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17 de agosto de 2008

A ACADEMIA DOS SONHOS

Efeitos do já célebre PDC: hoje redescobri a obra dos mui esquecidos Dream Academy e descobri que, todos estes anos depois, a magia continua a existir.


"Life in a Northern Town" (do LP The Dream Academy, Blanco y Negro/Warner, 1985)


"Indian Summer" (do LP Remembrance Days, Reprise, 1987)



"Love", versão do tema de John Lennon (do LP A Different Kind of Weather, Reprise 1991)

16 de agosto de 2008

!$%&"$!@!±#! WOT IZ TURKEY SUZPRIZE?


Um é o Diabo da Tasmânia tal como o conhecemos dos cartoons da Warner Bros. dos anos 1940. O outro é a "real thing". Em comum, para além da bocarra e do dentinho afiado, têm o mau feitio: aquela barulheira que o Taz faz quando se atira ao Bugs Bunny é igualzinha à barulheira que os diabos da Tasmânia fazem quando estão a jantar, segundo vi num documentário da National Geographic. A única diferença é que os resmungos e grunhidos que eles fazem não servem para mandarem vir uns com os outros, tipo "desampara-me a loja senão levas nas trombas", mas é mais uma cena sociável, tipo "olha, se faz favor, importavas-te de me passar essa coxa?" ou "então como vai a família?". 

15 de agosto de 2008

CALL CENTER

Já fui contactado três vezes esta semana pela PT Comunicações para me "apresentarem" o serviço Meo. Como disse educadamente à terceira senhora que me telefonou, gostava de tentar perceber porque é que eles não comunicam entre si para deixarem de maçar as pessoas ao fim do primeiro não. E, já agora, alguém que me explique porque é que as senhoras têm esta voz tão melíflua que supostamente deve acalmar e "amolecer" o cliente mas, em vez disso, apenas me consegue irritar e dar vontade de as mandar dar uma volta, mesmo sabendo que a culpa não é delas e que estão apenas a fazer o seu trabalho. 

14 de agosto de 2008

AS TIAS-AVÓS

Muita da frequência na cafetaria do Corte Inglés à hora do almoço são senhoras idosas de porte aristocrático, aspecto elegante e/ou discurso educado, que almoçam juntas ou sozinhas — como as duas senhoras dos seus 60, 70 anos que almoçavam na mesa ao meu lado, que ao longo de uma hora não trocaram absolutamente nenhuma informação pessoal ou familiar. Entre longos silêncios, falaram apenas de duas coisas: dos programas que estavam a dar na televisão (e eram programas dos canais de séries, não dos canais portugueses), e da alegria que lhes deu terem aberto a cafetaria do Corte Inglés por lhes dar um sítio simpático e agradável perto de casa para poderem almoçar e estar juntas sem terem de ficar fechadas em casa. Por vezes, basta ter alguém ao lado para não se estar sozinho.

13 de agosto de 2008

PRAÇA VERMELHA

Muito se tem falado de Moscovo nos últimos tempos - a National Geographic de Agosto traz uma reportagem fascinante sobre a noite da capital russa, assinada pelo romancista Martin Cruz Smith e com fotografias assombrosas de Gerd Ludwig.

O FUTURO DO INGLÊS É O CHINÊS

O coreano Hong Sang-soo chamou a um filme seu "A Mulher é o Futuro do Homem" (depois de ter chamado a outros filmes seus "A Virgem Desnudada pelos Seus Pretendentes" e "O Dia em que o Porco Caiu ao Poço"); o jornalista Michael Erard propõe (na Wired de Julho) que o futuro do inglês é o chinês. Linguistas, tremam. 

OH CARACOL

Vejo numa farmácia um anúncio a um produto cosmético anti-rugas que diz ser feito de "baba de caracol". Depois do Botox, isto não me devia surpreender. 

11 de agosto de 2008

EQUILÍBRIOS PRECÁRIOS #4

D. Noémia regressou ontem a sua casa depois de, ao longo dos dias, se ter progressivamente sentido mais à vontade cá em casa, ao ponto de tomar alguns poisos em comum com D. Diogo, mas mantendo sempre o distanciamento devido a uma diva, incluindo até rosnar ao anfitrião quando este apenas lhe queria fazer uma festinha. No entanto, como a diva é uma senhora, fez o favor de fazer uma turrinha ao anfitrião antes de se ir embora, como quem diz que a hospitalidade, por apenas tolerável que tenha sido, foi bem-vinda. 

D. Diogo retomou o usufruto exclusivo da Mansão Segundo Andar Direito com a mesma calma e descontracção com que recebeu D. Noémia e como se nada se tivesse passado. 

8 de agosto de 2008

VERÃO CONSTRUTIVO

Isto parece-me muito bom e tenho de apanhar o raio do disco o mais depressa possível. De Brooklyn, The Hold Steady, "Constructive Summer". 


7 de agosto de 2008

I VANT TO BE ALÔNE

D. Noémia sente-se já bem à vontade, como se estivesse em casa dela, tendo já encontrado vários cantinhos que lhe permitem enroscar-se, aninhar-se ou observar o que a rodeia. A sua relação com o primo D. Diogo, essa, continua um pouco aos solavancos, até porque o primo continua a achar, face a algumas atitudes um pouco obscuras de D. Noémia, que não percebe as mulheres. 

6 de agosto de 2008

POLAROID: TRIÂNGULO DE SINALIZAÇÃO

A minha rua tem um pequeno problema: é de sentido único, o que implica que, se eu sair com o carro e não tiver lugar à porta, tenho de ir dar uma volta razoável para arrumar nas redondezas. Isto não é por si um problema não se desse o caso de, ao fim da manhã, eu ter entrado na rua e deparado com uma senhora a sair de um monovolume de matrícula francesa para pôr o triângulo de sinalização na rua, senhora essa que depois voltou a entrar no carro para descer a rua. 

Naquele preciso instante, tive uma violenta vontade de sair do carro e insultar a senhora porque o ar displicente com que o triângulo foi colocado deu-me a entender que não havia ali nenhuma avaria nem nenhum problema, apenas a vontade de parar o carro no meio da rua para carregar ou descarregar (passageiros ou objectos, não faço ideia), o que não é necessário porque habitualmente há sempre espaço para parar em segunda fila sem afectar o trânsito. Confirmei-o minutos mais tarde, depois de ter dado a tal volta razoável e de ter arrumado o carro nas traseiras: quando desci a minha rua já a pé, não havia triângulo de sinalização em lado nenhum. 

Também não havia lugares para arrumar, é verdade, mas isso não invalidou o meu mau feitio. 

5 de agosto de 2008

PUT ON YOUR SUNDAY CLOTHES

Amo "O Segredo de um Cuscus", que é um filme extraordinário, mas isto é, até ver, o meu filme do ano. Quando virem (a partir de dia 14), vão perceber. (E, já agora, o filme é ainda melhor do que o trailer - o que, hoje em dia, é só por si um milagre.)

3 de agosto de 2008

AS PALAVRAS DO MESTRE #7: SENSIBILIDADE E BOM SENSO

«Resumamos. Esta rubrica semanal não gostaria de se limitar a registar os sucessos garantidos. Também não tem a pretensão (que seria ridícula) de rever os lugares-comuns críticos. Também não é um índice infalível dos filmes "a ver" ou "a não ver". Simplesmente, falamos dos filmes que nos parecem interessantes por razões que nos agrada discutir com o leitor. Dizer "mal" de um filme não significa de todo que dissuadamos o leitor de o ver; tal como não garantimos que o leitor tenha certamente prazer a ver um outro filme de que dizemos bem, não apenas porque a infalibilidade não é o nosso forte, mas porque esse bem e esse mal não tem muitas vezes nenhuma medida comum. (...) As referências críticas não são as mesmas. Mal falamos da mesma coisa, mesmo que se trate de cinema. Gostaríamos que o leitor não esperasse de nós uma direcção de consciência, nem sequer um catálogo dos filmes a ver, mas simplesmente reflexões sobre acontecimentos cinematográficos que lhe caberá a ele situar relativamente à variedade dos géneros cinematográficos e naturalmente dos seus gostos particulares. Agradecemos-lhe de antemão por isso.»

Estas palavras (traduzidas do francês por moi-même) extremamente sábias e sensatas sobre a crítica (no caso de cinema, mas que são aplicáveis a praticamente tudo, quer seja literatura, televisão, música, teatro, artes plásticas ou outra coisa qualquer) foram lidas na última edição da habitualmente bem intelectual e nem sempre sensata revista francesa Cahiers du Cinéma (nº 636, de Julho/Agosto de 2008). 

Mas não foram escritas hoje, mas sim há 50 anos: mais precisamente em Junho de 1952, por André Bazin, fundador, em 1951, da revista e um dos mais influentes teóricos da arte da crítica. Ao longo de 2008, por ocasião do cinquentenário da morte de Bazin (que faleceu, aos 40 anos, em 1958 e já não teve oportunidade de ver a eclosão, no ano seguinte, do novo cinema francês que seria designado por Nouvelle Vague), a revista tem reproduzido todos os meses um dos milhares de artigos que o crítico publicou em vida mas nunca foram recuperados ou republicados nas várias antologias do seu trabalho.

E a verdade é que a simplicidade e a sensatez do trabalho crítico de Bazin nada tem a ver com muito do que passa hoje por ser "crítica": a simplicidade não implica preguiça, o pensamento não implica intelectualização. É tudo uma questão de sensibilidade e bom senso. Bazin tinha-as, muitos dos seus seguidores nem por isso. 

2 de agosto de 2008

EQUILÍBRIOS PRECÁRIOS #3

D. Noémia continua niilista e refilona, e pregou-me um valente susto quando encontrou um esconderijo tão bom mas tão bom mas tão bom que não só eu não a conseguia encontrar como só depois dos seus legítimos donos terem cá dado um pulo ela se dignou abandoná-lo. Depois da saída dos donos, ela voltou ao seu rosnar de grande felina sempre que alguém se aproxima, mas pelo menos já não se tem escondido debaixo da cama e já tem andado a passear pela casa. 

D. Diogo chegou à conclusão que não vale a pena antagonizar a gata niilista refilona e faz calmamente a sua vida como se não fosse nada com ele. 

1 de agosto de 2008

EQUILÍBRIOS PRECÁRIOS #2

D. Noémia veio passar uns dias a casa do primo D. Diogo mas, pelos vistos, veio contrariada, e tem estado a exibir o seu melhor mau feitio de diva misantropa "I-vant-to-be-alône". Passou a maior parte do dia debaixo da cama improvisada do quarto de hóspedes, rosnando qual leoa a quem ousasse penetrar no seu santuário, e quando finalmente se decidiu a abandoná-lo fê-lo com a vocalização arrepiante de um ninja em formação de ataque, dando uma rápida volta pela casa antes de se refugiar debaixo da cama do quarto, e continuando a rosnar qual leoa. 

O primo D. Diogo mantém-se um cavalheiro imperturbável que ronda a sua prima a tentar acalmá-la. Isto é tudo uma questão de tempo, acho eu. 

27 de julho de 2008

EQUILÍBRIOS PRECÁRIOS

Como se pode ver pela imagem junta, D. Diogo tem uma especial atracção pelo meu ombro (ou, mais precisamente, pelo ombro do meu roupão) sempre que eu saio do banho. 

Tentem lá agora ter um gato de 3,6kg a equilibrar-se nos vossos ombros enquanto estão a fazer a barba.

26 de julho de 2008

SONHOS SONHOS SÃO

A 18 de Setembro de 2007, Randy Pausch, professor de ciência informática na universidade Carnegie Mellon, deu uma palestra inserida na velha tradição académica da "última aula", sobre a importância de ter sonhos e de fazer tudo para os concretizar — e para concretizar os sonhos dos outros também. Esta palestra extraordinária correu mundo, tornou-se num fenómeno viral, levou Pausch ao programa de Oprah Winfrey, transformou-se num livro que vendeu milhões. 


O que diferencia esta palestra de tantas outras? O facto de Pausch ter sido diagnosticado com um cancro pancreático e o de saber, quando deu esta palestra, que era realmente a "última aula" e que os seus dias estavam contados. E, contudo, ao longo dos 75 minutos da aula, é a vida que se celebra a cem por cento. 

A lição é só uma: o único obstáculo aos nossos sonhos somos nós próprios.

Randy Pausch morreu ontem, 25 de Julho de 2008, aos 47 anos. 

19 de julho de 2008

A PROPÓSITO DO NOSSO IMAGINÁRIO CULTURAL

Andava há anos à procura dos álbuns de Luc Orient, uma das personagens que mais retive na memória da velha revista Tintin — uma série de ficção científica que combinava elementos da "space opera" mais tradicional (e muito derivativa de Flash Gordon) com uma abordagem científica mais circunspecta e uma série de visuais psicadélicos muito anos 1970, com argumentos de Greg e desenhos de Eddy Paape. Depois de investigar um bocadinho, lá descobri que a série foi criada em 1967 e deixou-se acabar por 1981, apesar de tentativas pontuais de a retomar, com um total de 18 álbuns publicados em França. 

Que eu me recorde, a edição portuguesa da revista Tintin publicou os primeiros 14 episódios da série, mas em álbum a Bertrand só lançou três (O Senhor de Terango, O Segredo das 7 Luzes — capa em cima — e 24 Horas para o Planeta Terra). E quando comecei à procura dos álbuns em francês, já tinham todos sido descatalogados.

Fiquei, então, muito feliz quando, numa visita à Fnac outro dia, dei lá com o segundo volume de uma "Intégrale Luc Orient" que as edições do Lombard começaram a publicar este ano, em cinco volumes  que reunem a totalidade dos álbuns originais. A Fnac só tinha o segundo, tirei-me de cuidados, liguei-me à net e mandei vir da Fnac francesa os três já publicados, não sem aquela trepidação: será que este fragmento do meu imaginário cultural resistiu ao tempo?

Digerido pacientemente o ciclo de Terango (Os Dragões de Fogo, 1967; Os Sóis de Gelo, 1967, O Senhor de Terango, 1968; O Planeta da Angústia, 1969; e A Floresta de Aço, 1969 — cinco aventuras sequenciais onde os cientistas do laboratório Eurocristal descobrem a existência de uma benfazeja civilização extra-terrestre cujo planeta de origem foi entretanto subjugado por um tirano que pretende atacar a Terra), a resposta é positiva. A meio caminho entre a estranheza poética da ficção científica europeia modelo Druillet/Heavy Metal e a "space opera" mais convencional, a série criava algumas visões verdadeiramente inspiradas, mesmo que aqui e ali os guiões se resolvessem de modo mais atabalhoado (O Planeta da Angústia sobretudo tem problemas sérios). Apesar disso, contudo, parte do charme da série é precisamente esse lado "datado" (hoje em dia dificilmente se faria banda-desenhada de ficção-científica deste modo a um tempo desprendido e inspirado). O contemporâneo Valérian é outra coisa, mas Luc Orient é tão interessante quanto eu me lembrava dele. 

18 de julho de 2008

PERPLEXIDADES

Confesso que continuo sem perceber como é que há quem consiga beber uma imperial ao pequeno-almoço.