Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
7 de maio de 2007
OLHÓ SABÃO FRESQUINHO
Já alguém reparou que os gelados Magnum, nos actuais anúncios colados nas estações de metro, parecem autênticas barras de sabão?
por outras palavras:
free ice cream,
observações descentradas
6 de maio de 2007
MERCI SEGOLENE
Mas alguma vez em Portugal alguém concede uma derrota numa eleição com um sorriso nos lábios como Ségolène Royal o fez esta noite nas eleições francesas? (Ou será que a rapariga estava a rir a pensar, "olha do que eu me livrei..."?)
FELIZ ANIVERSARIO
Não sei exactamente quem fez anos na minha rua, mas a festa está a ser de arromba — desde as quatro da tarde que há música africana aos altos berros a ouvir-se pela rua toda, acompanhada de gritos e de manifestações que não destoariam num concerto.
4 de maio de 2007
PEQUENO MOMENTO BELEZA AMERICANA DO DIA
Enquanto espero pela chegada do comboio, páginas de um jornal gratuito, levadas pelo vento que entra na estação do Marquês de Pombal por uma das entradas, voam para a linha férrea.
2 de maio de 2007
POLAROID: METRO
Duas pedintes cegas cruzam-se a meio da mesma carruagem longa do metro, depois de terem começado nas pontas opostas uma da outra; as suas melopeias, as suas vozes, o ritmo que batem com a bengala diferenciam-se significativamente. Um cavalheiro idoso de fato e gravata bate sem querer com o chapéu de chuva numa senhora sentada e pede desculpa.
1 de maio de 2007
PEQUENAS MEDITAÇÕES FELINAS
O Diogo está quase a fazer seis meses que partilha a minha casa. (Ou melhor, deveria dizer que está quase a fazer seis meses que manda cá em casa, porque um gato não partilha, domina e condescende que nós partilhemos com ele.) Não é a primeira vez que tenho um gato, mas é a primeira desde que era muito menino e que o último gato que os meus pais tiveram lá em casa, o Farrusco, desapareceu pelo quintal sem dar cavaco. O Diogo já é algo mais do que um mero animal de estimação: é uma personalidade de corpo inteiro que, como eu, tem as suas rotinas, os seus pequenos confortos, as suas irritações e a sua vida própria. Consoante a hora do dia, o Diogo é um boneco de peluche com vida que dorme descansado como um bebé no sofá da sala, um animal feroz e ameaçador que percorre a casa com uma elegância felina à busca de algo que possa surpreender ou ferrar o dente, um adolescente que arregala os olhos sempre que aparece alguma coisa nova que ele tenta compreender.
O Diogo já faz parte da família.
O Diogo já faz parte da família.
29 de abril de 2007
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #79
Esternutação.
(com novo agradecimento a Sua Lisboeza)
(com novo agradecimento a Sua Lisboeza)
27 de abril de 2007
A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA #15

Por motivos profissionais, tenho passado muito tempo no Forum Lisboa, que convém sempre explicar ser o antigo cinema Roma — e, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, imprimiu-se agora um pequeno caderninho com a história daquela sala inaugurada em Março de 1957 e encerrada à exibição cinematográfica em Outubro de 1988, numa altura em que os seus perto de mil lugares já haviam deixado de fazer sentido.
Arquitectonicamente, o Roma construia-se como um daqueles anfiteatros em declive (com os balcões no prolongamento desnivelado da plateia em vez de suspensos como varandas) que, por exemplo, o Europa (Campo de Ourique) também tinha, com uma daquelas magníficas fachadas "cegas" típicas da década de 50. Nunca foi sala que eu tivesse frequentado muito — os meus "poisos" mais regulares eram as noites de estreia do Império, do Monumental, do São Jorge... - mas o Roma tem um lugar muito especial na minha memória porque foi a primeira sala de Lisboa onde fui ao cinema sozinho, no final do Verão de 1980, para ver "Vagabundos Selvagens", um western que hoje se diria "crepuscular" de Blake Edwards com William Holden e Ryan O'Neal, numa "matinée" de terça-feira das reposições que eram então hábito regular das temporadas de Verão dos cinemas de Lisboa.
Foi também lá que vi o filme-concerto que Hal Ashby rodou com os Rolling Stones, "Let's Spend the Night Together" (cujo título em português não me vem agora à mente), e o "Purple Rain" com Prince, que fez uma semana de exibição, numa tarde de semana de 1985 com cinco pessoas na sala e uma projecção escandalosamente má. E foi lá que vi, em 1986, o "Era uma Vez na América" de Leone, na versão integral europeia de quase quatro horas, numa sessão da noite que acabou para lá da uma da manhã numa sala já decadente, com não mais de uma dezena de pessoas numa sala de quase mil lugares desconfortável e fria.
Gosto de reencontrar no Forum Lisboa a traça e a arquitectura do velho Roma que foi armazém de cópias durante muitos dos anos em que esteve fechado.
25 de abril de 2007
25 DE ABRIL SEMPRE
Será que a inauguração do túnel do Marquês é mais uma achega para a relevância da expressão "25 de Abril Sempre"?
E TAO BOM SER ADOLESCENTE
Eu não costumo fazer estas coisas. Mas desde que piquei esta canção no site de Les Inrockuptibles que não quero ouvir outra coisa. Senhoras e senhores, The Teenagers, com "Starlett Johansson".
24 de abril de 2007
VOX POPULI
"Se português fosse a luz do mundo eu ia preferir viver no escuro"
(graffiti visto na estação de metro do Marquês de Pombal)
(graffiti visto na estação de metro do Marquês de Pombal)
22 de abril de 2007
AS MASSAS FALARAM E MOVIMENTARAM-SE
Cerca de 5900 militantes votaram em Paulo Portas para novo presidente do CDS. Cerca de 1900 votaram em Ribeiro e Castro.
COISAS QUE NÃO SE DEVEM FAZER AO PÉ DE UM GATO
Beber um iogurte líquido: enquanto não acabo de o beber, o meu gato não me larga e assim que pouso a garrafinha ele precipita-se para lamber o resto.
20 de abril de 2007
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #78
Concupiscência.
(com agradecimentos a Sua Lisboeza)
(com agradecimentos a Sua Lisboeza)
COISAS QUE SE OUVEM MUITO NOS AUTOCARROS #1
"Olhe, desculpe, passa ao ...?" (preencher com a rua/praça/avenida à vossa escolha)
19 de abril de 2007
DISLEXIAS POLITICAMENTE INCORRECTAS
Olhando eu hoje da janela do autocarro para uma carrinha de uma firma de enchidos, reparei que a frase "Pata Negra" estava pintada de um modo que a tornava muito fácil de tresler. Escusado será dizer que a correcção política que neste momento percorre a sociedade portuguesa me impede de escrever publicamente aquilo que eu li em vez do que devia ter lido, mas tenho certeza que a vossa experiência vos permitirá preencher o espaço em branco.
18 de abril de 2007
RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO (slight return)
Lembram-se da reclamação que fiz aos CTT por ter de pagar direitos alfandegários sobre uma prenda que vinha especificada como tal?
Recebi uma carta do apoio a clientes dos CTT que reza assim na íntegra (respeitando as maiúsculas e outras pontuações sortidas):
"Ex.mo(a) Senhor(a)
A comunicação enviada por V. Ex.a, mereceu por parte destes serviços a nossa melhor atenção e agradecimento.
Em face da questão apresentada esclarecemos que nos países de destino as encomendas estão sujeitas a taxas alfandegárias quer circulem pelos Correios quer por qualquer outra Via.
Certos da melhor compreensão para os nossos esclarecimentos, apresentamos os melhores cumprimentos"
Sentem-se esclarecidos? Eu também não.
Recebi uma carta do apoio a clientes dos CTT que reza assim na íntegra (respeitando as maiúsculas e outras pontuações sortidas):
"Ex.mo(a) Senhor(a)
A comunicação enviada por V. Ex.a, mereceu por parte destes serviços a nossa melhor atenção e agradecimento.
Em face da questão apresentada esclarecemos que nos países de destino as encomendas estão sujeitas a taxas alfandegárias quer circulem pelos Correios quer por qualquer outra Via.
Certos da melhor compreensão para os nossos esclarecimentos, apresentamos os melhores cumprimentos"
Sentem-se esclarecidos? Eu também não.
17 de abril de 2007
BORLA AI
As filas da loja Ben & Jerry's na Rua da Misericórdia hoje eram descomunais. Muito pouco habitual, apesar dos gelados serem uma maravilha. Era o calor que convidava ao olá fresquinho?
Não. Estavam a dar gelados de borla.
Não. Estavam a dar gelados de borla.
16 de abril de 2007
POLAROID
O que distinguia aquela senhora de meia-idade com ar de beata portuguesa (o casaco de cores desmaiadas, o sapato raso, o cabelo grisalho, os óculos tintados, a mala discreta) era o cordão do Sapo que usava à volta do pescoço, com o casaco a tapar o que estava dele pendurado (o passe? as chaves? o telemóvel?).
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