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10 de setembro de 2007

OLHÁ BELA PEIXEIRADA

Nas renovadas urgências do hospital de São José, é o balcão de informações na sala de espera que parece dar autorização para os familiares poderem entrar para ver um ente querido sob observação no serviço de urgência. Digo parece porque a resposta - dada sempre de modo muito simpático pela assistente administrativa que toma conta das informações ao fim de semana - é que não podem deixar ninguém entrar, apesar de muito do restante pessoal do hospital poder ignorá-la a seu bel prazer.

Com a minha mãe internada de urgência ontem à tarde, estivemos cerca de três horas à espera de ser informados do estado de saúde dela ou sequer de alguém poder entrar para lhe dar uma palavrinha de conforto, e o meu pai e os meus irmãos foram sistematicamente perguntando informações que se resumiam ao mesmo: a minha mãe estava sob observação e para já não podiam deixar entrar e alguém nos viria dizer alguma coisa.

O facto é que ninguém nos veio dizer nada até ao momento em que a mesma senhora nos disse que afinal ela ia ficar internada durante a noite para observações e ninguém nos tinha vindo sequer entregar as roupas dela e que não lhe era possível deixar-nos entrar. A assistente administrativa a quem fomos solicitar as roupas foi infinitamente mais prestável que a senhora das informações e com duas chamadas telefónicas entrou na urgência com o meu pai para ele ir ver a minha mãe, com a anuência da enfermeira e do médico de serviço que autorizaram aquilo que a senhora das informações dizia eles não autorizarem.

Assim que a senhora das informações percebeu que tinha sido ultrapassada, foi fazer peixeirada com a assistente administrativa que tinha levado o meu pai lá dentro sem ser a obrigação dela. Os meus irmãos meteram-se na peixeirada para a meter no seu devido lugar.

Eu cá acho que devia fazer-se uma reclamação contra a senhora das informações, e acho tudo isto de uma profunda e inexplicável mesquinhez. O que interessa aqui não é quem manda; estamos a falar de um hospital. A ideia não é impedir as pessoas de saberem como está a saúde do familiar. E se tivéssemos confiado na senhora das informações, teríamos saído do hospital sem ver a minha mãe, sem saber como ela estava, sem as roupas.

(A minha mãe está melhor, muito obrigado. Não parece ser nada de grave.)

1 comentário:

menina-alice disse...

Eu acho sempre assustador, isso de só se ir a Roma se se tiver boca.