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7 de abril de 2004

TONIGHT IS WHAT IT MEANS TO BE YOUNG



"Estrada de Fogo" tem vinte anos e é um dos filmes que mais marcou a minha adolescência. Para quem nunca o viu (e serão muitos), cito o realizador Walter Hill nas notas da capa da banda-sonora:

STREETS OF FIRE is, by design, comic book in orientation, mock-epic in structure, movie-heroic in acting style, operatic in visual style and cowboy-cliche in dialogue. In short: a rock'n'roll fable where the Leader of the Pack steals the Queen of the Hop and Soldier Boy comes home to do something about it.

Since I much prefer films that make people remember things they've forgotten to those that try to discover something new, in STREETS OF FIRE I tried to make what I would have thought was a perfect movie when I was in my teens — I put in all the things I thought were great then and which I still have great affection for, custom cars, kissing in the rain, neon, trains in the night, high-speed pursuit, rumbles, rock stars, motorcycles, jokes in tough situations, leather jackets and questions of honor.


Fui buscar a velha cassete de video gravada, numa noite em que o filme deu na televisão, no velho Panasonic dos meus pais. O som já está a distorcer, a cor a desbotar, mas ainda deu para ver outra vez e perceber o encanto (cadê o DVD, Universal?). "Estrada de Fogo" é a série B para acabar com todas as séries B, reciclando diálogos, situações e personagens dos velhos westerns, transpostos para um cenário urbano dos anos 50, com o rock'n'roll como motor primário da história: uma cantora de sucesso em concerto de regresso a casa (Diane Lane) é raptada pelo líder psicótico de um gang de motards vestidos de cabedal (Willem Dafoe) e o antigo namorado, um ex-militar desordeiro (Michael Paré) parte em heróica missão de salvamento.

O que se segue ao longo de hora e meia é o retorno a uma idade primitiva do cinema, sem cinismos nem sofisticações; está necessariamente datado, mas isso apenas o enaltece mais. É um filme que acredita, vinte anos depois, que é possível reencontrar, por hora e meia, a inocência perdida e voltar a acreditar no poder redentor da música. E, de caminho, um dos muito poucos filmes a saber integrar o rock na sua narrativa sem se tornar ridículo.

Ou, como Jim Steinman diz na canção climáctica que encerra o filme (interpretada por ele próprio e pela sua orquestra rock de músicos sob o alter-ego Fire Inc., mas que no filme é "playbackada" por Diane Lane):

I've got a dream when the darkness is over
we'll be lyin' in the rays of the sun
but it's only a dream and tonight is for real
you'll never know what it means
but you'll know how it feels
it's gonna be over
before you know it's begun

it's all we really got tonight
stop your cryin' hold on
before you know it is gone
tonight is what it means to be young
tonight is what it means to be young

let the revels begin
let the fires be started
we're dancing for the restless and the broken-hearted
let the revels begin
let the fires be started
we're dancing for the desperate and the broken-hearted

(...)

say a prayer in the darkness for the magic to come
no matter what it seems
tonight is what it means to be young.


Bruce Springsteen nunca o conseguiu descrever melhor.

2 comentários:

Anónimo disse...

Adorava ver esse filme de novo. Poderias ajudar-me a arranja-lo?

Anatomia de Mim disse...

Mandei hoje vir do Ebay. Fica-m a 8€ ja com portes. Não tem legendas em português mas tem em inglês, já não é mau. Tou Feliz!!! :))))