O Farrell já não é um gatinho. Tem dois anos de idade e foi recolhido pelo David no jardim nas traseiras do apartamento, onde tinha sido abandonado pelos donos e onde viveu durante três meses a comer o que aparecia e o que algum residente mais benfazejo lhe ia deixando. Como qualquer gato que se preze, o Farrell passa o dia a dormir, interrompendo as sonecas para se passear pela casa, realizar as suas abluções e se alimentar nas tigelas que o David lhe deixa na cozinha: uma para água, uma para comida seca e uma para comida húmida. A comida húmida é o jantar: se, entre as sete e as oito, a comida do dia não é posta na sua tigela, ele começa a miar até ser servido. Mas, talvez por ter sido abandonado, o Farrell não se dá tanto ao mimo como o Diogo. Faz-se às festinhas, sobe para a mesa ou para a cama ou para a cadeira e pede festas miando ou roçando-se, dando saltinhos para sentir as mãos do dono, sempre que se entra em casa ele vem à porta receber miando. Mas raramente ou quase nunca deixa que lhe peguem ao colo, esquiva-se aos beijinhos, e porta-se geralmente de maneira muito circunspecta.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
10 de junho de 2007
POST FELINO SEMANAL
O Farrell já não é um gatinho. Tem dois anos de idade e foi recolhido pelo David no jardim nas traseiras do apartamento, onde tinha sido abandonado pelos donos e onde viveu durante três meses a comer o que aparecia e o que algum residente mais benfazejo lhe ia deixando. Como qualquer gato que se preze, o Farrell passa o dia a dormir, interrompendo as sonecas para se passear pela casa, realizar as suas abluções e se alimentar nas tigelas que o David lhe deixa na cozinha: uma para água, uma para comida seca e uma para comida húmida. A comida húmida é o jantar: se, entre as sete e as oito, a comida do dia não é posta na sua tigela, ele começa a miar até ser servido. Mas, talvez por ter sido abandonado, o Farrell não se dá tanto ao mimo como o Diogo. Faz-se às festinhas, sobe para a mesa ou para a cama ou para a cadeira e pede festas miando ou roçando-se, dando saltinhos para sentir as mãos do dono, sempre que se entra em casa ele vem à porta receber miando. Mas raramente ou quase nunca deixa que lhe peguem ao colo, esquiva-se aos beijinhos, e porta-se geralmente de maneira muito circunspecta.
A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA ESPECIAL SF
Ponto alto gastronómico desta visita a São Francisco: o magnífico jantar no 2223, restaurante "New American" em plena Market, com um fabuloso frango assado em ervas acompanhado por puré de batata com alho, feijão verde grelhado e aros de cebola a reinar sobre a refeição (outros mimos são a limonada com infusão de hortelã-pimenta, o fantástico pão grelhado com rosmaninho de entrada e a manteiga com alfazema para acompanhar o bom sourdough colocado na mesa). Contudo, nada bate a sobremesa: bolo de chocolate e coco com uma bolacha torrada de chocolate e amêndoa, para lá de hedonista, verdadeiramente pornográfico. Preço médio por pessoa: 40 dólares, ou seja, perto de 30 euros. E, como em qualquer restaurante americano, pode-se trazer para casa os restos.
9 de junho de 2007
MONSOON FALLS
A feira popular americana chama-se parque de diversões, fica geralmente fora dos centros urbanos, leva um dia inteiro a percorrer (quando não mais) e está cheia de atracções que eu só recomendaria aos amadores de emoções fortes, mas onde se podem ver famílias inteiras a gritar em conjunto (e como eles gostam de gritar, muito antes sequer da coisa começar a andar. A Disneyland é uma coisa, mas o Six Flags Discovery Kingdom em Vallejo, a 50km de São Francisco, é outra completamente diferente, uma mistura de jardim zoológico com animais selvagens (os tigres, leões e pumas são magnificos, as focas e leões marinhos deliciosos) com parque de diversões.
É também um sorvedouro de dinheiro: um adulto paga 50 dólares de entrada, o que dá acesso a todas as atracções gratuitamente, mas a comida é obviamente paga à parte e é tudo fast-food absurdamente cara (o gelado mais barato são seis dólares, mas é verdade que é uma dose colossal), já para não falar dos souvenirs, do peixinho para dar de comer às focas, etc. Tudo tem, além do mais, um certo ar de linha de montagem — não há a sensação (mesmo que cuidadosamente fabricada), como na Disneyland, de que estamos num local mágico. Tudo parece cansado, velho, forçado, a olhar mais para o lucro do que para o visitante — o que explica, aliás, porque é que as montanhas russas mais hardcore são o centro da atenção, com filas de quase uma hora para as mais violentas (o site mostra, tenham medo, tenham muito medo). Aqui, há os animais, as atracções muito soft para miúdos e as atracções hardcore para os mais velhos, não há meio-termo. (E mesmo o que eles chamam de "family rides" deixavam qualquer família portuguesa traumatizada...)
Recusando-me eu a entrar em qualquer montanha russa com quedas quase verticais ou loopings assustadores (mas estive quase a entrar na Roar porque não tinha loopings, antes de me acagaçar quando vi um carro parado logo antes da grande descida quase vertical com que tudo começa), a única em que aceitei ir foi Monsoon Falls, uma queda quase livre que me deixou completamente encharcado. E, num parque de diversões, toda a gente nos consegue ouvir gritar. Aliás, é praticamente obrigatório.
É também um sorvedouro de dinheiro: um adulto paga 50 dólares de entrada, o que dá acesso a todas as atracções gratuitamente, mas a comida é obviamente paga à parte e é tudo fast-food absurdamente cara (o gelado mais barato são seis dólares, mas é verdade que é uma dose colossal), já para não falar dos souvenirs, do peixinho para dar de comer às focas, etc. Tudo tem, além do mais, um certo ar de linha de montagem — não há a sensação (mesmo que cuidadosamente fabricada), como na Disneyland, de que estamos num local mágico. Tudo parece cansado, velho, forçado, a olhar mais para o lucro do que para o visitante — o que explica, aliás, porque é que as montanhas russas mais hardcore são o centro da atenção, com filas de quase uma hora para as mais violentas (o site mostra, tenham medo, tenham muito medo). Aqui, há os animais, as atracções muito soft para miúdos e as atracções hardcore para os mais velhos, não há meio-termo. (E mesmo o que eles chamam de "family rides" deixavam qualquer família portuguesa traumatizada...)
Recusando-me eu a entrar em qualquer montanha russa com quedas quase verticais ou loopings assustadores (mas estive quase a entrar na Roar porque não tinha loopings, antes de me acagaçar quando vi um carro parado logo antes da grande descida quase vertical com que tudo começa), a única em que aceitei ir foi Monsoon Falls, uma queda quase livre que me deixou completamente encharcado. E, num parque de diversões, toda a gente nos consegue ouvir gritar. Aliás, é praticamente obrigatório.
8 de junho de 2007
A ARTE DO BUMPER STICKER
O "bumper sticker" é o autocolante que se põe nas traseiras do carro e que foi elevado pelos americanos a uma arte. Como este magnífico visto no parque de estacionamento do jardim zoológico:
Never underestimate the power of stupid people in large groups.
Never underestimate the power of stupid people in large groups.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas
OS ANIMAIS SAO NOSSOS AMIGOS
No entanto, convém definir quais animais, porque uma visita ao Jardim Zoológico de São Francisco na primeira quarta-feira de cada mês vê o povo precipitar-se para visitar o zoo sem pagar entrada (que pode custar nove dólares para um adulto). Claro que, uma vez lá dentro, muito pouco é gratuito (até a viagem no comboiozinho do parque é paga). A verdade é que, quando cheio como nesta quarta-feira ventosa mas solarenga de Junho, o Zoo de São Francisco fica completo com uma exposição de homo sapiens de todos os tamanhos, idades e feitios, com especial destaque para as excursões escolares. Infelizmente, apanhei o zoo em pleno trabalho de renovação: os ursos pardos só chegam na próxima semana, os paquidermes e as águias estão de férias enquanto se refazem as suas áreas, os leões, tigres e leopardos estavam a dormir ao sol, só os ursos polares (encantadores) se dignaram mostrar o focinho, os chimpanzés estavam-se nas tintas. O parque é descomunal e muito bonito mas é uma pena que esteja tudo em fluxo.
7 de junho de 2007
E A CULTURA, ESTUPIDO
Muitos dos museus de São Francisco têm entrada livre na primeira terça-feira de cada mês: todas as exposições disponíveis podem ser visitadas sem precisar de pagar bilhete. Os museus de São Francisco já de si costumam ter muitos visitantes, mas nestes dias as enchentes são monumentais, quer por parte dos locais quer por parte dos turistas (em excursões-Rodarte ou não, com muitos asiáticos e latinos). Aproveitando a ocasião, visitamos o Museu de Arte Asiática (em pleno centro da cidade no Civic Center, esquina da Larkin com a McAllister, em frente à Câmara Municipal e à Biblioteca Pública, a dois passos da Market), com duas exposições de arte popular japonesa: as espantosas ilustrações de Taiso Yoshitoshi de finais do século XIX, que abrangem o período de abertura do Japão à cultura ocidental, e uma retrospectiva de Tezuka Osamu, um dos reis do manga japonês, que prova a quem quiser que não, a BD japonesa não é só Heidis e Marcos e Dragonballs e pode ser algo de muito mais perturbante, escuro e desafiador. (As filas para entrar na exposição de Tezuka eram granditas; a exposição, organizada por um museu australiano, pode ser vista até 9 de Setembro em exclusivo no museu, enquanto a de Yoshitoshi está até 2 de Setembro).
Paramos para almoçar e seguimos para o extraordinário Museu da Legião de Honra, um extraordinário palácio neo-clássico que é uma réplica do palácio parisiense da Légion d'Honneur numa das pontas da cidade em Lincoln Park, com uma vista sumptuosa sobre a Golden Gate. Em exposição uma série de peças de joalharia francesa do século XX, da Art Nouveau aos nossos dias, cedidas maioritariamente por coleccionadores privados (entre os quais Elizabeth Taylor) e onde pontificam deslumbrantes criações de René Lalique. As excursões-Rodarte eram aqui de matronas americanas de classe média ou média-baixa deslumbradas ou de turistas asiáticas que se fartavam de tomar notas sobre cada peça em linguagens ideográficas. Diziam-me ao ouvido que o intuito de tanta nota era criar réplicas baratas para os mercados orientais, mas quero acreditar que não passava de má língua.
Paramos para almoçar e seguimos para o extraordinário Museu da Legião de Honra, um extraordinário palácio neo-clássico que é uma réplica do palácio parisiense da Légion d'Honneur numa das pontas da cidade em Lincoln Park, com uma vista sumptuosa sobre a Golden Gate. Em exposição uma série de peças de joalharia francesa do século XX, da Art Nouveau aos nossos dias, cedidas maioritariamente por coleccionadores privados (entre os quais Elizabeth Taylor) e onde pontificam deslumbrantes criações de René Lalique. As excursões-Rodarte eram aqui de matronas americanas de classe média ou média-baixa deslumbradas ou de turistas asiáticas que se fartavam de tomar notas sobre cada peça em linguagens ideográficas. Diziam-me ao ouvido que o intuito de tanta nota era criar réplicas baratas para os mercados orientais, mas quero acreditar que não passava de má língua.
OLHA SE OS SINDICATOS PORTUGUESES SABEM
Nos EUA, os bancos não fecham às três da tarde: estão abertos durante o expediente normal até às seis da tarde. Inclusive ao sábado.
por outras palavras:
América América para onde vais,
irritantes quotidianos
6 de junho de 2007
BEM COMER EM SAO FRANCISCO #1
Come-se bem em São Francisco. Independentemente do que se quer comer — há de tudo para todas as bolsas (e não, não estou a falar dos fast-foods tipo McDonald's, KFC, Taco Bell ou Pizza Hut — que, aliás, aqui quase não existem, substituidos por cadeias de sandwiches como a Subway ou a Quiznos Sub). O David diz-me que um bom guia para a relação preço-qualidade é a presença de carros ou motos da polícia à porta — os polícias sabem geralmente onde se come bem sem gastar muito. Seguindo o conselho, almoçámos hoje no Mangosteen, na zona mal frequentada do Tenderloin/Civic Center (esquina da Larkin com a Eddy), porque vimos um carro e uma mota da polícia à porta. É um restaurante vietnamita (aparentada com a chinesa, mas mais apimentada) que não tem nada a ver com o resto da zona e é elegante, moderno, simpático e chique — e um almoço para dois custou 25 dólares (19 euros ao câmbio do dia), o que mesmo para os padrões americanos é baratíssimo.
Para o belo pequeno-almoço à americana, o Chloe's Cafe em Noe Valley (na Church, entre a Clipper e a 26th), o Nob Hill Café em Nob Hill (na Taylor, a dois quarteirões da Catedral Grace) ou o Ella's em Laurel Heights (na esquina da California com a Presidio) são imbativeis: o Chloe's propõe panquecas de banana e avelã ou de noz pecan, o Ella's tem um "sticky bun" de canela e noz de chorar por mais, o queque de milho com pimentos jalapeños não vos passa pela cabeça. Como vos disse em tempos, os pequenos-almoços americanos são de farta-brutos, mas pode-se facilmente fugir aos ovos ou aos bacons (e quase todos servem saladas ao pequeno-almoço).
Para o belo pequeno-almoço à americana, o Chloe's Cafe em Noe Valley (na Church, entre a Clipper e a 26th), o Nob Hill Café em Nob Hill (na Taylor, a dois quarteirões da Catedral Grace) ou o Ella's em Laurel Heights (na esquina da California com a Presidio) são imbativeis: o Chloe's propõe panquecas de banana e avelã ou de noz pecan, o Ella's tem um "sticky bun" de canela e noz de chorar por mais, o queque de milho com pimentos jalapeños não vos passa pela cabeça. Como vos disse em tempos, os pequenos-almoços americanos são de farta-brutos, mas pode-se facilmente fugir aos ovos ou aos bacons (e quase todos servem saladas ao pequeno-almoço).
5 de junho de 2007
NAPA VALLEY
É um dos passeios preferidos dos habitantes de São Francisco: atravessar a Baía e passar o dia a visitar as vinhas de Napa Valley, a 90 km aproximadamente, onde praticamente todos os produtores locais oferecem visitas e provas das colheitas locais (oferecem, é como quem diz: a maior parte cobra pelas provas valores que vão dos cinco aos vinte dólares por pessoa) e disponibilizam lojas onde se pode comprar todo o tipo de memorabilia, de ursinhos de peluche a flautas e copos de pé, passando por livros de culinária, camisolas monogramadas e colheitas exclusivas ou de produção limitada. Tudo isso, no entanto, empalidece face à beleza da paisagem, aos verdes e dourados e castanhos que se estendem por quilómetros e quilómetros, às longas fileiras de vinhas entrecortadas por mansões de estilos vagamente coloniais ou europeus. Ao longo da estadual 29, sucedem-se as saídas (devidamente marcadas) para dezenas e dezenas de quintas cujos parques de estacionamento fervilham com carros que entram e saem depois das visitas guiadas ou das provas, guiados por visitantes que tanto podem ser uma família suburbana local ou um casal de franceses empertigados que conversam entre si.
por outras palavras:
a aventura continua,
if you're going to San Francisco,
irritantes quotidianos
4 de junho de 2007
SAN FRANCISCO BY BIKE
Não há nada como sair de São Francisco pela Golden Gate completamente envolvida em nevoeiro que nem sequer permite ver os topos dos arcos e, chegado a meio da ponte, ver o nevoeiro desaparecer magicamente para revelar um sol luminoso e um calor quase de Verão, prolongado pelas dezenas de turistas que atravessam a ponte a pé ou de carro em direcção a Vista Point para ver a vista da cidade do outro lado da baía.
3 de junho de 2007
DEPOIS QUEIXEM-SE DA OBESIDADE
Supostamente isto é uma invenção de Verão, mas para mim tem tudo a ver com o Inverno.
OLHA O BELO WOK
Sim, é verdade: em São Francisco existe uma loja exclusivamente dedicada ao wok, aos utensílios de wok e aos acessórios de wok. Vendem, inclusive, woks pré-condicionados.
por outras palavras:
a aventura continua,
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos
2 de junho de 2007
O PAO NOSSO DE CADA DIA
Em São Francisco, isso é o fabuloso pão "sourdough" , a meio caminho entre a consistência do tigre e o sabor acre do pão ázimo, mas mais delicioso que qualquer um deles.
por outras palavras:
a aventura continua,
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos
A GASTRONOMIA E O SUBURBIO
Imaginem um supermercado de luxo inteiramente dedicado a gastronomia no meio da Gare Marítima de Alcântara ou no terminal do Terreiro do Paço. Isso é o Ferry Building Marketplace, um centro comercial no terminal dos "cacilheiros" que atravessam a Baía de São Francisco, cheio de lojas dedicadas exclusivamente a azeites, cogumelos, chocolates (de luxo, evidentemente), especialidades italianas, talhos, comidas rápidas gourmet, gelados e outros que tais. Enquanto, pelo meio, os sub/urbanos que precisam de atravessar a Baía vão comprar bilhetes e seguir o seu dia de trabalho.
por outras palavras:
a aventura continua,
gastronomia para todos,
irritantes quotidianos
1 de junho de 2007
OLHA O BELO GATO
por outras palavras:
a aventura continua,
gato,
irritantes quotidianos
31 de maio de 2007
OLHA A BELA FARMACIA
Nos EUA não há farmácias como as portuguesas, que só vendem medicamentos. Em vez disso, há "drugstores" ou "pharmacies", que têm um departamento de farmácia que vende medicamentos sob receita em embalagens personalizadas para cada cliente de acordo com a receita do medico, mas que são também supermercados de medicamentos genéricos ou de venda livre (antiácidos, aspirinas, analgésicos, antipiréticos, pastilhas para a garganta) e lojas de conveniência que vendem gelados, bebidas, chocolates, pão, congelados, revistas, escovas de dentes, lâminas de barbear, papel higiénico, fraldas, etc. E também revelam fotografias e têm multibancos. São, no fundo, uma espécie de mini-supermercados de artigos de segunda necessidade-
por outras palavras:
a aventura continua,
América América para onde vais,
irritantes quotidianos
A DIFICULDADE DA ESCOLHA
Que os EUA são um país de contrastes, já sabia; que são um país consumista, idem aspas; mas não deixo nunca de ficar de boca a banda quando vejo que, possivelmente, a maior dificuldade que um consumidor normal tem quando vai ao supermercado é escolher entre as dúzias de marcas e variedades diferentes de um mesmo produto, seja ele gelado, chocolate, pão, manteiga, iogurtes ou café. Perde-se um tempo infindo a escolher exactamente quais os sabores de iogurtes que se quer meter no frigorífico — porque as promoções dos supermercados são do género dez iogurtes por cinco dólares. Que o mesmo é dizer, dez boiões de iogurte que levam cada um o dobro de um boião de iogurte português, por três euros.
por outras palavras:
a aventura continua,
América América para onde vais,
irritantes quotidianos
30 de maio de 2007
CONTRASTES
No espaço de três quarteirões na O'Farrell Street: o representante local da Bentley; um stand da Mercedes; o cinema pornográfico O'Farrell Theatre; a sala de concertos rock Great American Music Hall; um multiplex de cinemas de estreia da AMC na esquina com a Van Ness; duas garagens; muitos sinais de apartamentos para alugar; sem-abrigos, bêbados, drogados.
por outras palavras:
a aventura continua,
América América para onde vais,
irritantes quotidianos
NOTICE OF BAGGAGE INSPECTION
Chegado ao estúdio acolhedor (com gato incluído - já falamos disso) onde vou passar as minhas férias na cidade da baía, abro a mala e dou lá dentro com um papelinho da Transportation Security Administration do US Department of Homeland Security a dizer "Notice of Baggage Inspection". Em duas línguas, inglês e castelhano, explicando muito bem como os EUA se estão a tornar num país bilingue.
"To protect you and your fellow passengers, the Transportation Security Administration (TSA) is required by law to inspect all checked baggage. As part of this process, some bags are opened and physically inspected. Your bag was among those selected for physical inspection.
During the inspection, your bag and its contents may have been searched for prohibited items. At the completion of the inspection, the contents were returned to your bag.
If the TSA security officer was unable to open your bag for inspection because it was locked, the officer may have been forced to break the locks on your bag. TSA sincerely regrets having to do this, however TSA is not liable for damage to your locks resulting from this necessary security precaution. (...)
We appreciate your understanding and cooperation."
Escusado será dizer, estava tudo dentro da mala e no sítio onde era suposto estar.
"To protect you and your fellow passengers, the Transportation Security Administration (TSA) is required by law to inspect all checked baggage. As part of this process, some bags are opened and physically inspected. Your bag was among those selected for physical inspection.
During the inspection, your bag and its contents may have been searched for prohibited items. At the completion of the inspection, the contents were returned to your bag.
If the TSA security officer was unable to open your bag for inspection because it was locked, the officer may have been forced to break the locks on your bag. TSA sincerely regrets having to do this, however TSA is not liable for damage to your locks resulting from this necessary security precaution. (...)
We appreciate your understanding and cooperation."
Escusado será dizer, estava tudo dentro da mala e no sítio onde era suposto estar.
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