visconde de Southwood.
A desilusão de ver a HMV de Oxford Street (150 Oxford Street, metro Oxford Circus) reduzida a uma sombra do que era, com o stock de discos e livros muito reduzido para dar lugar a DVDs e jogos de computador, mesmo que a secção de clássica do e nichos do piso inferior continue muito boa. Mas o catálogo profundo tem falhas indesculpáveis e os livros já não são o que foram. Trago os novos dos Prefab Sprout e David Sylvian (mais baratos do que se os comprasse cá), a reedição de Reckoning dos R. E. M., os remasters de Unhalfbricking e Liege and Lief dos Fairport Convention (que nem sequer encontro cá, e que encontro mais baratos do que se os comprasse cá). Mas nem na HMV nem na Hatchard's nem na Waterstone's encontro o livro dos 50 anos da Island, e o Stay Positive dos Hold Steady é mentira.
A descoberta dos maravilhosos e suculentos hamburgers da cadeia Byron (slogan: "proper hamburgers". Absolutamente) e das pastelarias francesas Paul (ai aquele macaron praline), ainda por cima lado a lado na Gloucester Road para dose dupla de hedonismo (Byron: 75 Gloucester Road, com lojas na Kensington High Street, no centro comercial Westfield em White City e na King's Road; Paul: 73 Gloucester Road, com mais 21 lojas em Londres).
A maravilhosa cama do Crowne Plaza London Kensington, uma das melhores em que já dormi; o próprio hotel, recentemente renovado, é simpático, moderno, confortável — só precisa de pessoal mais bem treinado...
Uma visita à Waterstone's de Piccadilly (203-206 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), seis andares de livros no antigo edifício da loja de cavalheiros Simpsons - uma extraordinária arquitectura Art Deco a que a cadeia de livrarias emprestou uma funcionalidade pragmática e um stock absolutamente interminável. Um par de números mais abaixo, descubro a extraordinária Hatchard's (187 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), quatro pisos que se confirmam de maneira notável à imagem que temos de uma livraria inglesa: cheia de cantos, confortável, discreta, elegante, educada, vazia nesta hora de almoço de domingo.
Uma sanduíche, um café e um hedonista quadrado de caramelo no Caffe Nero do Piccadilly Market, no jardim da igreja de S. Jaime (197 Piccadilly, metro Piccadilly Circus) com a caravana verde do acompanhamento psicológico a dar para o túmulo do visconde de Southwood.
A desilusão de ver a HMV de Oxford Street (150 Oxford Street, metro Oxford Circus) reduzida a uma sombra do que era, com o stock de discos e livros muito reduzido para dar lugar a DVDs e jogos de computador, mesmo que a secção de clássica do e nichos do piso inferior continue muito boa. Mas o catálogo profundo tem falhas indesculpáveis e os livros já não são o que foram. Trago os novos dos Prefab Sprout e David Sylvian (mais baratos do que se os comprasse cá), a reedição de Reckoning dos R. E. M., os remasters de Unhalfbricking e Liege and Lief dos Fairport Convention (que nem sequer encontro cá, e que encontro mais baratos do que se os comprasse cá). Mas nem na HMV nem na Hatchard's nem na Waterstone's encontro o livro dos 50 anos da Island, e o Stay Positive dos Hold Steady é mentira.
A descoberta dos maravilhosos e suculentos hamburgers da cadeia Byron (slogan: "proper hamburgers". Absolutamente) e das pastelarias francesas Paul (ai aquele macaron praline), ainda por cima lado a lado na Gloucester Road para dose dupla de hedonismo (Byron: 75 Gloucester Road, com lojas na Kensington High Street, no centro comercial Westfield em White City e na King's Road; Paul: 73 Gloucester Road, com mais 21 lojas em Londres).
A maravilhosa cama do Crowne Plaza London Kensington, uma das melhores em que já dormi; o próprio hotel, recentemente renovado, é simpático, moderno, confortável — só precisa de pessoal mais bem treinado...
por outras palavras:
a aventura continua,
a democratização do transporte aéreo,
civilização,
prazeres culpados,
Rule Britannia
29 de Setembro de 2009
PENSO, LOGO INSISTO
No sempiterno debate "objectividade"/"opinião", "jornalismo"/"crítica", estou com o James Poniewozik da Time.
25 de Setembro de 2009
REVISTA DE IMPRENSA
Adoro descontextualizar títulos de notícias de jornais. Como estes do Público de hoje:
"O mundo não pode pedir ao G20 mais do que o G20 é capaz de dar" (ah?)
"Portugal é sede de supercomputação" (e ninguém deu por nada)
"A avó foi virgem para o casamento, a neta gostava de experimentar swing" (o que é que o sexo tem a ver com a dança?)
"Kirk vai substituir Ted Kennedy" (para dar um ar Star Trek à coisa)
"O mundo não pode pedir ao G20 mais do que o G20 é capaz de dar" (ah?)
"Portugal é sede de supercomputação" (e ninguém deu por nada)
"A avó foi virgem para o casamento, a neta gostava de experimentar swing" (o que é que o sexo tem a ver com a dança?)
"Kirk vai substituir Ted Kennedy" (para dar um ar Star Trek à coisa)
por outras palavras:
descontextualizar por aí
24 de Setembro de 2009
À ATENÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
Não vejo, sinceramente, qual pode ser o interesse de ter painéis publicitários com relógios que supostamente informam os transeuntes das horas que são quando às 10h47 um painel ali no Saldanha diz que são 19h38...
por outras palavras:
a tecnologia é uma coisa maravilhosa não é?,
observações descentradas,
portugal no seu melhor
23 de Setembro de 2009
HIGIENE ORAL
Ando a gastar meio litro de elixir bucal em dez dias. Odeio ter mau hálito de manhã. E prefiro ir ao dentista só para fazer a limpeza regular.
por outras palavras:
a saúde quando nasce é para todos,
observações descentradas,
é a cultura
PEQUENO MOMENTO DE FIGURA-PÚBLICA-SPOTTING
Queria só partilhar convosco que o advogado José Maria Martins estava no outro fim-de-semana a tomar o pequeno-almoço na esplanada do Galeto. Obrigado. O serviço normal será retomado já a seguir.
por outras palavras:
isto anda tudo ligado,
o imaginário cultural,
portugal
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