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9 de outubro de 2007

8 de outubro de 2007

POLAROID: ENTRADAS POR SAÍDAS

Na Confeitaria Marquês de Pombal, à esquina da avenida da Liberdade com a Alexandre Herculano (e onde se come uma das melhores torradas de Lisboa), há uma porta automática que só dá entrada e outra que só dá saída. Nos 30 minutos que lá passei a lanchar hoje, a percentagem de pessoas que tentavam entrar pela saída e sair pela entrada sem olharem para os letreiros (contudo extremamente visíveis!) nem perceberem que estavam a fazer tudo ao contrário era tão alta que me perguntei se seria realmente uma boa ideia ter portas separadas.

4 de outubro de 2007

UMA INTERROGAÇÃO PREMENTE NAS CABEÇAS DE TODO O MUNDO

Porque é que o Devendra Banhart gostava tanto de ser o Caetano Veloso? E porque é que o Caetano Veloso não lhe diz para estar calado?

MULTIBANCO

No multibanco do supermercado, pago a conta da água com dois miúdos novinhos, crianças dos seus cinco anos, a correr à minha volta enquanto a mãe fala ao telemóvel de costas para eles. Um deles, uma menina de casaco cor-de-rosa que está a comer um bollycao, aponta para o écrã e diz "tens de carregar ali" e, quando aparece um anúncio da BMW no écrã, pergunta "vais comprar um carro?".

Quando termino as operações, viro-me para a senhora, que acaba de desligar o telemóvel com um ar muito atarefado e continua de costas, e toco-lhe ao de leve no ombro. "Ai que susto!", diz a senhora. "Desculpe," digo-lhe eu, "mas era capaz de não ser má ideia tomar conta da sua filha. É que pode haver pessoas que não achem tanta graça como eu a ter uma miudinha a controlar-lhe os movimentos do multibanco." A senhora não percebe bem mas pede desculpa na mesma.

2 de outubro de 2007

POLAROID: TAXI

Enquanto espera que surja um táxi livre para o poder apanhar, a senhora, loura, de óculos escuros, atravessa displicentemente a rua, ignorando o facto do sinal estar fechado para os peões. Quando um automóvel lhe apita por ela estar no meio da rua, a senhora faz ao condutor a cara típica da senhora que acha que tudo lhe é devido e que tem todo o direito de estar ali no meio da rua a passear à espera de um táxi livre.

30 de setembro de 2007

29 de setembro de 2007

É TÃO BOM ENCONTRAR A SOLUÇÃO PARA UM PROBLEMA

Tenho para mim que as páginas de televisão da Time Out Lisboa me vão dar um jeitão do caraças. É que isto de ter finalmente uma TVGuia que se consegue ler...

28 de setembro de 2007

ELÉCTRICO 25

Isto de ser um alfacinha de gema não quer dizer que se conheçam todos os recantos de Lisboa — hoje, pela primeira vez em 40 anos, desci a rua das Flores (sim, a da tragédia) até à rua de São Paulo e apanhei o eléctrico 25, que vai da Alfândega aos Prazeres pelo Conde Barão, por Santos, pela Lapa e pela Estrela e dá para gozar a viagem muito mais calmamente do que o mais turístico 28, aproveitando para ver ruas que eu conhecia de maneiras completamente diferentes. Claro que na rua de São Paulo se pára de cinco em cinco metros por causa das carrinhas que descarregam mercadorias, mas é bom fazer estas pausas no meio da lufa-lufa da cidade.

26 de setembro de 2007

AS PALAVRAS DO MESTRE #6

"I really think that we shouldn't just accept rites-of-passage opportunities as they come, because what we'll find is that they don't come in our world anymore. And we shouldn't look at them as a kind of luxury or romantic dream but as something vital to being alive."

— Sean Penn a Lev Grossman, da revista Time, citado na edição de 1 de Outubro a propósito do seu novo filme Into the Wild

25 de setembro de 2007

OLHA A BELA IMAGEM

Luís Marques Mendes diz que Luís Filipe Menezes está a pôr em causa "a boa imagem do partido". Mas algum partido tem "boa imagem" hoje em dia?

É TAO BONITO DESCONTEXTUALIZAR

"Mas agora passei a aturar crianças?", pergunta uma senhora de meia-idade à porta dos Armazéns do Chiado. "Com uma voz dessas...", apeteceu-me dizer.

POLAROID: CARREIRA 28

Sentado à janela do eléctrico, na Calçada do Combro passo por um polícia de trânsito que está a controlar as movimentações de um camião em manobras, com uma pasta A4 castanha e um exemplar do Correio da Manhã do dia debaixo do braço.

24 de setembro de 2007

POLAROID: METRO

Duas mulheres, conversando animadamente em crioulo, entram na última carruagem do metro e, sem grande vontade de irem em pé, tentam abrir a porta que daria para a carruagem da frente. Ao encontrarem-na trancada, acham estranho e insistem até perceberem que ela não abre mesmo e desistirem. Estive quase para lhes dizer: lá fora é que há correspondência entre as carruagens.

23 de setembro de 2007

AUTUMN CLEANING

Inspirado certamente pelo ímpeto arrumativo da Mui Nobre e Sábia Ursa Maior, o meu fim-de-semana foi dedicado à redecoração de duas zonas essenciais da Maison Mourinha, a saber a sala de estar e o escritório, com vista a um mais útil e ergonómico aproveitamento do espaço disponível, enquanto D. Diogo observava com nítida curiosidade as movimentações frenéticas de móveis entre a sala, o quarto das arrumações e o escritório.

Seguiu-se a confecção de uma reconfortante e mui saudável Sopa de Legumes à Urso (cebola, cenoura, abóbora, feijão verde e espinafres em caldo de galinha caseiro).

22 de setembro de 2007

AINDA SOBRE O ASSUNTO DO GATO

A minha mãe acha uma malvadez muito grande emascular um gatinho.

LEMBRAM-SE DA PIADA DO COMPRIMIDO DO GATO?

Isso de ser difícil dar um comprimido a um gato, afinal, é um bocado mito urbano. Tenho tido de dar o antibiótico duas vezes por dia ao Diogo desde que ele foi emasculado e, embora não seja a coisa mais fácil do mundo, também não é o pesadelo anunciado. E como não vai a bem — ele bem cheira o comprimido, que até parece uma guloseima, mas topa logo que estou a querer enganá-lo — tem de ir a mal. Ajoelho-me no chão, pego no Diogo, prendo-o entre os joelhos, esfrego-lhe o nariz, abro-lhe a boca e atiro o comprimido lá para dentro o mais para trás que consigo, esfrego-lhe a garganta para ele não o cuspir e solto-o. Depois dou-lhe uma guloseima e faço-lhe uma festinha.

Até ver, ele nunca cuspiu o comprimido, mesmo que tenha sido mais fácil ao princípio, quando ele ainda estava meio pedrado da operação.

21 de setembro de 2007

AS PALAVRAS DO MESTRE #5

"Talvez não saiba, mas é uma bênção podermos tornar-nos amigos dos nossos pais. Porque, se eles desaparecerem antes de compreendermos que eles são seres humanos, antes que possamos travar-nos de amizade com eles, eles manter-se-ão personagens toda a nossa vida. E, na nossa existência, haverá sempre algo que ficou por resolver."

— Ingmar Bergman, em entrevista a Olivier Assayas e Stig Björkman em Março de 1990, parcialmente reproduzida no número especial dedicado pela revista Cahiers du Cinéma a Bergman e Antonioni

POLAROID: PRAZERES

À porta do cemitério, o segurança que monta guarda à entrada sorri para as empregadas da limpeza que estão a entrar, anunciando-lhes que o almoço do dia são pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.