Pesquisa personalizada

3 de julho de 2007

PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #39

Empregadas que nos atendem como se nos estivessem a fazer um grande favor com um ar de frete que nunca mais acaba. (São as chamadas mal empregadas.)

ESTAMOS AGORA ABERTOS AO PUBLICO

O mais divertido de frequentar regularmente o Corte Inglés é identificar correctamente a frequência: ver as verdadeiras tias, as aspirantes a tias, as pindéricas que gostavam de ser tias e os velhotes que passam cá o dia. Isto tudo enquanto eu me debato com os problemas da auto-disciplina.

2 de julho de 2007

1 de julho de 2007

POLAROID: BEIJO

As arcadas do Colombo são o sítio ideal para os adolescentes que não querem outra coisa se beijarem longamente na sombra dos pilares, sem que ninguém (a não ser os seguranças que têm de andar por ali) veja ou mostre sequer interesse.

30 de junho de 2007

POLAROID: TELEMÓVEL

De pé ao fundo das escadas que levam ao átrio da estação de metro do Colégio Militar, o jovem vestido à moda a falar ao telemóvel olha em frente sem realmente ver, absorvido naquilo que está a ouvir. Sem uma palavra, desliga o telemóvel e baixa-o lentamente, continuando a olhar em frente como se ainda estivesse a ouvir, como se estivesse noutro sítio e não a receber aquela chamada ao fundo das escadas que levam ao átrio da estação.

29 de junho de 2007

É TÃO BONITO DESCONTEXTUALIZAR

Juro que não estou a inventar o nome que vi numa placa num respeitável prédio de escritórios da Alexandre Herculano esta manhã:

MC Caixinha

27 de junho de 2007

BELIEVE THE HYPE

No New York Times de hoje a propósito da histeria do iPhone que é lançado nos EUA depois de amanhã e já tem gente a fazer fila para ser o primeiro a comprar:

And what will happen on Friday at 6? “It’s going to be like the world’s biggest bra sale at Macy’s, with screaming, shoving and yelling,” said a former advertising executive who used to work on the Apple account. “Then everyone who gets one will be like postinjection heroin addicts, sitting there placidly with their iPhones.”

A EDUCAÇAO E UMA COISA TAO BONITA

Na assistência técnica do Corte Inglés, chega um cavalheiro de fato branco, com aquele misto de arrogância e confiança própria dos endinheirados, com um relógio na mão. Dirige-se ao funcionário entregando-lhe o relógio com uma única palavra: "Parou", como se o funcionário fosse um empregado privativo seu.

26 de junho de 2007

GANHAR A VIDA

A quantidade de empregos existentes no nosso mercado de trabalho que implicam não se fazer absolutamente nada (ou muito pouco) durante o horário laboral é uma coisa extraordinária.

25 de junho de 2007

E LEMBREI-ME DA DORY DO "À PROCURA DE NEMO"

Peço um galão à empregada de um dos muitos cafés do Corte Inglés, que me recebe com um "bom dia senhor" invulgar em empregados de sotaque português. A empregada vira-se para a máquina e passados dois segundos está-me a perguntar, "o senhor é um café?" "Um galão," respondo-lhe.

22 de junho de 2007

CRANBERRY BREAD

O cranberry (que alguns dicionários traduzem por arando) é um fruto vermelho de sabor ligeiramente amargo, muito apreciado pelos americanos, que o usam por exemplo para fazer o molho do peru do dia de Acção de Graças ou todo o tipo de bolos. Apesar da coisa se chamar "pão de arando", o "cranberry bread" é na realidade um bolo caseiro que está algures entre o bolo inglês e o bolo de laranja: a uma massa base de açúcar, farinha, manteiga, ovos, bicarbonato de soda, fermento Royal e raspas e sumo de laranja adicionam-se nozes pecan e arandos inteiros. É melhor frio do que acabado de sair do forno e os americanos, fiéis à designação de "cranberry bread", barram as fatias com manteiga (depois queixem-se da obesidade...). E, com ou sem manteiga, é muito bom.

21 de junho de 2007

POLAROID: METRO

Duas senhoras aguardam pacientemente pelo metro, mas no cais errado da estação do Rato — no cais terminal, onde são as únicas passageiras sentadas, enquanto no cais oposto as pessoas aguardam o próximo comboio. Esperam alguém ou enganaram-se na direcção?

20 de junho de 2007

19 de junho de 2007

CAFFÉ À L'ITALIANA

Nesta série de fotografias visível no site da Time a acompanhar esta peça do dossier dedicado à comida mundial. Onde também se fala da Galiza, da verdadeira cozinha japonesa (qual sushi qual carapuça) e dos laboratórios onde a Nestlé cria sopas Maggi diferentes para todo o mundo.

E O COMÉRCIO TRADICIONAL VAI FECHANDO

Antes de eu ir de férias, foram as lojas de conveniência da rede Sprint que fecharam — privando-me da loja de conveniência ao cimo da rua que era o único sítio onde se podia comprar jornais no bairro ao fim-de-semana (e, já agora, onde se podiam comprar jornais também durante a semana e levantar dinheiro antes de começar o dia e essas coisas todas que só quando a loja fecha é que percebemos que falta nos fazem). Agora, é a geladaria do Ben & Jerry's no Colombo que fechou ignominiosamente as portas, obrigando-me a satisfazer os meus apetites na loja da rua da Misericórdia. (Mas hoje passei por lá e portei-me bem, não entrei.)

18 de junho de 2007

TENHAM MEDO. TENHAM MUITO MEDO

Recebi informação que hoje o Arena Lounge do Casino Lisboa recebe Guida de Palma e o projecto Jazzinho, cantora portuguesa radicada em Londres, responsável por um álbum produzido por Ed Motta, figura que muito estimo e prezo.

Apenas vos posso informar que tive o desprazer de assistir a Guida de Palma e Jazzinho ao vivo no Ondajazz há algumas semanas e fiquei com a sensação de que devia haver ali algum equívoco. Lembrei-me de um concerto de Bebel Gilberto no CCB que estava a abarrotar e que toda a gente estava a adorar e que eu achei que era verdadeiramente música de casino no pior sentido da palavra.

17 de junho de 2007

CONDUTORES DE DOMINGO

Hoje em dia, quase só conduzo ao fim-de-semana, já que durante a semana me movimento quase só por Lisboa e nessas ocasiões pouco compensa sair com o carro. Sou, por isso, o verdadeiro "condutor de domingo", mas comparado com alguns dos condutores de domingo com que me cruzo na rua, não me sinto nada condutor de domingo: hoje, então, desde condutores que ignoraram sinais de prioridade e até semáforos e ausências de piscas e mudanças de faixa sem assinalar, vi de tudo. Claro que, hoje, há condutores de domingo todos os dias.

16 de junho de 2007

SÓ PARA NÃO ESTRAGAR O ARRANJINHO...

Sim, eu sei o final dos Sopranos. Não vi o último episódio da série (os meus aposentos em São Francisco não dispunham de HBO, que é um canal pago à parte) mas qualquer residente nos EUA não conseguiu escapar, no dia seguinte, às infinitas discussões sobre o final da série, que deixou quase toda a gente de boca aberta, com reacções polarizadas entre a decepção e o aplauso a monopolizar jornais, rádios e televisões. A única coisa que vos digo quanto ao final é muito simples: se David Chase passou a série toda a subverter as expectativas dos espectadores, porque é que não haveria de o fazer com o final? E porque carga d'água é que ele haveria agora de começar a fazê-lo, no preciso momento em que não precisava mesmo de o fazer?

15 de junho de 2007

PECULIARIDADES

A segurança nos aeroportos americanos é uma coisa inexplicavelmente curiosa. À ida para São Francisco, a minha mala foi verificada por um agente de pré-check-in em Lisboa, que lhe colou um autocolante de segurança; depois, tive de a levantar na recolha de bagagens após passar pela imigração em Filadélfia para a deixar num ponto específico para ela ir para o porão da bagagem do vôo para São Francisco; ao chegar aos meus aposentos em São Francisco descobri que a mala havia sido revistada em Filadélfia (não faltava nada). Eu próprio passei pela segurança primeiro em Lisboa e depois de novo em Filadélfia.

Ao regresso a Lisboa, nada disto: a mala seguiu directa para o porão no aeroporto de São Francisco, ponto final parágrafo - e só passei pela segurança em São Francisco, não tendo necessitado de fazer mais nada em Filadélfia, o que me deu muito jeito porque o vôo atrasou uma hora e eu estava a ficar com medo de perder a ligação.