Pesquisa personalizada

28 de dezembro de 2003

ENQUANTO ISSO, NO MUNDO REAL

Delicio-me com a leitura da edição especial de Natal/Fim de Ano do The Economist. O venerando semanário de economia e informação é coisa que nunca esperei dar por mim a ler, face à sua aparência sisuda, mas descubro-me cativado pela combinação de espírito - aquela variedade britânica de humor seco, certeiro e espirituoso conhecida por "wit" -, concisão, poder de síntese e clareza informativa, colorida por um certo tom altaneiro mas não raras vezes sensato de "nós-é-que-sabemos" herdado decerto da esmerada educação privada dos cavalheiros vitorianos. No Economist os textos não vêm assinados, o anonimato reina e é difícil encontrar marcas pessoais de quem escreve; o único estilo é o do próprio jornal (chamar-lhe "revista" é capaz de ser redutor, face à densidade do conteúdo). Não há protagonismos, o que cairia mal a algumas figuras políticas que bem conhecemos.

Seja como for, o meu amigo Rui tinha razão e é mesmo iluminante ler o Economist. Ainda por cima, o especial de fim de ano é particularmente refrescante na sua recusa em embarcar nos mesmos comboios que todos os outros órgãos de informação sobrecarregam nas edições de Dezembro: nada de figuras e factos do ano, nada de listas dos melhores, antes uma colecção/selecção de ensaios mais alargados sobre tópicos de sociedade, cultura, educação, memória, história que não têm forçosamente a ver com a ocasião. Ou como aproveitar sensatamente um momento em que as pessoas arranjam um bocadinho para estar sentadas calmamente a ler para lhes propor algo que não é apenas mais do mesmo. Parece-me inteligente.

Sem comentários: