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9 de junho de 2008

KOMPENSAN

Nos EUA não há Kompensan. Há outra coisa chamada Tums — que são basicamente Kompensans mastigáveis, com sabores sortidos (hortelã-pimenta, tutti-frutti...) e cores sortidas, e são vendidos nos supermercados em frascos de plástico com cem comprimidos ao pé das pastas de dentes e dos champôs.  

8 de junho de 2008

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF

Eu não sou nada de ostras e outros moluscos, mas o David jurava a pés juntos que o Anchor Oyster Bar (579 Castro) era uma pérola rara.  Tinha razão. Eu não toquei nas ostras (haverá quem goste, eu não, mas quem percebe jura a pés juntos que são do melhor) mas os pastéis de caranguejo com molho tártaro, batata assada e salada com molho de alho eram absolutamente divinais — chamar "pastel de caranguejo" àquela espécie de mousse de caranguejo leve e suave ligeiramente tostada dos dois lados é extraordinariamente redutor. Aquilo era completamente maravilhoso, bem como o ravioli tricolor caseiro de acelga e alho francês em molho de limão. O sítio é careiro como o caraças e absolutamente minúsculo (quatro mesas e um balcão corrido) mas vale absolutamente cada dólar dos muitos que o jantar custou. 

ELÉCTRICO

O truque para andar de "cable car" em São Francisco não é ir apanhá-los ao terminal da Powell, que está sempre cheio de turistas (e a maior parte das paragens ao longo da Powell até Union Square também). É ir apanhar a outra linha (California-Van Ness) uns quantos quarteirões mais abaixo na Market, na esquina da Drumm com a California, à beirinha do Embarcadero — têm sempre menos gente e dá para ir em pé agarrado aos varões (que é, admita-se, exactamente o que toda a gente quer fazer num eléctrico de São Francisco — subir e descer as encostas íngremes de pé à porta do eléctrico, comportamento que é aliás perfeitamente encorajado pelos maquinistas e agradaria sobremaneira aos miúdos que adoram apanhar boleia na parte de trás do eléctrico, embora, obviamente, a coisa tenha muito mais graça se não for encorajado). 

SURPRESAS

A descer para a estação de metro de Civic Center, um asiático que sobe na escada rolante usa um boné azul bebé que tem, em grandes letras brancas, as palavras "Fátima - Portugal".

A ARTE DO BUMPER STICKER

Não é exactamente um autocolante (foi visto numa T-shirt esta manhã no Embarcadero), mas podia ser:

"Eat. Sleep. Hunt. (Repeat.)"

6 de junho de 2008

ELÉCTRICO

Também há eléctricos em São Francisco: os "tramways" clássicos da F-Line que vai da esquina da Market com a Castro até Fisherman's Wharf, e os "cable cars" que sobem as íngremes encostas, que só existem em três linhas (Powell & Mason, Powell & Hyde, California). Mas tentar apanhar o "cable car" na Powell, junto a Union Square, à loja da Apple e à Virgin Megastore, é absolutamente mentira, porque estamos essencialmente a falar de turismo, um pouco como os eléctricos antigos que ainda resistem em Lisboa: mais do que transporte público dos nativos, é transporte público para os visitantes, embora dê um jeitão para subir as encostas íngremes (e são mesmo íngremes) que levam à California. 

Claro que, para um lisboeta, o eléctrico não tem a mesma magia do desconhecido: funciona antes como um ponto de contacto (mais um) entre duas cidades nos extremos ocidentais dos respectivos países.

IN THE ZONE

Vou poupar-vos às imagens trágicas, mas percebi finalmente porque é que há uns meses atrás tive uma ferida no nariz que nunca mais curava e porque é que passei a maior parte destas férias com feridas na testa que parecem resultado de uma alergia ou de uma mordidela de insecto. 

I have two words for you: herpes zoster. Ou, por outras palavras, zona — o vírus da varicela que se mantém dormente no nosso corpo e que, às tantas, volta a acordar (ao que parece por causa do stress). Vem uma pessoa de férias para não se chatear e dá-lhe isto. Uma semana de Valtrex e a coisa melhora, mas vai levar uns tempos até a testa ficar limpa. E agora percebi de onde é que apareceu a tal ferida no nariz há uns meses. 

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF

Maravilhoso jantar maravilhoso - comida vietnamita moderna no Zadin (4039 18th Street, à esquina da Hartford, no Castro). Entradas: calamares panados em sal e pimenta com molho de lima e coentros, crepes de porco, camarão e legumes com molho de amendoim. Pratos principais: camarões fritos em molho de alho e chili com arroz de coco, massa salteada em molho picante com galinha, camarão e legumes. Tudo acompanhado por um maravilhoso chá de jasmim. 

4 de junho de 2008

O EURO NOS EUA

(estamos, claro, a falar do campeonato de futebol e não da moeda...)

Num dos restaurantes italianos de North Beach, um painel diz: "LIVE SOCCER — FORZA AZZURRI".

E o equipamento de Portugal está à venda na loja da Nike em Union Square...

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF

Tomem nota: Caffe Delucchi, 500 Columbus, na esquina com a Stockton, em North Beach. Os pastéis de caranguejo com puré de batata com alho e espinafres salteados eram maravilhosos, e a sobremesa foi vilmente e obscenamente divina: biscoito de avelã servido com gelado de baunilha. Hedonismo puro. 

CONTRASTES

Uma das coisas boas em São Francisco é que é uma cidade de bairros em que cada bairro tem a sua própria personalidade, a sua identidade — North Beach com os restaurantes italianos porta sim porta sim paredes meias com Chinatown e os restaurantes chineses porta sim porta sim; o graffiti e os prédios decrépitos do Tenderloin à beira dos magníficos museus e edifícios de arte da área do Civic Center; o sossego elegante e discreto de Nob Hill, o charme boémio e descomprometido de Noe Valley, a despretensão acolhedora do Castro. E transportes públicos — autocarros, metropolitano, eléctricos — a ligar tudo, apesar dos semáforos a cada quarteirão da grelha quadriculada do centro urbano que abrandam forçosamente qualquer carro.  

3 de junho de 2008

KQED PUBLIC RADIO. THIS IS NPR NEWS

Chama-se "serviço público", 24 horas por dia, 7 dias por semana, na frequência 88.5 de São Francisco, sem publicidade de espécie nenhuma (mas com patrocinadores cujo nome é lido a espaços pelos locutores e que financiam programas específicos). Estão a ver a TSF? Tirem-lhe a música e os jingles, substituam-na por peças longas (várias por hora) que tanto falam das guerras de gangues em Los Angeles ou de colunistas independentes em Karachi - e ficam com a ideia do que é uma rádio pura e dura de notícias, alternando entre os estúdios de São Francisco da KQED e a "sede" da National Public Radio em Washington. Dá para ouvir no site para fazerem uma ideia.

2 de junho de 2008

CONTRASTES

Noite de sábado, jantar casual na California Pizza Kitchen da Van Ness, mas do outro lado da avenida a estrada está cortada pela polícia devido ao Black & White Ball, um evento de beneficência organizado anualmente pela Ópera de São Francisco, com tendas e camiões de aluguer a rodear as traseiras do edifício. E é ver sem-abrigos que empurram carrinhos de supermercado pela avenida acima por entre convidados de smoking e vestido de noite que tentam sem grande sucesso agasalhar-se contra o vento que se levantou com o anoitecer. 

A MASSA NINJA

Não consigo comer com pauzinhos (eu sei que é uma questão de hábito e prática, mas como não como muita comida japonesa...). Isso torna ir comigo ao restaurante japonês uma experiência divertida. Muito divertida, como ficou provado ontem quando pedi no Mifune (no edifício Kinokuniya, em Japantown, na Post com a Webster) um prato de "udon": um pote de sopa com massa grossa, galinha, caranguejo e camarão em tempura, cogumelos shiitake e legumes. Claro que não se come com pauzinhos - o pote vem acompanhado de uma tigela com uma colher - mas passar a massa (que é grossa e longa, uma espécie de esparguete com o triplo da grossura pelo menos) da sopa para a tigela é uma experiência.

Digamos que, da próxima vez que formos comer ao japonês, o David quer vender bilhetes para o espectáculo. 

31 de maio de 2008

ACORDO ORTOGRÁFICO

Não resisto a partilhar convosco a palavra que os brasileiros usam para definir o "balão" onde os condutores alcoolizados têm de soprar quando são apanhados pela polícia:

"Bafômetro"

OBRIGADO POR TEREM VINDO

OK, eu admito que é um bocado idiota: uma pessoa não vai de férias para se meter no cinema (e ir ao cinema não é a única coisa que eu tenho feito em São Francisco). Mas é engraçado perceber que São Francisco é exactamente igual a Lisboa em certas coisas. Esta semana estreou o filme do "Sexo e a Cidade" que, só no multiplex da esquina, ocupa três salas (e o AMC 1000 Van Ness tem 14 salas...), fora os multiplexes todos da cidade (que são menos que em Lisboa, mas têm geralmente mais salas). E estreou também "Alexandra" de Alexander Sokurov, que só está no Opera Plaza, 500 metros mais abaixo na Van Ness entre a Turk e a Golden Gate - um equivalente possível do King, só que com quatro salas todas elas mais pequenas que a mais pequena do King, com projecção certinha e som aceitável mas sem condições equiparáveis às do multiplex mais michuruca. Que o mesmo é dizer que também por aqui os filmes "de arte e ensaio" lutam por serem vistos e são relegados para salas especializadas que não conseguem competir com os multiplex (mas também oferecem pipocas, doces e refrigerantes...). 

Apesar disto tudo: não tenho certeza que em Lisboa "Alexandra" tivesse um terço da sala na primeira matinée de sexta feira. E tenho certeza que nenhum dos espectadores de Sokurov em Lisboa vai comer pipocas e beber coca-cola como muitos dos espectadores dessa primeira matinée de sexta-feira. E tenho ainda mais certeza que qualquer sessão não seria antecedida pelo toque pessoal de um dos funcionários da sala vir dizer à plateia "obrigado por terem vindo ao Opera Plaza, vamos agora começar a nossa sessão, esperamos que gostem do filme".  

30 de maio de 2008

SAX ROHMER #1

Levou muito tempo até eu ouvir o raio do disco (apesar de ter sido oficialmente editado em Fevereiro, encontrá-lo numa discoteca portuguesa, que parecem só ter o catálogo anterior, foi mentira, mas na Virgin da Market Street em São Francisco foi logo à primeira) mas, agora que fiz a experiência, é oficial: ainda não é com Heretic Pride que John Darnielle fez um mau disco dos Mountain Goats, e para já parece-me até uns largos furos acima de Get Lonely.



The Mountain Goats, "Sax Rohmer #1" do álbum Heretic Pride (4AD, 2008); video dirigido por Ace Norton

OS PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS

Sobretudo os publicitários americanos: é impossível apanhar um bloco publicitário que seja sem apanhar um anúncio de medicamentos. E não estou a falar de medicamentos de venda livre como as aspirinas e afins — estou a falar de medicamentos que exigem receita médica, tipo Viagra ou Prozac ou Zoloft. E medicamentos cujos efeitos secundários, que têm de ser obrigatoriamente referidos na publicidade, são coisas do género náuseas, vómitos, tensão baixa, tensão alta... ou mesmo risco de vida (juro que ouvi isso num anúncio). Mas tudo dito com a voz mais melíflua, sedutora e comercial que se possa imaginar, e com a frase "pergunte ao seu médico se este medicamento é o mais indicado para si". Como quem diz "é você que lhe paga o salário, portanto tente lá convencê-lo a receitar-lhe isto porque pode ser a solução milagrosa para a sua doença". Como se houvesse soluções milagrosas...

A ARTE DO BUMPER STICKER

"Come to the dark side - we have cookies."

É uma das frases do ano.

28 de maio de 2008

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF

Só para confirmar que a arte do pequeno-almoço pode ter formas muito diferentes do proverbial galão-e-torrada ou café-e-queque ou meia de leite-e-croissant: a primeira refeição do dia no Americano, o discreto restaurante do luxuoso Hotel Vitale, mesmo à esquina do Ferry Terminal (mas infelizmente sem vista para a baía), inclui como "amuse-bouche" um delicioso smoothie de morango, café de qualidade e sumo de laranja fresquíssimo. As opções incluem salmão fumado em pão torrado com rosmaninho, acompanhado por queijo creme caseiro, cebola e agriões; fritata de legumes acompanhada por salada de espinafres com queijo parmesão e tomate bebé; panquecas de banana servidas com manteiga caseira e xarope de ácer; omelete de cogumelos silvestres com queijo parmesão e trufa negra ralada. 

Depois disto, almoçar é mentira.