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25 de junho de 2007

E LEMBREI-ME DA DORY DO "À PROCURA DE NEMO"

Peço um galão à empregada de um dos muitos cafés do Corte Inglés, que me recebe com um "bom dia senhor" invulgar em empregados de sotaque português. A empregada vira-se para a máquina e passados dois segundos está-me a perguntar, "o senhor é um café?" "Um galão," respondo-lhe.

22 de junho de 2007

CRANBERRY BREAD

O cranberry (que alguns dicionários traduzem por arando) é um fruto vermelho de sabor ligeiramente amargo, muito apreciado pelos americanos, que o usam por exemplo para fazer o molho do peru do dia de Acção de Graças ou todo o tipo de bolos. Apesar da coisa se chamar "pão de arando", o "cranberry bread" é na realidade um bolo caseiro que está algures entre o bolo inglês e o bolo de laranja: a uma massa base de açúcar, farinha, manteiga, ovos, bicarbonato de soda, fermento Royal e raspas e sumo de laranja adicionam-se nozes pecan e arandos inteiros. É melhor frio do que acabado de sair do forno e os americanos, fiéis à designação de "cranberry bread", barram as fatias com manteiga (depois queixem-se da obesidade...). E, com ou sem manteiga, é muito bom.

21 de junho de 2007

POLAROID: METRO

Duas senhoras aguardam pacientemente pelo metro, mas no cais errado da estação do Rato — no cais terminal, onde são as únicas passageiras sentadas, enquanto no cais oposto as pessoas aguardam o próximo comboio. Esperam alguém ou enganaram-se na direcção?

20 de junho de 2007

19 de junho de 2007

CAFFÉ À L'ITALIANA

Nesta série de fotografias visível no site da Time a acompanhar esta peça do dossier dedicado à comida mundial. Onde também se fala da Galiza, da verdadeira cozinha japonesa (qual sushi qual carapuça) e dos laboratórios onde a Nestlé cria sopas Maggi diferentes para todo o mundo.

E O COMÉRCIO TRADICIONAL VAI FECHANDO

Antes de eu ir de férias, foram as lojas de conveniência da rede Sprint que fecharam — privando-me da loja de conveniência ao cimo da rua que era o único sítio onde se podia comprar jornais no bairro ao fim-de-semana (e, já agora, onde se podiam comprar jornais também durante a semana e levantar dinheiro antes de começar o dia e essas coisas todas que só quando a loja fecha é que percebemos que falta nos fazem). Agora, é a geladaria do Ben & Jerry's no Colombo que fechou ignominiosamente as portas, obrigando-me a satisfazer os meus apetites na loja da rua da Misericórdia. (Mas hoje passei por lá e portei-me bem, não entrei.)

18 de junho de 2007

TENHAM MEDO. TENHAM MUITO MEDO

Recebi informação que hoje o Arena Lounge do Casino Lisboa recebe Guida de Palma e o projecto Jazzinho, cantora portuguesa radicada em Londres, responsável por um álbum produzido por Ed Motta, figura que muito estimo e prezo.

Apenas vos posso informar que tive o desprazer de assistir a Guida de Palma e Jazzinho ao vivo no Ondajazz há algumas semanas e fiquei com a sensação de que devia haver ali algum equívoco. Lembrei-me de um concerto de Bebel Gilberto no CCB que estava a abarrotar e que toda a gente estava a adorar e que eu achei que era verdadeiramente música de casino no pior sentido da palavra.

17 de junho de 2007

CONDUTORES DE DOMINGO

Hoje em dia, quase só conduzo ao fim-de-semana, já que durante a semana me movimento quase só por Lisboa e nessas ocasiões pouco compensa sair com o carro. Sou, por isso, o verdadeiro "condutor de domingo", mas comparado com alguns dos condutores de domingo com que me cruzo na rua, não me sinto nada condutor de domingo: hoje, então, desde condutores que ignoraram sinais de prioridade e até semáforos e ausências de piscas e mudanças de faixa sem assinalar, vi de tudo. Claro que, hoje, há condutores de domingo todos os dias.

16 de junho de 2007

SÓ PARA NÃO ESTRAGAR O ARRANJINHO...

Sim, eu sei o final dos Sopranos. Não vi o último episódio da série (os meus aposentos em São Francisco não dispunham de HBO, que é um canal pago à parte) mas qualquer residente nos EUA não conseguiu escapar, no dia seguinte, às infinitas discussões sobre o final da série, que deixou quase toda a gente de boca aberta, com reacções polarizadas entre a decepção e o aplauso a monopolizar jornais, rádios e televisões. A única coisa que vos digo quanto ao final é muito simples: se David Chase passou a série toda a subverter as expectativas dos espectadores, porque é que não haveria de o fazer com o final? E porque carga d'água é que ele haveria agora de começar a fazê-lo, no preciso momento em que não precisava mesmo de o fazer?

15 de junho de 2007

PECULIARIDADES

A segurança nos aeroportos americanos é uma coisa inexplicavelmente curiosa. À ida para São Francisco, a minha mala foi verificada por um agente de pré-check-in em Lisboa, que lhe colou um autocolante de segurança; depois, tive de a levantar na recolha de bagagens após passar pela imigração em Filadélfia para a deixar num ponto específico para ela ir para o porão da bagagem do vôo para São Francisco; ao chegar aos meus aposentos em São Francisco descobri que a mala havia sido revistada em Filadélfia (não faltava nada). Eu próprio passei pela segurança primeiro em Lisboa e depois de novo em Filadélfia.

Ao regresso a Lisboa, nada disto: a mala seguiu directa para o porão no aeroporto de São Francisco, ponto final parágrafo - e só passei pela segurança em São Francisco, não tendo necessitado de fazer mais nada em Filadélfia, o que me deu muito jeito porque o vôo atrasou uma hora e eu estava a ficar com medo de perder a ligação.

14 de junho de 2007

UMA QUESTÃO DE GOSTO

Parecendo que não, há algumas coisas que sabem de maneira completamente diferente em Portugal e nos EUA. Do outro lado do Atlântico, qualquer refrigerante é servido num copo cheio de gelo, e a Coca-Cola tem um sabor significativamente mais doce do que em Portugal. A mesma coisa acontece com os meus cereais de pequeno-almoço: enquanto que cá só encontramos os Cheerios normais e integrais, lá existem pelo menos mais cinco variedades (ficou-me o olho na variante mel e nozes), e a fórmula dos integrais é diferente da nossa, também com um sabor significativamente mais doce — ao ponto dos portugueses, esta manhã, me saberem um bocadinho ensossos. Claro que é uma questão de reabituação (e eu gosto francamente mais da fórmula portuguesa).

13 de junho de 2007

12/06/2007: United 184, SFO 09h22 – PHL 17h57

Na segunda-feira, no noticiário principal do serviço público televisivo americano PBS (KQED9 na Bay Area), um analista de aviação falava dos atrasos que iriam forçosamente afectar os viajantes americanos agora que chegou o Verão e as grandes massas começam a cruzar os EUA. Falou-se do inexplicável caso do atraso (de vários meses, mesmo) na emissão de passaportes de cidadãos americanos, relacionados com os novos regulamentos de segurança impostos aos residentes em viagem para o Canadá, América Latina e Caraíbas, mas falou-se também dos atrasos típicos destas ocasiões, com as companhias aéreas a fazerem overbooking para compensar a percentagem de desistências e os atrasos em aeroportos sobrelotados.

Fiz a experiência desse efeito dominó na manhã de terça-feira: a ligação com Filadélfia, onde iria apanhar o vôo para Lisboa, saíu com uma hora de atraso porque o avião chegou a São Francisco com uma hora de atraso, e aterrou em Filadélfia com outra hora de atraso, equivalente ao tempo que estivemos no ar a voar em círculos à espera que o aeroporto nos desse luz verde para aterrar. A United permite aos seus passageiros ouvir as comunicações entre o cockpit e a torre de controle no canal 9 de audio, e garanto-vos que foi uma experiência peculiar. Aparentemente, a motivação por trás deste programa é acalmar os passageiros mais nervosos — comigo, no entanto, teve um efeito misto, porque, se por um lado me acalmou saber que há um porradão de profissionais a trabalhar para que tudo corra bem, o linguajar arcano cheio de abreviaturas e códigos deixa-nos completamente na mesma.

Fazer a aterragem a ouvir as comunicações é, aliás, uma experiência que qualquer viajante regular deveria fazer pelo menos uma vez: ainda mais neste caso em que o piloto ia mantendo os passageiros (que lotavam quase por completo o avião) ao corrente da situação, enquanto no canal 9 decorria uma elaboradíssima estafeta entre controladores aéreos de várias torres a dar instruções a uma série de aviões no ar, designando os rumos e rotas a tomar, avisando de tráfego na zona ou de condições meteorológicas adversas. Não deve ser nada fácil ser controlador aéreo.

JET-LAG

O nascer do sol a dez mil metros de altitude pela janela de um Boeing 757 a voar por cima de um oceano de algodão doce a desenhar lentamente os contornos do avião à medida que o céu azul profundo se aclara, que a bola laranja lentamente se ergue das profundezas cinzentas e brancas do espesso tapete de nuvens. Suspenso entre dois fusos horários. A minha cabeça ainda está oito horas atrás, em São Francisco, mas o meu corpo já está oito horas à frente, em Lisboa, e as duas horas de soneca retemperadora na minha cama não apagaram a sensação do oceano de algodão doce ter invadido os recantos do meu crânio. Saí de São Francisco ontem às nove da manhã locais, cheguei a Lisboa hoje às oito e meia da manhã locais, mas tenho a sensação de que perdi um dia entre fusos horários (para compensar o dia mais longo que ganhei à ida?). Voltar a casa tem destas coisas.

12 de junho de 2007

OLHA O BELO BAGEL

Já aqui vos falei do pao sourdough que é uma especialidade de Sao Francisco, deixem-me agora falar-vos mais em pormenor do bagel, essa deliciosa invençao que substitui o pao na dieta de muitos americanos e que, por exemplo, pode ser saboreada no seu melhor numa padaria da Castro chamada Posh Bagel que oferece todo o tipo de bagels para levar para casa, desde simples a bagels salgados ou doces que sao por si só toda uma refeiçao. Mas nada de confusoes: o bagel nao é um donut, estando mais próximo em travo dos paes ázimos judeus só que em forma de donut e massa de pao. Eu prefiro barrado com queijo creme e recheado de salmao fumado e cebolinhos.

11 de junho de 2007

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF #2

Já que estamos a falar de delícias para o paladar, será inevitável falar do Mangarosa, um restaurante de fusao italo-brasileira (!!!!) na Stockton, mesmo ali na fronteira entre Chinatown e a zona italiana de North Beach. Porque é o primeiro restaurante em que como nos EUA em que a dose por pessoa está mais próxima da média europeia (satisfaz sem encher) e porque, parecendo que nao, a comida é verdadeiramente excelente - à entrada, soufflé de polenta; os gnocchi com molho de queijo e cogumelos eram de chorar por mais; para sobremesa, uma tarte de lima que nao vos digo nada. Atençao, contudo, que o bicho é carote, um tudo nada mais que o 2223.

10 de junho de 2007

POST FELINO SEMANAL



O Farrell já não é um gatinho. Tem dois anos de idade e foi recolhido pelo David no jardim nas traseiras do apartamento, onde tinha sido abandonado pelos donos e onde viveu durante três meses a comer o que aparecia e o que algum residente mais benfazejo lhe ia deixando. Como qualquer gato que se preze, o Farrell passa o dia a dormir, interrompendo as sonecas para se passear pela casa, realizar as suas abluções e se alimentar nas tigelas que o David lhe deixa na cozinha: uma para água, uma para comida seca e uma para comida húmida. A comida húmida é o jantar: se, entre as sete e as oito, a comida do dia não é posta na sua tigela, ele começa a miar até ser servido. Mas, talvez por ter sido abandonado, o Farrell não se dá tanto ao mimo como o Diogo. Faz-se às festinhas, sobe para a mesa ou para a cama ou para a cadeira e pede festas miando ou roçando-se, dando saltinhos para sentir as mãos do dono, sempre que se entra em casa ele vem à porta receber miando. Mas raramente ou quase nunca deixa que lhe peguem ao colo, esquiva-se aos beijinhos, e porta-se geralmente de maneira muito circunspecta.

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF

Ponto alto gastronómico desta visita a São Francisco: o magnífico jantar no 2223, restaurante "New American" em plena Market, com um fabuloso frango assado em ervas acompanhado por puré de batata com alho, feijão verde grelhado e aros de cebola a reinar sobre a refeição (outros mimos são a limonada com infusão de hortelã-pimenta, o fantástico pão grelhado com rosmaninho de entrada e a manteiga com alfazema para acompanhar o bom sourdough colocado na mesa). Contudo, nada bate a sobremesa: bolo de chocolate e coco com uma bolacha torrada de chocolate e amêndoa, para lá de hedonista, verdadeiramente pornográfico. Preço médio por pessoa: 40 dólares, ou seja, perto de 30 euros. E, como em qualquer restaurante americano, pode-se trazer para casa os restos.

9 de junho de 2007

MONSOON FALLS

A feira popular americana chama-se parque de diversões, fica geralmente fora dos centros urbanos, leva um dia inteiro a percorrer (quando não mais) e está cheia de atracções que eu só recomendaria aos amadores de emoções fortes, mas onde se podem ver famílias inteiras a gritar em conjunto (e como eles gostam de gritar, muito antes sequer da coisa começar a andar. A Disneyland é uma coisa, mas o Six Flags Discovery Kingdom em Vallejo, a 50km de São Francisco, é outra completamente diferente, uma mistura de jardim zoológico com animais selvagens (os tigres, leões e pumas são magnificos, as focas e leões marinhos deliciosos) com parque de diversões.

É também um sorvedouro de dinheiro: um adulto paga 50 dólares de entrada, o que dá acesso a todas as atracções gratuitamente, mas a comida é obviamente paga à parte e é tudo fast-food absurdamente cara (o gelado mais barato são seis dólares, mas é verdade que é uma dose colossal), já para não falar dos souvenirs, do peixinho para dar de comer às focas, etc. Tudo tem, além do mais, um certo ar de linha de montagem — não há a sensação (mesmo que cuidadosamente fabricada), como na Disneyland, de que estamos num local mágico. Tudo parece cansado, velho, forçado, a olhar mais para o lucro do que para o visitante — o que explica, aliás, porque é que as montanhas russas mais hardcore são o centro da atenção, com filas de quase uma hora para as mais violentas (o site mostra, tenham medo, tenham muito medo). Aqui, há os animais, as atracções muito soft para miúdos e as atracções hardcore para os mais velhos, não há meio-termo. (E mesmo o que eles chamam de "family rides" deixavam qualquer família portuguesa traumatizada...)

Recusando-me eu a entrar em qualquer montanha russa com quedas quase verticais ou loopings assustadores (mas estive quase a entrar na Roar porque não tinha loopings, antes de me acagaçar quando vi um carro parado logo antes da grande descida quase vertical com que tudo começa), a única em que aceitei ir foi Monsoon Falls, uma queda quase livre que me deixou completamente encharcado. E, num parque de diversões, toda a gente nos consegue ouvir gritar. Aliás, é praticamente obrigatório.

8 de junho de 2007

A ARTE DO BUMPER STICKER

O "bumper sticker" é o autocolante que se põe nas traseiras do carro e que foi elevado pelos americanos a uma arte. Como este magnífico visto no parque de estacionamento do jardim zoológico:

Never underestimate the power of stupid people in large groups.

OS ANIMAIS SAO NOSSOS AMIGOS

No entanto, convém definir quais animais, porque uma visita ao Jardim Zoológico de São Francisco na primeira quarta-feira de cada mês vê o povo precipitar-se para visitar o zoo sem pagar entrada (que pode custar nove dólares para um adulto). Claro que, uma vez lá dentro, muito pouco é gratuito (até a viagem no comboiozinho do parque é paga). A verdade é que, quando cheio como nesta quarta-feira ventosa mas solarenga de Junho, o Zoo de São Francisco fica completo com uma exposição de homo sapiens de todos os tamanhos, idades e feitios, com especial destaque para as excursões escolares. Infelizmente, apanhei o zoo em pleno trabalho de renovação: os ursos pardos só chegam na próxima semana, os paquidermes e as águias estão de férias enquanto se refazem as suas áreas, os leões, tigres e leopardos estavam a dormir ao sol, só os ursos polares (encantadores) se dignaram mostrar o focinho, os chimpanzés estavam-se nas tintas. O parque é descomunal e muito bonito mas é uma pena que esteja tudo em fluxo.