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3 de abril de 2004

O MAIS BELO SOM DEPOIS DO SILÊNCIO

Magnífica, a entrevista de António Pinho Vargas a Carlos Vaz Marques publicada ontem no DNa. Rematando com uma das mais certeiras definições do Portugal contemporâneo que tenho lido:

Cá em Portugal parece que se criou uma espécie de aversão ao silêncio, que é um sintoma de medo colectivo. Revela medo do silêncio, medo de pensar. As pessoas vivem, o tempo todo, numa espécie de euforia mais ou menos demencial. Assumiu-se, como socialmente verdadeiro, que temos de estar sempre excitados, sempre alegres, sempre em rapidez. Isso verifica-se nos programas de televisão, no ritmo da publicidade, na rapidez com que se move a câmara. Deixou de haver espaço para pensar. Se eu estou a dar uma entrevista para a televisão e quero ficar a pensar três segundos cortam-me a palavra.

Provavelmente porque desapareceria o auditório se houvesse esse silêncio.

Sim, mas é interessante que eu vi uma entrevista ao compositor Arvo Pärt, no terceiro canal alemão, em que lhe fizeram uma pergunta e ele ficou a pensar seguramente mais de trinta segundos. Aquilo foi um momento de televisão extraordinário. Está a imaginar isso cá em Portugal? Não está, pois não? Nem eu. E é pena.

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