Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
9 de fevereiro de 2008
MOJO IN BERLIN
À mesa do jantar, leio a Mojo de Janeiro para pôr em dia leituras atrasadas. A propósito dos My Bloody Valentine (que parece que vão voltar), descubro que o que nos anos 1980 se chamava "shoegazing" passou agora a ser denominado "feedback pop". E também que Amy Winehouse "smoked dope, drank heavily and swore like a football manager". O que me fez pensar, acreditem ou não, mais em José Mourinho do que em Jaime Pacheco.
S-BAHN
Este ano, não fiquei instalado no habitual hotel de Alexanderplatz que tinha linha directa de metro para a zona do festival, mas sim um pouco mais longe, num hotel muito simpático ainda e sempre na antiga Berlim Leste, em Ostbahnhof. Que não tem estação de metro ao pé, mas não faz mal, porque fica mesmo ao lado de uma das gares centrais de comboio - assim a modos que Sete Rios ou Entrecampos.
Todos os dias de manhã apanho um de quatro comboios possíveis das linhas urbanas berlinenses, o célebre S-Bahn. É indiferente qual das linhas é ou qual dos comboios eu apanho, desde que passe por Friedrichstraße, onde tenho de mudar de cais para apanhar as linhas S1 ou S2 com paragem em Potsdamer Platz. A parte engraçada é que, de comboio urbano (pensem linha de Cascais, Sintra, Azambuja) à superfície (ou melhor: elevado em muitas linhas), as S1 e S2 são maioritariamente subterrâneas, tipo metro.
O curioso é que, mesmo tendo de mudar de linha para ir de Ostbahnhof a Potsdamer Platz, levo menos tempo do que levava de metro.
por outras palavras:
a aventura continua,
ich bin ein Berliner,
viva o transporte público
7 de fevereiro de 2008
CHOCOLATE CHERRY MUFFIN
Em plena Alte Potsdamer Straße, quase em frente do palácio dos festivais, há um Starbucks que é um dos meus poisos preferidos no meio do frenesi dos três filmes por dia (quando não mais). É um reduto confortável onde bebo um café e como um muffin (hoje foi o de chocolate e cereja; as sanduíches também não são más) à laia de pequeno-almoço ou numa pausa entre dois filmes. Está sempre cheio, mas isso é porque a maior parte dos jornalistas e outros profissionais em serviço só gostam do que têm em casa e já conhecem, enquanto que eu não tenho Starbucks em Lisboa (e também não sei se quero ter, mas isso são outras conversas). Mas a verdade é que não há muitos cafés onde se ouça Thelonious Monk, Bob Dylan ou Leonard Cohen enquanto se bebe um café e come um muffin.
Quase toda a gente sentada nas mesas e nos bancos altos tem um passe do festival ao pescoço, folheia programas ou informações de projecções, revistas da profissão, quando não mesmo o calhamaço de 400 páginas que é o catálogo, provavelmente à procura daquela descoberta que não está a concurso e onde pode estar o futuro (?) do cinema (ou pelo menos o futuro de hoje do cinema, porque amanhã a coisa pode mudar). E, ao meu lado, a Katrin (o nome está escrito a feltro no copo alto de café ao seu lado) escreve num Sony Vaio daqueles pequeninos que dão novo nome à palavra "portátil".
(Starbucks: Alte Potsdamer Straße, 7, Berlin-Mitte; metro U2 Potsdamer Platz, comboio S1/S2/S25 Potsdamer Platz)
por outras palavras:
café culture,
ich bin ein Berliner,
polaroid
6 de fevereiro de 2008
06/02/2008: LH 218 MUC 11h10 - TXL 12h20
Eu sei o que é um Blackberry. Conheço até um viciado em Blackberry. Mas mesmo o viciado em Blackberry que eu conheço não é nada viciado quando comparado com a mocinha que vai na fila da frente do meu vôo para Berlim, que não o desliga nem por mais uma excepto quando o avião acaba de descolar, escrevendo e consultando como quem tem nervoso miudinho. É a isto que se chama Crackberry?
Durante a aterragem em Berlin-Tegel (o tal aeroporto das ilhas), dou por mim a pensar que um avião deve ser parecido com um carro e ter as suas idiossincrasias que qualquer bom piloto - ler chofer - sabe identificar e compensar. Isto porque há um barulhinho irritante que é provavelmente um contentor de catering ou uma cafeteira que está um bocadinho solta ou que não ficou bem presa quando o comissário de bordo o/a arrumou e que faz uma tremideira de fazer ranger os dentes de irritante ao longo da aterragem. E dei por mim a pensar no comandante a dizer ao co-piloto: "oh Manel, dá aí um piparote no indicador da velocidade que está a zeros e não pode ser".
por outras palavras:
a aventura continua,
a democratização do transporte aéreo
06/02/2008: LH 4545 LIS 06h25 - MUC 10h15
É a primeira vez que vejo as hospedeiras de bordo fazer "avançar" os cortinados que separam a "primeira classe" da "económica" num avião. É fixe: tem um certo ar "plug and play", de Legos que se desmontam e passam para a fila da frente. Há quem ressone durante as duas horas e meia de vôo. É um português.
3 de fevereiro de 2008
É FRANCESA, O QUE É QUE QUEREM
Senão, vejamos: Carla Bruni (linda) já esteve romanticamente ligada a Eric Clapton, Mick Jagger ou Donald Trump e agora casou-se com Nicolas Sarkozy. Mas para pai do seu filho escolheu... um professor de filosofia.
por outras palavras:
observações descentradas,
quem sabe sabe
2 de fevereiro de 2008
MAIS CANÇÕES PARA PREENCHER VOCÊS SABEM O QUÊ
(versão ao vivo)
(versão original)
por outras palavras:
James Bom,
o meu nome é Bom,
obsessões pop
29 de janeiro de 2008
CANÇÕES PARA PREENCHER O VAZIO
(e que ninguém me venha dizer que we'll get there fast and then we'll take it slow não é um one-liner de génio)
por outras palavras:
anos 80 bem medidos,
obsessões pop,
prazeres culpados
19 de janeiro de 2008
SAUDADES
O Pedro Aniceto está na minha outra cidade e eu estou todo invejoso.
17 de janeiro de 2008
É CAPAZ DE HAVER MALES QUE VÊM POR BEM
Descobriu-se então que o enxofre vertido na Faculdade de Farmácia se deveu a uma empregada da limpeza que decidiu deitar fora um frasco partido ao que parece sem dar cavaco às melgas e sem perceber que era (nas palavras de outra senhora da limpeza) "tóshico".
De onde se retira que isto de haver senhoras da limpeza sobre-qualificadas para o emprego que têm pode não ser tão problemático como parece.
POLAROID: METRO
À saída do metro do Saldanha, esta manhã, um jovem à minha frente com auscultadores nos ouvidos cantava em altos berros e numa voz incompreensível uma canção que descobri com alguma atenção ser "Não Sou o Único" (não sei é em que versão). Depois dei por mim a pensar que é provavelmente aquela mesma figura que eu faço quando ando de auscultadores por Lisboa.
por outras palavras:
é a cultura,
Lisboa tem muito trânsito
16 de janeiro de 2008
POLAROID
O ar infeliz dos fumadores que se vêem obrigados a vir para a rua fumar de manhãzinha nota-se mais quando estão quatro ou cinco à porta do escritório, todos à espera que a/o última/o que ainda está a fumar acabe para poderem voltar todos para dentro.
8 de janeiro de 2008
LAGOSTA CURTE LARGO
Esta canção devia vir dentro de uma daquelas caixinhas de vidro com um martelo ao lado e a indicação: "Partir vidro em caso de necessidade". E basta uma audição para alegrar qualquer dia mais cinzento. E pensar que "Rock Lobster" já tem quase 30 anos em cima...
The B-52's, "Rock Lobster" (in "The B-52's", Island, 1979)
OUÇA LÁ
Cheguei hoje à conclusão que tentar manter uma conversa com alguém que usa um aparelho auditivo pode limitar-se a manter contacto visual e a fazer que sim com a cabeça — porque qualquer resposta que se possa dar não vai ser ouvida e a coisa vai descambar verdadeiramente num diálogo de surdos.
7 de janeiro de 2008
PEQUENO-ALMOÇO
A confeitaria Marquês de Pombal tem uma das melhores torradas do mundo, mas leva tempo a fazer, como descobriu esta manhã por sua conta e risco um turista que pediu à empregada para lhe trazer uma igual à minha (mmmm, pãozinho integral de forma caseira, manteiga no ponto certo) e ficou à espera dela dez minutos, com um ar muito irritado de quem sentia estar num terceiro mundo do qual não compreendia nada. Diga-se em abono da verdade que a empregada não estava nos seus dias, como fica provado quando eu lhe peço "um galão e uma torrada" e ela repete "um pão com manteiga?".
por outras palavras:
gastronomia para todos,
polaroid,
portugal no seu melhor
5 de janeiro de 2008
VÍCIO
Se gostam de chocolate, vejam só esta perdição.
HORA DE PONTA
Como, durante a semana, não tenho por hábito conduzir em Lisboa, no outro dia um amigo meu ficou bastante surpreendido por perceber que eu tinha carro — ao que lhe expliquei que tenho, mas durante a semana uso os transportes públicos. Hoje que precisei de sair com o carro, voltei a lembrar-me porque é que não gosto de sair com o carro em Lisboa.
Primeiro, estava a chover, o que tem o efeito de trazer mais carros para as ruas e de desacelerar o trânsito até ao ritmo de uma hora de ponta de dia de semana. Depois, ao fim-de-semana todos aqueles que, como eu, não conduzem durante a semana saem com o carro, o que coloca nas ruas uma quantidade assinalável de condutores de domingo. Com o resultado de que levei quase hora e meia para uma ida e volta que me costuma levar metade do tempo — e eu aí recordo-me porque é que andar de carro em Lisboa é tão desgastante e nos faz perder tanto tempo produtivo.
3 de janeiro de 2008
O AMARELO DA CARRIS (slight return)
Num 28 cheio com um forte cheiro acre a passagem-subterrânea-por-baixo-da-linha-férrea de Belém, uma senhora tenta forçar passagem para a frente até eu lhe dizer que não vale a pena estar a forçar porque não há espaço mais à frente — é o problema dos miúdos irem em pé, parece que não está lá ninguém.
2 de janeiro de 2008
OS AMARELOS DA CARRIS
À ida, no 28 para o Martim Moniz: descendo a Calçada da Estrela nos traços de um 28 para a Graça a abarrotar, uma fila de passageiros a querer subir é empatada por um passageiro que compra bilhete com uma nota alta. Com uma camioneta em segunda fila a empatar o trânsito na outra direcção, não é preciso muito tempo para o trânsito ficar engarrafado e se começarem a ouvir as proverbiais buzinadelas dos apressadinhos.
À volta, no 25 para os Prazeres: subindo a Calçada Ribeiro Santos, alguém deixou um VW com os quatro piscas ligados parado em pleno percurso dos carris, e só depois de longas buzinadelas do condutor é que o automobolista se digna descer pacatamente como se não fosse nada com ele.
por outras palavras:
eléctrico,
Lisboa tem muito trânsito,
portugal no seu melhor
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