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27 de dezembro de 2003

A PÁTRIA RUSSA

Descobri a informação no Diário de Notícias hoje, já que não costumo "frequentar" muito o Arte. Ainda por cima, os clientes TV Cabo só têm o Arte à noite (à tarde é La Cinq). Mas, se ainda for a tempo, vale a recomendação de descobrir "Russian Ark" (2002), de Aleksander Sokurov, fita que nunca estreou comercialmente em Portugal mas passou num ciclo da extinta Zero Em Comportamento.

Por um lado, é um prodígio técnico: o filme foi rodado num único plano-sequência contínuo de 90 minutos, só possível com uma câmara experimental de alta definição, gravando a imagem directamente para um disco rígido. A câmara percorre os corredores do museu do Hermitage, em S. Petersburgo, acompanhada por um "guia" que nos apresenta episódios da história da Rússia. Como se assistíssemos em tempo real a uma peça que decorresse por todo o museu.

Confesso que não partilho do entusiasmo de muitos outros sobre o filme - as intenções de Sokurov são voluntariamente oblíquas, sente-se ali alguma nostalgia de uma Rússia imperial, alguma saudade de um mundo menos complexo, a par com uma meditação amarga sobre a psique nacional neurótica e depressiva. É um pouco filme de "velho do Restelo". E há também um lado de "visita guiada" promocional do Hermitage que não deixa de ser irritante.

Mas "Russian Ark" tem também algo de esfinge que não se desvenda à primeira, cala mais fundo do que as primeiras impressões deixam entender, e isso não se deve apenas à proeza técnica que o sustenta. Fica, por isso, o desafio a quem o quiser aceitar: é no Arte, às 22h35 (hora de França, creio que será mais cedo em Portugal). Mais à frente, segue-se-lhe um documentário sobre as rodagens.

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