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18 de dezembro de 2004

POLAROID: BOMBEIROS

Como moro perto de S. Bento, estou habituado aos uivos das sirenes dos batedores da polícia que se ouvem pelo menos uma vez ao dia, escoltando as individualidades pelo meio do trânsito de Lisboa, e por vezes também à noite. Não costumo é ouvi-las na minha rua, e por isso fui à janela onde vi nada menos de três carros de bombeiros, strobes azuis a piscar, parados com poucos metros de intervalo, frente a uma das casas antigas da rua, mais abaixo. Mas da minha janela nem fumo nem fogo se via, apesar da movimentação de bombeiros à porta e das janelas acesas e mirones que vieram à rua perceber o que se passava. Em breve começou a desmobilização, com os bombeiros a regressar aos carros para se desequiparem, e confesso que não cheguei a perceber se houve realmente incêndio ou tudo não passou de um falso alarme. Tudo voltou à normalidade da qual, provavelmente, nunca se terá chegado a sair.

Creio que terá sido há dois anos que um episódio semelhante ocorreu no meu prédio, precisamente por alturas do Natal. Uma vela decorativa deixada acesa em cima do televisor durante o jantar pegou fogo ao televisor, cuja caixa plástica, ao derreter, criou uma fumarada e um cheiro nauseabundo que rapidamente se espalharam à caixa do elevador e das escadas — mas não havia fogo visível em lado nenhum, e só quando os bombeiros (em muito menos quantidade) vieram é que conseguimos perceber o que estava a acontecer. Durante os dias seguintes, todos os inquilinos do prédio deixavam os lenços negros das poeiras acumuladas no nariz sempre que se assoavam.

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