Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
30 de junho de 2007
POLAROID: TELEMÓVEL
De pé ao fundo das escadas que levam ao átrio da estação de metro do Colégio Militar, o jovem vestido à moda a falar ao telemóvel olha em frente sem realmente ver, absorvido naquilo que está a ouvir. Sem uma palavra, desliga o telemóvel e baixa-o lentamente, continuando a olhar em frente como se ainda estivesse a ouvir, como se estivesse noutro sítio e não a receber aquela chamada ao fundo das escadas que levam ao átrio da estação.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
polaroid,
telemóvel
29 de junho de 2007
É TÃO BONITO DESCONTEXTUALIZAR
Juro que não estou a inventar o nome que vi numa placa num respeitável prédio de escritórios da Alexandre Herculano esta manhã:
MC Caixinha
MC Caixinha
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas
27 de junho de 2007
BELIEVE THE HYPE
No New York Times de hoje a propósito da histeria do iPhone que é lançado nos EUA depois de amanhã e já tem gente a fazer fila para ser o primeiro a comprar:
And what will happen on Friday at 6? “It’s going to be like the world’s biggest bra sale at Macy’s, with screaming, shoving and yelling,” said a former advertising executive who used to work on the Apple account. “Then everyone who gets one will be like postinjection heroin addicts, sitting there placidly with their iPhones.”
And what will happen on Friday at 6? “It’s going to be like the world’s biggest bra sale at Macy’s, with screaming, shoving and yelling,” said a former advertising executive who used to work on the Apple account. “Then everyone who gets one will be like postinjection heroin addicts, sitting there placidly with their iPhones.”
A EDUCAÇAO E UMA COISA TAO BONITA
Na assistência técnica do Corte Inglés, chega um cavalheiro de fato branco, com aquele misto de arrogância e confiança própria dos endinheirados, com um relógio na mão. Dirige-se ao funcionário entregando-lhe o relógio com uma única palavra: "Parou", como se o funcionário fosse um empregado privativo seu.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
portugal no seu melhor
26 de junho de 2007
GANHAR A VIDA
A quantidade de empregos existentes no nosso mercado de trabalho que implicam não se fazer absolutamente nada (ou muito pouco) durante o horário laboral é uma coisa extraordinária.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
portugal no seu melhor
25 de junho de 2007
E LEMBREI-ME DA DORY DO "À PROCURA DE NEMO"
Peço um galão à empregada de um dos muitos cafés do Corte Inglés, que me recebe com um "bom dia senhor" invulgar em empregados de sotaque português. A empregada vira-se para a máquina e passados dois segundos está-me a perguntar, "o senhor é um café?" "Um galão," respondo-lhe.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas
22 de junho de 2007
CRANBERRY BREAD
O cranberry (que alguns dicionários traduzem por arando) é um fruto vermelho de sabor ligeiramente amargo, muito apreciado pelos americanos, que o usam por exemplo para fazer o molho do peru do dia de Acção de Graças ou todo o tipo de bolos. Apesar da coisa se chamar "pão de arando", o "cranberry bread" é na realidade um bolo caseiro que está algures entre o bolo inglês e o bolo de laranja: a uma massa base de açúcar, farinha, manteiga, ovos, bicarbonato de soda, fermento Royal e raspas e sumo de laranja adicionam-se nozes pecan e arandos inteiros. É melhor frio do que acabado de sair do forno e os americanos, fiéis à designação de "cranberry bread", barram as fatias com manteiga (depois queixem-se da obesidade...). E, com ou sem manteiga, é muito bom.
por outras palavras:
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos
21 de junho de 2007
POLAROID: METRO
Duas senhoras aguardam pacientemente pelo metro, mas no cais errado da estação do Rato — no cais terminal, onde são as únicas passageiras sentadas, enquanto no cais oposto as pessoas aguardam o próximo comboio. Esperam alguém ou enganaram-se na direcção?
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
metro,
polaroid
20 de junho de 2007
O PASSAGEIRO INESPERADO
Havia uma barata enorme a passear-se pela parede do átrio do metro do Rato esta manhã.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
portugal no seu melhor
19 de junho de 2007
CAFFÉ À L'ITALIANA
Nesta série de fotografias visível no site da Time a acompanhar esta peça do dossier dedicado à comida mundial. Onde também se fala da Galiza, da verdadeira cozinha japonesa (qual sushi qual carapuça) e dos laboratórios onde a Nestlé cria sopas Maggi diferentes para todo o mundo.
por outras palavras:
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos,
that old black magic
E O COMÉRCIO TRADICIONAL VAI FECHANDO
Antes de eu ir de férias, foram as lojas de conveniência da rede Sprint que fecharam — privando-me da loja de conveniência ao cimo da rua que era o único sítio onde se podia comprar jornais no bairro ao fim-de-semana (e, já agora, onde se podiam comprar jornais também durante a semana e levantar dinheiro antes de começar o dia e essas coisas todas que só quando a loja fecha é que percebemos que falta nos fazem). Agora, é a geladaria do Ben & Jerry's no Colombo que fechou ignominiosamente as portas, obrigando-me a satisfazer os meus apetites na loja da rua da Misericórdia. (Mas hoje passei por lá e portei-me bem, não entrei.)
por outras palavras:
free ice cream,
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
questões pertinentes
18 de junho de 2007
TENHAM MEDO. TENHAM MUITO MEDO
Recebi informação que hoje o Arena Lounge do Casino Lisboa recebe Guida de Palma e o projecto Jazzinho, cantora portuguesa radicada em Londres, responsável por um álbum produzido por Ed Motta, figura que muito estimo e prezo.
Apenas vos posso informar que tive o desprazer de assistir a Guida de Palma e Jazzinho ao vivo no Ondajazz há algumas semanas e fiquei com a sensação de que devia haver ali algum equívoco. Lembrei-me de um concerto de Bebel Gilberto no CCB que estava a abarrotar e que toda a gente estava a adorar e que eu achei que era verdadeiramente música de casino no pior sentido da palavra.
Apenas vos posso informar que tive o desprazer de assistir a Guida de Palma e Jazzinho ao vivo no Ondajazz há algumas semanas e fiquei com a sensação de que devia haver ali algum equívoco. Lembrei-me de um concerto de Bebel Gilberto no CCB que estava a abarrotar e que toda a gente estava a adorar e que eu achei que era verdadeiramente música de casino no pior sentido da palavra.
por outras palavras:
Ed,
irritantes quotidianos,
tenham medo. tenham muito medo
17 de junho de 2007
CONDUTORES DE DOMINGO
Hoje em dia, quase só conduzo ao fim-de-semana, já que durante a semana me movimento quase só por Lisboa e nessas ocasiões pouco compensa sair com o carro. Sou, por isso, o verdadeiro "condutor de domingo", mas comparado com alguns dos condutores de domingo com que me cruzo na rua, não me sinto nada condutor de domingo: hoje, então, desde condutores que ignoraram sinais de prioridade e até semáforos e ausências de piscas e mudanças de faixa sem assinalar, vi de tudo. Claro que, hoje, há condutores de domingo todos os dias.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
Lisboa tem muito trânsito
16 de junho de 2007
SÓ PARA NÃO ESTRAGAR O ARRANJINHO...
Sim, eu sei o final dos Sopranos. Não vi o último episódio da série (os meus aposentos em São Francisco não dispunham de HBO, que é um canal pago à parte) mas qualquer residente nos EUA não conseguiu escapar, no dia seguinte, às infinitas discussões sobre o final da série, que deixou quase toda a gente de boca aberta, com reacções polarizadas entre a decepção e o aplauso a monopolizar jornais, rádios e televisões. A única coisa que vos digo quanto ao final é muito simples: se David Chase passou a série toda a subverter as expectativas dos espectadores, porque é que não haveria de o fazer com o final? E porque carga d'água é que ele haveria agora de começar a fazê-lo, no preciso momento em que não precisava mesmo de o fazer?
15 de junho de 2007
PECULIARIDADES
A segurança nos aeroportos americanos é uma coisa inexplicavelmente curiosa. À ida para São Francisco, a minha mala foi verificada por um agente de pré-check-in em Lisboa, que lhe colou um autocolante de segurança; depois, tive de a levantar na recolha de bagagens após passar pela imigração em Filadélfia para a deixar num ponto específico para ela ir para o porão da bagagem do vôo para São Francisco; ao chegar aos meus aposentos em São Francisco descobri que a mala havia sido revistada em Filadélfia (não faltava nada). Eu próprio passei pela segurança primeiro em Lisboa e depois de novo em Filadélfia.
Ao regresso a Lisboa, nada disto: a mala seguiu directa para o porão no aeroporto de São Francisco, ponto final parágrafo - e só passei pela segurança em São Francisco, não tendo necessitado de fazer mais nada em Filadélfia, o que me deu muito jeito porque o vôo atrasou uma hora e eu estava a ficar com medo de perder a ligação.
Ao regresso a Lisboa, nada disto: a mala seguiu directa para o porão no aeroporto de São Francisco, ponto final parágrafo - e só passei pela segurança em São Francisco, não tendo necessitado de fazer mais nada em Filadélfia, o que me deu muito jeito porque o vôo atrasou uma hora e eu estava a ficar com medo de perder a ligação.
por outras palavras:
América América para onde vais,
irritantes quotidianos
14 de junho de 2007
UMA QUESTÃO DE GOSTO
Parecendo que não, há algumas coisas que sabem de maneira completamente diferente em Portugal e nos EUA. Do outro lado do Atlântico, qualquer refrigerante é servido num copo cheio de gelo, e a Coca-Cola tem um sabor significativamente mais doce do que em Portugal. A mesma coisa acontece com os meus cereais de pequeno-almoço: enquanto que cá só encontramos os Cheerios normais e integrais, lá existem pelo menos mais cinco variedades (ficou-me o olho na variante mel e nozes), e a fórmula dos integrais é diferente da nossa, também com um sabor significativamente mais doce — ao ponto dos portugueses, esta manhã, me saberem um bocadinho ensossos. Claro que é uma questão de reabituação (e eu gosto francamente mais da fórmula portuguesa).
por outras palavras:
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos,
observações descentradas
13 de junho de 2007
12/06/2007: United 184, SFO 09h22 – PHL 17h57
Na segunda-feira, no noticiário principal do serviço público televisivo americano PBS (KQED9 na Bay Area), um analista de aviação falava dos atrasos que iriam forçosamente afectar os viajantes americanos agora que chegou o Verão e as grandes massas começam a cruzar os EUA. Falou-se do inexplicável caso do atraso (de vários meses, mesmo) na emissão de passaportes de cidadãos americanos, relacionados com os novos regulamentos de segurança impostos aos residentes em viagem para o Canadá, América Latina e Caraíbas, mas falou-se também dos atrasos típicos destas ocasiões, com as companhias aéreas a fazerem overbooking para compensar a percentagem de desistências e os atrasos em aeroportos sobrelotados.
Fiz a experiência desse efeito dominó na manhã de terça-feira: a ligação com Filadélfia, onde iria apanhar o vôo para Lisboa, saíu com uma hora de atraso porque o avião chegou a São Francisco com uma hora de atraso, e aterrou em Filadélfia com outra hora de atraso, equivalente ao tempo que estivemos no ar a voar em círculos à espera que o aeroporto nos desse luz verde para aterrar. A United permite aos seus passageiros ouvir as comunicações entre o cockpit e a torre de controle no canal 9 de audio, e garanto-vos que foi uma experiência peculiar. Aparentemente, a motivação por trás deste programa é acalmar os passageiros mais nervosos — comigo, no entanto, teve um efeito misto, porque, se por um lado me acalmou saber que há um porradão de profissionais a trabalhar para que tudo corra bem, o linguajar arcano cheio de abreviaturas e códigos deixa-nos completamente na mesma.
Fazer a aterragem a ouvir as comunicações é, aliás, uma experiência que qualquer viajante regular deveria fazer pelo menos uma vez: ainda mais neste caso em que o piloto ia mantendo os passageiros (que lotavam quase por completo o avião) ao corrente da situação, enquanto no canal 9 decorria uma elaboradíssima estafeta entre controladores aéreos de várias torres a dar instruções a uma série de aviões no ar, designando os rumos e rotas a tomar, avisando de tráfego na zona ou de condições meteorológicas adversas. Não deve ser nada fácil ser controlador aéreo.
Fiz a experiência desse efeito dominó na manhã de terça-feira: a ligação com Filadélfia, onde iria apanhar o vôo para Lisboa, saíu com uma hora de atraso porque o avião chegou a São Francisco com uma hora de atraso, e aterrou em Filadélfia com outra hora de atraso, equivalente ao tempo que estivemos no ar a voar em círculos à espera que o aeroporto nos desse luz verde para aterrar. A United permite aos seus passageiros ouvir as comunicações entre o cockpit e a torre de controle no canal 9 de audio, e garanto-vos que foi uma experiência peculiar. Aparentemente, a motivação por trás deste programa é acalmar os passageiros mais nervosos — comigo, no entanto, teve um efeito misto, porque, se por um lado me acalmou saber que há um porradão de profissionais a trabalhar para que tudo corra bem, o linguajar arcano cheio de abreviaturas e códigos deixa-nos completamente na mesma.
Fazer a aterragem a ouvir as comunicações é, aliás, uma experiência que qualquer viajante regular deveria fazer pelo menos uma vez: ainda mais neste caso em que o piloto ia mantendo os passageiros (que lotavam quase por completo o avião) ao corrente da situação, enquanto no canal 9 decorria uma elaboradíssima estafeta entre controladores aéreos de várias torres a dar instruções a uma série de aviões no ar, designando os rumos e rotas a tomar, avisando de tráfego na zona ou de condições meteorológicas adversas. Não deve ser nada fácil ser controlador aéreo.
JET-LAG
O nascer do sol a dez mil metros de altitude pela janela de um Boeing 757 a voar por cima de um oceano de algodão doce a desenhar lentamente os contornos do avião à medida que o céu azul profundo se aclara, que a bola laranja lentamente se ergue das profundezas cinzentas e brancas do espesso tapete de nuvens. Suspenso entre dois fusos horários. A minha cabeça ainda está oito horas atrás, em São Francisco, mas o meu corpo já está oito horas à frente, em Lisboa, e as duas horas de soneca retemperadora na minha cama não apagaram a sensação do oceano de algodão doce ter invadido os recantos do meu crânio. Saí de São Francisco ontem às nove da manhã locais, cheguei a Lisboa hoje às oito e meia da manhã locais, mas tenho a sensação de que perdi um dia entre fusos horários (para compensar o dia mais longo que ganhei à ida?). Voltar a casa tem destas coisas.
por outras palavras:
a aventura continua,
irritantes quotidianos,
observações descentradas
12 de junho de 2007
OLHA O BELO BAGEL
Já aqui vos falei do pao sourdough que é uma especialidade de Sao Francisco, deixem-me agora falar-vos mais em pormenor do bagel, essa deliciosa invençao que substitui o pao na dieta de muitos americanos e que, por exemplo, pode ser saboreada no seu melhor numa padaria da Castro chamada Posh Bagel que oferece todo o tipo de bagels para levar para casa, desde simples a bagels salgados ou doces que sao por si só toda uma refeiçao. Mas nada de confusoes: o bagel nao é um donut, estando mais próximo em travo dos paes ázimos judeus só que em forma de donut e massa de pao. Eu prefiro barrado com queijo creme e recheado de salmao fumado e cebolinhos.
por outras palavras:
a aventura continua,
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos
11 de junho de 2007
A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF #2
Já que estamos a falar de delícias para o paladar, será inevitável falar do Mangarosa, um restaurante de fusao italo-brasileira (!!!!) na Stockton, mesmo ali na fronteira entre Chinatown e a zona italiana de North Beach. Porque é o primeiro restaurante em que como nos EUA em que a dose por pessoa está mais próxima da média europeia (satisfaz sem encher) e porque, parecendo que nao, a comida é verdadeiramente excelente - à entrada, soufflé de polenta; os gnocchi com molho de queijo e cogumelos eram de chorar por mais; para sobremesa, uma tarte de lima que nao vos digo nada. Atençao, contudo, que o bicho é carote, um tudo nada mais que o 2223.
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