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22 de junho de 2006

PARIS DAY TRIP

07h55 TP432 Lisboa/Paris Orly
O aeroporto de Lisboa está cheio de grupos (muitos deles "corporate") com camisolas, cachecóis, bandeiras portuguesas, prestes a apanhar o avião para ir apoiar a selecção. Este conceito da "day trip" parece estar a ganhar apoiantes. O vôo para Paris sai, contudo, com cerca de 20 minutos de atraso, explicados de modo pouco convincente pelo comandante com atraso no carregamento das malas e um pequeno problema técnico já resolvido. À chegada a Paris, o tempo está encoberto.

13h00-15h45 Marais
Chuvisca quando o táxi nos deixa no Marais. Decidimos almoçar perto da zona das entrevistas: escolhemos um "bistro" de esplanada na Rue Garon, debaixo de um toldo. Um delicioso pato confitado com batatas salteadas e salada de alface e rúcula com um vinagrete muito suave. Quando visito a casa de banho, fico surpreendido com a acanhada cozinha.

Já perto do fim da refeição, sentam-se na mesa do lado duas trintonas elegantes, com ar de mulheres de negócios do mundo da moda, acompanhadas por um trintão igualmente elegante, com ar dubitativamente bissexual, todos vestidos de preto justo. Ele pede só um café, elas bebem coca-cola e pedem sanduíches. Uma delas, loura, longos cabelos, mala de mão multicor ao colo, passa o almoço todo a falar ao telemóvel em italiano enquanto come a sanduíche de garfo e faca, e só quando no prato apenas resta um pouco de salada e uma ponta de pão torrado pousa o telemóvel.

16h00-18h00 Centre Pompidou, Le Centre Halles Café, Les Halles
Beaubourg (o nome comum do museu de arte moderna que é o Centre Pompidou) é um labirinto, um emaranhado de galerias dentro de uma estrutura que parece um emaranhado temporário e exposto de tubos e armações metálicas. Subimos as escadas rolantes exteriores pelos tubos laterais translúcidos que, do sexto andar, nos deixam ver a cidade em toda a sua magnificência tradicional, mesmo num dia cinzento e encoberto como este, com a Torre Eiffel a dominar a paisagem à esquerda.

Nas ruas, toda a gente parece estar a passear depois do almoço, tal o movimento nesta tarde de quarta-feira, dia da Fête de la Musique espalhada por toda a cidade.

19h20-20h00 RER linha B3 Châtelet Les Halles-Roissy Charles de Gaulle 1
De regresso ao aeroporto (mas não o mesmo de onde partimos), tomamos o comboio suburbano para Roissy — oito euros o bilhete, apanhamos um comboio quase imediatamente, e o João Miguel aponta correctamente que, assim que saímos da segunda estação ainda parisiense, Paris Nord, contam-se pelos dedos os passageiros de etnia branca no comboio, que se vai esvaziando lentamente nas estações suburbanas de Aulnay-sous-Bois e Sevran/Beaudottes. Uma vez saídos desta última, feia e subterrânea, o comboio viaja por entre bosques imaculadamente verdes até regressar ao subterrâneo em Roissy Charles de Gaulle.

20h00-21h45 Roissy Charles de Gaulle Satellite 6
21h45 TP429 Roissy Charles de Gaulle/Lisboa
A empregada do check-in da TAP é uma volumosa senhora negra simpatiquíssima que nos senta na traseira do avião em coxias contíguas, permitindo-nos assim viajar afastados do enorme grupo de pais e crianças que regressam de uma excursão-rodarte à Disneylândia de Paris, visível pelos lenços de pirata que alguns pais usam à cabeça por cima de T-shirts justas que deixam ver as barrigas de cerveja, pelas maquilhagens de princesa usadas por algumas meninas, pelos inúmeros sacos de plástico Disneyland Resort Paris que parecem proliferar, pelas orelhas, bonés e T-shirts do rato Mickey. A aterragem é um bocado camioneta-de-carreira-na-estrada-da-Malveira devido ao vento que se faz sentir lá fora.

1 comentário:

menina-alice disse...

Apesar do stress que comunicas ao leitor, consegues deixá-lo com saudades de Paris.