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14 de novembro de 2009

OPERAÇÕES ESPECIAIS

Acabo de ouvir no noticiário da noite da SIC que a GNR iniciou no Alentejo uma operação para impedir os furtos nas plantações de azeitona que se chama "Operação Azeitona Segura".

Presumo que, brevemente, teremos a "Operação Bolota Segura", a "Operação Uva Segura", a "Operação Amêndoa Segura" e por aí fora...

13 de novembro de 2009

QUESTÕES EXISTENCIAIS DE SEXTA-FEIRA

Porque é que os meus sonhos envolvem sempre
a) carruagens do metro
b) a minha mãe a descer escadas
c) alguém a telefonar-me para me convidar para fazer qualquer coisa que não me sabem explicar
d) combinações variáveis dos itens acima?

1 de novembro de 2009

24 de outubro de 2009

NEVER AGAIN

Há poucas coisas mais estranhas do que sermos interpelados na rua por alguém que não vemos há 25 anos, sobretudo quando a pessoa interpelada (no caso, eu) tem uma memória fotográfica inexistente, daquela do género "eu-sei-quem-este-tipo-é-mas-não-estou-nada-a-ver", que nos deixa sempre completamente à toa qualquer que seja a opção que tomamos.

No caso, eu sabia perfeitamente quem era a pessoa, mas não tinha nada a imagem na cara — bastou vir o nome para eu me lembrar, Escola Secundária dos Anjos no tempo antes de ela ser um centro de apoio ao emigrante, aí 1983? 8º? 9º? 10º? Já não me lembro, mas lembro-me que foi na altura em que comecei a ouvir música mesmo a sério, e o Miguel lembrou-me que tinha lá em casa uma das primeiras críticas de discos que escrevi, sobre os Classix Nouveaux (of all people, mas eu na altura era um neo-romântico gorduchito que não tinha coragem de me vestir à neo-romântico, os Duran Duran eram o nec plus ultra). Lembro-me, sobretudo, que o Miguel foi a primeira pessoa a apresentar-me aos U2, emprestou-me o War e eu escrevi-lhe um texto em que dizia que o disco seria tão melhor se o Larry Mullen fosse um bom baterista (admito que a aparelhagem não estivesse bem equalizada).

Para algumas pessoas, sou gajo para não ter aprendido muito desde então. Eu, pessoalmente, discordo (o War não é o meu U2 favorito, mas é um discão do caraças). Mas os Classix Nouveaux continuam a ser um prazer culpado.

PDC (projecto de digitalização em curso)

Isto continua a ser muito bom. Isto também (embora se alguém me explicasse porque é que os telediscos eram um bocado para a treta eu agradecia). Isto é absolutamente fabuloso e eu já me tinha esquecido como o álbum era notável (outro exemplo aqui, embora a qualidade do som seja merdosa).

5 de outubro de 2009

POSTAL DE LONDRES

War Horse no New London Theatre - mil espectadores num auditório acanhado construído em 1973 nos andares superiores de um prédio em pleno Soho, acessível através de uma interminável sucessão de lances de escadas, uma peça que o Alex definiu como "magia pura", com o trabalho da Handspring Puppet Company sul-africana nesta adaptação do romance de Michael Morpurgo absolutamente sublime na capacidade de recriar a alma do cavalo com três marionetistas visíveis a darem corpo e vida a um esqueleto articulado.

Uma visita à Waterstone's de Piccadilly (203-206 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), seis andares de livros no antigo edifício da loja de cavalheiros Simpsons - uma extraordinária arquitectura Art Deco a que a cadeia de livrarias emprestou uma funcionalidade pragmática e um stock absolutamente interminável. Um par de números mais abaixo, descubro a extraordinária Hatchard's (187 Piccadilly, metro Piccadilly Circus), quatro pisos que se confirmam de maneira notável à imagem que temos de uma livraria inglesa: cheia de cantos, confortável, discreta, elegante, educada, vazia nesta hora de almoço de domingo.

Uma sanduíche, um café e um hedonista quadrado de caramelo no Caffe Nero do Piccadilly Market, no jardim da igreja de S. Jaime (197 Piccadilly, metro Piccadilly Circus) com a caravana verde do acompanhamento psicológico a dar para o túmulo do visconde de Southwood.

A desilusão de ver a HMV de Oxford Street (150 Oxford Street, metro Oxford Circus) reduzida a uma sombra do que era, com o stock de discos e livros muito reduzido para dar lugar a DVDs e jogos de computador, mesmo que a secção de clássica do e nichos do piso inferior continue muito boa. Mas o catálogo profundo tem falhas indesculpáveis e os livros já não são o que foram. Trago os novos dos Prefab Sprout e David Sylvian (mais baratos do que se os comprasse cá), a reedição de Reckoning dos R. E. M., os remasters de Unhalfbricking e Liege and Lief dos Fairport Convention (que nem sequer encontro cá, e que encontro mais baratos do que se os comprasse cá). Mas nem na HMV nem na Hatchard's nem na Waterstone's encontro o livro dos 50 anos da Island, e o Stay Positive dos Hold Steady é mentira.

A descoberta dos maravilhosos e suculentos hamburgers da cadeia Byron (slogan: "proper hamburgers". Absolutamente) e das pastelarias francesas Paul (ai aquele macaron praline), ainda por cima lado a lado na Gloucester Road para dose dupla de hedonismo (Byron: 75 Gloucester Road, com lojas na Kensington High Street, no centro comercial Westfield em White City e na King's Road; Paul: 73 Gloucester Road, com mais 21 lojas em Londres).

A maravilhosa cama do Crowne Plaza London Kensington, uma das melhores em que já dormi; o próprio hotel, recentemente renovado, é simpático, moderno, confortável — só precisa de pessoal mais bem treinado...

25 de setembro de 2009

REVISTA DE IMPRENSA

Adoro descontextualizar títulos de notícias de jornais. Como estes do Público de hoje:

"O mundo não pode pedir ao G20 mais do que o G20 é capaz de dar" (ah?)

"Portugal é sede de supercomputação" (e ninguém deu por nada)

"A avó foi virgem para o casamento, a neta gostava de experimentar swing" (o que é que o sexo tem a ver com a dança?)

"Kirk vai substituir Ted Kennedy" (para dar um ar Star Trek à coisa)

24 de setembro de 2009

À ATENÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Não vejo, sinceramente, qual pode ser o interesse de ter painéis publicitários com relógios que supostamente informam os transeuntes das horas que são quando às 10h47 um painel ali no Saldanha diz que são 19h38...

23 de setembro de 2009

HIGIENE ORAL

Ando a gastar meio litro de elixir bucal em dez dias. Odeio ter mau hálito de manhã. E prefiro ir ao dentista só para fazer a limpeza regular.

PEQUENO MOMENTO DE FIGURA-PÚBLICA-SPOTTING

Queria só partilhar convosco que o advogado José Maria Martins estava no outro fim-de-semana a tomar o pequeno-almoço na esplanada do Galeto. Obrigado. O serviço normal será retomado já a seguir.

20 de setembro de 2009

PORTUGAL NO SEU MELHOR

Graffiti lido numa paragem de autocarro no Campo Pequeno:

"Não botes nos partidos do Jardim Zoológico e das Arcas de Noé - são antipatrióticos e fora de prazo"

16 de setembro de 2009

PELA BOCA MORRE O PEIXE

"Há cada vez mais pessoas a pensar como nós", reza o outdoor do CDS com o rosto sorridente de Paulo Portas.

15 de setembro de 2009

FRASE DO DIA

Do dia? Raios, frase do ano.

AL-CASSETTE

É uma das citações mais extraordinárias que encontrei nos últimos tempos, cortesia do insuperável Andrew Sullivan (embora o autor seja Spencer Ackerman, comentador do site Washington Independent):

[...] (Osama) bin Laden is like the music industry. His major successes are now on the mixtape circuit, but he can’t figure out, in this new environment, how to translate that into wider success. No one’s interested in buying it anymore.

14 de setembro de 2009

13 de setembro de 2009

AS PALAVRAS DO MESTRE #12

"Dreams can lead us up a blind alley. (...) I've always thought of them as coming out of the subconscious. I guess you can interpret them. Dreams can tell us a lot about ourselves, if we can remember them. We can see what's coming around the corner sometimes without actually going to the corner.

Can't dreams also mean hopes about the future?

Oh, sure. It's about how we use the word, I guess. Hopes for the future? I've always connected them up with fears about the future. Hopes and fears go together like a comedy team."

- Bob Dylan a Bill Flanagan, na Mojo de Agosto

7 de setembro de 2009

POLAROID: FOOD COURT

A senhora tem físico (forte e atarracado) e, sobretudo, voz (roufenha, estridente, alta) de vendedora de mercado, mas o uniforme de cores garridas explica que é empregada da limpeza, percorrendo o espaço a levantar os tabuleiros abandonados, a louça suja, os cinzeiros cheios. Não larga com uma mão o telemóvel cor de rosa para o qual fala em voz muito alta, ouvindo-se ao longo de todo o espaço, enquanto com a outra vai levantando os tabuleiros, empurrando o carrinho de plástico com prateleiras e um saco para os restos. Logo ao princípio, ouço-a (porque é impossível não a ouvir) dizer "Despacha-te lá, mãe, que daqui a bocado fico sem dinheiro no telemóvel". Mas, 30 minutos depois, quando saio do espaço, ela continua agarrada ao telemóvel enquanto continua a percorrer o espaço a levantar as mesas.

6 de setembro de 2009

COISAS PARA AS QUAIS SE FEZ O 25 DE ABRIL

Não sei se já viram a campanha de rua da Comissão Nacional de Eleições que procura incentivar ao voto dos portugueses e portuguesas, com a frase "Escolha votar".

O problema é que, para lá da boa intenção da campanha (e da evidência, reforçada pelos actuais debates, que votar no mesmo pessoal de sempre não é uma coisa particularmente atraente...), eu não sei se me sinta ofendido ou embaraçado por uma campanha que tem um ar completamente Malucos do Riso. E se é verdade que o 25 de Abril se fez para que haja campanhas de apelo ao voto, o 25 de Abril também se fez para que se ache que uma campanha de apelo ao voto feita desta maneira não apela de todo ao voto...

5 de setembro de 2009

LET'S LOOK AT THE TRAILER

Não sei bem explicar porquê, mas tenho um feeling que isto vai ser qualquer coisa de extraordinário.



O Sítio das Coisas Selvagens (Where the Wild Things Are) de Spike Jonze tem estreia prevista entre nós para 26 de Novembro.

A ARTE É QUANDO UM HOMEM QUISER

No New York Times, Virginia Heffernan propõe uma maneira interessante de olhar para o YouTube: e se todos aqueles home movies inclassificáveis fossem apenas uma nova maneira de olhar para o mundo, uma espécie de video-arte vanguardista naïf caseira?

2 de setembro de 2009

1 de setembro de 2009

DÚVIDA EXISTENCIAL

Um rapaz que passa por mim em plena Álvares Cabral traz vestida uma T-shirt cor-de-laranja com uma frase que me deixou intrigado:

"Usa-me, Senhor"

Os outros dizem que fazem "religião e panque roque"; esta será religião ou sado-masoquismo?

É VERÃO

É sempre muito engraçado viajar num autocarro que tem ar condicionado - assim o dizem as janelas, que têm escrito "ar condicionado, é favor não abrir a janela" - e perceber que há sempre quem abra a janela porque ou não acredita ou não acha que o ar condicionado está suficientemente forte ou acha que o ar condicionado está avariado (mas também não pergunta ao motorista).

31 de agosto de 2009

THINK DIFFERENT

E não é que no outro dia, estava eu a indagar de uma coisa na minha loja Mac, quando entram dois polícias de trânsito que ficam um longo momento à volta de um iMac última geração a conversar como se fossem especialistas da coisa?

(Não que os polícias de trânsito não possam ser especialistas de Mac, é só que a imagem em si é suficientemente invulgar para merecer nota. Como daquela vez que vi o GNR a levantar dinheiro no multibanco - nunca nos lembramos que as forças de segurança que vemos sempre de guarda ou de patrulha também têm vidas privadas.)

30 de agosto de 2009

POLAROID: CAFÉ

É dia de semana de Verão e o homem entra no café com o I na mão. Tem o cabelo louro solto e a tez bronzeada do fulano bem na vida que não tem de se preocupar com pagar a renda no fim do mês, usa uma camisa branca imaculada por cima de calças de ganga Levi's e sapatos castanhos sem meias, põe a carteira de cabedal castanho, o iPhone e as chaves do carro que traz na mão em cima da mesa. Olha à sua volta com o olhar neutro de quem está ali apenas porque é preciso e tem de ser, como se estivesse sozinho no café apenas com o empregado a quem pede o pequeno-almoço num tom de voz um pouco aristocrata enquanto folheia o jornal.

28 de agosto de 2009

OH SENHOR JERÓNIMO, ASSIM NÃO!

Nos novos cartazes de propaganda do PCP, surge a frase "Sim, é possível uma vida melhor!"

Por um instante pensei que estava a olhar para uma frase publicitária das Testemunhas de Jeová ou de outras filiações religiosas, ou num momento de rara beleza da Revista Plenitude. O que, aqui entre nós, não deixa de ser irónico quando sabemos a história conturbada da relação entre a doutrina comunista e o "ópio do povo"...

AS DUAS MARAVILHOSAS FRASES DO DIA (post com frases eventualmente chocantes)

Uma, lida num graffiti determinado e desenvolto na Calçada da Glória:

"TOU-ME A CAGAR PÓ MICHAEL JACKSON" (sic)

Outra, vista num autocolante no vidro traseiro de um automóvel:

"MOST PEOPLE ARE A WASTE OF TIME"

27 de agosto de 2009

EU NÃO QUERO USAR O Nº 1

Cristiano Ronaldo usa Linic? É um bom motivo para eu não o usar.

A TECNOLOGIA É UMA COISA MARAVILHOSA, NÃO É?

Na mesa ao lado da minha, três executivos/bancários/comerciais de fato e gravata almoçavam. Em si, nada de extraordinário. O que já é mais extraordinário é que, apesar de estarem a almoçar na mesma mesa, supostamente juntos, estavam os três colados aos telemóveis, com um deles a tocar de cinco em cinco minutos com um som que se ouvia no restaurante todo.

Isto é um bocado doente, acho eu.

26 de agosto de 2009

MÚSICA NO CORREIO

Para quem não sabe, as estações de correio agora também vendem discos. No outro dia, na estação do Rato, o escaparate incluia, entre outros, o disco do Zé Carlos dos Gato Fedorento, os Il Divo, Tony Carreira e os AC/DC. Sim, sim, leram bem, os AC/DC. Estou mesmo a ver as velhotas a irem pagar o telefone e depois a irem para casa abanar o capacete ao som dos AC/DC.

25 de agosto de 2009

LET'S LOOK AT THE TRAILER

Há muito tempo que não via um trailer que explicasse tão bem o que é um filme sem explicar absolutamente nada do que ele é. Há muito quem não vá gostar de Os Limites do Controlo, de Jim Jarmusch, e eu percebo que não se goste nada. Mas eu gosto muito. 






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Poucas coisas são mais incomodativas do que esperar durante dez minutos na paragem pelo autocarro com uma miúda pequena que fala alto não se cala, acompanhada pelos avós que já não têm grande paciência para a ouvir e lhe respondem já meio maçados mas também (por serem avós) não a mandam calar, e perceber que, depois de subirmos todos para o autocarro, nem assim ela se cala.

Felizmente, eles saíram antes de mim.

23 de agosto de 2009

AS PALAVRAS DO MESTRE #11

"All I wanted, really, was to be something that would be defined by itself. What am I? I'm a Robyn Hitchcock. Where are the other ones? There aren't any."

— Robyn Hitchcock a Stevie Chick na edição de Julho de 2009 da Mojo

22 de agosto de 2009

AQUI D'EL-REI

No elevador do metro do Rato, um rapaz dos seus 20 anos, com aquele ar de marrão que todos reconhecemos dos nossos tempos de escola, lê absorto um livro sobre D. Afonso Henriques. Quando saímos do elevador, vejo que o rapaz traz a tiracolo uma pochette onde está bem visível um emblema monárquico.

11 de agosto de 2009

PORTUGAL NO SEU MELHOR

A SPA propõe chamar a um renovado teatro Capitólio teatro Raul Solnado. Parece-me a maneira mais rápida de garantir que o edifício nunca mais abre — basta lembrar o que aconteceu ao teatro Vasco Santana (Entre Campos, antiga Feira Popular: demolido), ao teatro Laura Alves (rua da Palma, ao Martim Moniz: antigo cinema Rex, hoje um armazém barateiro), ao teatro Villaret (Fontes Pereira de Melo, entre o Marquês e o Saldanha: fechado)...

29 de junho de 2009

TASTES LIKE MORE

Alguém é capaz de me explicar porque é que há quem goste de comer o creme do pastel de nata com uma colher e deixar a "caixa" de massa folhada intocada? Eu sempre achei que era a combinação dos dois que fazia todo o apelo da coisa.

UM GELADO NÃO É QUANDO UMA CRIANÇA QUISER

Pai à filha de três, quatro anos que lhe pede um gelado à hora do pequeno-almoço: "Ainda não há, filha, ainda estão a fazer para ficarem bem fresquinhos".

25 de junho de 2009

STEVEN WELLS (1960-2009)

Durante os anos em que o New Musical Express era um jornal de música sério que tinha entrevistas sólidas que nunca mais acabavam e em que dava que pensar (ou seja: quando era impresso a preto e branco em papel que sujava), eu amava ler os textos do Steven Wells, um dos estilistas mais extraordinários do inglês jornalístico como expressão do coloquialismo vernacular panque-roque. Wells era um sacana de um jornalista que escrevia como ninguém, com sangue, suor, lágrimas, esperma, humor, cerveja e uma capacidade notável de atrair a controvérsia com inteligência.

23 de junho de 2009

PELA BOCA MORRE O PEIXE

Apesar das eleições europeias já terem passado, os cartazes dos partidos continuam expostos por essa Lisboa fora — como o fantástico cartaz do CDS/PP com um Paulo Portas sorridente e a legenda "ter razão não basta, é preciso ter votos".

20 de junho de 2009

É PRECISO SOFRER PARA SER BELO

Um cartaz publicitário numa farmácia anuncia um produto à base de "baba de caracol". Alguém me explica porque é que há quem recorra a este tipo de coisas vagamente repugnantes para ficar mais bonita? (E não, não vou citar a anedota do menino Joãozinho. Embora me apetecesse.)

18 de junho de 2009

SPRING CLEANING

Vários anos sem olhar a sério para as caixas fechadas que vieram da morada anterior e que foram ficando = uma dezena de sacos de plástico grandes cheios de lixo, uma dezena de caixas para reciclagem, coisas que já nem me recordava que estavam cá em casa. Vamos em três noites três de arrumações e ainda se prevêem mais um bom par delas a arrumar o menos que sobrou.

17 de junho de 2009

7 de junho de 2009

JAYWALKING

"Jaywalking" é o nome dado em inglês ao pessoal que atravessa a rua fora da passadeira. É espantoso como, sendo Portugal um país tão dado a essa prática, desde velhotes que atravessam avenidas inteiras com o sinal vermelho a fazerem sinal com a mão para os automobilistas esperarem a senhores de camisola de marca, telemóvel e carteira na mão e jornal debaixo do braço que atravessam a meio da rua para regressarem ao carro que deixaram arrumado em segunda mão com os quatro piscas do outro lado da rua, não temos uma expressão que a defina. Confesso: eu sou sempre a favor dos direitos dos peões quando eles protestam quanto aos carros estarem mal arrumados em cima do passeio ou das passadeiras. Mas espanto-me como nunca ninguém se recorda de que isso não lhes dá o direito de andarem pelo meio da estrada como se ela fosse um passeio — como as senhoras que esta tarde passeavam pelo meio da rua como se não fosse nada com elas enquanto eu tentava arrumar o carro.

5 de junho de 2009

QUANDO O TELEFONE TOCA

No restaurante, a hora de almoço é interrompida repetidamente por telefones que tocam e gente que os atende entre duas garfadas do prato do dia. Quando são grandes mesas com sete, oito e nove colegas de emprego que vêm almoçar juntos, todos impecáveis de fatinho e gravata e smartphone de último modelo em cima da carteira, a barulheira pode ser bastante cacofónica.

No autocarro, uma senhora fala muito alto e toda a gente ouve a conversa com a mãe que tem de ir fazer o controle dos diabetes e não há maneira de ir. Não sei se a senhora fala alto para a mãe a ouvir ou porque sim.

2 de junho de 2009

10/05/2009: KL 1697 AMS 21h00-LIS 22h55

É a irritação total: um puto que não se cala na fila de trás, em conversa com o avô, perguntando o que é isto sobre tudo e mais alguma coisa. Três miúdas portuguesas com tom de voz beto que viajam com uma ama estrangeira, que travaram, sozinhas, durante 15 minutos, uma fila do Burger King no aeroporto de Schiphol a protestar em inglês perfeito que não foi aquilo que pediram, também estão a bordo e não se calam mas, felizmente, estão lá para trás. Na fila da frente, há um tipo que faz um ruído que me parece ser teclar num computador mas que, vai-se a ver, está apenas a brincar com um copo de plástico. E, quando quero refrescar-me na casa de banho, sou travado durante dez minutos pelo duty-free que foi parado quatro vezes — três das quais por portugueses que não se decidiam se queriam ou não levar o produto e depois queriam pagar com notas altas para as quais o comissário de bordo não tinha troco, resultando numa fila de gente agastada porque o comissário de bordo não avançava nem deixava passar.

Quando chego a Lisboa, está a chover que é uma coisa estúpida.

31 de maio de 2009

PORTUGAL NO SEU MELHOR

Numa rua do Bairro das Colónias, um casal dos seus 60 anos passa por uma tasca que está fechada. Ela comenta: "Olha, este também fechou". Ele responde-lhe, com desdém mal disfarçado: "Não lhe apeteceu trabalhar". 

28 de maio de 2009

DESCONTEXTUALIZAR POR AÍ

Lia-se numa carrinha que passou por mim hoje na rua: "Associação para o Desenvolvimento de Cabeça Gorda".

FRASE POP DO DIA

"We'll get there fast and then we'll take it slow" — os Beach Boys, em "Kokomo".

GAS GUZZLERS

Parece-me haver qualquer coisa de irónico quando se fala tanto da falência técnica dos fabricantes de automóveis americanos mas nunca se viram tantos carros americanos nas estradas portuguesas — Chryslers, Dodges, Jeeps, Chevrolets. E não estou a falar dos antigos Daewoo que agora passaram a ser vendidos na Europa como Chevys... 

26 de maio de 2009

OLHOS NOS OLHOS

Sempre que mudo de óculos - quer porque a velha armação deu a alma ao criador, quer porque o médico reajustou a graduação das lentes - há sempre um par de dias estranhos, em que a cabeça me dói ao fim de um certo tempo, estranho a clareza das lentes (que ainda não estão sujas nem riscadas do uso), e a conjugação de lentes novas, graduação nova e armação nova dá-me a sensação de andar a flutuar, de o mundo estar de algum modo "descentrado" e desfasado. O ajuste é imperceptível — ao fim de alguns dias, é como se nunca tivesse usado outros óculos e o mundo retoma os seus parâmetros habituais — mas a princípio há sempre a sensação de que há qualquer coisa fora do sítio, de que tudo não encaixa bem no sítio certo.

25 de maio de 2009

POLAROID: ESPLANADA

Na esplanada do café onde tomo o pequeno-almoço, quatro adolescentes partilham duas a duas os seus iPods. E uma delas canta, em voz alta, tão alta que se ouve através da janela sobre o barulho do trânsito. E canta o quê? "Eu Sou Aquele" dos Excesso. 

24 de maio de 2009

UM SEGREDO MUITO NOSSO

A vinte quilómetros a Norte de Amesterdão, esconde-se o segredo bem guardado de Broek en Waterland, pacatíssima cidadezinha que está suficientemente próxima para poder ser considerada subúrbio, mas que a presença constante de canais e vegetação torna num oásis bucólico a meia hora da cidade. O centro (como de costume à volta da igreja...) mantém intactas a traça e a arquitectura originais, mesmo que por dentro as casas tenham todos os confortos modernos. O Taco explica que os habitantes são essencialmente gente endinheirada pouco ou nada interessada no turismo, e que o bucolismo que a torna tão atraente é algo que eles não querem, de todo, partilhar com o mundo exterior. Parece-me que têm razão.














(Fotos: Taco van der Werf, Maio de 2009 - dank je wel)

23 de maio de 2009

MORDE AQUI A VER SE EU DEIXO

D. Diogo, o bichano que partilha o meu apartamento, é um gatinho reconhecido como mimado, amistoso e brincalhão. 

No consultório do veterinário, contudo, a fera selvagem e sanguinária que está sempre latente sob a superfície, e que em casa só noto quando um qualquer insecto descuidado se atravessa no seu ângulo de visão, acordando o seu instinto de caçador, revelou-se em toda a sua gloriosa determinação. Depois de ter assustado um cão convalescente com o simples poder das frequências baixas do seu rosnar, D. Diogo mostrou o seu desagrado com o termómetro anal e resistiu heroicamente à injecção da vacina, utilizando as garras e dentes de origem, e rosnou em seguida ao comprimido de desparasitação, esperando certamente que a mesma táctica que resultara com o cão resultaria igualmente com o comprimido (não resultou).

Regressado a casa, voltou a ser o paz d'alma brincalhão e afectuoso que conhecemos. Mas, na primeira oportunidade, não deixou de mostrar o seu desagrado mordendo-me o nariz. Como quem diz: "achas que eu me esqueci, não? Pois fica sabendo que tenho tudo anotado no caderninho." 

Presumo que a internet felina com quem D. Diogo comunica por c-mail sempre que nós viramos costas esteja actualmente a deliciar-se com a história. 

21 de maio de 2009

AS MELHORES SÉRIES DE TELEVISÃO DE SEMPRE ... NOT

O rapaz Alexandre desafiou-me a escolher as melhores séries de televisão de sempre. Confesso que não sei se estas são as melhores de sempre (algumas serão, outras nem por isso); é uma escolha pessoal de coisas que me marcaram mais ou menos ao longo dos anos, apresentadas por ordem alfabética. Sem mais demoras:

Os Sopranos - esta merece destaque separado, porque, enfim, é Os Sopranos.

Absolutely Fabulous ("dahling sweetie")
All in the Family (Uma Família às Direitas)
Alô, Alô
("good meurning" ou "I shall say zis only once")
Band of Brothers (Irmãos de Armas)
Black Adder ("I have a cunning plan")
Espaço: 1999
The Golden Girls (Sarilhos com Elas)
I, Claudius (Eu, Cláudio)
The Mary Tyler Moore Show (As Solteironas)
Soap (Tudo em Família)
Twin Peaks
The Twilight Zone (A Quinta Dimensão)
The X-Files (Ficheiros Secretos)
Veronica Mars

Hoje, são estas. É uma lista que provavelmente mudará amanhã ou depois — mas que posso dizer que não inclui 24 porque nunca consegui entrar na série, que não inclui Six Feet Under (Sete Palmos de Terra) porque nunca a consegui ver (sempre me fez muita confusão), que não inclui The Wire (Sob Escuta) nem The Shield (O Protector) nem Generation Kill porque ainda não tive hipótese de as ver todas.

Como sou suposto pedir a cinco amigos que prossigam a conversa, faço-o ao Mr. Steed (ninguém te mandou pores um comentário num post que ainda era um rascunho que eu publiquei sem perceber...), à menina Alice, ao João, ao Luís Miguel e ao Pedro.

20 de maio de 2009

PATHÉ DE MUNT

É uma das fachadas mais extraordinárias que já tive hipótese de ver e pertence ao arquitecto Christian de Portzamparc. Está em pleno centro de Amesterdão e podem vê-la aqui.

19 de maio de 2009

A CONCORRÊNCIA NÃO É SAUDÁVEL

Uma das coisas que me surpreendeu bastante foi a abertura de duas agências imobiliárias a poucas semanas uma da outra na Álvares Cabral. Hoje reparei que uma delas estava vazia e tinha na janela um cartaz a dizer "Arrenda-se". (Não deixa de ser irónico, evidentemente, que uma imobiliária dê por si a arrendar as suas próprias instalações...) A coexistência das duas imobiliárias terá durado talvez nem um ano...

O DESIGN QUANDO É BOM É MUITO BOM

Como fica provado aqui (com agradecimentos especiais a isto).

18 de maio de 2009

A CONCORRÊNCIA É SAUDÁVEL

Gosto muito do ar desempoeirado, limpinho e certinho e do tamanho maneirinho do I. Não gosto nada da revista de fim-de-semana, nem de ver que o espaço para a cultura é mínimo e reduz-se aos "soundbites" que são de rigor actualmente, apesar do resto do jornal não funcionar nada em termos de "soundbites".

GASTRONOMIA PARA TODOS

Os holandeses comem ao contrário de nós, e um bocado à americana (embora a comparação não funcione da mesma maneira, porque como sabemos os americanos abusam das doses, e os holandeses nem por isso, mas como andam muito de transporte público e de bicicleta acabam por gastar mais calorias). Fazem um bom pequeno-almoço, com café, fruta, sumos, queijo, cereais, leite; comem depois um almoço pequeno, ligeiro (na base do queijo, pão, carnes frias, etc); e a refeição principal do dia acaba por ser o jantar, que comem por volta das seis, sete da tarde (embora jantem até às nove). Uma das coisas mais peculiares que por lá descobri é o que eles chamam de "hagelslag" (o equivalente holandês do nosso granizo): aquilo que nós usamos como decorações de açúcar colorido ou de chocolate em bolos eles comem sobre torradas, pão de forma ou "beschuit" — uma tosta local conhecida fora da Holanda como "zwieback", por ir ao forno duas vezes. 

16 de maio de 2009

PARANOID PARK

Atravesso Amesterdão a pé da estação central até aos museus — digo mais tarde, a brincar, aos meus amigos holandeses que já visitei metade da cidade, e eles não acham assim tão estranho como isso. Mesmo ao lado do Rijksmuseum (que está em obras e só tem uma das alas abertas, com uma exposição sobre Vermeer), há uma piscina pública e o proverbial parque de estacionamento de bicicletas. Desemboco em Museumplein, a praça dos museus, é um jardim completamente moderno, com árvores e um pequeno lago ao centro, um parque infantil, esplanadas, cafés, barracas de comes e bebes (do proverbial hamburger ao muito típico arenque), a loja dos museus, gente sentada na relva a desfrutar do bom tempo ou a ensaiar coreografias ou a jogar futebol ou a andar de bicicleta ou apenas deitada na relva. E um skate park ali mesmo ao lado, embora vazio a estas horas. Numa ponta, o Rijksmuseum, na outra o Concertgebouw (aparentemente, uma das melhores acústicas do mundo), pelo meio o Van Gogh, único dos museus da praça que está em funcionamento a cem por cento (o Stedelijk está também ele fechado para obras). E os museus todos — que, pormenor importante, não fecham ao domingo e em alguns casos nem mesmo aos feriados — com filas que nunca mais acabam... 

BABEL

Ouve-se muita língua diferente nas ruas de Amesterdão; é a capital mais turística que conheço, o que é surpreendente para uma cidade de apenas 750 mil habitantes. Em qualquer altura do fim-de-semana que lá passo, mais de metade das pessoas por quem passo são turistas (identificáveis não apenas pelas máquinas fotográficas, pelas mochilas ou pelos mapas nas mãos, mas também por viajarem em grupos, por terem sacos de lojas de souvenirs ou simplesmente por falarem línguas mais reconhecíveis que o holandês). Uns quantos ingleses, muitos franceses — perto de Oude Zijde Voorburgwal, uma francesa de bicicleta delira ao telemóvel: "Amsterdam, c'est génial, j'ai dormi deux heures mais bon...". Uns quantos espanhóis e, surpreendentemente, alguns argentinos, alemães, até portugueses (ouvir a palavra "merda" numa das pontes dos canais é, ao mesmo tempo, surpreendente e hilariante). E o caos absoluto nas ruas principais, com a combinação de trânsito automóvel, eléctricos e bicicletas a desorientarem ainda mais gente que não vem de sítios onde a bicicleta é um banal transporte quotidiano. 

14 de maio de 2009

REFORÇO POSITIVO

Cookie Dough e Coconut Almond Fudge Chip com cobertura de American Cookies. 

MOLENPOORT PASSAGE

Antes de apanhar o comboio para Amesterdão, o John leva-me a conhecer o centro histórico de Nijmegen, confirmando o que eu suspeitava sobre o modo civilizado como os holandeses souberam manter a sua identidade histórica sem abdicarem dos confortos modernos. A par de igrejas antigas impecavelmente restauradas e de parques públicos onde se desmontam as tendas montadas para as celebrações do Dia da Rainha, há edifícios de uma modernidade extraordinária como a Biblioteca Pública (completamente informatizada e onde os membros podem levantar e devolver livros sem precisarem de falar com um assistente), as espantosas arcadas de Marikenstraat onde nos perdemos a passear na livraria Selexyz Dekker van de Vegt (onde compro a Mojo de Junho com Nick Drake na capa e um CD de raridades da Island que o empregado me diz "parecer uma excelente edição"), ou o Lux, um moderníssimo multiplex de oito salas dedicado exclusivamente ao cinema de autor (e que foi inaugurado por... Catherine Deneuve). E tudo isto atravessado por pistas para ciclistas que estão por vezes mais cheias que as próprias estradas — para já não falar dos parques de estacionamento para bicicletas que existem por todo o lado.

13 de maio de 2009

PORTUGAL NO SEU MELHOR

Gostei muito de ler no Público de hoje que os políticos portugueses não estão genuinamente interessados na política mas sim apenas no tacho e que os utilizadores do Magalhães correm o risco de ficar míopes.

YAMAHA DIVERSION 900

O meu amigo John leva-me numa volta de motocicleta pelos arredores de Nijmegen. Dá-lhe jeito: é dia da mulher a dias vir limpar a casa. Fazemos qualquer coisa como 40, talvez 50 km à volta da cidade, atravessando a combinação de canais, comportas e pradaria que rodeia a cidade, passando por dentro ou ao lado de uma série de pequenas aldeias como Lent, Bemmel ou Doorneburg, onde paramos no castelo medieval para tomar um café. 

Problema: são 10h40 da manhã e o café do castelo ainda não abriu (só abre às 11h00), mas o dono é um porreiro que até nos utiliza como "cobaias" da nova máquina que acaba de ser instalada. Infelizmente, é bem evidente que ainda ninguém sabe mexer bem na máquina e o café não é grande coisa. Enquanto tomamos um café no pátio do hotel, um enorme cão branco não larga o John e sempre que ele o manda embora o cão apenas se instala mais aos seus pés. De Doorneburg seguimos para mais alguns arredores, atravessamos um dos canais próximos numa das plataformas móveis (que estão a cair em desuso) que fazem a ligação entre margens, atravessamos a fronteira para ir ao supermercado a Kleve, na Alemanha, onde alguns bens essenciais são mais baratos que na Holanda.

À noite, vamos tomar café a casa da irmã do John, que fica a cinco minutos fora de Nijmegen, no meio da Natureza: é uma construção moderna, de uma sobriedade escandinava, que ela mandou construir há dez anos num terreno anteriormente ocupado por um pequeno bungalow rústico de férias. O escritório tem uma varanda panorâmica com uma vista deslumbrante sobre os arredores rurais de Nijmegen — e aqui é mesmo verde, bosque, floresta a perder de vista. Qualidade de vida, digo-vos.

DE GOFFERT

Qualidade de vida é isto: morar no centro urbano de uma cidade de classe média-alta de 170 mil habitantes como se morássemos na província, com um jardim por trás da casa a dar para o que parece ser (mas não é) um bosque. E grande parte de Nijmegen é assim, composto por vivendas mais ou menos modernas ou mais ou menos antigas, com grandes janelas panorâmicas deixadas aberta que permitem ver todo o interior da sala, com os nomes dos residentes afixados às portas em placas. 

12 de maio de 2009

VERTREK: INTERCITY NIJMEGEN

Às 11h30 da manhã, embarco, na plataforma 3 da estação de comboio do aeroporto de Schiphol, no intercidades para Nijmegen. Não faço ideia de onde vem (talvez Den Halder?) mas sei que passa em Schiphol todos os 30 minutos e que não passa pelo centro de Amesterdão (mas passa pelo estádio do Ajax em Amsterdam Bijlmer). 

A viagem para Nijmegen leva 90 minutos por uma paisagem verde e plana pontuada por canais e ribeiros e riachos e cavalos e vacas e ovelhas e estradas e cidades. Nesses 90 minutos que me levam à cidade mais antiga da Holanda (a poucos quilómetros da fronteira com a Alemanha), atravesso Utrecht, Driebergen-Zeist, Ede-Wageningen e Arnhem; a carruagem tem dois níveis e as cadeiras são confortáveis, há quem durma ou quem almoce uma sanduíche ou um bolo. De Amesterdão a Utrecht são 30 minutos e começo a perceber o que me tinham dito quanto ao comboio ser a maneira mais prática de viajar nos Países Baixos.  

06/05/2009: KL 1692 LIS 07h10-AMS 11h00

O embarque no avião – que vai completamente cheio – é lento: supostamente começa às 06h30, mas na realidade a coisa parece decorrer a passo de caracol, e às 07h10, supostamente hora de partida, ainda há gente a entrar. Mas o avião acaba por sair apenas com dez minutos de atraso, e como há uma senhora com um pé partido na saída de emergência, a hospedeira do ar diz-lhe que não pode ficar ali sentada e pergunta-me se não me importo de trocar com a senhora (que não ficou especialmente agradada e fez questão de só trocar para uma coxia). 

Ao meu lado, um jovem casal holandês lê violentamente durante as quase três horas de vôo. Ele não faço ideia do que está a ler. Ela está a ler “Het Bernini Mysterie” — que o mesmo é dizer, “Anjos e Demónios” em tradução holandesa.

4 de maio de 2009

FELIS PERDIDUS

Anúncio de gato perdido colado numa esquina da avenida Duque de Ávila:

"Felídeo. Encontrou-se. Entrega-se a quem provar pertencer-lhe".

(não tenho certeza que as outras frases estejam cem por cento correctas, mas estou certíssimo que "Felídeo" estava lá, em garrafais de máquina de escrever simulada em computador.)

29 de abril de 2009

CONSULTÓRIO, BOA TARDE

Os consultórios dos médicos têm sempre as televisões ligadas nos programas da manhã e da tarde (geralmente aos altos berros) e revistas de sociedade e suplementos dos semanários de fim-de-semana antigas nas mesas para os pacientes se entreterem de modo enjoado.

As recepcionistas, descobri agora, também têm o computador aberto no Hi5, pelo menos até o médico chegar, altura em que passam a ter o site do Público.

28 de abril de 2009

GRIPE POLITICAMENTE CORRECTA

Há quem prefira chamar à "gripe suína" "gripe mexicana" porque o judaísmo e o islamismo consideram o porco uma carne impura.

25 de abril de 2009

25 DE ABRIL SEMPRE

...mas não há cafés abertos para ir tomar o pequeno-almoço.

Num dos poucos, um senhor e três senhoras dos seus 50 e muitos anos celebram o 25 de Abril contando episódios caricatos de resistência à ditadura e histórias do tempo da outra senhora, mas fazem-no num tom de voz que obriga quem esteja num raio de dez metros a ouvir. Três cadeiras mais ao lado, um homem passa a vida a olhar para um telemóvel que apita a cada dois minutos com avisos de mensagem que até a vinte metros se devem ouvir. 

22 de abril de 2009

PARE, ESCUTE E OLHE

Não percebi exactamente o que aconteceu; só ouvi um estrondo e vi um corpo a cair e a levantar-se logo a seguir, coxeando de uma perna, descalço de um pé. O carro parou uns metros à frente, algumas pessoas juntaram-se com os telemóveis na mão logo ao pé do rapaz, que continuava a andar para cima e para baixo, coxeando, mochila às costas, um pé descalço. Não percebi se o rapaz tinha escorregado ou tentado atravessar com o sinal fechado para os peões. Tudo à distância, do outro lado da rua. O que ficou foi o estrondo e um fotograma que não sou capaz de decifrar.

As sinceras melhoras.

21 de abril de 2009

POLÍTICA

Leio muito sobre a "polarização" da vida política americana, cada vez mais partidarizada entre Democratas e Republicanos. Olho para Portugal e tenho a vaga sensação que essa "polarização" está cada vez mais instalada por cá, só que não entre Democratas e Republicanos mas sim entre governo e oposição. A questão é que "governo" e "oposição" são muito mais intermutáveis do que "Democratas" e "Republicanos".

20 de abril de 2009

RENHAU

Descoberta dos últimos dias: um gato consegue espreguiçar-se em todo o tipo de superfícies, desde sofás a secretárias passando por varandas, marquises e alguidares.