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18 de julho de 2008

PERPLEXIDADES

Confesso que continuo sem perceber como é que há quem consiga beber uma imperial ao pequeno-almoço.

15 de julho de 2008

VERÃO POP

Resultado do PDC do dia com o mestre da elegância pop em francês Etienne Daho.


"Tombé pour la France" (single de 1985, do LP Pop Satori, Virgin 1986 - clip realizado por Jean-Pierre Jeunet)



"Comme un Igloo" (do LP Paris Ailleurs, Virgin 1991)


"Les Voyages immobiles" (do LP Paris ailleurs, Virgin 1991 - clip realizado por Michel Gondry)


"Au commencement" (do LP Eden, Virgin 1996 - clip filmado em Portugal por Philippe Gautier)


"Idéal" (do CD Singles, Virgin 1998)


"Retour à toi" (do CD Reévolution, Virgin 2003)

12 de julho de 2008

APRENDER A LIÇÃO

Há coisa de três anos, achei que tinha perdido a carteira. Foi num sábado à tarde, em que depois de ter ido ao supermercado fazer as compras da semana, não conseguia encontrar a carteira em lado nenhum — não estava na mesa onde a costumo deixar, não estava nos bolsos das calças nem dos casacos nem das camisas, não estava caída no chão do corredor, no patamar, no elevador, no átrio, não tinha sido entregue no supermercado, enfim, uma desgraça. 

No dia a seguir, a carteira apareceu — eu tinha estado a procurar fotografias antigas numa caixa que guardo no escritório e, sem eu dar por isso, a carteira tinha ido "de arrasto" para dentro da caixa. 

Isto vem a propósito de eu ter andado dois ou três dias sem saber do meu B. I., que costuma andar sempre comigo mas, desta vez, não estava em lado nenhum nem sequer tinha ficado esquecido num par de calças que foram para lavar. Desta vez, contudo, aprendida a lição do caso anterior, fui a todas as caixas de arrumação em que andei a mexer nos últimos dias — e lá estava o B. I. junto às fotografias. 

7 de julho de 2008

BOMBEIROS MEETS SEINFELD (ou: o carro de George)

Tentava eu arrumar o carro ao pé de casa hoje após o almoço (tarefa quase impossível que me ocupou 30 minutos) quando começo a ouvir um, dois, três carros de bombeiros de sirenes no máximo atrás de mim. Deixei-o passar. Mas qual não foi o meu espanto quando percebi que o carro de bombeiros estava praticamente a fazer o mesmo circuito que eu estava a fazer, só que eu estava a tentar arrumar o carro e ele a tentar descobrir onde raio era o incêndio. Não era num sítio nada óbvio e não fiquei surpreendido por ter levado algum tempo, mas fiquei com pena dos bombeiros que se estavam a tentar equipar dentro do carro enquanto o condutor fazia curvas, contra-curvas e mais curvas à procura da entrada correcta para o dédalo de ruas de sentido único entre a Lapa, a Estrela e São Bento. 

De qualquer maneira eles chegaram ao incêndio a tempo e eu continuei a tentar encontrar sítio para arrumar o carro legalmente. Eles levaram menos tempo que eu. 

4 de julho de 2008

GILLETTE

Sempre detestei fazer a barba porque me chateava sair da cama e cortar-me todo com a lâmina de barbear. O meu irmão sempre me disse que eu devia era fazer a barba depois do banho para não me cortar tanto. Como sou um sacana preguiçoso e o meu bigode sempre foi um tanto ou quanto ralo acabei por deixar crescer a barba, aparando-a a intervalos mais ou menos regulares, até aderir à pêra que, a intervalos irregulares, voltava a ser barba, com a milagrosa ajuda da máquina de barbear eléctrica que, como se confirma, para mim tem mesmo de ser Philishave porque a minha barba não se dá de todo com as Braun. 

Seja como for: tudo isto para dizer que voltei à lâmina de barbear, agora depois do banho. E sim, corto-me menos, mas já me tinha esquecido que quando está na altura de trocar de Gillette continuo a cortar-me. 

30 de junho de 2008

PORTUGAL NO SEU MELHOR

Vejo o Jornal das 7 da SIC Notícias. Fala-se do aumento dos preços dos transportes públicos (cinco cêntimos na maior parte dos bilhetes) e ouve-se um utente a dizer que este governo está a roubar o país e este povo está muito tolerante. Na peça seguinte, diz-se que os preços das missas e dos sacramentos aumentaram 33% (uma missa que custava €7,50 passa a custar €10) e ouvem-se fiéis a dizer que os padres também precisam de viver e que se toda a gente sobe os preços eles também devem subir. 

MAL EMPREGADA

A loja Ben & Jerry's do Chiado (que como todos sabemos é o equivalente do paraíso, embora eu esteja particularmente descontente por não ter havido nos últimos tempos o pornográfico Oatmeal Cookie Chunk) supostamente funciona em pré-pagamento. Digo supostamente porque jamais nas minhas visitas pós-prandiais ao recinto foi exigido o pré-pagamento — até ao momento em que, na minha mais recente visita, a empregada informou do pré-pagamento quando chegou a nossa vez de ser atendidos, e depois atendeu primeiro um casal que tinha chegado depois. O que não nos deixou, a mim e à Marta, nada satisfeitos, e levou-me a dar na mocinha uma descompostura, civilizada mas descompostura, como já não dava há muito tempo (e que me soube muitíssimo bem, aqui entre nós — será que sou sádico e não sabia?), fazendo-a ver que nós tínhamos chegado primeiro e que, aparentemente, só se lembram do pré-pagamento quando convém aos empregados, e que ela tinha sorte de eu não pedir o livro de reclamações...

...desta vez. Eu sei que há um papel a pedir "colaboradores" na montra da loja (de facto aquilo não deve ser nada bem pago) e que trabalhar ao balcão de uma geladaria está longe de ser o sonho de qualquer um, mas custa tanto fazer bem como fazer mal e, que raio!, fazer um sorriso para os clientes não custa nada. 

26 de junho de 2008

MAL EMPREGADO

Na cafetaria do Corte Inglés, uso o cartão de crédito para pagar o almoço, mas nunca mais mo devolvem e às tantas o empregado vem ter comigo a dizer que o cartão dá erro, porque "ainda não está activo - só começa a 2 de Julho", apontando para a data que está no cartão. Mostro-lhe um talão do cartão da véspera e digo-lhe: "desculpe, mas ainda ontem paguei sem problemas com este cartão. E essa data não é 2 de Julho — é Fevereiro de 2007, que foi quando o cartão entrou em funcionamento". 

Claro que o cartão passou. 

24 de junho de 2008

A FÚRIA DO PANDA

O trailer é tão absolutamente maravilhoso que quaisquer palavras são desnecessárias.

OS PAIS NAO DEVIAM MESMO GOSTAR NADA DELA

Nome da empregada que me atendeu hoje num dos cafés do Picoas Plaza, escrito na conta: Irondina. 

POLAROID

Quando entro no café, a rua estreita de sentido único está semi-entupida por um camião parado em cima do passeio a descarregar andaimes. Isto por si só não entupiria a rua, não se desse o caso de haver três carros estacionados em cima do outro passeio; isto obriga os carros que querem passar a guiarem muito devagarinho para não baterem nem no camião nem nos carros estacionados, mas cria também uma fila de carros que entope o trânsito até à avenida. Há um taxista velhote, cinquentão, que sai do carro exasperado; há um carro da polícia que está também na fila que quer virar. O taxista exasperado barafusta com o pessoal do camião e depois vai falar com os polícias, como quem diz, vocês estão aqui, façam o vosso trabalho.

Quando saio do café, a fila desapareceu, os polícias desapareceram, o taxista desapareceu. Mas o camião ainda lá está. 

18 de junho de 2008

POLAROID: AEROPORTO

Segunda coisa que vejo ao chegar ao aeroporto de Lisboa (porque a primeira foi a fila para o controle de passaportes de cidadãos não-europeus): o mesmo carrocel de bagagem onde vão sair as bagagens do meu vôo recebe as bagagens de um vôo proveniente de Amesterdão que parece ter transportado uma comitiva de... padres católicos. A quantidade de sotainas à espera das malas não engana. 

16/06/2008: US 738 PHL 20h20 - LIS 08h30

Três horas de escala no aeroporto de Filadélfia (porque o vôo de São Francisco chegou antes da hora) deram para perceber que as instalações do aeroporto são muito simpáticas (com cadeiras de baloiço espalhadas pelos corredores, muitas delas junto a tomadas de electricidade que dão para ligar o portátil e aproveitar a internet sem fios que o aeroporto mantém), mas também para confirmar que os controles nos aeroportos americanos são mais rigorosos à entrada do que à saída. Na escala de ida, depois de ter passado o guichet do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras americano, a bagagem de porão tem de ser levantada e reembarcada e temos de voltar a passar pelo controle de segurança; na escala de volta nada disso acontece, é como se fosse uma escala normal em território europeu, sem precisar de levantar e reembarcar a bagagem nem de voltar a passar pela segurança.

Ao contrário do que tem sido habitual, o vôo para Lisboa vem completamente cheio; fico ao lado de um casal que viaja com os filhos adolescentes (que ficaram na fila de trás) e que se pergunta em voz alta quanto português os seus conhecimentos de espanhol lhes vão permitir compreender de uma língua que lhes foi anunciada como uma mistura de polaco e espanhol. Na fila de frente, viaja um casal com três filhos pequeninos; duas filas à frente, um casal com um bebé e uma filha pequena; duas atrás, um casal com um bebé; e o comissário de bordo é o mesmo que apanhei no vôo de Filadélfia para Lisboa, com o mesmo sotaque brasileiro, só que desta vez com o ar enfastiado de quem não tem vontade nenhuma de estar ali. Levámos 40 minutos desde sair da porta de embarque até descolarmos — só por causa da fila de aviões a descolar... — e dormir durante as seis horas de vôo foi mentira, graças aos encontrões das hospedeiras quando passavam pelo meu lugar, às birras das criancinhas ou às visitas ao toilette dos vizinhos de fila. Ou se calhar sou só eu que estava chateado por voltar de férias. 

16/06/2008: UA 184 SFO 9h01 - PHL 17h33

No aeroporto de São Francisco, ao embarque de regresso a Filadélfia, a porta 87 tem um écrã LCD por cima do balcão de embarque que mantém — como deve ser — os passageiros informados do estado do vôo. Não apenas se o avião já chegou ou se já está pronto para embarcar, mas sobretudo se os passageiros que solicitaram um upgrade de cabine vão conseguir tê-lo (não conseguiram) e se os passageiros em "standby" ou em "overbooking" vão conseguir viajar neste vôo (a maior parte deles conseguiram). A parte chata — lá está, é a democratização do transporte aéreo... — é que o embarque faz-se por zonas e quando chegou à minha zona, já não tinha onde meter a bagagem de mão, porque estava tudo cheio (e a United ainda não tinha começado a cobrar os 15 dólares que vai começar a cobrar por cada mala embarcada no porão...). Não fosse a simpatia da vizinha de coxia que pegou no portátil e o enfiou debaixo do assento e não estou muito bem a ver onde é que eu ia meter a mochila. Chato mesmo foi a viagem em ritmo "camioneta de carreira", com muita ondulação... 

16 de junho de 2008

DAR A VOLTA AO QUARTEIRÃO

Uma das peculiaridades de São Francisco de que nunca me lembro (e que não posso dizer se é um exclusivo da cidade porque nunca reparei nas outras) é a política de ruas de sentido único na grelha central da Baixa. Que o mesmo é dizer que só as artérias mais centrais, como a Market ou o Embarcadero ou a Post, permitem a circulação nos dois sentidos: as paralelas e transversais são de sentido único, o que dá um novo sentido à frase "dar a volta ao quarteirão" (porque para reentrar numa rua de sentido único é mesmo preciso dar a volta ao quarteirão, e o trânsito está concebida para permitir isso). O quarteirão é a medida-base de distância urbana, e cada quarteirão corresponde a x números de uma rua, devidamente identificados na placa toponímica (que pode dizer, por exemplo, "O'Farrell 700" com uma seta a indicar onde começa o 700 e acaba o 799).

SE CONDUZIR...

Estão a ver aqueles autocolantes que começaram a aparecer em Lisboa que dizem "Esta viatura é conduzida por um profissional. Se detectar alguma coisa de errado, telefone para o xxx-xxx-xxx"? O equivalente americano, visto hoje numa carrinha blindada de recolha de valores em plena Market, diz apenas "How's my driving?" e dá o número para onde ligar em baixo.

Uns quarteirões mais à frente, um motociclista furioso puxa o capacete no meio da Geary e faz os possíveis para ir às trombas de um gorducho com ar de Soprano maçado que saiu do seu monovolume bem volumoso, com outro motociclista a tentar impedi-lo. Não percebi exactamente o que aconteceu nem se chegou a haver acidente — não havia vidros no chão nem polícia à volta — mas o que não faltava eram mirones, tal e qual como em Lisboa.  

A ARTE DO BUMPER STICKER

Visto num carro algures na Market:

"Try Jesus!"

e em baixo, em letras pequenas:

"If you don't like him, the devil can always take you back." 

13 de junho de 2008

LER

Não tenho uma boa explicação, mas praticamente todos os livros que tenho lido nestas férias são livros sobre cinema - é um pouco como se trouxesse trabalho de casa, só que não é, porque não os estou a ler por obrigação mas sim por prazer. E o acaso quis que, primeiro, fossem todos sobre cinema, e, segundo, que parte deles tenham sido comprados em São Francisco, nesse tesouro do livro em segunda mão que é a Aardvark Books (227 Church na esquina com a Market).

Future Noir: The Making of Blade Runner, de Paul M. Sammon (Nova Iorque: HarperPrism, 1996), é o que o seu título indica - a história da criação e produção do filme de Ridley Scott de que eu tanto gosto. De certa maneira, é o equivalente literário do fabuloso documentário que acompanhava a recente edição em DVD do filme, só que anterior aí uns bons dez anos. É um livro claramente de "obsessivo", meticulosamente pesquisado, e por isso mesmo pontualmente enfastiante na sua preocupação com pormenores que não têm verdadeiramente a importância que Sammon lhes quer dar. Alguns capítulos são genuinamente supérfluos e há momentos em que se percebe que Sammon não sabe o que dizer, outros são pequenas jóias (as discussões sobre as várias versões do argumento e sobre a relação problemática de Philip K. Dick com a produção são notáveis).

Adventures in the Screen Trade: A Personal View of Hollywood and Screenwriting, de William Goldman (Nova Iorque: Warner Books, 1984), é uma mistura de memória pessoal e introdução sucinta ao funcionamento de Hollywood escrita por um romancista e dramaturgo que se tornou argumentista de sucesso (Dois Homens e um Destino, Os Homens do Presidente). É um retrato notável, lúcido e incisivo, da Hollywood pós-1970 que, apesar de escrito há quase 25 anos, continua a ser de uma actualidade arrepiante; ao mesmo tempo, é também um dos mais extraordinários retratos que já li do que significa escrever, quer seja para um livro ou para o cinema. Dispensavam-se as bojardas à teoria dos autores (muito pragmaticamente americanas), e pelo final, quando Goldman começa a dissecar como se escreve um argumento, a coisa começa a ser demasiado técnica - o que não invalida que eu ache que devia ser leitura obrigatória para qualquer cineasta português (lema muito grande: "SCREENPLAY IS STRUCTURE").

All About "All About Eve", de Sam Staggs (Nova Iorque: St. Martin's Press, 2000), é o único dos três que não foi comprado mas sim emprestado pelo Michael: é uma combinação de história da produção de um dos filmes mais aclamados da Hollywood dos anos 1950, All About Eve de Joseph L. Mankiewicz, e comentário sociológico sobre a sua longevidade enquanto filme clássico e objecto de culto pelas comunidades profissionais do teatro e gay (que não são necessariamente a mesma). Meticulosamente pesquisado e montado a partir de depoimentos recolhidos noutros livros e artigos (quando Staggs começou a escrever, a maior parte dos envolvidos no filme já haviam falecido), All About "All About Eve" é fascinante enquanto história da produção de um filme de prestígio dentro do sistema de estúdio da Hollywood clássica, e intrigante no modo como investiga ao milímetro a base real da sua história ficcional e o que o filme representou para cada um dos intervenientes. No entanto, assim que Staggs começa a entrar em áreas de crítica cinematográfica e comentário sociológico, o livro afoga-se por completo, com o autor a arranjar justificações que pura e simplesmente não se aguentam à tona para justificar o culto. Isto para já não falar do inexplicável desprezo que Staggs vota à obra posterior de Mankiewicz e da displicência com que trata Minnelli e Fassbinder como fraudes empoladas. Pessoalmente, teria gostado bem mais do livro se Staggs não se tivesse deixado levar por uma agenda que o texto não consegue justificar.