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7 de março de 2008

I WANT TO CRAWL ALL OVER HER

Hoje deu-me para Blur, desculpem lá.



"She's So High" (1990, realização David Balfe; white noise onírico)



"Girls & Boys" (1994, realização Kevin Godley; tecno-trash-cinismo)



"To The End" (1994, realização David Mould; pastiche-ersatz Resnais)



"The Universal" (1995, realização Jonathan Glazer; pastiche-ersatz Burgess/Kubrick)

6 de março de 2008

COPS

O uivo proverbial da sirene de um carro de polícia a preencher o largo do Rato vinha, desta vez, não dos habituais Volkswagen azuis e brancos mas... de um Smart de duas portas com a pintura da Escola Segura da PSP, a dar-lhe com todo o gás com o sinal vermelho da Escola Politécnica para a Alexandre Herculano.

5 de março de 2008

OH MÃE

Na fila para o café, noto que à minha frente está uma adolescente acompanhada pelo irmão miúdo encostado ao balcão com uma nota de vinte euros na mão, à espera que a empregada encha o tabuleiro do pequeno-almoço com cafés, galões, bolos. O irmão miúdo, no entanto, não se cala: está a trautear para si uma cançoneta indecifrável em tom de ruído branco. O pior, no entanto, ainda está para vir: ao longo de todo o pequeno-almoço, enquanto a adolescente conversa com a mãe e o avô, o miúdo interrompe regularmente num tom de voz que se ouve em todo o café, mesmo a várias mesas de distância, "oh mãe", "oh mãe", "oh mãe", exigindo a atenção que a mãe não lhe dá. E não se cala ao longo de vinte minutos. 

1 de março de 2008

ESTES PUBLICITÁRIOS

Vejo nos anúncios que agora está a ser lançado por cá o Chevrolet Aveo, que quase estive à beira de guiar em Los Angeles há dois anos (se não fosse o caso do rent-a-car ter feito o upgrade para o Chevy Cobalt, o que me parece que ia dar ao mesmo). Cá, a campanha publicitária posiciona-o como uma berlina familiar com um toquezinho de requinte; lá, é um compacto baratinho para o pessoal que quer um segundo carro ou um automóvel para guiar em cidade. 

CASINO, CASINO

Acho delicioso que Francisco Louçã, que tem sido descrito como fazendo parte da "esquerda caviar", venha agora falar de "políticos de casino". 

27 de fevereiro de 2008

MULHERES DE ONTEM E DE HOJE

A minha querida amiga Cristina sobre Javier Bardem ser um dos homens mais sexy do mundo: "Porra! Sexy sou eu, aquilo é um portento."

A minha mãe sobre o comentário da minha amiga Cristina: "Que horror! Estas mulheres de hoje não têm olhos, chamar sexy a um homem tão feio."

26 de fevereiro de 2008

QUANDO O TELEFONE TOCA

Um auricular Bluetooth no ouvido de um executivo ou de um bancário de fatinho e gravata ou saia e casaco ainda passa. Agora, no ouvido de uma mocinha com ar de boutique da moda com botas altas de camurça creme e sotaque nortenho carregado, é muito estranho. 

25 de fevereiro de 2008

O SOSSEGO DO FELINO

Um gato pode ser tão insuportável como uma criança birrenta quando decide que é isto que ela quer e mais nada — e o Diogo tem os seus ataques quando lhe dá para começar a perseguir cabos de carregadores de telemóvel (à última contagem, já ia em cinco destruídos). 

Mas um gato é também capaz de ser um momento de pausa retemperadora quando ele nos obriga a interromper o que quer que seja que estamos a fazer com as suas turras e os seus ronronares — como quando, estava eu a ver o telejornal depois de jantar, o Diogo me saltou para o colo e, ronronando, se enroscou em cima da minha barriga como se fosse a almofada preferida dele, e se deixou ali ficar um quarto de hora ronronando enquanto eu lhe fazia festas no lombo peludo.

Nesses momentos do sossego do felino, em que ele dormita descansado com um esboço de sorriso no focinho que, visto em grande plano, sugere o de um grande leão ou tigre descansando, parece que está tudo bem com o mundo. 

22 de fevereiro de 2008

400 MILES THROUGH FIELDS OF FIRE

Já há muito tempo que não ouvia Big Country e já me tinha esquecido como, quando eles foram bons (o tempo do primeiro LP, "The Crossing", de 1983, e momentos soltos dos seguintes "Steeltown", de 1984, "The Seer", de 1986, e "Peace in Our Time", de 1988), eles eram mesmo muito bons. Mesmo que o teledisco seja uma merda, havia qualquer coisa de heróico, de optimista, de grandioso na música do grupo. O que torna ainda mais triste que Stuart Adamson, o líder, cantor, guitarrista e principal compositor, se tenha suicidado em 2001. 



"Fields of Fire"




"In a Big Country"



"Harvest Home"
(todos do LP "The Crossing", Mercury/Universal, 1983)

21 de fevereiro de 2008

18/02/2008: LH 4536 FRA 21H05 - LIS 23H00

Estava eu convencido que ia ser um voozinho sossegado com pouca gente por ser voo nocturno de segunda-feira — ia, ia. Afinal, o avião vai cheio e fiquei sentado ao lado de pai e filho chinês (filho a fazer birra o voo quase todo) com o miúdo com um casal português a fingir muito mal que é cosmopolita na fila da frente (ela tem uma daquelas vozes de funcionária pública que regista a 15 filas de distância, mas vai à minha frente), um português a devorar as revistas da semana e um alemão de fato de treino a tentar dormir encostado à cadeira do outro lado da coxia. 

18/02/2008: LH 195 TXL 18h45 - FRA 19h55

O shuttle Berlim-Frankfurt de fim de dia vai bastante ocupado, com uns quantos alemães que já devem ter bebido umas bjecas e uns italianos que voltam de férias e conversam entre si ruidosamente como só os italianos sabem. O voo é tão curto — não chega a uma hora — que o comissário de bordo basicamente só tem tempo para servir as bebidas. Mas fá-lo muito bem e com muita convicção. 

EM BERLIM NÃO HÁ FNAC

...ou, pelo menos, não há Fnac que eu tenha visto. Mas há a Dussmann, "das Kulturkaufhaus", que o mesmo é dizer, "a loja da cultura", uma megastore de três andares que vende livros, discos, filmes, bilhetes para concertos e merchandising em pleno centro da cidade, à esquina de Unter den Linden e à saída do metro de Friedrichstraße. Não se deixem enganar por cadeias como a Hugendubel (só vende livros) nem pela ubíqua Media Markt/Saturn (tal como cá, vende tudo e mais alguma coisa): foi na Dussmann que eu finalmente encontrei as reedições do Leonard Cohen que a Sony BMG teima em não repôr nas discotecas portuguesas. Não vale a pena é andarem à procura de livros estrangeiros — também os há, mas os alemães traduzem tudo para alemão. 

(Dussmann: Friedrichstraße, 90, Berlin-Mitte; metro U6 Friedrichstraße; comboio S1/S2/S25/S5/S7/S75/S9 Friedrichstraße)

20 de fevereiro de 2008

NÃO SEJA ANTI-SOCIAL

Os berlinenses também são histéricos do telemóvel — toda a gente tem o seu, toda a gente anda com ele na mão (cheguei até a ver um mocinho com o computador portátil ligado... dentro do metro). 

Talvez por isso, é divertido ver um cartaz colado nas carruagens de metro a dizer "der Handy ist kein Lautsprecher": "o telemóvel não é um megafone". Como quem diz: não ande aos gritos no meio da rua. 

A EXPERIÊNCIA EINSTEIN

Eu avisei: na segunda-feira, não resisti, e ala para o Café Einstein para a verdadeira experiência de café berlinense. 

A decoração é clássica: bancos de couro castanho, cadeiras de madeira sólida, mesas de mármore ora redondas ora quadradas, luz indirecta suave, os jornais do dia suspensos na parede, as janelas para a rua (Kürfurstenstraße na esquina com Unter den Linden) veladas. Criados de camisa branca, colete preto, laço e avental branco. 

O cappuccino (em alemão "mélange") é maravilhoso, acompanhado por um copo de shot com água. "Pariser frühstück": uma baguette fresquíssima, saída do forno, cortada em fatias pequenas, acompanhada por manteiga da casa num pequeno recipiente de vidro, um frasquinho de mel e um frasquinho de compota de morango; um croissant de massa folhada também saído do forno; e uma pequena madalena com o toque exacto de baunilha para rematar. 


BOUTADE

A passear por Berlim no domingo, vejo uma coisa que nunca pensei ver, junto à estação de metro de Kleistpark: uma rua que sobe. Inclinada. Elevada. Chamem-lhe o que quiserem. Não era muito inclinada nem muito elevada — mas numa cidade tão completamente "flat" como Berlim, faz figura de surpresa. 

17 de fevereiro de 2008

HOME AWAY FROM HOME

Este ano, o hotel que me serviu de base de trabalho durante Berlim não foi o habitual Park Inn, em plena Alexanderplatz, mas sim um outro hotel que eu receava ser um bocadinho mais longe e, na prática, acabou por me ficar mais perto. 

O Innside Premium tem todo o aspecto de estar aqui há pouco tempo, fazendo parte de um dos habituais blocos mistos de escritórios e comércio que pululam em Berlim e a que eles chamam de "carré" (este chama-se City Carré). À esquina há um supermercado da cadeia Netto, um bar, uma loja de conveniência de indianos, uma pastelaria e os escritórios do Dresdner Bank; atravessando a rua há um armazém Kaufhof Galeria; a única coisa que trai a existência do hotel, cuja entrada é uma reentrância do bloco, é o neon azul que diz "hotel" cá fora.

Cá dentro, o Innside Premium é um hotel boutique feito a pensar nos negócios — não é muito grande (133 quartos), os quartos são espaçosos, com wi-fi da T-Mobile (pelo menos o hotel aqui não chula com aqueles preços inflacionados, mesmo que a T-Mobile não se faça barata), um pequeno frigorífico, micro-ondas, placa eléctrica e pacotinhos de café e chá, uma chaise-longue muito simpática e um chuveiro todo futurista. O televisor é que é uma decepção (claramente cortaram no orçamento aqui...) e o edredon apesar de quentinho podia ser maior. A almofada é uma chatice, é muito baixinha para o meu gosto.

Ficando em plena ex-Berlim Leste, para lá de Alexanderplatz, eu achava que ia poder ser mais complicado chegar ao centro da cidade. Mentira: embora não haja metro aqui (está no centro de um vazio entre as linhas U1, U5 e U8), o hotel está mesmo à esquina (literalmente: viro a esquina e lá está ela) da estação de comboios Ostbahnhof, que dá acesso rápido ao centro e a ligações para todo o lado. 

(Innside Premium Berlin: Lange Straße, 31; comboio S3/S5/S7/S75/S9 Ostbahnhof)

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA (já que estamos a falar de comida)

Surpresa hoje a jantar no meu bem-amado Oranium: pedi o farfalle com molho de laranja e manjericão sem saber muito bem o que ia sair dali, e o que saiu foi apenas maravilhoso, acompanhado por dois peitos de peru no espeto e um molho com a dose certa de picante para contrastar o sabor delicado da laranja. Mesmo, mesmo, mesmo uma surpresa.

Para quem gosta de italiano, dois outros sítios simpáticos e que não são caros. Um já conhecia do ano passado, embora agora tenha mudado para a porta ao lado e esteja significativamente maior: a Trattoria Piazza Rossa, que continua a ter as pizzas mais descomunais que já vi. Outro eu não conhecia: o Marinelli, que é simpático e bastante em conta em termos de preços, para além de ser bem servido.

Falta apenas dar um toque sobre o More, café e restaurante muito trendy que tem uns bifes maravilhosos a preços razoáveis.

(Oranium: Oranienburger Straße, 33, Berlin-Mitte; metro U6 Oranienburger Tor, comboio S1/S2/S25 Oranienburger Straße, eléctrico M6 Oranienburger Straße. Piazza Rossa: Rathausstraße, 5, Berlin-Mitte; metro U2/U5/U8 Alexanderplatz, comboio S5/S7/S75/S9 Alexanderplatz. Ristorante Marinelli: Anhalter Straße, 1, Berlin-Mitte; comboio S1/S2/S25 Anhalter Bahnhof. More: Motzstraße, 28, Berlin-Schöneberg; metro U1/U2/U3/U4 Nollendorfplatz. )

BRUNCH BERLINENSE

O brunch berlinense de domingo chama-se frühstück — é a mesma palavra de pequeno-almoço, mas o pão, a manteiga, a compota, o café, o sumo de laranja ou o croissant é reforçado com fruta, queijo, carnes frias e quentes, bolos.

A minha tentativa de brunch no Café Einstein (na esquina de Kurfürstenstraße com a maravilhosa avenida Unter den Linden) falhou vergonhosamente porque estava a abarrotar de gente. Como aliás quase todos os cafés abertos por onde passei (todas as lojas e bastantes restaurantes estão fechados ao domingo em Berlim), acabando por voltar ao poiso ocasional que é o Café Berio (no início da Maaßenstraße, ao pé de Nollendorfplatz) — belíssimos croissants, a propósito, e tudo rematado com um bolo de chocolate e noz que não vos digo nada. 

(Café Einstein: Kurfürstenstraße, 58, Berlin-Mitte; metro U6 Friedrichstraße, comboio S1/S2 Unter den Linden ou Friedrichstraße. Café Berio: Maaßenstraße, 7, Berlin-Schöneberg; metro U1/U2/U3/U4 Nollendorfplatz)

PONTUALIDADE GERMÂNICA

Estão a ver a tal cena dos transportes públicos com a pontualidade germânica?

Descobri hoje duas coisas.

Primeira: aos domingos (em que os comboios passam todos os 10 minutos e não uns a seguir aos outros) a pontualidade atrasa-se um ou dois minutos.

Segunda: os alemães levam muito a mal que o outro chegue atrasado, mas eles arrogam-se o direito de chegarem 15 minutos mais tarde se for caso disso. (Isto não se aplica ao transporte público.)