Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
28 de março de 2008
FICA
Algumas bandas nunca deviam fazer telediscos — mas quando os fazem é como se não os tivessem feito, porque as canções não saem afectadas. The Blue Nile.
27 de março de 2008
COISAS QUE SE VÊEM NA TELEVISÃO
A nossa primeira dama com trajes africanos e o nosso presidente com um gorro que só me fazia lembrar de Pedro Abrunhosa.
25 de março de 2008
É TÃO BOM SER INDIVIDUALISTA
Primeiro, é a matrona da tesouraria da repartição de finanças que faz a sua melhor voz enfadada enquanto explica às pessoas que não, o sistema informático não pode funcionar, e por isso só pode vender impressos (a chamada voz "desamparem-me-a-loja-que-eu-estou-farta-de-aturar-gente-estúpida").
Depois, é a caixa do supermercado que diz que tem de me passar os legumes à parte para eu usufruir do desconto, só porque lhe apetece e porque tem vontade de empatar a fila que já de si está grandota.
Finalmente, é o velhote mal-disposto que escolheu o meio do passeio para ficar parado a acender o cigarro, independentemente de estar muita ou pouca gente a passar (e está muita).
24 de março de 2008
OS PAIS NAO DEVIAM MESMO GOSTAR NADA DELE
Ninguém se chama Tozé Marreco.
20 de março de 2008
UMA ZEBRA POR DIA, NEM SABES O BEM QUE TE FAZIA
Estou completamente fã destes crocodilos trogloditas que querem comer uma pacata zebra.
(As T-shirts também são muito fixes.)
16 de março de 2008
QUE FAZES AÍ LISBOA
Está um rapaz dos seus 25, 30 anos a tomar café quando aparece um daqueles alfacinhas de gema, cinquentão (pelo menos) de barriga protuberante e voz de bagaço, que gosta de falar alto para mostrar a toda a gente que chegou e acha que tem muita graça quando faz perguntas do género "então também bebes cafés?". Será vizinho ou conhecido do rapaz e o modo como o cumprimenta — com a tal voz de bagaço a falar alto que se ouve em todo o lado no café que não é pequeno — dá a entender que têm um certo grau de familiaridade, e continua com as suas perguntas do género "estás contente por ter nascido?". Como quem sente que só recorrendo a chavões gastos e pretensamente bem-humorados consegue afastar o cinzento do rame-rame quotidiano sem perceber que está a ser um chato.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
Lisboa antiga,
portugal no seu melhor
12 de março de 2008
YO
Diariamente passo por uma porta na Alexandre Herculano que tem a identificação de uma firma de contabilidade que se chama MC Caixinha.
7 de março de 2008
I WANT TO CRAWL ALL OVER HER
Hoje deu-me para Blur, desculpem lá.
"She's So High" (1990, realização David Balfe; white noise onírico)
"Girls & Boys" (1994, realização Kevin Godley; tecno-trash-cinismo)
"To The End" (1994, realização David Mould; pastiche-ersatz Resnais)
"The Universal" (1995, realização Jonathan Glazer; pastiche-ersatz Burgess/Kubrick)
6 de março de 2008
COPS
O uivo proverbial da sirene de um carro de polícia a preencher o largo do Rato vinha, desta vez, não dos habituais Volkswagen azuis e brancos mas... de um Smart de duas portas com a pintura da Escola Segura da PSP, a dar-lhe com todo o gás com o sinal vermelho da Escola Politécnica para a Alexandre Herculano.
5 de março de 2008
OH MÃE
Na fila para o café, noto que à minha frente está uma adolescente acompanhada pelo irmão miúdo encostado ao balcão com uma nota de vinte euros na mão, à espera que a empregada encha o tabuleiro do pequeno-almoço com cafés, galões, bolos. O irmão miúdo, no entanto, não se cala: está a trautear para si uma cançoneta indecifrável em tom de ruído branco. O pior, no entanto, ainda está para vir: ao longo de todo o pequeno-almoço, enquanto a adolescente conversa com a mãe e o avô, o miúdo interrompe regularmente num tom de voz que se ouve em todo o café, mesmo a várias mesas de distância, "oh mãe", "oh mãe", "oh mãe", exigindo a atenção que a mãe não lhe dá. E não se cala ao longo de vinte minutos.
por outras palavras:
é a cultura,
observações descentradas,
polaroid
4 de março de 2008
OS PAIS NÃO DEVIAM GOSTAR MESMO NADA DELE
Ninguém se chama Gastão Salsinha.
1 de março de 2008
ESTES PUBLICITÁRIOS
Vejo nos anúncios que agora está a ser lançado por cá o Chevrolet Aveo, que quase estive à beira de guiar em Los Angeles há dois anos (se não fosse o caso do rent-a-car ter feito o upgrade para o Chevy Cobalt, o que me parece que ia dar ao mesmo). Cá, a campanha publicitária posiciona-o como uma berlina familiar com um toquezinho de requinte; lá, é um compacto baratinho para o pessoal que quer um segundo carro ou um automóvel para guiar em cidade.
por outras palavras:
América América para onde vais,
é a cultura,
viva o transporte público
CASINO, CASINO
Acho delicioso que Francisco Louçã, que tem sido descrito como fazendo parte da "esquerda caviar", venha agora falar de "políticos de casino".
por outras palavras:
é a cultura,
observações descentradas
27 de fevereiro de 2008
MULHERES DE ONTEM E DE HOJE
A minha querida amiga Cristina sobre Javier Bardem ser um dos homens mais sexy do mundo: "Porra! Sexy sou eu, aquilo é um portento."
A minha mãe sobre o comentário da minha amiga Cristina: "Que horror! Estas mulheres de hoje não têm olhos, chamar sexy a um homem tão feio."
por outras palavras:
a minha família dava uma sitcom,
é a cultura,
observações descentradas
26 de fevereiro de 2008
QUANDO O TELEFONE TOCA
Um auricular Bluetooth no ouvido de um executivo ou de um bancário de fatinho e gravata ou saia e casaco ainda passa. Agora, no ouvido de uma mocinha com ar de boutique da moda com botas altas de camurça creme e sotaque nortenho carregado, é muito estranho.
por outras palavras:
é a cultura,
polaroid,
portugal no seu melhor
25 de fevereiro de 2008
O SOSSEGO DO FELINO
Um gato pode ser tão insuportável como uma criança birrenta quando decide que é isto que ela quer e mais nada — e o Diogo tem os seus ataques quando lhe dá para começar a perseguir cabos de carregadores de telemóvel (à última contagem, já ia em cinco destruídos).
Mas um gato é também capaz de ser um momento de pausa retemperadora quando ele nos obriga a interromper o que quer que seja que estamos a fazer com as suas turras e os seus ronronares — como quando, estava eu a ver o telejornal depois de jantar, o Diogo me saltou para o colo e, ronronando, se enroscou em cima da minha barriga como se fosse a almofada preferida dele, e se deixou ali ficar um quarto de hora ronronando enquanto eu lhe fazia festas no lombo peludo.
Nesses momentos do sossego do felino, em que ele dormita descansado com um esboço de sorriso no focinho que, visto em grande plano, sugere o de um grande leão ou tigre descansando, parece que está tudo bem com o mundo.
22 de fevereiro de 2008
400 MILES THROUGH FIELDS OF FIRE
Já há muito tempo que não ouvia Big Country e já me tinha esquecido como, quando eles foram bons (o tempo do primeiro LP, "The Crossing", de 1983, e momentos soltos dos seguintes "Steeltown", de 1984, "The Seer", de 1986, e "Peace in Our Time", de 1988), eles eram mesmo muito bons. Mesmo que o teledisco seja uma merda, havia qualquer coisa de heróico, de optimista, de grandioso na música do grupo. O que torna ainda mais triste que Stuart Adamson, o líder, cantor, guitarrista e principal compositor, se tenha suicidado em 2001.
"Fields of Fire"
"In a Big Country"
"Harvest Home"
(todos do LP "The Crossing", Mercury/Universal, 1983)
21 de fevereiro de 2008
18/02/2008: LH 4536 FRA 21H05 - LIS 23H00
Estava eu convencido que ia ser um voozinho sossegado com pouca gente por ser voo nocturno de segunda-feira — ia, ia. Afinal, o avião vai cheio e fiquei sentado ao lado de pai e filho chinês (filho a fazer birra o voo quase todo) com o miúdo com um casal português a fingir muito mal que é cosmopolita na fila da frente (ela tem uma daquelas vozes de funcionária pública que regista a 15 filas de distância, mas vai à minha frente), um português a devorar as revistas da semana e um alemão de fato de treino a tentar dormir encostado à cadeira do outro lado da coxia.
por outras palavras:
a democratização do transporte aéreo
18/02/2008: LH 195 TXL 18h45 - FRA 19h55
O shuttle Berlim-Frankfurt de fim de dia vai bastante ocupado, com uns quantos alemães que já devem ter bebido umas bjecas e uns italianos que voltam de férias e conversam entre si ruidosamente como só os italianos sabem. O voo é tão curto — não chega a uma hora — que o comissário de bordo basicamente só tem tempo para servir as bebidas. Mas fá-lo muito bem e com muita convicção.
por outras palavras:
a aventura continua,
a democratização do transporte aéreo
EM BERLIM NÃO HÁ FNAC
...ou, pelo menos, não há Fnac que eu tenha visto. Mas há a Dussmann, "das Kulturkaufhaus", que o mesmo é dizer, "a loja da cultura", uma megastore de três andares que vende livros, discos, filmes, bilhetes para concertos e merchandising em pleno centro da cidade, à esquina de Unter den Linden e à saída do metro de Friedrichstraße. Não se deixem enganar por cadeias como a Hugendubel (só vende livros) nem pela ubíqua Media Markt/Saturn (tal como cá, vende tudo e mais alguma coisa): foi na Dussmann que eu finalmente encontrei as reedições do Leonard Cohen que a Sony BMG teima em não repôr nas discotecas portuguesas. Não vale a pena é andarem à procura de livros estrangeiros — também os há, mas os alemães traduzem tudo para alemão.
(Dussmann: Friedrichstraße, 90, Berlin-Mitte; metro U6 Friedrichstraße; comboio S1/S2/S25/S5/S7/S75/S9 Friedrichstraße)
por outras palavras:
a aventura continua,
é a cultura,
ich bin ein Berliner
20 de fevereiro de 2008
NÃO SEJA ANTI-SOCIAL
Os berlinenses também são histéricos do telemóvel — toda a gente tem o seu, toda a gente anda com ele na mão (cheguei até a ver um mocinho com o computador portátil ligado... dentro do metro).
Talvez por isso, é divertido ver um cartaz colado nas carruagens de metro a dizer "der Handy ist kein Lautsprecher": "o telemóvel não é um megafone". Como quem diz: não ande aos gritos no meio da rua.
por outras palavras:
a aventura continua,
é a cultura,
ich bin ein Berliner,
observações descentradas
A EXPERIÊNCIA EINSTEIN
Eu avisei: na segunda-feira, não resisti, e ala para o Café Einstein para a verdadeira experiência de café berlinense.
A decoração é clássica: bancos de couro castanho, cadeiras de madeira sólida, mesas de mármore ora redondas ora quadradas, luz indirecta suave, os jornais do dia suspensos na parede, as janelas para a rua (Kürfurstenstraße na esquina com Unter den Linden) veladas. Criados de camisa branca, colete preto, laço e avental branco.
O cappuccino (em alemão "mélange") é maravilhoso, acompanhado por um copo de shot com água. "Pariser frühstück": uma baguette fresquíssima, saída do forno, cortada em fatias pequenas, acompanhada por manteiga da casa num pequeno recipiente de vidro, um frasquinho de mel e um frasquinho de compota de morango; um croissant de massa folhada também saído do forno; e uma pequena madalena com o toque exacto de baunilha para rematar.
por outras palavras:
a aventura continua,
café culture,
ich bin ein Berliner
BOUTADE
A passear por Berlim no domingo, vejo uma coisa que nunca pensei ver, junto à estação de metro de Kleistpark: uma rua que sobe. Inclinada. Elevada. Chamem-lhe o que quiserem. Não era muito inclinada nem muito elevada — mas numa cidade tão completamente "flat" como Berlim, faz figura de surpresa.
por outras palavras:
a aventura continua,
ich bin ein Berliner,
observações descentradas
17 de fevereiro de 2008
HOME AWAY FROM HOME
Este ano, o hotel que me serviu de base de trabalho durante Berlim não foi o habitual Park Inn, em plena Alexanderplatz, mas sim um outro hotel que eu receava ser um bocadinho mais longe e, na prática, acabou por me ficar mais perto.
O Innside Premium tem todo o aspecto de estar aqui há pouco tempo, fazendo parte de um dos habituais blocos mistos de escritórios e comércio que pululam em Berlim e a que eles chamam de "carré" (este chama-se City Carré). À esquina há um supermercado da cadeia Netto, um bar, uma loja de conveniência de indianos, uma pastelaria e os escritórios do Dresdner Bank; atravessando a rua há um armazém Kaufhof Galeria; a única coisa que trai a existência do hotel, cuja entrada é uma reentrância do bloco, é o neon azul que diz "hotel" cá fora.
Cá dentro, o Innside Premium é um hotel boutique feito a pensar nos negócios — não é muito grande (133 quartos), os quartos são espaçosos, com wi-fi da T-Mobile (pelo menos o hotel aqui não chula com aqueles preços inflacionados, mesmo que a T-Mobile não se faça barata), um pequeno frigorífico, micro-ondas, placa eléctrica e pacotinhos de café e chá, uma chaise-longue muito simpática e um chuveiro todo futurista. O televisor é que é uma decepção (claramente cortaram no orçamento aqui...) e o edredon apesar de quentinho podia ser maior. A almofada é uma chatice, é muito baixinha para o meu gosto.
Ficando em plena ex-Berlim Leste, para lá de Alexanderplatz, eu achava que ia poder ser mais complicado chegar ao centro da cidade. Mentira: embora não haja metro aqui (está no centro de um vazio entre as linhas U1, U5 e U8), o hotel está mesmo à esquina (literalmente: viro a esquina e lá está ela) da estação de comboios Ostbahnhof, que dá acesso rápido ao centro e a ligações para todo o lado.
(Innside Premium Berlin: Lange Straße, 31; comboio S3/S5/S7/S75/S9 Ostbahnhof)
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a aventura continua,
home away from home,
ich bin ein Berliner
A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA (já que estamos a falar de comida)
Surpresa hoje a jantar no meu bem-amado Oranium: pedi o farfalle com molho de laranja e manjericão sem saber muito bem o que ia sair dali, e o que saiu foi apenas maravilhoso, acompanhado por dois peitos de peru no espeto e um molho com a dose certa de picante para contrastar o sabor delicado da laranja. Mesmo, mesmo, mesmo uma surpresa.
Para quem gosta de italiano, dois outros sítios simpáticos e que não são caros. Um já conhecia do ano passado, embora agora tenha mudado para a porta ao lado e esteja significativamente maior: a Trattoria Piazza Rossa, que continua a ter as pizzas mais descomunais que já vi. Outro eu não conhecia: o Marinelli, que é simpático e bastante em conta em termos de preços, para além de ser bem servido.
Falta apenas dar um toque sobre o More, café e restaurante muito trendy que tem uns bifes maravilhosos a preços razoáveis.
(Oranium: Oranienburger Straße, 33, Berlin-Mitte; metro U6 Oranienburger Tor, comboio S1/S2/S25 Oranienburger Straße, eléctrico M6 Oranienburger Straße. Piazza Rossa: Rathausstraße, 5, Berlin-Mitte; metro U2/U5/U8 Alexanderplatz, comboio S5/S7/S75/S9 Alexanderplatz. Ristorante Marinelli: Anhalter Straße, 1, Berlin-Mitte; comboio S1/S2/S25 Anhalter Bahnhof. More: Motzstraße, 28, Berlin-Schöneberg; metro U1/U2/U3/U4 Nollendorfplatz. )
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a aventura continua,
gastronomia para todos,
ich bin ein Berliner
BRUNCH BERLINENSE
O brunch berlinense de domingo chama-se frühstück — é a mesma palavra de pequeno-almoço, mas o pão, a manteiga, a compota, o café, o sumo de laranja ou o croissant é reforçado com fruta, queijo, carnes frias e quentes, bolos.
A minha tentativa de brunch no Café Einstein (na esquina de Kurfürstenstraße com a maravilhosa avenida Unter den Linden) falhou vergonhosamente porque estava a abarrotar de gente. Como aliás quase todos os cafés abertos por onde passei (todas as lojas e bastantes restaurantes estão fechados ao domingo em Berlim), acabando por voltar ao poiso ocasional que é o Café Berio (no início da Maaßenstraße, ao pé de Nollendorfplatz) — belíssimos croissants, a propósito, e tudo rematado com um bolo de chocolate e noz que não vos digo nada.
(Café Einstein: Kurfürstenstraße, 58, Berlin-Mitte; metro U6 Friedrichstraße, comboio S1/S2 Unter den Linden ou Friedrichstraße. Café Berio: Maaßenstraße, 7, Berlin-Schöneberg; metro U1/U2/U3/U4 Nollendorfplatz)
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a aventura continua,
gastronomia para todos,
ich bin ein Berliner
PONTUALIDADE GERMÂNICA
Estão a ver a tal cena dos transportes públicos com a pontualidade germânica?
Descobri hoje duas coisas.
Primeira: aos domingos (em que os comboios passam todos os 10 minutos e não uns a seguir aos outros) a pontualidade atrasa-se um ou dois minutos.
Segunda: os alemães levam muito a mal que o outro chegue atrasado, mas eles arrogam-se o direito de chegarem 15 minutos mais tarde se for caso disso. (Isto não se aplica ao transporte público.)
por outras palavras:
a aventura continua,
viva o transporte público
15 de fevereiro de 2008
É VERDADE: OS ALEMÃES NÃO SÃO PESSOAS MUITO SIMPÁTICAS
Sentado na sala de imprensa a escrever, com uma mocinha italiana a escrever ao meu lado com o seu kispo dobrado por cima do sofá. De repente, alguém da organização (presumo eu) chega-se ao pé da mocinha italiana e pega no kispo, perguntando-lhe em alemão "o casaco é seu?". Ela, com um ar surpreendido, em alemão: "Sim." "É que me estava a cheirar a queimado" e mostra-lhe que o casaco dobrado por cima do sofá mas com a ponta em cima de uma das lâmpadas que estão por trás do sofá a fazer luz indirecta.
A italiana vai-lhe agradecendo com ar encavacado, misturando algum alemão com italiano. Mas o alemão, mesmo depois de perceber que ela não é alemã, insiste em falar apenas alemão (mais dois ou três alemães aparecem a perguntar o que se passa), até ela pedir desculpa pela distracção e ele dizer "o casaco é seu".
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ich bin ein Berliner,
observações descentradas
14 de fevereiro de 2008
VERKEHRSVERBUND BERLIN-BRANDENBURG
O que é divertido no sistema de transporte público de Berlim, para além de ser de uma pontualidade germânica a toda a prova que mete qualquer outra cidade no chinelo, é o facto do comboio poder ser metro e do metro também poder ser comboio, mas do comboio não ser metro e do metro não ser comboio.
Trocando por miúdos (e não estou a tentar ser filosófico nem nada que se pareça): a rede de comboios sub/urbanos que atravessa Berlim chama-se S-Bahn (de Stadtbahn, "comboio de cidade"), mas algumas das linhas de S-Bahn são subterrâneas sem que por isso deixem de ser linhas de comboio.
A rede de metropolitano chama-se U-Bahn (de Untergrundsbahn, "comboio subterrâneo"), mas quase todas as linhas de U-Bahn têm secçoes elevadas ao ar livre sem que por isso deixem de ser linhas de metro.
Exemplo prático: hoje apanhei a linha de metro U1 de Nollendorfplatz em direcção a Warschauer Straße. Em Nollendorfplatz, a linha é subterrânea, mas a partir da estação de Gleisdreieck e até ao términus em Warschauer Straße, é elevada ao ar livre.
Já as linhas de comboio S1, S2 ou S25 que apanho em Friedrichstraße para ir para a Potsdamer Platz são subterrâneas no percurso entre estas estações.
As composições do metro são uma espécie de "S-Bahn de bolso" para caberem nos túneis subterrâneos — mas podíamos ficar aqui até amanhã a discutir os pormenores. Como na questão dos géneros das palavras (que em alemão podem ser masculino, feminino ou neutro de modo absolutamente aleatório), as linhas são o que são e ponto final.
por outras palavras:
a aventura continua,
é a cultura,
ich bin ein Berliner,
viva o transporte público
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Conceito de "lanche" de um mocinho alemão sentado ao meu lado: duas salsichas e uma salada de batata, acompanhadas por café.
por outras palavras:
a aventura continua,
gastronomia para todos,
ich bin ein Berliner
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Uma das coisas mais curiosas quando estou em Berlim é que as portas deles abrem ao contrário — em vez de as empurrarmos para dentro, temos de as puxar para fora. Esqueço-me sempre disso e só ao fim de uma semana consigo atinar e acertar no movimento correcto.
10 de fevereiro de 2008
SE BEBER NÃO CONDUZA
Às onze e meia da noite de domingo, os transportes públicos estão cheios de gente que volta para casa, tal como já tinham estado cheios de gente às onze e meia das noites de sexta e sábado (mas aí não me acredito que fossem todos para casa a essas horas).
Comum aos três dias são as garrafas de cerveja, coca-cola ou espumante que muita gente, sozinha ou em grupos, traz na mão e bebe durante o trajecto, depositando as garrafas vazias nos vidrões que há em cada estação ou (se não estiverem para isso) em cima de parapeitos ou encostados a escadas.
por outras palavras:
a aventura continua,
ich bin ein Berliner,
viva o transporte público
SUNRISE
7h45 da manhã. Céu azul e frio matinal sobre Berlim com o sol a nascer forte e alaranjado por entre as torres de apartamentos de modelo institucional, os palácios imperiais, as linhas de comboio que atravessam a cidade. E os vendedores que montam as suas bancas de antiguidades, velharias, segunda mão em frente à estação de Ostbahnhof.
por outras palavras:
a aventura continua,
ich bin ein Berliner,
viva o transporte público
9 de fevereiro de 2008
MOJO IN BERLIN
À mesa do jantar, leio a Mojo de Janeiro para pôr em dia leituras atrasadas. A propósito dos My Bloody Valentine (que parece que vão voltar), descubro que o que nos anos 1980 se chamava "shoegazing" passou agora a ser denominado "feedback pop". E também que Amy Winehouse "smoked dope, drank heavily and swore like a football manager". O que me fez pensar, acreditem ou não, mais em José Mourinho do que em Jaime Pacheco.
S-BAHN
Este ano, não fiquei instalado no habitual hotel de Alexanderplatz que tinha linha directa de metro para a zona do festival, mas sim um pouco mais longe, num hotel muito simpático ainda e sempre na antiga Berlim Leste, em Ostbahnhof. Que não tem estação de metro ao pé, mas não faz mal, porque fica mesmo ao lado de uma das gares centrais de comboio - assim a modos que Sete Rios ou Entrecampos.
Todos os dias de manhã apanho um de quatro comboios possíveis das linhas urbanas berlinenses, o célebre S-Bahn. É indiferente qual das linhas é ou qual dos comboios eu apanho, desde que passe por Friedrichstraße, onde tenho de mudar de cais para apanhar as linhas S1 ou S2 com paragem em Potsdamer Platz. A parte engraçada é que, de comboio urbano (pensem linha de Cascais, Sintra, Azambuja) à superfície (ou melhor: elevado em muitas linhas), as S1 e S2 são maioritariamente subterrâneas, tipo metro.
O curioso é que, mesmo tendo de mudar de linha para ir de Ostbahnhof a Potsdamer Platz, levo menos tempo do que levava de metro.
por outras palavras:
a aventura continua,
ich bin ein Berliner,
viva o transporte público
7 de fevereiro de 2008
CHOCOLATE CHERRY MUFFIN
Em plena Alte Potsdamer Straße, quase em frente do palácio dos festivais, há um Starbucks que é um dos meus poisos preferidos no meio do frenesi dos três filmes por dia (quando não mais). É um reduto confortável onde bebo um café e como um muffin (hoje foi o de chocolate e cereja; as sanduíches também não são más) à laia de pequeno-almoço ou numa pausa entre dois filmes. Está sempre cheio, mas isso é porque a maior parte dos jornalistas e outros profissionais em serviço só gostam do que têm em casa e já conhecem, enquanto que eu não tenho Starbucks em Lisboa (e também não sei se quero ter, mas isso são outras conversas). Mas a verdade é que não há muitos cafés onde se ouça Thelonious Monk, Bob Dylan ou Leonard Cohen enquanto se bebe um café e come um muffin.
Quase toda a gente sentada nas mesas e nos bancos altos tem um passe do festival ao pescoço, folheia programas ou informações de projecções, revistas da profissão, quando não mesmo o calhamaço de 400 páginas que é o catálogo, provavelmente à procura daquela descoberta que não está a concurso e onde pode estar o futuro (?) do cinema (ou pelo menos o futuro de hoje do cinema, porque amanhã a coisa pode mudar). E, ao meu lado, a Katrin (o nome está escrito a feltro no copo alto de café ao seu lado) escreve num Sony Vaio daqueles pequeninos que dão novo nome à palavra "portátil".
(Starbucks: Alte Potsdamer Straße, 7, Berlin-Mitte; metro U2 Potsdamer Platz, comboio S1/S2/S25 Potsdamer Platz)
por outras palavras:
café culture,
ich bin ein Berliner,
polaroid
6 de fevereiro de 2008
06/02/2008: LH 218 MUC 11h10 - TXL 12h20
Eu sei o que é um Blackberry. Conheço até um viciado em Blackberry. Mas mesmo o viciado em Blackberry que eu conheço não é nada viciado quando comparado com a mocinha que vai na fila da frente do meu vôo para Berlim, que não o desliga nem por mais uma excepto quando o avião acaba de descolar, escrevendo e consultando como quem tem nervoso miudinho. É a isto que se chama Crackberry?
Durante a aterragem em Berlin-Tegel (o tal aeroporto das ilhas), dou por mim a pensar que um avião deve ser parecido com um carro e ter as suas idiossincrasias que qualquer bom piloto - ler chofer - sabe identificar e compensar. Isto porque há um barulhinho irritante que é provavelmente um contentor de catering ou uma cafeteira que está um bocadinho solta ou que não ficou bem presa quando o comissário de bordo o/a arrumou e que faz uma tremideira de fazer ranger os dentes de irritante ao longo da aterragem. E dei por mim a pensar no comandante a dizer ao co-piloto: "oh Manel, dá aí um piparote no indicador da velocidade que está a zeros e não pode ser".
por outras palavras:
a aventura continua,
a democratização do transporte aéreo
06/02/2008: LH 4545 LIS 06h25 - MUC 10h15
É a primeira vez que vejo as hospedeiras de bordo fazer "avançar" os cortinados que separam a "primeira classe" da "económica" num avião. É fixe: tem um certo ar "plug and play", de Legos que se desmontam e passam para a fila da frente. Há quem ressone durante as duas horas e meia de vôo. É um português.
3 de fevereiro de 2008
É FRANCESA, O QUE É QUE QUEREM
Senão, vejamos: Carla Bruni (linda) já esteve romanticamente ligada a Eric Clapton, Mick Jagger ou Donald Trump e agora casou-se com Nicolas Sarkozy. Mas para pai do seu filho escolheu... um professor de filosofia.
por outras palavras:
observações descentradas,
quem sabe sabe
2 de fevereiro de 2008
MAIS CANÇÕES PARA PREENCHER VOCÊS SABEM O QUÊ
(versão ao vivo)
(versão original)
por outras palavras:
James Bom,
o meu nome é Bom,
obsessões pop
29 de janeiro de 2008
CANÇÕES PARA PREENCHER O VAZIO
(e que ninguém me venha dizer que we'll get there fast and then we'll take it slow não é um one-liner de génio)
por outras palavras:
anos 80 bem medidos,
obsessões pop,
prazeres culpados
19 de janeiro de 2008
SAUDADES
O Pedro Aniceto está na minha outra cidade e eu estou todo invejoso.
17 de janeiro de 2008
É CAPAZ DE HAVER MALES QUE VÊM POR BEM
Descobriu-se então que o enxofre vertido na Faculdade de Farmácia se deveu a uma empregada da limpeza que decidiu deitar fora um frasco partido ao que parece sem dar cavaco às melgas e sem perceber que era (nas palavras de outra senhora da limpeza) "tóshico".
De onde se retira que isto de haver senhoras da limpeza sobre-qualificadas para o emprego que têm pode não ser tão problemático como parece.
POLAROID: METRO
À saída do metro do Saldanha, esta manhã, um jovem à minha frente com auscultadores nos ouvidos cantava em altos berros e numa voz incompreensível uma canção que descobri com alguma atenção ser "Não Sou o Único" (não sei é em que versão). Depois dei por mim a pensar que é provavelmente aquela mesma figura que eu faço quando ando de auscultadores por Lisboa.
por outras palavras:
é a cultura,
Lisboa tem muito trânsito
16 de janeiro de 2008
POLAROID
O ar infeliz dos fumadores que se vêem obrigados a vir para a rua fumar de manhãzinha nota-se mais quando estão quatro ou cinco à porta do escritório, todos à espera que a/o última/o que ainda está a fumar acabe para poderem voltar todos para dentro.
8 de janeiro de 2008
LAGOSTA CURTE LARGO
Esta canção devia vir dentro de uma daquelas caixinhas de vidro com um martelo ao lado e a indicação: "Partir vidro em caso de necessidade". E basta uma audição para alegrar qualquer dia mais cinzento. E pensar que "Rock Lobster" já tem quase 30 anos em cima...
The B-52's, "Rock Lobster" (in "The B-52's", Island, 1979)
OUÇA LÁ
Cheguei hoje à conclusão que tentar manter uma conversa com alguém que usa um aparelho auditivo pode limitar-se a manter contacto visual e a fazer que sim com a cabeça — porque qualquer resposta que se possa dar não vai ser ouvida e a coisa vai descambar verdadeiramente num diálogo de surdos.
7 de janeiro de 2008
PEQUENO-ALMOÇO
A confeitaria Marquês de Pombal tem uma das melhores torradas do mundo, mas leva tempo a fazer, como descobriu esta manhã por sua conta e risco um turista que pediu à empregada para lhe trazer uma igual à minha (mmmm, pãozinho integral de forma caseira, manteiga no ponto certo) e ficou à espera dela dez minutos, com um ar muito irritado de quem sentia estar num terceiro mundo do qual não compreendia nada. Diga-se em abono da verdade que a empregada não estava nos seus dias, como fica provado quando eu lhe peço "um galão e uma torrada" e ela repete "um pão com manteiga?".
por outras palavras:
gastronomia para todos,
polaroid,
portugal no seu melhor
5 de janeiro de 2008
VÍCIO
Se gostam de chocolate, vejam só esta perdição.
HORA DE PONTA
Como, durante a semana, não tenho por hábito conduzir em Lisboa, no outro dia um amigo meu ficou bastante surpreendido por perceber que eu tinha carro — ao que lhe expliquei que tenho, mas durante a semana uso os transportes públicos. Hoje que precisei de sair com o carro, voltei a lembrar-me porque é que não gosto de sair com o carro em Lisboa.
Primeiro, estava a chover, o que tem o efeito de trazer mais carros para as ruas e de desacelerar o trânsito até ao ritmo de uma hora de ponta de dia de semana. Depois, ao fim-de-semana todos aqueles que, como eu, não conduzem durante a semana saem com o carro, o que coloca nas ruas uma quantidade assinalável de condutores de domingo. Com o resultado de que levei quase hora e meia para uma ida e volta que me costuma levar metade do tempo — e eu aí recordo-me porque é que andar de carro em Lisboa é tão desgastante e nos faz perder tanto tempo produtivo.
3 de janeiro de 2008
O AMARELO DA CARRIS (slight return)
Num 28 cheio com um forte cheiro acre a passagem-subterrânea-por-baixo-da-linha-férrea de Belém, uma senhora tenta forçar passagem para a frente até eu lhe dizer que não vale a pena estar a forçar porque não há espaço mais à frente — é o problema dos miúdos irem em pé, parece que não está lá ninguém.
2 de janeiro de 2008
OS AMARELOS DA CARRIS
À ida, no 28 para o Martim Moniz: descendo a Calçada da Estrela nos traços de um 28 para a Graça a abarrotar, uma fila de passageiros a querer subir é empatada por um passageiro que compra bilhete com uma nota alta. Com uma camioneta em segunda fila a empatar o trânsito na outra direcção, não é preciso muito tempo para o trânsito ficar engarrafado e se começarem a ouvir as proverbiais buzinadelas dos apressadinhos.
À volta, no 25 para os Prazeres: subindo a Calçada Ribeiro Santos, alguém deixou um VW com os quatro piscas ligados parado em pleno percurso dos carris, e só depois de longas buzinadelas do condutor é que o automobolista se digna descer pacatamente como se não fosse nada com ele.
por outras palavras:
eléctrico,
Lisboa tem muito trânsito,
portugal no seu melhor
1 de janeiro de 2008
RELATIVIZEMOS
"Ano novo, vida nova"? "Resoluções de Ano Novo", tomadas às doze badaladas?
A meia-noite de Lisboa são as quatro da tarde de São Francisco ou a uma da tarde de Sydney. É só uma mudança de calendário, um mês que acaba outro que começa, um dia que acaba outro que começa. O Ano Novo é uma construção abstracta diferente em cada país do mundo. Se quiséssemos ser pragmáticos, as "resoluções de Ano Novo" deviam ser tomadas todos os dias, cada dia, em vez de decididas no primeiro dia do ano e esquecidas no segundo.
Tudo isto porque passei uma maravilhosa passagem de ano — sozinho com o gato, em casa, no quentinho aconchegado do sofá, a ver bom cinema e a ler boa literatura, longe das celebrações mais ou menos frenéticas de quem quer que o Ano Novo tenha um significado especial. É só uma noite como as outras (e um bom pretexto, é certo, para apanhar uma tosga ou ficar na cama até mais tarde no dia a seguir) — e cabe-nos a nós investir o nosso significado nesta como noutras noites.
Dito tudo isto, Bom Ano para vocês.
31 de dezembro de 2007
PEQUENO DESVIO PELA ACTUALIDADE INTERNACIONAL
Para quem tem acompanhado as notícias sobre a investigação do assassínio da antiga primeiro-ministro paquistanesa Benazir Bhutto, é impossível não ter um sorriso amarelo sempre que o porta-voz do governo do presidente Musharraf, o brigadeiro Cheema, aparece a falar inglês com o seu grande bigode; só me lembro daquela série cómica da BBC, "Goodness Gracious Me", sobre os indianos em Inglaterra. Essa comparação um tudo nada de humor negro reapareceu hoje quando li que o brigadeiro explicitou a rejeição pelo governo paquistanês da colaboração de investigadores ingleses dizendo que os investigadores estrangeiros não estão inteiramente a par do que se passa no Paquistão, e rematando com a seguinte frase: "A Scotland Yard não pode investigar no Waziristão. Não falam pashto".
Se tudo isto não fosse tão perturbantemente real, seria hilariante.
por outras palavras:
descontextualizar por aí,
observações descentradas
30 de dezembro de 2007
OBRIGADO AO BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS DENTISTAS
...por nos dizer, na capa da "Revista da Qualidade" distribuida gratuitamente com o Público de sexta-feira, que a "medicina dentária portuguesa vive um momento histórico". Sinto-me feliz e realizado por viver neste grande momento histórico para a medicina dentária portuguesa, imediatamente antes de atirar a "Revista da Qualidade" para o caixote do lixo do papel a reciclar juntamente com a quantidade de papel absurda que os jornais de fim-de-semana trazem sem que ninguém esteja realmente interessado nele.
por outras palavras:
é a cultura,
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
portugal no seu melhor
29 de dezembro de 2007
2007 IMAGENS
1. Letters from Iwo Jima/CARTAS DE IWO JIMA, Clint Eastwood, 2007
2. Ratatouille/RATATUI, Brad Bird & Jan Pinkava, 2007
3. The Fountain/O ÚLTIMO CAPÍTULO, Darren Aronofsky, 2006
4. Moartea Domnului Lazarescu/A MORTE DO SR. LAZARESCU, Cristi Puiu, 2004
5. Sunshine/MISSÃO SOLAR, Danny Boyle, 2007
seguidos de
300/300, Zack Snyder, 2007
Death Proof/À PROVA DE MORTE, Quentin Tarantino, 2007
Across the Universe/ACROSS THE UNIVERSE, Julie Taymor, 2007
ANGEL, François Ozon, 2006
Shoot 'Em Up/ATIRAR A MATAR, Michael Davis, 2007
Knocked Up/UM AZAR DO CARAÇAS, Judd Apatow, 2007
Flags of Our Fathers/AS BANDEIRAS DOS NOSSOS PAIS, Clint Eastwood, 2006
The Good German/O BOM ALEMÃO, Steven Soderbergh, 2006
The Good Shepherd/O BOM PASTOR, Robert de Niro, 2006
Bug/BUG, William Friedkin, 2006
The Golden Compass/A BÚSSOLA DOURADA, Chris Weitz, 2007
CALLE SANTA FE, Carmen Castillo, 2007
Iklimler/CLIMAS, Nuri Bilge Ceylan, 2006
Stranger than Fiction/CONTADO NINGUÉM ACREDITA, Marc Forster, 2006
Control/CONTROL, Anton Corbijn, 2007
Gwoemul/A CRIATURA, Bong Joon-Ho, 2006
Blood Diamond/DIAMANTE DE SANGUE, Edward Zwick, 2006
Half Nelson/ENCURRALADOS, Ryan Fleck, 2006
Hot Fuzz/ESQUADRÃO DE PROVÍNCIA, Edgar Wright, 2007
FARVÄL FALKENBERG, Jesper Ganslandt, 2006
Fay Grim/FAY GRIM, Hal Hartley, 2006
El Laberinto del Fauno/O LABIRINTO DO FAUNO, Guillermo del Toro, 2006
Stardust/O MISTÉRIO DA ESTRELA CADENTE, Matthew Vaughn, 2007
NE TOUCHEZ PAS LA HACHE, Jacques Rivette, 2006
LE PAPIER NE PEUT PAS ENVELOPPER LA BRAISE, Rithy Panh, 2006
Paranoid Park/PARANOID PARK, Gus van Sant, 2007
PERSEPOLIS, Marjane Satrapi & Vincent Paronnaud, 2007
Planet Terror/PLANETA TERROR, Robert Rodriguez, 2007
Eastern Promises/PROMESSAS PERIGOSAS, David Cronenberg, 2007
Renaissance/RENASCIMENTO, Christian Volckman, 2005
RETOUR EN NORMANDIE, Nicolas Philibert, 2006
Shortbus/SHORTBUS, John Cameron Mitchell, 2006
Das Leben der Anderen/AS VIDAS DOS OUTROS, Florian Henckel von Donnersmarck, 2006
Zidane - a 21st Century Portrait/ZIDANE, UM RETRATO DO SÉCULO XXI, Douglas Gordon & Philippe Parreno, 2006
Zodiac/ZODIAC, David Fincher, 2007
25 de dezembro de 2007
MAS COMO HA SEMPRE MAIS DO QUE UMA PERPLEXIDADE NATALÍCIA
Uma das coisas que mais me irrita no Natal é a quantidade absurda de papel de embrulho e embalagens bonitas em que se investe para acabarem no caixote do lixo no dia seguinte. Eu nisso sou muito mais económico: reciclo revistas e jornais antigos. Mas como a quantidade de prendas tambem não é descomunal não reciclo tanto como poderia.
A SOLUÇÃO DA PERPLEXIDADE NATALÍCIA
Afinal, a barulheira natalícia era a vizinha de cima a montar os móveis novos.
24 de dezembro de 2007
A PERPLEXIDADE NATALÍCIA
Alguém que me explique s. f. f. porque raio é que alguém se lembra de fazer furos e martelar a parede numa véspera de Natal.
23 de dezembro de 2007
MELHOR QUE UM GATO, SÓ MESMO DOIS GATOS

D. Diogo partilha um momento de entendimento com D. Noémia, a Diva de Carnaxide, que veio passar o Natal cá a casa. Ou melhor: veio dormir cá a casa pelo Natal, que ela não tem feito outra coisa (nem ele, já agora).
21 de dezembro de 2007
ERA DISTO QUE ESTÁVAMOS TODOS À ESPERA
Na capa da Economist desta semana vem referida uma peça que vem no interior sobre a vida sexual dos pandas.
19 de dezembro de 2007
CHAMEM A POLÍCIA QUE EU NÃO PAGO
No metro do Marquês de Pombal perto da hora do almoço, uma senhora de voz rouca e chapéu-de-chuva encharcado resmunga em voz muito alta que ressoa de modo particularmente sonoro na acústica da estação a dizer que não tem a renda em atraso não senhor a um senhor que diz que isso não é nada com ele e ela que vá queixar-se à senhoria.
por outras palavras:
metro,
polaroid,
portugal no seu melhor
18 de dezembro de 2007
É NATAL, É NATAL
... e na mesa ao lado da minha no restaurante onde hoje almocei, três senhoras com aspecto de funcionárias públicas suburbanas e um senhor com ar de chefe de secção terminam o almoço, depois da sobremesa e do café, trocando lembrancinhas de Natal minuciosamente embrulhadas em papel festivo e transportadas em sacos de papel alusivos à quadra (ah, aquele Pai Natal bonacheirão tão típico de saco industrial de loja dos 300), que vão dos anjinhos decorativos às molduras com espaço para toda a família incluindo o novo netinho — as lembrancinhas que das duas uma: ou são logo enfiadas no fundo de uma gaveta ou numa prateleira recôndita do armário para de lá só sairem no caso de visita do ofertador; ou são consideradas giríssimas e ocupam desde logo lugar digno por entre o bric-à-brac de bugigangas que preenche cada recanto da lareira, da cómoda ou da cristaleira lá de casa.
INTERROMPEMOS ESTE PROGRAMA PARA UMA INFORMAÇÃO IMPORTANTE
Em condições iguais de temperatura e pressão, uma bela sopa de espinafres caseira é infinitamente mais saudável do que processar vencimentos.
17 de dezembro de 2007
PARABÉNS A VOCÊ
Cumpriram-se ontem quatro anos em roda livre. Obrigado por continuarem a estar aí.
ELÉCTRICO 28
É verdade que era sexta-feira, a pouco mais de uma semana do Natal, perto das oito da noite, e que sair do emprego a essa hora não deixa ninguém genuinamente bem disposto — mas isso não invalida que a mocinha que subiu para o 28 comigo na Basílica da Estrela e passou toda a viagem até à Sé a desabafar em voz alta com a amiga do outro lado do telemóvel como quem está a gritar com alguém na sala lá de casa me tenha deixado no mínimo atordoado. Senti-me - e penso que também os outros passageiros - como se estivéssemos a assistir a uma discussão para a qual não tínhamos sido convidados, só que num lugar público.
por outras palavras:
é a cultura,
eléctrico,
viva o transporte público
15 de dezembro de 2007
OS PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS
Ninguém é capaz de explicar ao pessoal de Nestlé que aquela campanha do ice tea da geração mudasti não tem graça nenhuma? Ou era mesmo essa a ideia?
SEXTA-FEIRA (NEM QUE CHOVA)
Maravilha: quando o frio mais aperta, o esquentador dá a alma ao criador (antes o esquentador que o aquecedor, o gato agradece), e descubro que a "cantina" do outro lado da rua onde almoço quando trabalho por casa vai fechar de vez. Dois copos de vinho tinto ao jantar e, hop!, a gargalhada não engana, bebo tão pouco que quando bebo a coisa nota-se logo. Três da manhã e estou a ressonar, o alarme toca às nove porque tenho onde estar às onze mas só acordo às dez e meia e tenho de sair badalhoco porque não há esquentador. Antes o esquentador que o aquecedor, nisso estou com o gato. Viva os sábados no cadeirão da sala com o banho tomado, o aquecedor ligado e o gato a dormir enroscado no sofá (porque eu estou sentado no cadeirão para insatisfação felina), o Henrique Sá Pessoa a fazer comida de goa e a salada de alface e rúcola com atum, azeitonas e massa biológica para um jantar leve. Estão ali uns biscoitos de canela a rir-se para mim, mas hoje não pode ser, que o bolo de banana com pepitas de chocolate encheu-me as medidas ontem.
por outras palavras:
gastronomia para todos,
observações descentradas
13 de dezembro de 2007
OLHANDO DUAS VEZES
Dulce Pontes actuou para os dignitários que assistiram à assinatura do Tratado de Lisboa. Mas, a julgar pela amostra que passou no noticiário da noite, aquilo não era a Dulce Pontes mas sim um clone disposto a fazer ruir a sua reputação e a destruir-lhe a carreira. Não encontro outra explicação, a sério. É que para ser Kate Bush não chega querer.
por outras palavras:
descontextualizar por aí,
observações descentradas,
quem vê TV
POST FELINO SEMANAL
O desporto preferido do meu gato Diogo é saltar-me para os ombros várias vezes ao dia e mordiscar afectuosamente as minhas orelhas enquanto se roça na minha nuca. Tem imensa graça até ele ferrar os dentes no lóbulo com um ronronar afectuoso ou até ele decidir que quer ver ao que sabe o meu nariz e se esticar para tentar mordê-lo.
Gato pode ser amor, como diz a minha amiga Marta, mas gato é também a prova que o amor magoa. (Soa melhor em inglês, eu sei.)
Gato pode ser amor, como diz a minha amiga Marta, mas gato é também a prova que o amor magoa. (Soa melhor em inglês, eu sei.)
12 de dezembro de 2007
OLHANDO DUAS VEZES
Acabei de ver Ricardo Quaresma de boné a falar ao Jornal da Noite a propósito da vitória do Porto sobre o Besiktas.
O problema é que me pareceu ver Nuno Guerreiro, vocalista dos Ala dos Namorados, e não Quaresma. Seria do boné?
O problema é que me pareceu ver Nuno Guerreiro, vocalista dos Ala dos Namorados, e não Quaresma. Seria do boné?
O FATO DE TREINO FAJUTO EM COR GARRIDA
Num azul muito forte e com um ar baratucho, e reproduzindo na perfeição o logotipo da Adidas, usado por um senhor barrigudo de cabelo encaracolado com uma T-shirt branca por baixo no metro em direcção a Benfica.
Só que, em vez de Adidas, dizia Acliclas.
Só que, em vez de Adidas, dizia Acliclas.
por outras palavras:
observações descentradas,
polaroid,
portugal no seu melhor
11 de dezembro de 2007
OS PAIS NAO DEVIAM MESMO GOSTAR NADA DELE...
O senhor que apareceu hoje na televisão envolvido em mais um caso complexo de custódia de uma criança adoptada (não retive se estava do lado da família de acolhimento ou da família biológica, as minhas desculpas, mas também para o caso não vem ao caso) chamava-se Délio Carqueija.
por outras palavras:
observações descentradas,
palavras abstrusas,
portugal no seu melhor
10 de dezembro de 2007
BALCANIZAR POR AÍ
Ou como o Largo do Chiado foi invadido por uma mini-orquestra klezmer-Kusturica à hora do almoço de segunda-feira e ficamos todos um bocado sem saber o que fazer.
por outras palavras:
Lisboa antiga,
observações descentradas,
polaroid
DESPORTIVISMO
No espaço de dois minutos num resumo de um jogo da liga inglesa (Premier League) na Sport TV, vejo um jogador a tirar macacos do nariz, outro a cuspir e outro a escarrar. O desporto é uma coisa linda.
por outras palavras:
descontextualizar por aí,
observações descentradas
MÚSICA NO GINÁSIO #31
Porque carga d'água este homem canta desta maneira extraordinária e nunca na vida fez um álbum decente nunca hei-de perceber. "System" (Warner Bros., 2007) é mais do mesmo: duas grandes canções (e esta, infelizmente, não é uma delas) chamadas "If It's in My Mind, It's on My Face" e "Just Like Before", uma produção de luxo (desta vez, Stuart Price, ele de Les Rythmes Digitales, ele de Madonna) e a sensação de que esta voz merece mais e melhor.
8 de dezembro de 2007
METÁFORA DA SEMANA
"Com o dinamismo de um coala à hora da sesta"
5 de dezembro de 2007
THE WHITE FLASH
Não tem imagem, mas não faz mal. A música chega. Modeselektor com Thom Yorke. Os Radiohead podiam ir por aqui que não lhes fazia mal nenhum.
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #84 (mas deviam ter)
Ouriçado.
4 de dezembro de 2007
O MELHOR BOLO DE CHOCOLATE DO MUNDO
É como o restaurante da Cinemateca, 39 Degraus de seu nome, chama ao seu hedonista bolo de chocolate. Não tenho certeza que seja o melhor bolo de chocolate mas lá que é bastante bom é. A ver se agora não me afinfo à sobremesa durante o resto da semana.
3 de dezembro de 2007
EU NÃO PEÇO DESCULPA
A partir deste momento, telefone, internet, está tudo desligado. Estou a entrar em estágio para o final da melhor série de televisão de sempre (desde a última melhor série de televisão de sempre e até à próxima melhor série de televisão de sempre).
por outras palavras:
quem vê TV,
tenham medo. tenham muito medo
2 de dezembro de 2007
ISTO DE UMA PESSOA NÃO ESTAR HABITUADO
Uma pessoa às tantas esquece-se que já é Dezembro e só dá por isso quando tem de ligar o aquecedor para a casa ficar aconchegadinha.
por outras palavras:
questões pertinentes,
viva mais a sua casa
1 de dezembro de 2007
OS A PRENDA
Porque é que eles insistem todos em chamar-lhes "os The Gift" quando a formulação correcta seria "os Gift"? Afinal, ninguém diz "os The Beatles" ou "os The Rolling Stones" (embora "os The Who" já seja mais dúbio).
por outras palavras:
observações descentradas,
obsessões pop
INTELIGÊNCIA PRÁTICA
É coisa que, lamentavelmente, só tenho para algumas coisas.
29 de novembro de 2007
UNS SÃO SOBRINHOS, OUTROS SOBRINHOS-NETOS
Já alguém reparou que a cafetaria do Corte Inglés de Lisboa, mais do que estar cheia de tias, está cheia de tias-avós que pedem hamburger com ananás e torcem o nariz por levar tempo a chegar?
27 de novembro de 2007
POLAROID: ELÉCTRICO 28 (post com conteúdo eventualmente chocante)
O 28 vem cheio — com um segundo 28 vazio alguns automóveis atrás — e não pára na paragem da Calçada do Combro que está também ela cheia de passageiros aguardando a carreira. Uma jovem lança para o eléctrico que não pára, com a sua melhor voz de peixeira de mercado: "Grande filho da puta que não páras com a merda do eléctrico vazio cá atrás!"
Os passageiros que vão como sardinha em lata na parte de trás do eléctrico cheio mostram-se um tudo nada surpreendidos, mas sorriem.
Os passageiros que vão como sardinha em lata na parte de trás do eléctrico cheio mostram-se um tudo nada surpreendidos, mas sorriem.
por outras palavras:
eléctrico,
Lisboa tem muito trânsito,
observações descentradas,
polaroid
26 de novembro de 2007
THIS IS THE WORLD CALLING
Estou-me a borrifar que o video não seja grande coisa. É a melhor canção que o Bob Geldof fez na vida ("I Don't Like Mondays" incluido) e quando a diva Annie aparece no refrão é de ir às lágrimas. Sobretudo depois do episódio de hoje da minha série de cabeceira.
por outras palavras:
a história do rock'n'roll,
obsessões pop
25 de novembro de 2007
BOLETIM CLÍNICO: GATO ENTREVADO
O doente retirou o penso amarelo que lhe cobria a pata traseira esquerda na tarde de sábado e recuperou a sua movimentação normal, andando já a saltar outra vez pela casa fora e a enroscar-se todo para dormir ao pé do aquecedor ligado. Tomou o antibiótico mastigável sem problemas até à manhã de domingo, altura em que fez fita e foi obrigado a levá-lo pela goela abaixo. Tem lambido a patinha, mas não tem procurado tirar os pontos e por isso não tem necessitado de usar colar. Tem também mantido o dono à distância, como quem diz, "estás na lista negra e tão cedo não esperes que eu te desculpe".
23 de novembro de 2007
GATO ENTREVADO
D. Diogo sofreu um pequeno ferimento doméstico que exigiu três pontos numa patinha. Agora anda para ali com a pata ligada num enorme penso amarelo mas em apenas três horas já passou de se arrastar, fiteiro, a fazer os seus saltos arriscados para tudo quanto é sítio como se a ligadura não fosse impedimento.
O problema vai ser o antibiótico.
O problema vai ser o antibiótico.
22 de novembro de 2007
FUGIR COM O CIENTISTA
Soube-me tão bem ouvir isto outra vez hoje. E lembrou-me tanto de ti.
estaremos juntos separados como amantes
nesta viagem com água sem retorno
entre as queimadas vento Norte viajante
é o cacimbo africano Moçambique
ao terraço e à varanda do avô
passeios da dimensão do anarquista
ao teatro ao professor à fantasia
no matope um sono de marimbas
limpidez das areias tem
em teias de caniço
fugir com o cientista tem
estrelas a perder de vista
são trovoadas que caem no capim
o som do zinco o sentido às caminhadas
passos compridos e a voz dos velhos sábios
são a memória da sombra das acácias
ondas que cavam as areias do Bilene
e as histórias que contava José Bila
ventos parados ao subir às papaeiras
e a maravilha do canto do magaíça
limpidez das areias tem
em teias de caniço
fugir com o cientista tem
estrelas a perder de vista.
— João Afonso, "Fugir com o Cientista", in "Missangas" (Mercury/Universal, 1997)
estaremos juntos separados como amantes
nesta viagem com água sem retorno
entre as queimadas vento Norte viajante
é o cacimbo africano Moçambique
ao terraço e à varanda do avô
passeios da dimensão do anarquista
ao teatro ao professor à fantasia
no matope um sono de marimbas
limpidez das areias tem
em teias de caniço
fugir com o cientista tem
estrelas a perder de vista
são trovoadas que caem no capim
o som do zinco o sentido às caminhadas
passos compridos e a voz dos velhos sábios
são a memória da sombra das acácias
ondas que cavam as areias do Bilene
e as histórias que contava José Bila
ventos parados ao subir às papaeiras
e a maravilha do canto do magaíça
limpidez das areias tem
em teias de caniço
fugir com o cientista tem
estrelas a perder de vista.
— João Afonso, "Fugir com o Cientista", in "Missangas" (Mercury/Universal, 1997)
por outras palavras:
é a cultura,
obsessões pop,
parabenização
21 de novembro de 2007
UMA DÚVIDA EXISTENCIAL
Agora que o Millennium BCP se vai fundir com o BPI, como é que é com o pessoal que tem contas nos dois bancos?
POETA CASTRADO NÃO
A minha mãe sempre achou que o Ary dos Santos era maluco mas tinha repentes fabulosos, como este lido na longa entrevista de José Manuel Osório ao seu filho Luís Osório (Quanto Tempo, Oficina do Livro, 2003).
Eu conto-te uma outra história do Zé Carlos Ary dos Santos. Uma vez alguém lhe perguntou se alguma vez dormira com uma mulher. E ele respondeu com um murro na mesa: por vezes dou uma voltinha para a esquerda, mas não quero que se saiba porque isso me desprestigia.
Eu conto-te uma outra história do Zé Carlos Ary dos Santos. Uma vez alguém lhe perguntou se alguma vez dormira com uma mulher. E ele respondeu com um murro na mesa: por vezes dou uma voltinha para a esquerda, mas não quero que se saiba porque isso me desprestigia.
por outras palavras:
é a cultura,
portugal no seu melhor
20 de novembro de 2007
JÁ NINGUÉM ESCREVE COISAS DESTA MANEIRA
Mas, em 1903, escreviam-se coisas desta maneira...
O Magiolly amancebou-se com uma cantadora famosa, a Ana do Porto. Entre os seus percalços, cita-se o de ter gramado uma facada do D. Miguel Soutto de El-Rei, mas aquele, depois, partiu a cabeça a este com um cacete à porta do Marrare do Arco do Bandeira.
— José Pinto Ribeiro de Carvalho (Tinop), in História do Fado (Lisboa: Dom Quixote, 2003 [5ª ed.])
O Magiolly amancebou-se com uma cantadora famosa, a Ana do Porto. Entre os seus percalços, cita-se o de ter gramado uma facada do D. Miguel Soutto de El-Rei, mas aquele, depois, partiu a cabeça a este com um cacete à porta do Marrare do Arco do Bandeira.
— José Pinto Ribeiro de Carvalho (Tinop), in História do Fado (Lisboa: Dom Quixote, 2003 [5ª ed.])
por outras palavras:
Lisboa antiga,
portugal no seu melhor
19 de novembro de 2007
OS PEQUENOS PROBLEMAS DA IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA (no regresso após uma pausa algo longa)
Na cantina da menina alice — que ficará condignamente anónima para não a deixar ainda mais triste do que ela já está — comem-se umas chamuças sublimes paredes-meias com o pornográfico e uns maravilhosos bojés. Mas há qualquer coisa no tempero ou na arte da cozinha goesa que não só não me seduz como uma porno-tikka aveludada como me deixa sempre com o estômago ó-tio-ó-tio (apesar do caril de gambas estar genuinamente bom).
14 de novembro de 2007
11 de novembro de 2007
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #48
Passar por alguém que conhecemos na rua sem reparar nela porque vamos a pensar noutra coisa qualquer (as minhas desculpas à Mónica Bello no largo do Carmo e ao Tozé Brito no Colombo).
10 de novembro de 2007
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #83
Patibular.
(ouvida duas vezes no espaço de seis dias, pronunciada pelo Alexandre na sua fascinante alocução arqueológica e pelo João no contexto de uma conversa sobre televisão)
(ouvida duas vezes no espaço de seis dias, pronunciada pelo Alexandre na sua fascinante alocução arqueológica e pelo João no contexto de uma conversa sobre televisão)
8 de novembro de 2007
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #47
Ter um porradão de moedas em casa, esquecer-me de as meter no bolso, e só reparar nisso quando levo a mão ao bolso para pagar o café ou o pequeno-almoço.
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