No vôo de Filadélfia para São Francico, o comandante faz uestão de agradecer aos soldados que estão a bordo (um dos quais fardado), numa prova do respeito que os americanos têm pelas suas forças armadas mesmo quando não concordam com os conflitos armados em que eles se envolvem. Ainda por cima, hoje é o arranque do fim-de-semana prolongado do Memorial Day (hoje, segunda 28 de Maio) que celebra todos aqueles que deram a sua vida pelos EUA em conflitos militares.
O vôo vai cheio e as simpatiquíssimas hospedeiras perguntam-me se não me importo de trocar de lugar com uma família que foi colocada na saída de emergência. Aceito com muito gosto, porque isto de ter 1m88 de altura e ter de viajar em coxias de classe económica não é fácil, e acaba por ser a primeira vez que viajo longas distâncias com espaço para esticar as pernas. Mas descubro também que, nos EUA, estar sentado na fila da saída de emergência equivale a disponibilizar-se para ajudar as hospedeiras no caso de alguma coisa correr mal. Todo o pessoal é significativamente mais simpático do que a equipa do vôo de Lisboa. Quase como se tivessem verdadeiramente prazer em trabalhar — e as hospedeiras de serviço à cabine já têm claramente muitos anos disto. No entanto, os auscultadores continuam a ser pagos e, aqui, a comida também (cinco dólares por uma sanduíche de frango que não era nada má, embora um pouco seca). Tudo o que é refrigerantes e águas é gratuito, mas quem quiser beber álcool tem de pagar e de mostrar a identificação se parecer mais novo do que a idade que tem.
E juro que vi um anúncio da CIA a passar no sistema de entretenimento a bordo.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
28 de maio de 2007
PHILADELPHIA INTERNATIONAL
Tenho aproximadamente duas horas entre desembarcar do avião e ir apanhar o vôo para São Francisco para passar o guichet do serviço de estrangeiros e fronteiras local, levantar a bagagem e transferi-la para o novo vôo. O processo é de algum modo perseguido por uma série de alemãs muito chatos que, vindos de um país conhecido pelas suas qualidades organizacionais, adoram resmungar sobre a organização dos outros. Uma familia alargada atrás de mim na fila para passar a imigração estavam irritadíssimos com a lentidão do atendimento (tornado ainda mais lento pela quantidade de famílias alargadas a passar os guichets juntos ou em múltiplos de dois), aparentemente porque tinham também eles de ir apanhar um voo doméstico. Mais à frente, apanho um outro casal alemão que resmunga por ter que passar outra fila de copntrole de passaportes e passagens. Felizmente, nenhum deles está no meu vôo para São Francisco.
27 de maio de 2007
26/05/07: US 739 LIS 10h25 - PHL 14h10
O vôo para Filadélfia sai com 80 minutos de atraso sobre a hora prevista. Estava já tudo pronto para partir, quando o piloto avisa que "estamos com um problema nos lavatórios e vamos ter de chamar a manutenção", que leva 30 minutos a chegar e 15 a resolver o problema. Na realidade o problema era com um dos lavatórios das traseiras, pelo que houve um sem-número de pessoal a levantar-se e a ir à casa de banho da frente enquanto o avião não descola. Antes da saída, uma das portas da frente teimava em não selar devidamente. Teve de se abrir três vezes antes de perceberem que era a manivela de fora que não estava bem fechada.
Na US Airways os auscultadores para se ouvir a música ou o filme a bordo são pagos (cinco dólares ou cinco euros, o que não é exactamente a mesma coisa). No entanto, uma das hospedeiras, de traços asiáticos, não se entende grandemente com o novo sistema de entretenimento a bordo, que explica ter acabado de ser instalado e é baseado em disco rígido, e passa a vida arrancar com as coisas fora de tempo. Um dos comissários de bordo fala brasileiro sem sotaque, mas as traduções dos discursos são hilariantes. O serviço não é brilhante, parece que estão todos ali porque têm de estar, a fazer um frete desgraçado. Percebo, depois, no vôo entre Filadélfia e São Francisco, que o pessoal da US Airways no serviço doméstico interno é muito mais eficaz, eficiente, prestável e competente. Mas sobre isso mais num próximo post.
Na US Airways os auscultadores para se ouvir a música ou o filme a bordo são pagos (cinco dólares ou cinco euros, o que não é exactamente a mesma coisa). No entanto, uma das hospedeiras, de traços asiáticos, não se entende grandemente com o novo sistema de entretenimento a bordo, que explica ter acabado de ser instalado e é baseado em disco rígido, e passa a vida arrancar com as coisas fora de tempo. Um dos comissários de bordo fala brasileiro sem sotaque, mas as traduções dos discursos são hilariantes. O serviço não é brilhante, parece que estão todos ali porque têm de estar, a fazer um frete desgraçado. Percebo, depois, no vôo entre Filadélfia e São Francisco, que o pessoal da US Airways no serviço doméstico interno é muito mais eficaz, eficiente, prestável e competente. Mas sobre isso mais num próximo post.
por outras palavras:
a aventura continua,
irritantes quotidianos,
observações descentradas
A DEMOCRATIZAÇAO DO TRANSPORTE AEREO TEM MUITO QUE SE LHE DIGA
Aeroporto de Lisboa, sábado, 26 de Maio. O aeroporto fervilha de gente. Pergunto-me se não deveria ter vindo mais cedo. Fila para fazer o "check-in" no vôo até Filadélfia, com muita gente que transporta malas para tacos de golfe. Fila, longa mas despachada rapidamente, para passar o controle de bagagens; duas inglesas de meia-idade resmungam que isto nunca mais acaba e que isto é uma grande desorganização. Fila para o balcão de câmbios e para o pequeno-almoço — desisto. Fila, longa ainda mais, para passar o controle de passaportes antes de aceder ao portão de embarque — se não tivesse tido o bom senso de me meter na fila dos "passaportes electrónicos" ainda lá estava, sobretudo porque se percebia que havia muito brasileiro com vontade de lançar um motim ali mesmo no momento. O tempo entre chegar ao aeroporto e embarcar no avião passou depressa, mas isso não invalida que eu esteja cheio de fome e continue a só ter euros na carteira. Dez minutos antes da hora de descolagem marcada, ainda há gente a entrar no avião; ouço uma americana algumas filas atrás resmungar que se não tivessem lá ido buscá-los para passar o controle com prioridade ainda lá estavam.
Se calhar era capaz de fazer sentido resolverem os problemas da Portela antes de começarem a pensar na Ota.
Se calhar era capaz de fazer sentido resolverem os problemas da Portela antes de começarem a pensar na Ota.
25 de maio de 2007
TÊM CERTEZA QUE FOI EM KEITH RICHARDS QUE JOHNNY DEPP SE INSPIROU?
Por falar em prazeres culpados, acho que este é daqueles que fica sempre bem/mal. Curiosidades para os trivia fans: quem dirigiu foi Russell Mulcahy (que, anos mais tarde, infligiria a série de filmes dos "Highlander" e Christophe Lambert), e esta é a versão original que só saiu num single e nunca mais voltou a aparecer. How eighties.
por outras palavras:
anos 80 bem medidos,
irritantes quotidianos,
obsessões pop,
prazeres culpados
24 de maio de 2007
OS PAIS NÃO DEVIAM GOSTAR MESMO NADA DELES
Claro que os senhores em questão não têm culpa nenhuma dos seus nomes serem tão pouco apropriados para as profissões que honrosamente exercem.
Mas lá que um advogado se chamar Mimoso de Freitas e uma arquitecta paisagista Aurora Carapinha não lembra ao diabo, ah não lembra não senhor. Estão a ver o "sr. dr. Mimoso" e a "sra. arquitecta Carapinha"?
Mas lá que um advogado se chamar Mimoso de Freitas e uma arquitecta paisagista Aurora Carapinha não lembra ao diabo, ah não lembra não senhor. Estão a ver o "sr. dr. Mimoso" e a "sra. arquitecta Carapinha"?
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas
23 de maio de 2007
A CULPA É DO VH1
Isto dos "guilty pleasures" às vezes tem destas coisas. O filme até nem era mau (vejam se reconhecem as caras) mas o ar de gebo de província do tipo e os sintetizadores manhosos à Chicago da fase má estragam tudo — ou talvez não, porque a coisa entretanto ganhou uma patine kitsch imbatível. Foi há vinte anos.
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
obsessões pop,
prazeres culpados
22 de maio de 2007
CHAMEM A POLÍCIA
Estava eu hoje a ouvir isto e de repente lembrei-me dos Dire Straits. Porque será?
(Não é o teledisco, mas é a única coisa que encontrei que dá para ouvir a música.)
(Não é o teledisco, mas é a única coisa que encontrei que dá para ouvir a música.)
por outras palavras:
observações descentradas,
obsessões pop
21 de maio de 2007
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #38
Nunca tiveram a sensação que — tal como os departamentos de informática geralmente não percebem patavina de computadores, com honrosas excepções — os departamentos de contabilidade apenas existem para não pagar as despesas que se realizam?
por outras palavras:
irritantes quotidianos,
observações descentradas,
questões pertinentes
20 de maio de 2007
A VELOCIDADE DO SOM
Pelas duas horas e meia da manhã, era possível ouvir, das janelas da minha casa junto à Estrela, muito à distância mas perfeitamente nítido, o som de palco do Creamfields na Bela Vista.
19 de maio de 2007
PORTUGAL NO SEU MELHOR
A ler hoje o Público, descubro que:
- há um menino com cancro no Porto que não vai à escola porque era maltratado pelos colegas e a direcção da escola nada fez para o impedir
- houve um funcionário público suspenso porque fez uma piada a propósito do célebre caso do diploma de engenharia
- afinal as eleições para a câmara de Lisboa não podem ser na data marcada pelo Governo Civil
- o Ministério da Cultura quer definir planos de acção aproveitando a presidência portuguesa da União Europeia
É só impressão minha, ou há aqui qualquer coisa que não bate lá muito certo?
- há um menino com cancro no Porto que não vai à escola porque era maltratado pelos colegas e a direcção da escola nada fez para o impedir
- houve um funcionário público suspenso porque fez uma piada a propósito do célebre caso do diploma de engenharia
- afinal as eleições para a câmara de Lisboa não podem ser na data marcada pelo Governo Civil
- o Ministério da Cultura quer definir planos de acção aproveitando a presidência portuguesa da União Europeia
É só impressão minha, ou há aqui qualquer coisa que não bate lá muito certo?
por outras palavras:
observações descentradas,
portugal no seu melhor
18 de maio de 2007
MY MIND IS NOT RIGHT (dispensam-se bocas foleiras)
A primeira vez que ouvi "Alligator" foi no Natal de 2005, estava eu com uma p*** de uma amigdalite, a passar a consoada na Mansão Satori de Benfica. Meses mais tarde, cravei o disco mas as vezes que o ouvi pareceu-me tudo denso e opressivo, fiquei sem vontade de lá voltar. Numa peça da Village Voice desta semana a propósito de concertos ao vivo dos National em Nova Iorque, Rob Harvilla foi buscar o meu bem-amado Springsteen e eu fui ao sítio de Sua Lisboeza tentar perceber um bocadinho melhor. Ainda não estou inteiramente convencido, mas há três ou quatro canções em "Alligator" que mexem comigo (e sim, há ali qualquer coisa de "cavalo à solta" Springsteeniano, de urgência quase irreprimível).
De então para cá "Lit Up" e, sobretudo, "Abel" têm andado em "repeat". Pistas para perceber porquê. The National.
De então para cá "Lit Up" e, sobretudo, "Abel" têm andado em "repeat". Pistas para perceber porquê. The National.
17 de maio de 2007
JA QUE TENHO A FAMA...
CRESCIMENTO ACELERADO
O meu gato adora saltar-me para os ombros quando estou de roupão de banho, fazer turrinhas, enroscar-se todo no meu pescoço e arranhar o felpo do roupão.
Isto tem tudo muita graça mas o Diogo já tem quase nove meses e está a ficar demasiado grande para se conseguir equilibrar nos meus ombros. O que não o impede de o continuar a fazer, recorrendo estrategicamente a alguns golpes de garra.
Isto tem tudo muita graça mas o Diogo já tem quase nove meses e está a ficar demasiado grande para se conseguir equilibrar nos meus ombros. O que não o impede de o continuar a fazer, recorrendo estrategicamente a alguns golpes de garra.
14 de maio de 2007
ORA NEM MAIS
A história de Portugal é, de facto, singular. Os portugueses foram para todo o lado, mas nunca saíram, levaram a casinha com eles. (...) Veja um acontecimento como o das qualificações académicas do primeiro-ministro, sem dimensão, sem interesse, nem dentro nem fora de fronteiras, mas que pode ocupar o país um mês inteiro. Isto numa altura em que se estão a passar no mundo coisas que interessam aos destinos da humanidade. (...) O que nos interessa mesmo é o que se passa cá em casa. Mais uma vez, o Eça ilustrou isto: "O que nos interessa é o pé da Luisinha".
— Eduardo Lourenço a Luís Miguel Queirós, na Pública de ontem
— Eduardo Lourenço a Luís Miguel Queirós, na Pública de ontem
por outras palavras:
portugal no seu melhor,
questões pertinentes
13 de maio de 2007
DESCONTEXTUALIZAR POR AÍ
"Eu gosto de ficar com buraquinhos daqueles que doem" — ouvido a uma amiga que ficará incógnita na noite de sexta-feira.
12 de maio de 2007
POLAROID: ELÉCTRICO 28
Dois miúdos vão à pendura nas traseiras do eléctrico para não terem de pagar bilhete. Quando o eléctrico pára no sinal junto à Assembleia da República, um turista espanhol do outro lado da rua, de óculos escuros, faz cara de mau e diz-lhes "desçam daí". Os miúdos fazem de conta que não ouvem. O turista insiste. "Desçam daí". "O senhor deixou-nos". "Quem é que vos deixou?" Silêncio. "Desçam daí". O turista começa a mover-se em direcção ao eléctrico para os tirar. "A gente já desce." Os dois miúdos acabam por descer e seguem a linha do eléctrico - assim que o turista está fora do alcance eles desatam a correr para apanhar o eléctrico que entretanto entrou em andamento um pouco mais à frente.
por outras palavras:
eléctrico,
Lisboa antiga,
polaroid
10 de maio de 2007
NEOLOGISMO HOUSE DO DIA
"While you were still wearing your Frankie Says: Relax T-shirts..."
OS PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS
Lê-se no anúncio de um telemóvel empunhado por Beyoncé Knowles: "Imagine passar da música para a vida real, e voltar".
Mas não é exactamente isso que fazemos sempre que estamos a ouvir um disco e ele acaba?
Mas não é exactamente isso que fazemos sempre que estamos a ouvir um disco e ele acaba?
8 de maio de 2007
POLAROID: METRO
No metro em direcção ao Marquês de Pombal, começa a ouvir-se a certa altura o som de um acordeão mal tocado que procura desenhar a melodia do "Over the Rainbow", sem o conseguir. Quando passa por mim, vejo que é um dos "mendigos profissionais" que chegaram de Leste, e que o seu domínio do instrumento é fraco para não dizer quase inexistente. Rapidamente, contudo, o som do seu acordeão é abafado por um outro acordeão que vem do fundo da carruagem, forçando-o a sentar-se num lugar vazio à espera que o comboio chegue ao Marquês. O outro acordeão é tocado por um cego português que já há muitos anos vejo a tocar no metro, e do instrumento sai uma marchinha de Lisboa afinada e reconhecível.
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