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23 de maio de 2007

A CULPA É DO VH1

Isto dos "guilty pleasures" às vezes tem destas coisas. O filme até nem era mau (vejam se reconhecem as caras) mas o ar de gebo de província do tipo e os sintetizadores manhosos à Chicago da fase má estragam tudo — ou talvez não, porque a coisa entretanto ganhou uma patine kitsch imbatível. Foi há vinte anos.

22 de maio de 2007

CHAMEM A POLÍCIA

Estava eu hoje a ouvir isto e de repente lembrei-me dos Dire Straits. Porque será?

(Não é o teledisco, mas é a única coisa que encontrei que dá para ouvir a música.)

21 de maio de 2007

PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #38

Nunca tiveram a sensação que — tal como os departamentos de informática geralmente não percebem patavina de computadores, com honrosas excepções — os departamentos de contabilidade apenas existem para não pagar as despesas que se realizam?

20 de maio de 2007

A VELOCIDADE DO SOM

Pelas duas horas e meia da manhã, era possível ouvir, das janelas da minha casa junto à Estrela, muito à distância mas perfeitamente nítido, o som de palco do Creamfields na Bela Vista.

19 de maio de 2007

PORTUGAL NO SEU MELHOR

A ler hoje o Público, descubro que:

- há um menino com cancro no Porto que não vai à escola porque era maltratado pelos colegas e a direcção da escola nada fez para o impedir
- houve um funcionário público suspenso porque fez uma piada a propósito do célebre caso do diploma de engenharia
- afinal as eleições para a câmara de Lisboa não podem ser na data marcada pelo Governo Civil
- o Ministério da Cultura quer definir planos de acção aproveitando a presidência portuguesa da União Europeia

É só impressão minha, ou há aqui qualquer coisa que não bate lá muito certo?

18 de maio de 2007

MY MIND IS NOT RIGHT (dispensam-se bocas foleiras)

A primeira vez que ouvi "Alligator" foi no Natal de 2005, estava eu com uma p*** de uma amigdalite, a passar a consoada na Mansão Satori de Benfica. Meses mais tarde, cravei o disco mas as vezes que o ouvi pareceu-me tudo denso e opressivo, fiquei sem vontade de lá voltar. Numa peça da Village Voice desta semana a propósito de concertos ao vivo dos National em Nova Iorque, Rob Harvilla foi buscar o meu bem-amado Springsteen e eu fui ao sítio de Sua Lisboeza tentar perceber um bocadinho melhor. Ainda não estou inteiramente convencido, mas há três ou quatro canções em "Alligator" que mexem comigo (e sim, há ali qualquer coisa de "cavalo à solta" Springsteeniano, de urgência quase irreprimível).

De então para cá "Lit Up" e, sobretudo, "Abel" têm andado em "repeat". Pistas para perceber porquê. The National.

17 de maio de 2007

JA QUE TENHO A FAMA...

...pois que tenha também o proveito.

CRESCIMENTO ACELERADO

O meu gato adora saltar-me para os ombros quando estou de roupão de banho, fazer turrinhas, enroscar-se todo no meu pescoço e arranhar o felpo do roupão.

Isto tem tudo muita graça mas o Diogo já tem quase nove meses e está a ficar demasiado grande para se conseguir equilibrar nos meus ombros. O que não o impede de o continuar a fazer, recorrendo estrategicamente a alguns golpes de garra.

14 de maio de 2007

ORA NEM MAIS

A história de Portugal é, de facto, singular. Os portugueses foram para todo o lado, mas nunca saíram, levaram a casinha com eles. (...) Veja um acontecimento como o das qualificações académicas do primeiro-ministro, sem dimensão, sem interesse, nem dentro nem fora de fronteiras, mas que pode ocupar o país um mês inteiro. Isto numa altura em que se estão a passar no mundo coisas que interessam aos destinos da humanidade. (...) O que nos interessa mesmo é o que se passa cá em casa. Mais uma vez, o Eça ilustrou isto: "O que nos interessa é o pé da Luisinha".

— Eduardo Lourenço a Luís Miguel Queirós, na Pública de ontem

13 de maio de 2007

DESCONTEXTUALIZAR POR AÍ

"Eu gosto de ficar com buraquinhos daqueles que doem" — ouvido a uma amiga que ficará incógnita na noite de sexta-feira.

12 de maio de 2007

POLAROID: ELÉCTRICO 28

Dois miúdos vão à pendura nas traseiras do eléctrico para não terem de pagar bilhete. Quando o eléctrico pára no sinal junto à Assembleia da República, um turista espanhol do outro lado da rua, de óculos escuros, faz cara de mau e diz-lhes "desçam daí". Os miúdos fazem de conta que não ouvem. O turista insiste. "Desçam daí". "O senhor deixou-nos". "Quem é que vos deixou?" Silêncio. "Desçam daí". O turista começa a mover-se em direcção ao eléctrico para os tirar. "A gente já desce." Os dois miúdos acabam por descer e seguem a linha do eléctrico - assim que o turista está fora do alcance eles desatam a correr para apanhar o eléctrico que entretanto entrou em andamento um pouco mais à frente.

10 de maio de 2007

NEOLOGISMO HOUSE DO DIA

"While you were still wearing your Frankie Says: Relax T-shirts..."

OS PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS

Lê-se no anúncio de um telemóvel empunhado por Beyoncé Knowles: "Imagine passar da música para a vida real, e voltar".

Mas não é exactamente isso que fazemos sempre que estamos a ouvir um disco e ele acaba?

8 de maio de 2007

POLAROID: METRO

No metro em direcção ao Marquês de Pombal, começa a ouvir-se a certa altura o som de um acordeão mal tocado que procura desenhar a melodia do "Over the Rainbow", sem o conseguir. Quando passa por mim, vejo que é um dos "mendigos profissionais" que chegaram de Leste, e que o seu domínio do instrumento é fraco para não dizer quase inexistente. Rapidamente, contudo, o som do seu acordeão é abafado por um outro acordeão que vem do fundo da carruagem, forçando-o a sentar-se num lugar vazio à espera que o comboio chegue ao Marquês. O outro acordeão é tocado por um cego português que já há muitos anos vejo a tocar no metro, e do instrumento sai uma marchinha de Lisboa afinada e reconhecível.

7 de maio de 2007

OLHÓ SABÃO FRESQUINHO

Já alguém reparou que os gelados Magnum, nos actuais anúncios colados nas estações de metro, parecem autênticas barras de sabão?

6 de maio de 2007

MERCI SEGOLENE

Mas alguma vez em Portugal alguém concede uma derrota numa eleição com um sorriso nos lábios como Ségolène Royal o fez esta noite nas eleições francesas? (Ou será que a rapariga estava a rir a pensar, "olha do que eu me livrei..."?)

FELIZ ANIVERSARIO

Não sei exactamente quem fez anos na minha rua, mas a festa está a ser de arromba — desde as quatro da tarde que há música africana aos altos berros a ouvir-se pela rua toda, acompanhada de gritos e de manifestações que não destoariam num concerto.

4 de maio de 2007

PEQUENO MOMENTO BELEZA AMERICANA DO DIA

Enquanto espero pela chegada do comboio, páginas de um jornal gratuito, levadas pelo vento que entra na estação do Marquês de Pombal por uma das entradas, voam para a linha férrea.

2 de maio de 2007

POLAROID: METRO

Duas pedintes cegas cruzam-se a meio da mesma carruagem longa do metro, depois de terem começado nas pontas opostas uma da outra; as suas melopeias, as suas vozes, o ritmo que batem com a bengala diferenciam-se significativamente. Um cavalheiro idoso de fato e gravata bate sem querer com o chapéu de chuva numa senhora sentada e pede desculpa.

1 de maio de 2007

PEQUENAS MEDITAÇÕES FELINAS

O Diogo está quase a fazer seis meses que partilha a minha casa. (Ou melhor, deveria dizer que está quase a fazer seis meses que manda cá em casa, porque um gato não partilha, domina e condescende que nós partilhemos com ele.) Não é a primeira vez que tenho um gato, mas é a primeira desde que era muito menino e que o último gato que os meus pais tiveram lá em casa, o Farrusco, desapareceu pelo quintal sem dar cavaco. O Diogo já é algo mais do que um mero animal de estimação: é uma personalidade de corpo inteiro que, como eu, tem as suas rotinas, os seus pequenos confortos, as suas irritações e a sua vida própria. Consoante a hora do dia, o Diogo é um boneco de peluche com vida que dorme descansado como um bebé no sofá da sala, um animal feroz e ameaçador que percorre a casa com uma elegância felina à busca de algo que possa surpreender ou ferrar o dente, um adolescente que arregala os olhos sempre que aparece alguma coisa nova que ele tenta compreender.

O Diogo já faz parte da família.