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27 de maio de 2008

MUITO LÁ DE CASA

É um cinema "à antiga", que resistiu aos tempos e evitou a divisão em multi-salas - um dos raros em São Francisco a ter conseguido escapar ao camartelo. Entrar no Castro é uma experiência que recorda os bons velhos tempos em que ir ao cinema não era a banalidade pipoqueira mas sim uma experiência quase religiosa — e o Castro, inaugurado em 1922, reproduz na fachada uma catedral mexicana. E, uma vez lá dentro, o enorme candelabro art-déco, o órgão centrado no fosso de orquestra por baixo do écrã, o cortinado de veludo vermelho são relíquias de outra era que não agradarão apenas aos nostálgicos.

Claro que as pipocas e outras guloseimas são inevitáveis (afinal, não foram os EUA quem inventou a ideia de enfardar no cinema?) mas, quando as luzes se apagam e o cortinado abre, ver um écrã grande a iluminar-se é maravilhoso. Sobretudo quando o filme em questão é Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que parece feito para os prazeres fora de moda de uma sala de cinema à antiga, com direito a fila à porta para marcar lugar meia hora antes das portas abrirem — e com uma sala suficientemente grande para haver lugar para todos.  

25 de maio de 2008

23/05/2008: US 650 PHL 16h25 - SFO 19h34

Parecendo que não, o vôo não dura três horas mas seis — é o que dá jogar com as diferenças horárias de um país onde às cinco da tarde da Costa Leste são duas da tarde na Costa Oeste e que leva à volta de seis horas a atravessar de ponta a ponta. A maior parte dos vôos intra-europeus são apenas de três horas. E dou por mim a pensar nas ironias de um vôo transcontinental de sete horas dar direito a almoço (mesmo que de avião) e lanche quando um vôo doméstico de seis horas só dá direito a bebidas à borla e um saquinho de aperitivos (quem quiser mais alguma coisa que pague, e ao que parece as companhias americanas já estão a pensar seriamente em começar a cobrar por despachar bagagem no porão). 

Dito isto, num vôo completamente cheio como foi o Filadélfia-São Francisco da tarde em sexta véspera de fim-de-semana prolongado (o fim-de-semana do Memorial Day que comemora a memória dos que morreram em combate), qualquer tentativa de dormir é mentira absoluta, sobretudo quando se tem 1m90 e se vai sentado na coxia de classe económica de um Airbus.

23/05/2008: US 739 LIS 10h35-PHL 13h25

Aterragem em Filadélfia por entre nuvens que parecem algodão doce ou fios de ovo escalfado sob um céu azul. Vista de cima, a subúrbia americana é lindíssima, com a formatação geométrica das ruas e dos bairros entrecortada por imenso verde. Claro que deve ser mesmo só de cima. 

23/05/2008: US 739 LIS 10h35-PHL 13h25

É simpático que os vôos Lisboa-Filadélfia (e vice-versa) da US Airways tenham uma tripulação bilingue em inglês e português (e, já agora, que não estejam a abarrotar de cheios, porque assim uma pessoa pode tentar dormir um bocadinho numa fila vazia, e de caminho dar um jeito ao pescoço, mas é o que dá não estar para pagar as fortunas que eles pedem pela primeira classe nem ter milhas no cartão de "frequent flyer" que dêem para fazer o upgrade). 

É compreensível que o português da tripulação bilingue seja mais brasileiro que português (devido à proximidade americana) embora não forçosamente aceitável (visto que é mais normal terem portugueses lusos do que brasileiros num vôo Lisboa-Filadélfia). 

O que eu não percebo, mesmo, de todo, é porque é que todos eles dizem que estamos quase a aterrar "NA Filadélfia", porque é como dizer que estamos a aterrar "NA Lisboa" ou "NA Nova Iorque". Mas se é por isso é verdade que o equivalente inglês "at" é perfeitamente neutro. (Mais uma razão para a versatilidade do inglês.)

18 de maio de 2008

COISAS QUE NUNCA SE DEVEM PERGUNTAR A UM FUNCIONÁRIO DE MUSEU

"Desculpe, sabe-me dizer onde é que é a conferência de imprensa?"

(com melífula educação) "Não, não, aqui não é, não sei de nada."

"Ah, mas o seu colega disse-me que seria aqui."

"O meu colega?"

"O seu colega, desculpe, o segurança..."

(com um sorriso condescendente) "Ah! Não, não, o segurança não sabe de nada."

17 de maio de 2008

O REGRESSO

O meu querido amigo Luís Peixoto, que tanto me ensinou sobre o grande rock americano e inglês nos tempos gloriosos da crítica musical portuguesa, criou o seu cantinho na net para mostrar a música que anda a descrever. As saudades que eu já tinha de o ler. Confiram s. f. f. aqui

16 de maio de 2008

DESCULPE?

Eu juro que o título não é inventado - é um programa que vai passar no National Geographic na próxima semana: "Total Selvagem - Os Caracóis Zombie".

14 de maio de 2008

BIPOLAR, COMO OS INTERRUPTORES

Há dias assim, em que não conseguimos adormecer porque cá-dentro-inquietação-inquietação, e depois quando acordamos recuperados ficamos sempre à espera que caia a bigorna, como nos desenhos animados, e depois o capacete começa a levantar apesar do tempo estar feio, e há um gato felpudo que dorme todo sossegado no sofá como se não fosse nada com ele, e uma pessoa fica bem disposta. 

12 de maio de 2008

PEQUENA DÚVIDA EXISTENCIAL

É impressão minha, ou as pessoas deixaram de saber ler?

PDC (Processo de Digitalização em Curso)

Isto continua a ser tão bom.


Cocteau Twins, "Carolyn's Fingers" (in Blue Bell Knoll, 4AD 1988)

6 de maio de 2008

OBAMA Ó QUE LINDO OBAMA

Isto é profundamente genial. E Nuno Lopes legisla tão despoticamente que até faz impressão. 

5 de maio de 2008

OS PAIS NAO DEVIAM MESMO GOSTAR NADA DELE

Vi hoje no Telejornal que foi nomeado para director-geral do serviço de geologia (seja lá isso o que for) um senhor de seu nome José Luís Perdigoto.

4 de maio de 2008

A NOVA TENDÊNCIA

Gotta love these guys.

SONHOS SONHOS SÃO

Eu não ando a tomar os mesmos comprimidos para deixar de fumar que a Alice andou a tomar durante uns tempos (porque não fumo), mas lá que ando a ter sonhos dignos de filmes de David Cronenberg... 

3 de maio de 2008

SÁBADO

Não é nenhuma novidade que os portugueses não são grandes condutores, mas irrita-me andar a ver tanta gente que tem carros topo de gama (sobretudo descapotáveis ou carros obscenamente caros como Mercedes ou Porsches) a guiá-los pelo meio do trânsito de Lisboa, e a guiá-los mal. (É a isto que se chamam "sinais exteriores de riqueza"?)

No entanto, um bocadinho pior do que isso é ouvir a minha mãe a escandalizar-se com a incultura das gerações mais jovens que não sabem quem foi Humberto Delgado e logo a seguir a culpar por essa incultura os pais que, esses, não são incultos porque sabem quem foi Humberto Delgado. Logo a seguir a dizer que toda a gente na família dela é burra, à excepção da própria. 

28 de abril de 2008

NOSTALGIA

Não ouvia isto há qualquer coisa como vinte anos (nunca tive o disco e lembrava-me do teledisco dos tempos do Countdown no canal 2 da RTP) e é espantoso como, depois deste tempo todo, continua a deixar-me com um sorriso idiota de orelha a orelha. Não gosto tanto das outras coisas que conheço dos rapazes e em rigor os Red Box nunca passaram de uma nota de rodapé no carrocel pop. Mas só esta canção merece o raio da nota: esta é música feliz.  


Red Box - "Heart of the Sun" (do LP The Circle and the Square, Sire/WEA 1986)

24 de abril de 2008

DESCUBRAM AS DIFERENÇAS




Carter The Unstoppable Sex Machine  - "Sheriff Fatman" (do LP 101 Damnations, Big Cat 1990)


Pet Shop Boys - "Absolutely Fabulous" (single de beneficência para o Comic Relief)

OBSERVAÇÕES, AUSÊNCIAS E OUTROS VAZIOS

Este blog não está interrompido, tem estado só remetido para segundo plano porque tenho passado os dias a escrever e não é certo que me apeteça chegar ao fim do dia e ter coisas para dizer aqui. É um bom sinal que ando a precisar de férias, mas por outro lado isso quer dizer que não me apetece necessariamente passar as férias a actualizar blogs ou ao computador.

Acabo de descobrir na minha conta do Gmail que tinha 515 mensagens de junk mail, das quais 450 em caracteres chineses, alfabeto que não domino de todo. O que quer dizer que ou alguém acha que eu sei falar chinês (mas era mandarim ou cantonês?) ou alguém se enganou a mandar junk mail. Ou, pior ainda, os remetentes de junk mail passaram-se de vez.

Quando a única coisa que me apetece realmente fazer é ursar no cadeirão a ver séries de enfiada (actualmente: segunda temporada de "CSI", Las Vegas bem entendido, segunda de "Ossos" e primeira de "Veronica Mars", todos em atraso) enquanto o gato dormita tranquilamente no sofá, isso é outro sinal que estou a precisar de férias. 

O PDC (Processo de Digitalização em Curso) continua paulatinamente e irei chocar certamente muita gente que me tinha em conta de rapaz de bom gosto e requintada exigência ao dizer que um dos últimos CDs que digitalizei foi o único álbum que possuo de Nick Cave e que é, acreditem ou não, o "Best of" de 1998. (Lamento. Tenho mesmo um problema qualquer com o homem; mas também admito que gosto da "Ship Song" e de "Red Right Hand".)

Fiz uma maravilhosa sopa creme de milho que foi uma revelação. Antes disso tinha feito caldo de galinha caseiro que me deixou com frango cozido para três boas saladas mas só durou para um litro e pouco de sopa (o tal creme de milho, que também levava alho francês e molho tabasco e era uma delícia cremosa e saborosa). 

Ainda não me decidi se esta cena do PSD em auto-desintegração é uma tragédia ou uma farsa.


17 de abril de 2008

NA CONTINUAÇÃO DO PDC (processo de digitalização em curso)

It's only pop music, but we like it.


Belinda Carlisle, "I Get Weak" (do LP Heaven on Earth, Virgin, 1987)



Belinda Carlisle, "Heaven Is a Place on Earth" (do LP Heaven on Earth, Virgin, 1987)