Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
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20 de agosto de 2009
DENTRO DE CADA UM DE NÓS HÁ UMA CONCEIÇÃO VASCO COSTA ESCONDIDA
É aquela altura do ano: chegou o catálogo.
18 de junho de 2009
SPRING CLEANING
Vários anos sem olhar a sério para as caixas fechadas que vieram da morada anterior e que foram ficando = uma dezena de sacos de plástico grandes cheios de lixo, uma dezena de caixas para reciclagem, coisas que já nem me recordava que estavam cá em casa. Vamos em três noites três de arrumações e ainda se prevêem mais um bom par delas a arrumar o menos que sobrou.
13 de maio de 2009
YAMAHA DIVERSION 900
O meu amigo John leva-me numa volta de motocicleta pelos arredores de Nijmegen. Dá-lhe jeito: é dia da mulher a dias vir limpar a casa. Fazemos qualquer coisa como 40, talvez 50 km à volta da cidade, atravessando a combinação de canais, comportas e pradaria que rodeia a cidade, passando por dentro ou ao lado de uma série de pequenas aldeias como Lent, Bemmel ou Doorneburg, onde paramos no castelo medieval para tomar um café.
Problema: são 10h40 da manhã e o café do castelo ainda não abriu (só abre às 11h00), mas o dono é um porreiro que até nos utiliza como "cobaias" da nova máquina que acaba de ser instalada. Infelizmente, é bem evidente que ainda ninguém sabe mexer bem na máquina e o café não é grande coisa. Enquanto tomamos um café no pátio do hotel, um enorme cão branco não larga o John e sempre que ele o manda embora o cão apenas se instala mais aos seus pés. De Doorneburg seguimos para mais alguns arredores, atravessamos um dos canais próximos numa das plataformas móveis (que estão a cair em desuso) que fazem a ligação entre margens, atravessamos a fronteira para ir ao supermercado a Kleve, na Alemanha, onde alguns bens essenciais são mais baratos que na Holanda.
À noite, vamos tomar café a casa da irmã do John, que fica a cinco minutos fora de Nijmegen, no meio da Natureza: é uma construção moderna, de uma sobriedade escandinava, que ela mandou construir há dez anos num terreno anteriormente ocupado por um pequeno bungalow rústico de férias. O escritório tem uma varanda panorâmica com uma vista deslumbrante sobre os arredores rurais de Nijmegen — e aqui é mesmo verde, bosque, floresta a perder de vista. Qualidade de vida, digo-vos.
À noite, vamos tomar café a casa da irmã do John, que fica a cinco minutos fora de Nijmegen, no meio da Natureza: é uma construção moderna, de uma sobriedade escandinava, que ela mandou construir há dez anos num terreno anteriormente ocupado por um pequeno bungalow rústico de férias. O escritório tem uma varanda panorâmica com uma vista deslumbrante sobre os arredores rurais de Nijmegen — e aqui é mesmo verde, bosque, floresta a perder de vista. Qualidade de vida, digo-vos.
12 de abril de 2009
FIM-DE-SEMANA PROLONGADO
Redescobrir os bons álbuns de Janet Jackson, ainda e sempre a melhor e mais consistente mana dos manos todos — Michael, em rigor, morreu ao fim de dois álbuns, Off the Wall (Epic 1979) e Thriller (Epic 1982) e daí para a frente foi só viver à conta do nome; Janet só disparou ao terceiro, Control (A&M 1986), que todos estes anos depois continua a ser um marco da nova música negra - o que os ex-acólitos da então sua majestade púrpura Jimmy Jam & Terry Lewis fizeram com a maninha soa-me hoje completamente visionário e nada longe do experimentalismo geométrico-abstracto das produções que fizeram o nome de Timbaland. E quando ela fazia pop - estou-me a lembrar de "When I Think of You" ou "Escapade" - os meninos que se cuidem.
Continuar a descobrir os tesouros que se escondem na estupenda caixa de raridades e inéditos do divino Lloyd Cole, Cleaning Out the Ashtrays (Tapete 2009) - quatro CDs de maquetas, versões alternativas, covers, lados B e canções perdidas por entre confusões editoriais, com meia-dúzia de pérolas de estarrecer que não se consegue perceber como é que nunca ninguém reparou que isto era espantoso. Exemplos: "Wild Orphan", que foi retirado de Lloyd Cole (Polydor 1990) à última hora para fazer espaço para "No Blue Skies"; "Blame Mary Jane", uma versão notável do "Most of the Time" de Dylan, "4MB" e "Sold", todas atiradas escandalosamente para lados B esquecidos.
A extraordinária entrevista de Nick Cave que foi capa da Mojo de Março - dá vontade de passar a gostar da obra que impõe respeito do homem, mesmo que a música continue a não me dizer nada.
A saga de D. Crocodila e da Zeeba Neighbah no sítio do costume.
D. Diogo a acordar-me de manhã a cheirar-me o nariz, como quem se prepara para lhe dar uma dentada.
30 de agosto de 2008
AN ENGLISHMAN'S HOME IS HIS CASTLE
Ou, neste caso específico, a Trekkie's home is his castle. (Fotos: Steve Schofield, via Andrew Sullivan.)
12 de julho de 2008
APRENDER A LIÇÃO
Há coisa de três anos, achei que tinha perdido a carteira. Foi num sábado à tarde, em que depois de ter ido ao supermercado fazer as compras da semana, não conseguia encontrar a carteira em lado nenhum — não estava na mesa onde a costumo deixar, não estava nos bolsos das calças nem dos casacos nem das camisas, não estava caída no chão do corredor, no patamar, no elevador, no átrio, não tinha sido entregue no supermercado, enfim, uma desgraça.
No dia a seguir, a carteira apareceu — eu tinha estado a procurar fotografias antigas numa caixa que guardo no escritório e, sem eu dar por isso, a carteira tinha ido "de arrasto" para dentro da caixa.
Isto vem a propósito de eu ter andado dois ou três dias sem saber do meu B. I., que costuma andar sempre comigo mas, desta vez, não estava em lado nenhum nem sequer tinha ficado esquecido num par de calças que foram para lavar. Desta vez, contudo, aprendida a lição do caso anterior, fui a todas as caixas de arrumação em que andei a mexer nos últimos dias — e lá estava o B. I. junto às fotografias.
7 de abril de 2008
PDC (Processo de Digitalização em Curso)
É uma maravilha (passe a publicidade) isto da opção shuffle no iTunes do computador, ainda por cima quando já se tem uma quantidade considerável de música digitalizada. É francamente melhor do que ter de apanhar coisas de que não se gosta na rádio e ainda por cima a função tem bom gosto que isto de passar do Camané para A Naifa e dos Grant Lee Buffalo para Springsteen não é para qualquer um.
por outras palavras:
observações descentradas,
obsessões pop,
viva mais a sua casa
1 de janeiro de 2008
RELATIVIZEMOS
"Ano novo, vida nova"? "Resoluções de Ano Novo", tomadas às doze badaladas?
A meia-noite de Lisboa são as quatro da tarde de São Francisco ou a uma da tarde de Sydney. É só uma mudança de calendário, um mês que acaba outro que começa, um dia que acaba outro que começa. O Ano Novo é uma construção abstracta diferente em cada país do mundo. Se quiséssemos ser pragmáticos, as "resoluções de Ano Novo" deviam ser tomadas todos os dias, cada dia, em vez de decididas no primeiro dia do ano e esquecidas no segundo.
Tudo isto porque passei uma maravilhosa passagem de ano — sozinho com o gato, em casa, no quentinho aconchegado do sofá, a ver bom cinema e a ler boa literatura, longe das celebrações mais ou menos frenéticas de quem quer que o Ano Novo tenha um significado especial. É só uma noite como as outras (e um bom pretexto, é certo, para apanhar uma tosga ou ficar na cama até mais tarde no dia a seguir) — e cabe-nos a nós investir o nosso significado nesta como noutras noites.
Dito tudo isto, Bom Ano para vocês.
25 de dezembro de 2007
A SOLUÇÃO DA PERPLEXIDADE NATALÍCIA
Afinal, a barulheira natalícia era a vizinha de cima a montar os móveis novos.
18 de dezembro de 2007
É NATAL, É NATAL
... e na mesa ao lado da minha no restaurante onde hoje almocei, três senhoras com aspecto de funcionárias públicas suburbanas e um senhor com ar de chefe de secção terminam o almoço, depois da sobremesa e do café, trocando lembrancinhas de Natal minuciosamente embrulhadas em papel festivo e transportadas em sacos de papel alusivos à quadra (ah, aquele Pai Natal bonacheirão tão típico de saco industrial de loja dos 300), que vão dos anjinhos decorativos às molduras com espaço para toda a família incluindo o novo netinho — as lembrancinhas que das duas uma: ou são logo enfiadas no fundo de uma gaveta ou numa prateleira recôndita do armário para de lá só sairem no caso de visita do ofertador; ou são consideradas giríssimas e ocupam desde logo lugar digno por entre o bric-à-brac de bugigangas que preenche cada recanto da lareira, da cómoda ou da cristaleira lá de casa.
2 de dezembro de 2007
ISTO DE UMA PESSOA NÃO ESTAR HABITUADO
Uma pessoa às tantas esquece-se que já é Dezembro e só dá por isso quando tem de ligar o aquecedor para a casa ficar aconchegadinha.
por outras palavras:
questões pertinentes,
viva mais a sua casa
29 de setembro de 2007
É TÃO BOM ENCONTRAR A SOLUÇÃO PARA UM PROBLEMA
Tenho para mim que as páginas de televisão da Time Out Lisboa me vão dar um jeitão do caraças. É que isto de ter finalmente uma TVGuia que se consegue ler...
por outras palavras:
é a cultura,
quem vê TV,
viva mais a sua casa
23 de setembro de 2007
AUTUMN CLEANING
Inspirado certamente pelo ímpeto arrumativo da Mui Nobre e Sábia Ursa Maior, o meu fim-de-semana foi dedicado à redecoração de duas zonas essenciais da Maison Mourinha, a saber a sala de estar e o escritório, com vista a um mais útil e ergonómico aproveitamento do espaço disponível, enquanto D. Diogo observava com nítida curiosidade as movimentações frenéticas de móveis entre a sala, o quarto das arrumações e o escritório.
Seguiu-se a confecção de uma reconfortante e mui saudável Sopa de Legumes à Urso (cebola, cenoura, abóbora, feijão verde e espinafres em caldo de galinha caseiro).
Seguiu-se a confecção de uma reconfortante e mui saudável Sopa de Legumes à Urso (cebola, cenoura, abóbora, feijão verde e espinafres em caldo de galinha caseiro).
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