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12 de novembro de 2006

NO TEMPO DO SALAZAR ISTO NAO ACONTECIA

O senhor dos seus 50 e muitos anos tem um cachecol de Portugal à volta do pescoço por cima do casaco de fazenda. Tem aquela "voz de aguardente" que identificamos com os lisboetas castiços dos bairros populares. Está sentado no autocarro cheio, tecnicamente a falar com as senhoras sentadas à sua frente e ao seu lado, mas ostensivamente a discursar para quem o quiser ouvir (e não há ninguém, neste 58 cheio em hora de ponta de fim de tarde, que não o consiga ouvir), e a discursar sobre tudo aquilo sobre o qual os lisboetas castiços dos bairros populares gostam de ter opinião. Desde nascer às portas de Benfica, quando a Amadora ainda pertencia ao concelho de Oeiras, a resmungar sobre a má educação da juventude contemporânea ("éramos dez filhos e o meu pai deu estudos a todos!"), vale tudo, rematado com a frase já habitual nos resmungos dos lisboetas castiços dos bairros populares de uma certa idade: "No tempo do Salazar isto não acontecia!"

1 comentário:

menina-alice disse...

Estava a ler o post e, à segunda repetição só desejava: "Oh, meu deus, faz com que ele escreva mais uma vez lisboetas castiços dos bairros populares de uma certa idade". E escreveste! ;)