A primeira vez que ouvi "Alligator" foi no Natal de 2005, estava eu com uma p*** de uma amigdalite, a passar a consoada na Mansão Satori de Benfica. Meses mais tarde, cravei o disco mas as vezes que o ouvi pareceu-me tudo denso e opressivo, fiquei sem vontade de lá voltar. Numa peça da Village Voice desta semana a propósito de concertos ao vivo dos National em Nova Iorque, Rob Harvilla foi buscar o meu bem-amado Springsteen e eu fui ao sítio de Sua Lisboeza tentar perceber um bocadinho melhor. Ainda não estou inteiramente convencido, mas há três ou quatro canções em "Alligator" que mexem comigo (e sim, há ali qualquer coisa de "cavalo à solta" Springsteeniano, de urgência quase irreprimível).
De então para cá "Lit Up" e, sobretudo, "Abel" têm andado em "repeat". Pistas para perceber porquê. The National.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
18 de maio de 2007
MY MIND IS NOT RIGHT (dispensam-se bocas foleiras)
17 de maio de 2007
JA QUE TENHO A FAMA...
CRESCIMENTO ACELERADO
O meu gato adora saltar-me para os ombros quando estou de roupão de banho, fazer turrinhas, enroscar-se todo no meu pescoço e arranhar o felpo do roupão.
Isto tem tudo muita graça mas o Diogo já tem quase nove meses e está a ficar demasiado grande para se conseguir equilibrar nos meus ombros. O que não o impede de o continuar a fazer, recorrendo estrategicamente a alguns golpes de garra.
Isto tem tudo muita graça mas o Diogo já tem quase nove meses e está a ficar demasiado grande para se conseguir equilibrar nos meus ombros. O que não o impede de o continuar a fazer, recorrendo estrategicamente a alguns golpes de garra.
14 de maio de 2007
ORA NEM MAIS
A história de Portugal é, de facto, singular. Os portugueses foram para todo o lado, mas nunca saíram, levaram a casinha com eles. (...) Veja um acontecimento como o das qualificações académicas do primeiro-ministro, sem dimensão, sem interesse, nem dentro nem fora de fronteiras, mas que pode ocupar o país um mês inteiro. Isto numa altura em que se estão a passar no mundo coisas que interessam aos destinos da humanidade. (...) O que nos interessa mesmo é o que se passa cá em casa. Mais uma vez, o Eça ilustrou isto: "O que nos interessa é o pé da Luisinha".
— Eduardo Lourenço a Luís Miguel Queirós, na Pública de ontem
— Eduardo Lourenço a Luís Miguel Queirós, na Pública de ontem
por outras palavras:
portugal no seu melhor,
questões pertinentes
13 de maio de 2007
DESCONTEXTUALIZAR POR AÍ
"Eu gosto de ficar com buraquinhos daqueles que doem" — ouvido a uma amiga que ficará incógnita na noite de sexta-feira.
12 de maio de 2007
POLAROID: ELÉCTRICO 28
Dois miúdos vão à pendura nas traseiras do eléctrico para não terem de pagar bilhete. Quando o eléctrico pára no sinal junto à Assembleia da República, um turista espanhol do outro lado da rua, de óculos escuros, faz cara de mau e diz-lhes "desçam daí". Os miúdos fazem de conta que não ouvem. O turista insiste. "Desçam daí". "O senhor deixou-nos". "Quem é que vos deixou?" Silêncio. "Desçam daí". O turista começa a mover-se em direcção ao eléctrico para os tirar. "A gente já desce." Os dois miúdos acabam por descer e seguem a linha do eléctrico - assim que o turista está fora do alcance eles desatam a correr para apanhar o eléctrico que entretanto entrou em andamento um pouco mais à frente.
por outras palavras:
eléctrico,
Lisboa antiga,
polaroid
10 de maio de 2007
NEOLOGISMO HOUSE DO DIA
"While you were still wearing your Frankie Says: Relax T-shirts..."
OS PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS
Lê-se no anúncio de um telemóvel empunhado por Beyoncé Knowles: "Imagine passar da música para a vida real, e voltar".
Mas não é exactamente isso que fazemos sempre que estamos a ouvir um disco e ele acaba?
Mas não é exactamente isso que fazemos sempre que estamos a ouvir um disco e ele acaba?
8 de maio de 2007
POLAROID: METRO
No metro em direcção ao Marquês de Pombal, começa a ouvir-se a certa altura o som de um acordeão mal tocado que procura desenhar a melodia do "Over the Rainbow", sem o conseguir. Quando passa por mim, vejo que é um dos "mendigos profissionais" que chegaram de Leste, e que o seu domínio do instrumento é fraco para não dizer quase inexistente. Rapidamente, contudo, o som do seu acordeão é abafado por um outro acordeão que vem do fundo da carruagem, forçando-o a sentar-se num lugar vazio à espera que o comboio chegue ao Marquês. O outro acordeão é tocado por um cego português que já há muitos anos vejo a tocar no metro, e do instrumento sai uma marchinha de Lisboa afinada e reconhecível.
7 de maio de 2007
OLHÓ SABÃO FRESQUINHO
Já alguém reparou que os gelados Magnum, nos actuais anúncios colados nas estações de metro, parecem autênticas barras de sabão?
por outras palavras:
free ice cream,
observações descentradas
6 de maio de 2007
MERCI SEGOLENE
Mas alguma vez em Portugal alguém concede uma derrota numa eleição com um sorriso nos lábios como Ségolène Royal o fez esta noite nas eleições francesas? (Ou será que a rapariga estava a rir a pensar, "olha do que eu me livrei..."?)
FELIZ ANIVERSARIO
Não sei exactamente quem fez anos na minha rua, mas a festa está a ser de arromba — desde as quatro da tarde que há música africana aos altos berros a ouvir-se pela rua toda, acompanhada de gritos e de manifestações que não destoariam num concerto.
4 de maio de 2007
PEQUENO MOMENTO BELEZA AMERICANA DO DIA
Enquanto espero pela chegada do comboio, páginas de um jornal gratuito, levadas pelo vento que entra na estação do Marquês de Pombal por uma das entradas, voam para a linha férrea.
2 de maio de 2007
POLAROID: METRO
Duas pedintes cegas cruzam-se a meio da mesma carruagem longa do metro, depois de terem começado nas pontas opostas uma da outra; as suas melopeias, as suas vozes, o ritmo que batem com a bengala diferenciam-se significativamente. Um cavalheiro idoso de fato e gravata bate sem querer com o chapéu de chuva numa senhora sentada e pede desculpa.
1 de maio de 2007
PEQUENAS MEDITAÇÕES FELINAS
O Diogo está quase a fazer seis meses que partilha a minha casa. (Ou melhor, deveria dizer que está quase a fazer seis meses que manda cá em casa, porque um gato não partilha, domina e condescende que nós partilhemos com ele.) Não é a primeira vez que tenho um gato, mas é a primeira desde que era muito menino e que o último gato que os meus pais tiveram lá em casa, o Farrusco, desapareceu pelo quintal sem dar cavaco. O Diogo já é algo mais do que um mero animal de estimação: é uma personalidade de corpo inteiro que, como eu, tem as suas rotinas, os seus pequenos confortos, as suas irritações e a sua vida própria. Consoante a hora do dia, o Diogo é um boneco de peluche com vida que dorme descansado como um bebé no sofá da sala, um animal feroz e ameaçador que percorre a casa com uma elegância felina à busca de algo que possa surpreender ou ferrar o dente, um adolescente que arregala os olhos sempre que aparece alguma coisa nova que ele tenta compreender.
O Diogo já faz parte da família.
O Diogo já faz parte da família.
29 de abril de 2007
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #79
Esternutação.
(com novo agradecimento a Sua Lisboeza)
(com novo agradecimento a Sua Lisboeza)
27 de abril de 2007
A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA #15

Por motivos profissionais, tenho passado muito tempo no Forum Lisboa, que convém sempre explicar ser o antigo cinema Roma — e, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, imprimiu-se agora um pequeno caderninho com a história daquela sala inaugurada em Março de 1957 e encerrada à exibição cinematográfica em Outubro de 1988, numa altura em que os seus perto de mil lugares já haviam deixado de fazer sentido.
Arquitectonicamente, o Roma construia-se como um daqueles anfiteatros em declive (com os balcões no prolongamento desnivelado da plateia em vez de suspensos como varandas) que, por exemplo, o Europa (Campo de Ourique) também tinha, com uma daquelas magníficas fachadas "cegas" típicas da década de 50. Nunca foi sala que eu tivesse frequentado muito — os meus "poisos" mais regulares eram as noites de estreia do Império, do Monumental, do São Jorge... - mas o Roma tem um lugar muito especial na minha memória porque foi a primeira sala de Lisboa onde fui ao cinema sozinho, no final do Verão de 1980, para ver "Vagabundos Selvagens", um western que hoje se diria "crepuscular" de Blake Edwards com William Holden e Ryan O'Neal, numa "matinée" de terça-feira das reposições que eram então hábito regular das temporadas de Verão dos cinemas de Lisboa.
Foi também lá que vi o filme-concerto que Hal Ashby rodou com os Rolling Stones, "Let's Spend the Night Together" (cujo título em português não me vem agora à mente), e o "Purple Rain" com Prince, que fez uma semana de exibição, numa tarde de semana de 1985 com cinco pessoas na sala e uma projecção escandalosamente má. E foi lá que vi, em 1986, o "Era uma Vez na América" de Leone, na versão integral europeia de quase quatro horas, numa sessão da noite que acabou para lá da uma da manhã numa sala já decadente, com não mais de uma dezena de pessoas numa sala de quase mil lugares desconfortável e fria.
Gosto de reencontrar no Forum Lisboa a traça e a arquitectura do velho Roma que foi armazém de cópias durante muitos dos anos em que esteve fechado.
25 de abril de 2007
25 DE ABRIL SEMPRE
Será que a inauguração do túnel do Marquês é mais uma achega para a relevância da expressão "25 de Abril Sempre"?
E TAO BOM SER ADOLESCENTE
Eu não costumo fazer estas coisas. Mas desde que piquei esta canção no site de Les Inrockuptibles que não quero ouvir outra coisa. Senhoras e senhores, The Teenagers, com "Starlett Johansson".
24 de abril de 2007
VOX POPULI
"Se português fosse a luz do mundo eu ia preferir viver no escuro"
(graffiti visto na estação de metro do Marquês de Pombal)
(graffiti visto na estação de metro do Marquês de Pombal)
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