Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
16 de junho de 2012
15 de junho de 2012
continente, bom dia
"São nove euros e cinquenta e cinco," diz o empregado da caixa do supermercado à cliente que lhe perguntara se seria possível "fazer um embrulho" para uma das compras (e ao que ele respondera "tenho que ver").
"Puxa!", responde a senhora, "já não se pode sair de casa hoje! Já viu isto?", diz a uma vizinha que está na fila mais à frente à espera da sua vez, "Uma pessoa sai à rua e é sempre a gastar dinheiro, mais vale ficar trancada em casa, assim ao menos não gosto dinheiro."
"E já lá foi?" pergunta a vizinha na fila.
"Fui lá com a filha da minha prima," responde a senhora, "e já lhe conto uma assim que pagar", diz enquanto se dirige ao segurança da loja para ver se ele lhe faz o embrulho.
"Puxa!", responde a senhora, "já não se pode sair de casa hoje! Já viu isto?", diz a uma vizinha que está na fila mais à frente à espera da sua vez, "Uma pessoa sai à rua e é sempre a gastar dinheiro, mais vale ficar trancada em casa, assim ao menos não gosto dinheiro."
"E já lá foi?" pergunta a vizinha na fila.
"Fui lá com a filha da minha prima," responde a senhora, "e já lhe conto uma assim que pagar", diz enquanto se dirige ao segurança da loja para ver se ele lhe faz o embrulho.
3 de junho de 2012
738 (explicit lyrics)
Quatro turistas alemães, no autocarro, falam entre si em alemão. Um senhor de meia-idade, à aproximação do Marquês de Pombal, dirige-se-lhes em francês, apontando a paragem: "Marquês de Pombal. La prochaine." Os turistas não percebem se o senhor está a falar com eles e continuam a falar entre si. O senhor fala para o ar, com ar ofendido e desconfiado: "São estes cabrões que nos andam a roubar e nós sem fazer nada." Saem todos juntos na paragem do Marquês e enquanto o autocarro parte vejo o senhor a dirigir a palavra aos turistas alemães.
por outras palavras:
a voz do povo,
é a cultura,
isto anda tudo ligado,
observações descentradas,
portugal no seu melhor,
viva o transporte público
31 de maio de 2012
30 de maio de 2012
28 de maio de 2012
22 de maio de 2012
19 de maio de 2012
16 de maio de 2012
coisas que se ouvem nos transportes públicos
Tinaiger inconsciente, loura de cabelo escorrido, vestida de cores garridas psicadélicas muito veraneantes, com sorriso de aparelho dentário, auscultadores de MP3 (um num ouvido, o outro pendurado) e telemóvel pendurado ao pescoço num cordão colorido: "Ai, não era aqui que eu tinha de ter saído!" Tinaiger inconsciente, moreno, T-shirt, calções, ténis de lona e mochila de surf fashion: "Então?" Ela: "Não era aqui, a casa dele fica bué longe!" Ele: "Então boa viagem!"
15 de maio de 2012
live ditt hem
Alguém conhece alguém que more verdadeiramente numa casa tão impecável como as que aparecem no catálogo da IKEA (ou pelo menos alguém que não seja sueco)? Será a isto que se chama "marketing aspiracional"?
por outras palavras:
civilização,
descontextualizar por aí,
é a cultura,
isto anda tudo ligado,
observações descentradas,
questões pertinentes
14 de maio de 2012
30 de dezembro de 2011
o delírio das papilas gustativas
São Francisco é uma cidade onde os restaurantes têm um "prazo de validade" muito relativo. Alguns clássicos nunca passam de moda, como o sublime Anchor Oyster Bar, onde se continuam a fazer os melhores pastéis de caranguejo que já comi (e eu nem sou um grande fã de caranguejo) e uma caldeirada de marisco de chorar por mais (dizem-me, porque não sou fã), e as ostras são fresquíssimas (isso, então, é mesmo coisa que não consigo comer). A experiência do hamburger de caranguejo, contudo, sem chegar ao nirvana do pastel de caranguejo, é francamente digna de repetir. Os preços, hélàs!, não são muito convidativos, mas para uma refeição especial vale mesmo a pena.
Sítio novo também de preços um bocadinho puxados, mas francamente recomendável, é o Boxing Room. A ideia é uma espécie de "nouvelle cuisine" da Louisiana, ou de clássicos da comida americana revistos por uma sensibilidade do Sul americano (exemplo: a entrada de amendoins cozidos à "cajun", que são cozidos inteiros com especiarias e vêm para a mesa ainda por descascar num pequeno caldeirão; ou o hamburger da casa, servido com "molho de mostarda crioula"). A comida é muito boa, mas a arquitectura é fabulosa: uma sala alta e envidraçada em madeira, arejadíssima, bem no centro de Hayes Valley, onde antes ficava o Citizen Cake (que mudou entretanto para a Fillmore). Toque de classe: as bebidas são servidas em pequenas canecas-jarro.
Outra novidade de preços mais em conta é o Starbelly, menos um restaurante do que um café-restaurante com "comfort food" (que se pode traduzir por "comida da mamã") ideal para os pequenos-almoços-almoçarados que fazem aqui tanto furor ao fim de semana e aos feriados: saladas, sanduíches, pizzas. Bem boas, por sinal, e servidas numa sala comprida com esplanada coberta e aquecida nas traseiras (sim, porque mesmo de Natal eles comem na rua).
Em vez das sobremesas de restaurante, no entanto, bom mesmo é fazer-se ao gelado caseiro das geladarias gourmet da cidade. Duas em particular merecem tudo, e numa comi provavelmente o melhor gelado que já provei: na Smitten, recém-inaugurada num jardinzinho de Hayes Valley, onde o gelado é (juro-vos) fabricado à frente do cliente, misturado numa máquina de azoto líquido. Isto limita o número de sabores disponíveis diariamente (um máximo de quatro, com uma máquina para cada sabor) mas garante também que o gelado é literalmente fresquíssimo, acompanhado por coberturas feitas na casa (experiência: baunilha com malte, com cobertura de praline de cacau em nougat). De fabrico caseiro igualmente mas mais tradicional são os gelados da Bi-Rite Creamery em Dolores Park, com sabores como mel e alfazema, caramelo salgado ou chá Earl Grey, acompanhados por bolachas e biscoitos feitos diariamente na própria loja. As filas, mesmo em pleno Inverno, dão a volta à esquina (o gelado de baunilha e chocolate com coco que provei justificava plenamente a espera).
Desconfio que vou recuperar os cinco quilos que tinha perdido.
Sítio novo também de preços um bocadinho puxados, mas francamente recomendável, é o Boxing Room. A ideia é uma espécie de "nouvelle cuisine" da Louisiana, ou de clássicos da comida americana revistos por uma sensibilidade do Sul americano (exemplo: a entrada de amendoins cozidos à "cajun", que são cozidos inteiros com especiarias e vêm para a mesa ainda por descascar num pequeno caldeirão; ou o hamburger da casa, servido com "molho de mostarda crioula"). A comida é muito boa, mas a arquitectura é fabulosa: uma sala alta e envidraçada em madeira, arejadíssima, bem no centro de Hayes Valley, onde antes ficava o Citizen Cake (que mudou entretanto para a Fillmore). Toque de classe: as bebidas são servidas em pequenas canecas-jarro.
Outra novidade de preços mais em conta é o Starbelly, menos um restaurante do que um café-restaurante com "comfort food" (que se pode traduzir por "comida da mamã") ideal para os pequenos-almoços-almoçarados que fazem aqui tanto furor ao fim de semana e aos feriados: saladas, sanduíches, pizzas. Bem boas, por sinal, e servidas numa sala comprida com esplanada coberta e aquecida nas traseiras (sim, porque mesmo de Natal eles comem na rua).
Em vez das sobremesas de restaurante, no entanto, bom mesmo é fazer-se ao gelado caseiro das geladarias gourmet da cidade. Duas em particular merecem tudo, e numa comi provavelmente o melhor gelado que já provei: na Smitten, recém-inaugurada num jardinzinho de Hayes Valley, onde o gelado é (juro-vos) fabricado à frente do cliente, misturado numa máquina de azoto líquido. Isto limita o número de sabores disponíveis diariamente (um máximo de quatro, com uma máquina para cada sabor) mas garante também que o gelado é literalmente fresquíssimo, acompanhado por coberturas feitas na casa (experiência: baunilha com malte, com cobertura de praline de cacau em nougat). De fabrico caseiro igualmente mas mais tradicional são os gelados da Bi-Rite Creamery em Dolores Park, com sabores como mel e alfazema, caramelo salgado ou chá Earl Grey, acompanhados por bolachas e biscoitos feitos diariamente na própria loja. As filas, mesmo em pleno Inverno, dão a volta à esquina (o gelado de baunilha e chocolate com coco que provei justificava plenamente a espera).
Desconfio que vou recuperar os cinco quilos que tinha perdido.
28 de dezembro de 2011
I've got an iPhone and I'm going to use it
Toda a gente em São Francisco tem um smartphone (e oitenta por cento dos smartphones de São Francisco são iPhones, mas isso agora não interessa nada), e toda a gente em São Francisco está permanentemente a fazer qualquer coisa com o smartphone ao pequeno-almoço, ao almoço, ao café, ao jantar, enquanto bebe um copo, etc. Não é um exclusivo americano, nem de São Francisco, mas atinge aqui uma dimensão que ainda não senti em Lisboa - ao ponto de ter visto alguém no Café Mystique a tirar uma foto do almoço com o iPhone. Tenho a sensação que, agora sim, estamos a entrar naquilo a que se chama "realidade aumentada".
por outras palavras:
a tecnologia é uma coisa maravilhosa não é?,
if you're going to San Francisco,
isto anda tudo ligado,
juventude em marcha,
made with a Mac,
telemóvel
25 de dezembro de 2011
timeout
Nos seis anos desde que visitei São Francisco pela primeira vez, muitas coisas têm vindo a mudar. Pode parecer uma verdade de La Palisse, mas é também um reflexo do modo como criamos "âncoras" numa cidade e da maneira como elas resistem, ou não, ao tempo.
Gostava de tomar um pequeno-almoço "à americana" no Welcome Home, que já fechou há uns anos. No seu lugar está agora o Café Mystique, onde não se come mal, mas que arma mais ao pingarelho do que o Welcome Home e onde o Michael Levy ia tendo um ataque com o serviço um bocadinho confuso. Sítios como o Blue e o Luna Café praticamente morreram em termos de qualidade da comida e do serviço; a cadeia Firewood continua a ser aquela solução eficaz de comida simples, funcional, bem feita e rápida. Dizem-me que o 2223 vai fechar de vez no Ano Novo, mas o La Méditerranée continua a ser uma boa opção, e o Nob Hill Cafe continua igual a si mesmo. A galeria comercial Metreon, ancorada por uma super-loja da Sony, está praticamente fechada - apenas sobraram os cinemas da AMC e pouco mais; a antiga loja da Virgin, mesmo em frente da loja da Apple, é agora mais uma loja de roupa; com a falência da Borders, a grande livraria da Union Square é agora um enorme espaço vazio e fechado. O supermercado Cala Foods da 18th passou para a cadeia Mollie Stone's.
O Castro Theatre, esse, continua em grande, com um programa de luxo que já passou pela Árvore da Vida de Malick (que ganha uma dimensão completamente nova visto com alguém especial) e, antes que 2011 acabe, ainda vai trazer dois Minnellis - Não Há como a Nossa Casa e A Roda da Fortuna -, dois Donen/Kelly - Serenata à Chuva e Um Dia em Nova Iorque -, Os Guarda-Chuvas de Cherburgo de Demy e Uma Mulher é uma Mulher de Godard. Dou por mim a pensar a falta que fazia uma sala destas em Lisboa, mas depois penso melhor e dou-me feliz por termos a Cinemateca. Os bilhetes é que estão carotes para o nível de vida local - dez dólares (sete euros) nas sessões normais do Castro, apenas dois ou três dólares mais baratos que uma sessão num dos grandes multiplex da cidade (sem 3D, evidentemente, com o qual o preço salta para os quinze dólares, ou onze euros e meio).
As ruas têm estado a abarrotar de consumistas natalícios; as compras nas lojas do costume (uma Amoeba, uma City Lights - e, actualmente, em São Francisco, livros e discos só podem mesmo ser comprados nestas lojas "mom-and-pop") ficaram, por isso, para depois do Boxing Day, o dia a seguir ao dia de Natal. Os Pittsburgh Steelers perderam escandalosamente com os San Francisco 49ers num jogo que ficou infame por ter faltado a luz duas vezes, mas compensaram esmagando os St. Louis Rams 27-0 na véspera de Natal (e sem o Big Ben na equipa).
E é bom deixarmo-nos embarcar em novas possibilidades de tradições de Natal. O espectáculo de Natal anual do San Francisco Gay Men's Chorus no Castro, equivalente local (numa estética obviamente menos convencional) do Concerto do Ano Novo de Viena, foi uma surpreendente revelação de bom humor e sábio equilíbrio entre solenidade e prazer. E a Missa do Galo anglicana, numa Grace Cathedral a abarrotar (hora e meia antes do início do serviço já quase não havia lugar sentado), um fascinante momento de ritual. Com uma atenção tão minuciosa à música sacra que mesmo os não-religiosos, como eu, puderam apreciar a beleza do momento.
Hoje é um momento de pausa. A todos um bom Natal.
Gostava de tomar um pequeno-almoço "à americana" no Welcome Home, que já fechou há uns anos. No seu lugar está agora o Café Mystique, onde não se come mal, mas que arma mais ao pingarelho do que o Welcome Home e onde o Michael Levy ia tendo um ataque com o serviço um bocadinho confuso. Sítios como o Blue e o Luna Café praticamente morreram em termos de qualidade da comida e do serviço; a cadeia Firewood continua a ser aquela solução eficaz de comida simples, funcional, bem feita e rápida. Dizem-me que o 2223 vai fechar de vez no Ano Novo, mas o La Méditerranée continua a ser uma boa opção, e o Nob Hill Cafe continua igual a si mesmo. A galeria comercial Metreon, ancorada por uma super-loja da Sony, está praticamente fechada - apenas sobraram os cinemas da AMC e pouco mais; a antiga loja da Virgin, mesmo em frente da loja da Apple, é agora mais uma loja de roupa; com a falência da Borders, a grande livraria da Union Square é agora um enorme espaço vazio e fechado. O supermercado Cala Foods da 18th passou para a cadeia Mollie Stone's.
O Castro Theatre, esse, continua em grande, com um programa de luxo que já passou pela Árvore da Vida de Malick (que ganha uma dimensão completamente nova visto com alguém especial) e, antes que 2011 acabe, ainda vai trazer dois Minnellis - Não Há como a Nossa Casa e A Roda da Fortuna -, dois Donen/Kelly - Serenata à Chuva e Um Dia em Nova Iorque -, Os Guarda-Chuvas de Cherburgo de Demy e Uma Mulher é uma Mulher de Godard. Dou por mim a pensar a falta que fazia uma sala destas em Lisboa, mas depois penso melhor e dou-me feliz por termos a Cinemateca. Os bilhetes é que estão carotes para o nível de vida local - dez dólares (sete euros) nas sessões normais do Castro, apenas dois ou três dólares mais baratos que uma sessão num dos grandes multiplex da cidade (sem 3D, evidentemente, com o qual o preço salta para os quinze dólares, ou onze euros e meio).
As ruas têm estado a abarrotar de consumistas natalícios; as compras nas lojas do costume (uma Amoeba, uma City Lights - e, actualmente, em São Francisco, livros e discos só podem mesmo ser comprados nestas lojas "mom-and-pop") ficaram, por isso, para depois do Boxing Day, o dia a seguir ao dia de Natal. Os Pittsburgh Steelers perderam escandalosamente com os San Francisco 49ers num jogo que ficou infame por ter faltado a luz duas vezes, mas compensaram esmagando os St. Louis Rams 27-0 na véspera de Natal (e sem o Big Ben na equipa).
E é bom deixarmo-nos embarcar em novas possibilidades de tradições de Natal. O espectáculo de Natal anual do San Francisco Gay Men's Chorus no Castro, equivalente local (numa estética obviamente menos convencional) do Concerto do Ano Novo de Viena, foi uma surpreendente revelação de bom humor e sábio equilíbrio entre solenidade e prazer. E a Missa do Galo anglicana, numa Grace Cathedral a abarrotar (hora e meia antes do início do serviço já quase não havia lugar sentado), um fascinante momento de ritual. Com uma atenção tão minuciosa à música sacra que mesmo os não-religiosos, como eu, puderam apreciar a beleza do momento.
Hoje é um momento de pausa. A todos um bom Natal.
por outras palavras:
a aventura continua,
É Natal,
home away from home,
if you're going to San Francisco,
isto anda tudo ligado,
o imaginário cultural
19 de dezembro de 2011
é Natal, é Natal
Estão a ver a cena da Fantasia de Natal com o palhaço que foi com o coelhinho no comboio ao circo? Juro que ontem vi um presépio de Natal que tinha uma montanha-russa. Não estou a brincar. Tentaremos obter provas.
18 de dezembro de 2011
UA 931
À minha frente no voo para São Francisco, está um pai indiano que viaja com os dois filhos; ele e o filho estão junto à janela na fila da frente, a filha na janela da fila à frente deles. Ao longo das dez horas de voo, ele passa a vida a incomodar a vizinha da coxia para ir à bagageira buscar chocolates, batatas fritas, livros, iPods e afins que estão numa das duas malas ou na mochila que estão na bagageira por baixo dos casacos dos três, ou então passa a vida a trocar de lugar com o filho ou com a filha, mesmo quando o voo atravessa turbulência e o sinal de cintos apertados está ligado. A senhora da coxia, que já teve de ficar sem jantar porque não gostava da opção de galinha ou massa e não havia refeições vegetarianas, não protesta, mas um dos comissários de bordo, quando vou à casa de banho, diz-me, "Se depois puder dizer ao senhor que está na fila da frente para ficar sentado quando está o sinal de cintos apertados ligado... Eu já percebi que não deve servir de muito, mas faz parte das minhas funções."
17 de dezembro de 2011
TP 354 / UA 931
No voo para Londres, a comissária de bordo chamava-se Cláudia Vanessa. No voo para São Francisco, há uma hospedeira chamada Vanessa, que fala francês com os colegas e resmunga de modo muito francês: que está muito calor, que os serviços nunca mais acabam. E que parece estar tão concentrada em resmungar que passa o tempo todo distraída.
16 de dezembro de 2011
TP 354
A passageira brasileira sentada atrás de mim chama-me. "Desculpe, importava-se de não recostar a cadeira para trás? Já estou com o joelho no limite."
TP 354
No autocarro que leva do terminal de Lisboa para o avião para Londres, ficamos alguns momentos com as portas fechadas à espera do OK para seguir. Há um grupinho de amigas - colegas de repartição? colegas de escritório? de secretaria? - uma das quais não se cala, resmunga por estarmos parados com as portas fechadas (apesar de estar frio às oito da manhã), protesta porque diz que qualquer atraso são "duas ou três horas a menos que estamos em Londres" e diz à amiga "estás enjoada? estás aí tão caladinha quando costumas ser tão tagarela".
6 de dezembro de 2011
da série "pequenos irritantes quotidianos", #52
As senhoras de meia-idade que, nos transportes públicos, decidem mandar muitos beijinhos e brincar com os/as bebés e os meninos/meninas dos outros, o que geralmente tem mau resultado nas criancinhas.
2 de dezembro de 2011
tudo isto existe
Temos mesmo de ouvir agora fado no metro? A sério? Era mesmo preciso? E já alguém pensou que não é "cá para dentro" que temos de vender o fado como património da humanidade, mas "lá para fora"?
30 de novembro de 2011
da série "pequenos irritantes quotidianos"
Pessoas que nos autocarros com ar condicionado quentinho em dias de frio abrem a janela na mesma apesar de a janela ter escrito "favor não abrir".
29 de novembro de 2011
14 de novembro de 2011
a propósito de métodos perigosos
É curioso como as acusações de "classicismo" muitas vezes dizem mais de quem as profere do que dos que dele são acusados.
10 de maio de 2011
as maravilhas da vida moderna
Porque é que as pessoas, quando estão a almoçar sózinhas, pegam no telemóvel e começam a falar em altos berros com as pessoas com quem não falam há muito tempo?
8 de maio de 2011
the return of os pais não deviam mesmo gostar nada dela
A senhora não tem certamente culpa do nome que tem, mas lá que é muito infeliz é...
5 de maio de 2011
3 de maio de 2011
20 de abril de 2011
18 de abril de 2011
não temos certeza que os pais gostassem verdadeiramente dele
Acabadinho de ver numa reportagem televisiva sobre um acidente de viação: o agente da GNR que falou à SIC era (wait for it) ...
o primeiro sargento Catita.
o primeiro sargento Catita.
11 de abril de 2011
clientes de livraria de todo o mundo, uni-vos!
Queria só dizer que, depois que o Alface Grande me fez ver a luz, não quero outra coisa.
6 de abril de 2011
1 de abril de 2011
31 de março de 2011
um bom modo de garantir que os psicólogos continuarão a ter clientela
O pai não é capaz de se calar, a dizer ao filho (novinho, novinho, eu diria escola primária) que "o que pediste para almoçar está a levar muito tempo", "assim não conseguimos chegar a tempo", "assim é muito apertado ir buscar-te para almoçar e depois voltar a tempo da escola", "da próxima vez vamos ao McDonald's".
Fiquei com vontade de esbofetear o homem e de lhe dizer: pare lá com essa merda, a culpa não é do miúdo que não tem idade ainda para perceber essas coisas. É sua que não pensou nisso e quis fazer a vontade ao miúdo e agora arrependeu-se. Não o fiz. Mas não sei se não devia ter feito.
Fiquei com vontade de esbofetear o homem e de lhe dizer: pare lá com essa merda, a culpa não é do miúdo que não tem idade ainda para perceber essas coisas. É sua que não pensou nisso e quis fazer a vontade ao miúdo e agora arrependeu-se. Não o fiz. Mas não sei se não devia ter feito.
30 de março de 2011
29 de março de 2011
Clap clap clap # 2
Subscrevo por inteiro, com duas ressalvas: nunca foi um prazer culpado (nem culposo); e nunca usei, deus me livre!, T-shirts dos Spacemen 3.
28 de março de 2011
ajuda sinhôr
Não sou apologista das brincadeiras com a miséria alheia (embora confesse que, depois de ter lido isto e suas sequelas, percebo que o humor negro seja a única maneira de lidar com certas coisas).
Mas há qualquer coisa de simultaneamente perturbante e ridículo quando vejo o mesmo pedinte romeno que quase grita "ajuda sinhôr" enquanto estica o copo onde pede e estica o corpo em direcção às pessoas que entram no supermercado noutros sítios consoante a hora ou o dia. Num dia vejo-o à porta do Minipreço da Alexandre Herculano, noutro à porta de uma pastelaria de Campo de Ourique, noutro ainda à porta do café ao lado da Cinemateca, às vezes a encontrar-se com uma outra pedinte romena que alterna com ele à porta do Minipreço. É quase como se estivessem a cumprir expediente de acordo com uma escala de serviço.
Mas há qualquer coisa de simultaneamente perturbante e ridículo quando vejo o mesmo pedinte romeno que quase grita "ajuda sinhôr" enquanto estica o copo onde pede e estica o corpo em direcção às pessoas que entram no supermercado noutros sítios consoante a hora ou o dia. Num dia vejo-o à porta do Minipreço da Alexandre Herculano, noutro à porta de uma pastelaria de Campo de Ourique, noutro ainda à porta do café ao lado da Cinemateca, às vezes a encontrar-se com uma outra pedinte romena que alterna com ele à porta do Minipreço. É quase como se estivessem a cumprir expediente de acordo com uma escala de serviço.
27 de março de 2011
escolas gerais
O carteirista do 28 só traiu que era carteirista quando, ao sair do eléctrico, deixou-o arrancar antes de vestir o casaco e desatar a correr.
26 de março de 2011
frase do dia
"Ser português é um pouco mais do que gravar um soundbyte a apoiar a selecção nacional de futebol."
dúvida existencial
Ainda estou a tentar perceber porque é que os nutricionistas têm sempre tão mau aspecto.
21 de março de 2011
20 de março de 2011
[24]
Vejo Paulo Portas a dirigir-se ao congresso do CDS-PP e lembro-me do que Helena Sacadura Cabral disse há um par de semanas a Nicolau Breyner: "o Paulo abraçou a política como se fosse uma carreira eclesiástica".
19 de março de 2011
título da semana
História do Mundo sem as Partes Chatas
(visto a atravessar a Álvares Cabral na mão de uma rapariga)
(visto a atravessar a Álvares Cabral na mão de uma rapariga)
17 de março de 2011
o tempo que passa
O tempo, de facto, não faz bem nenhum a algumas coisas. Este álbum, nos idos de 1985/1986, foi coisa que me bateu muito forte. Hoje, confesso que percebo muito bem o "sonho americano" de Jim Kerr e amigos mas já não consigo olhar para ele da mesma maneira. O teledisco, esse, sempre foi um horror.
15 de março de 2011
é terça-feira
Nos noticiários fala-se da crise política, da greve dos camionistas, da tragédia do Japão, dos confrontos na Líbia. Mas no café, de manhã, o televisor está ligado na TVI em altos berros, onde um polícia fardado canta a "Ave Maria" de Schubert com letra em português.
À mesa do almoço, as cinco senhoras confrontam os filmes que têm visto. Falam entusiasmadas de "Algures", "Poesia", querem ir ver "Copacabana", às tantas falam dos olhos de Javier Bardem. A palavra que usam é sempre a mesma: "sensibilidade". No supermercado, os miúdos do liceu em intervalo alarvam no bolo de aniversário da festa de mudança de nome, rodeado de serpentinas e confetti.
À mesa do almoço, as cinco senhoras confrontam os filmes que têm visto. Falam entusiasmadas de "Algures", "Poesia", querem ir ver "Copacabana", às tantas falam dos olhos de Javier Bardem. A palavra que usam é sempre a mesma: "sensibilidade". No supermercado, os miúdos do liceu em intervalo alarvam no bolo de aniversário da festa de mudança de nome, rodeado de serpentinas e confetti.
7 de dezembro de 2010
Hitchens & Dawkins
"Militant agnostic: I don't know and you don't either"
(lido num autocolante de pára-choques algures em São Francisco)
(lido num autocolante de pára-choques algures em São Francisco)
6 de dezembro de 2010
civilização
Em Londres, a 17 de Novembro, todos os jornais dedicavam resmas e resmas de páginas ao futuro casamento real entre o príncipe Harry e Kate Middleton.
Em Londres, a 5 de Dezembro, todos os jornais dedicavam páginas à sua indignação por Inglaterra ter perdido o concurso para organizar o Mundial 2018.
Em Londres, a 5 de Dezembro, todos os jornais dedicavam páginas à sua indignação por Inglaterra ter perdido o concurso para organizar o Mundial 2018.
10 de novembro de 2010
chamada de valor acrescentado
Enquanto estava a tomar café, passou na rua uma carrinha do exército, verde-tropa. Nas traseiras vinha um número de telefone com uma legenda muito apropriada: "Linha verde".
7 de novembro de 2010
O Cintra era célebre pelo seu lado de "papa-filmes" que procurava ver tudo. Comentávamos sempre com um sorriso porque assim que a projecção de imprensa se atrasava mais de cinco minutos ele começava a bufar e porque assim que o genérico final começava a correr ele levantava-se e ia-se embora logo.
O Cintra ensinou-me a gostar, e a gostar muito, de cinema, e a ver como o passado do cinema está sempre aqui no presente.
O Cintra não vai voltar a aparecer nos visionamentos. Vou ter saudades dele.
O Cintra ensinou-me a gostar, e a gostar muito, de cinema, e a ver como o passado do cinema está sempre aqui no presente.
O Cintra não vai voltar a aparecer nos visionamentos. Vou ter saudades dele.
3 de novembro de 2010
Comentários
No blog político da revista Time, Swampland, Jay Newton-Small diz a propósito da internet e do civismo do discurso várias coisas com que eu concordo a cem por cento - e que estão muito longe de serem exclusivos americanos.
31 de outubro de 2010
música feliz
Faz muito tempo que não ouvia nada deles e esta canção disparou automaticamente para o repeat do Antunes. É música feliz.
Underworld: "Diamond Jigsaw" do CD Barking (Underworld/Cooking Vinyl, Set 2010). Video dirigido por Simon Taylor, Jody Hudson-Powell e Luke Powell, incluido no DVD que acompanha o disco.
Underworld: "Diamond Jigsaw" do CD Barking (Underworld/Cooking Vinyl, Set 2010). Video dirigido por Simon Taylor, Jody Hudson-Powell e Luke Powell, incluido no DVD que acompanha o disco.
30 de junho de 2010
Horror. Os Beatles acabaram
Podemos dizer que "Perguntem ao Carlos Queiroz" é a variação ludopedico-lusa de "A culpa foi da Yoko"?
27 de junho de 2010
Redirect
Serve esta para anunciar que o meu tumblr está aberto. Tudo o que é link, agregação e observação do que circula no mundo do media pode ser a partir daqui seguido neste endereço. O que for criação continuará a aparecer aqui.
16 de junho de 2010
O metro de Nova Iorque como ponto de encontro do clube do rato Mickey
E a primeira vez que ouço falar de ratazanas com tensão alta!
13 de junho de 2010
E depois quem é que limpa a porcaria?
Frase do dia: o nosso (salvo seja!) Cristiano Ronaldo diz que quer explodir no Mundial e que os golos são como o ketchup. Chega de tanta metáfora!
9 de junho de 2010
Papel ou digital?
A Susana Almeida Ribeiro fala dos desaires da Newsweek como possível exemplo do que vai acontecer às revistas semanais: Nos anos 80 queríamos revistas semanais. E hoje? - Media - PUBLICO.PT
8 de junho de 2010
7 de junho de 2010
Penso, logo insisto
Ainda há quem esteja atento aos problemas: Nicholas Carr on the 'Superficial' Webby Mind - Culture - The Atlantic
Não deixe para hoje o que pode fazer amanhã
... ou, pelo menos, perceba porquê. Aqui: A Procrastination Test to Uncover Procrastination Patterns | Psychology Today
2 de junho de 2010
Finalmente, alguém que me compreende (e não é só Oscar Wilde)
The Animal That Imagines - The Daily Dish | By Andrew Sullivan
Só aqui entre nós, fico sempre desconfortável com situações embaraçosas.
1 de junho de 2010
31 de maio de 2010
O verdadeiro artista
"O treinador é um bom treinador" - José Mourinho em conferência de imprensa madrilena hoje de manhã.
30 de maio de 2010
25 de maio de 2010
Tenham medo. Tenham muito medo (outra vez)
Num momento do programa da SIC "O Regresso dos Incríveis", Carlos Queiroz definiu-se como potencialmente "o Cristiano Ronaldo do bilhar".
23 de maio de 2010
ANOS 80 BEM MEDIDOS
Olha para o que me havia de dar este fim-de-semana.
Stevie Nicks, "I Can't Wait" (in Rock a Little, Modern/Parlophone, 1985)
Stevie Nicks, "I Can't Wait" (in Rock a Little, Modern/Parlophone, 1985)
21 de maio de 2010
20 de maio de 2010
Frase do dia
"What should concern us is not that we can't take what we read on the internet on trust -- of course you can't, it's just people talking -- but that we ever got into the dangerous habit of believing what we read in the newspapers or saw on the TV -- a mistake that no one who has met an actual journalist would ever make."
Douglas Adams, via aqui
Douglas Adams, via aqui
19 de maio de 2010
Desculpem qualquer coisinha
Numa coisa dou razão ao senhor primeiro-ministro: ele não tem de pedir desculpa por fazer o seu trabalho (nem ele, nem, aliás, ninguém, embora por cá se use muito a desculpa "peço desculpa mas estou só a fazer o meu trabalho". Tenho para mim que só se deve pedir desculpa por fazer o seu trabalho quando se o está a fazer mal, mas nesse caso geralmente não é usado...).
Noutra coisa ainda lhe dou razão: o mundo muda muito depressa. Mas isso, na boca dele, parece uma desculpa por estar fazer o seu trabalho.
Noutra coisa ainda lhe dou razão: o mundo muda muito depressa. Mas isso, na boca dele, parece uma desculpa por estar fazer o seu trabalho.
18 de maio de 2010
Eu sempre gostei destes gajos
...e agora que deram em pop, ainda mais.
Blind Zero, "Snow Girl", real. Artur Serra Araújo
Blind Zero, "Slow Time Love", real. Toni Ferrino
17 de maio de 2010
15 de maio de 2010
Viva mais a sua casa
A simples ideia de haver um site inteiramente dedicado a explicar ao povo como é que se fazem coisas diferentes com os móveis do IKEA e ele não ser uma manobra de marketing da multinacional sueca é algo de fascinante.
12 de maio de 2010
A perfeição existe.
The National - "Bloodbuzz Ohio" (official video) from The National on Vimeo.
(do álbum High Violet, 4AD 2010; realização Hope Hall, Andreas Burgess e Caryn Besser)
(a propósito: a Fnac hoje ainda não tinha. Não sei de que é que as editoras se queixam quando as pessoas querem comprar e os discos não estão nas lojas.)
11 de maio de 2010
Os primos da América II
Pequena série dedicada aos parentes afastados por afinidade de D. Diogo Antunes da Silva de Lisboa von Satori de Mourinha.
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| Thumbelina Pentheroudakis, Seattle, Washington, Março de 2010 |
Fado, Fátima e futebol
O campeonato do Benfica no domingo, a convocatória da selecção ontem, o Papa hoje e amanhã e até sexta-feira, tudo de manhã à tarde e à noitinha. Só falta o Fado para os tempos da outra senhora se manifestarem novamente no Portugal de 2010. (Mas podem sempre ir ver o filme do João Canijo.)
10 de maio de 2010
Como perceber se se tem um ouvido perfeito
Estou com o mocinho que diz às tantas que não sabe se conseguiria distinguir a diferença de som entre um MP3 e um leitor de CD de altíssima definição. Nem toda a gente tem um ouvido perfeito.
6 de maio de 2010
Titulo do ano (descontextualizando, necessariamente)
Há um bocadinho de Neandertal dentro de nós
(NB: em algumas pessoas, talvez até mais do que um bocadinho)
5 de maio de 2010
Os primos da América I
Pequena série dedicada aos parentes afastados por afinidade de D. Diogo Antunes da Silva de Lisboa von Satori de Mourinha.
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| Max Finger-Carkin, Manchester, New Hampshire |
4 de maio de 2010
3 de maio de 2010
1 de maio de 2010
29 de abril de 2010
28 de abril de 2010
27 de abril de 2010
26 de abril de 2010
25 de abril de 2010
24 de abril de 2010
O abismo tecnológico
Depois deste texto, tenho a impressão que percebo melhor porque é que o meu pai nunca conseguiu programar o gravador de video.
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