Os mendigos de Leste de que vos falei há algumas semanas insistem em continuar a instalar-se regularmente à porta do meu supermercado, desta vez com uma criancinha loura e razoavelmente asseada.
No entanto, depois de ter visto hoje a criancinha a usar um par de óculos escuros, cada vez mais duvido que consigam convencer alguém.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
10 de abril de 2007
9 de abril de 2007
7 de abril de 2007
03/04/2007: TP 737, BCN 19h50 - LIS 20h35
Saio da esquadra de Las Ramblas e dirijo-me a pé para a Plaça de Catalunya para apanhar táxi para o aeroporto; à minha volta, vejo turistas que passeiam sob o tempo frio e encoberto arrastando atrás de si mochilas e malas, pergunto-me quantos deles ainda as terão consigo pelo fim do dia enquanto, ainda abananado pelo que acabou de acontecer, procuro incessantemente por um sinal da minha mochila. Acabo por apanhar táxi na praça de táxis, o taxista, bem-disposto, pergunta-me em castelhano se tenho trajecto preferido, respondo-lhe igualmente em castelhano que vá pelo que lhe parecer mais rápido, ao que ele responde que, com este tempo, é moeda ao ar. Ao que parece, os condutores barceloneses em tempo de chuva são iguais aos portugueses, e o taxista, entre contar a desgraça que foi voltar ao trabalho com mau tempo depois de ter estado uma semana de cama com varicela, resmunga com os velhotes que atravessam a rua fora das passadeiras.
Já no avião de regresso a Lisboa, penso que é estranho fazer uma viagem sem bagagem. Enquanto vou alinhavando no meu bloco notas para a peça que vim cá fazer, dou por mim sentado na fila atrás de três africanos que viajam sozinhos mas muito rapidamente metem conversa, apesar de só um deles falar português fluente. Nenhum deles come a refeição ligeira oferecida pela companhia, para espanto do comissário de bordo; um deles ainda vê o que é antes de dizer que não, obrigado.
Quando o avião aterra e me dirijo para a saída, volto a achar ainda mais estranho atravessar a zona de recolha de bagagem sem mochila. A única recordação física que trago comigo desta viagem-relâmpago é o boné Kangol azul-quase-negro que comprei no Corte Inglés da Plaça de Catalunya para proteger a minha moleirinha da chuva que foi caindo.
Já no avião de regresso a Lisboa, penso que é estranho fazer uma viagem sem bagagem. Enquanto vou alinhavando no meu bloco notas para a peça que vim cá fazer, dou por mim sentado na fila atrás de três africanos que viajam sozinhos mas muito rapidamente metem conversa, apesar de só um deles falar português fluente. Nenhum deles come a refeição ligeira oferecida pela companhia, para espanto do comissário de bordo; um deles ainda vê o que é antes de dizer que não, obrigado.
Quando o avião aterra e me dirijo para a saída, volto a achar ainda mais estranho atravessar a zona de recolha de bagagem sem mochila. A única recordação física que trago comigo desta viagem-relâmpago é o boné Kangol azul-quase-negro que comprei no Corte Inglés da Plaça de Catalunya para proteger a minha moleirinha da chuva que foi caindo.
6 de abril de 2007
A RAINY DAY IN BARCELONA
De facto, desconfiei desde o início que aquele moço magro, de cabelo curto e casaco de fato de treino, que rondava as mesas como quem tenta que um computador funcione, não augurava nada de bom e se estava a preparar para roubar alguma coisa a alguém. Não desconfiei que essa "alguma coisa" fosse a minha mochila e que esse "alguém" fosse eu. Entre as muitas pragas que lhe roguei e continuo a rogar, não me esqueço também de rogar pragas aos empregados do café que fizeram um ar atónito, do género "você foi roubado? no NOSSO café? como é possível?", ou ao mocinho de Alicante que me perguntou, "desculpe, aquele tipo não acabou de roubar a sua mochila?".
Não sei onde está neste momento o meu iPod ou o DVD do "Ghost Dog" de Jim Jarmusch que tinha acabado de comprar na Fnac El Triangle (em super-promoção a seis euros). Sei que concentrar-me nisso não me vai fazer absolutamente bem nenhum (até porque o passaporte, o dinheiro, os cartões, o telemóvel, estavam todos comigo e não na mochila roubada — thank Heaven for small mercies).
Sei, em contra-partida, que os polícias com quem falei, naquela tarde chuvosa que passei na esquadra da Guardia Urbana de Las Ramblas e, depois, na esquadra dos Mossos d'Esquadra do Carrer Nou de la Rambla, foram extremamente simpáticos, de uma cortesia inigualável e de um cosmopolitismo a toda a prova. Um deles — que atendera um casal de turistas igualmente roubados — falava um alemão fluentíssimo e sem sotaque, e, quando lhe expliquei que era português, falou comigo em catalão e disse-me que falasse em português que ele me entendia perfeitamente (e entendeu). Outro falou comigo em português perfeito, sem sotaque. E em ambos os casos percebi que este tipo de roubos são o pão nosso de cada dia na cidade condal: no Carrer Nou de la Rambla, a fila de atendimento para participação de roubos ultrapassava a hora de espera, valor essa ampliado do habitual pela quantidade de turistas que visitavam a cidade em início de semana santa.
Mas nós pensamos sempre que só acontece aos outros.
Não sei onde está neste momento o meu iPod ou o DVD do "Ghost Dog" de Jim Jarmusch que tinha acabado de comprar na Fnac El Triangle (em super-promoção a seis euros). Sei que concentrar-me nisso não me vai fazer absolutamente bem nenhum (até porque o passaporte, o dinheiro, os cartões, o telemóvel, estavam todos comigo e não na mochila roubada — thank Heaven for small mercies).
Sei, em contra-partida, que os polícias com quem falei, naquela tarde chuvosa que passei na esquadra da Guardia Urbana de Las Ramblas e, depois, na esquadra dos Mossos d'Esquadra do Carrer Nou de la Rambla, foram extremamente simpáticos, de uma cortesia inigualável e de um cosmopolitismo a toda a prova. Um deles — que atendera um casal de turistas igualmente roubados — falava um alemão fluentíssimo e sem sotaque, e, quando lhe expliquei que era português, falou comigo em catalão e disse-me que falasse em português que ele me entendia perfeitamente (e entendeu). Outro falou comigo em português perfeito, sem sotaque. E em ambos os casos percebi que este tipo de roubos são o pão nosso de cada dia na cidade condal: no Carrer Nou de la Rambla, a fila de atendimento para participação de roubos ultrapassava a hora de espera, valor essa ampliado do habitual pela quantidade de turistas que visitavam a cidade em início de semana santa.
Mas nós pensamos sempre que só acontece aos outros.
5 de abril de 2007
DESIGN UTILITÁRIO NA CASA DE BANHO MODERNA
Mesmo à esquina do hotel Arts Barcelona, onde faz agora dez anos passei um magnífico fim-de-semana na cidade condal — e é mesmo literalmente à esquina —, fico instalado no recém-criado AB Skipper, que não lhe fica atrás em termos de sofisticação: o televisor é um Sony Bravia écrã plano incrustado na parede, com um DVD ao lado; a decoração é toda em bom gosto minimalista quase-escandinavo; o quarto tem até uma porta embutida que permite separar a zona de dormir da casa de banho. (Por outro lado, o isolamento sonoro era fraquinho, porque a chuva a cair ouvia-se toda na casa de banho, que nem sequer ficava encostada à fachada, o ar condicionado estava demasiado quente e não havia sabonete na casa de banho, apenas gel.)
O mais curioso, no entanto, foi o futurismo cromado dos chuveiros da casa de banho: um instalado na banheira grande, o outro num poliban glorificado revestido a vidro com uma porta deslizante partilhada com o WC, com ar de microfones metálicos. E antes que os conseguisse pôr a trabalhar?... Digamos apenas que não é nada intuitivo ter de girar a torneira da água fria apenas para ligar o chuveiro e regular a intensidade do fluxo de água, e a da água quente apenas para regular a temperatura da água. Perdi uns bons cinco minutos a tentar perceber onde raio abria a água. Quando descobri, consegui não me sentir burro. Digamos que é um mau exemplo de design: forma que não explica a função.
O mais curioso, no entanto, foi o futurismo cromado dos chuveiros da casa de banho: um instalado na banheira grande, o outro num poliban glorificado revestido a vidro com uma porta deslizante partilhada com o WC, com ar de microfones metálicos. E antes que os conseguisse pôr a trabalhar?... Digamos apenas que não é nada intuitivo ter de girar a torneira da água fria apenas para ligar o chuveiro e regular a intensidade do fluxo de água, e a da água quente apenas para regular a temperatura da água. Perdi uns bons cinco minutos a tentar perceber onde raio abria a água. Quando descobri, consegui não me sentir burro. Digamos que é um mau exemplo de design: forma que não explica a função.
4 de abril de 2007
A RAINY NIGHT IN BARCELONA
Está a chover em Barcelona neste princípio de semana santa mas, apesar da chuva, a cidade está cheia de turistas (estrangeiros e espanhóis) e nativos que enchem os restaurantes do Barri Gotic - e ainda só são nove e meia. Acabo a jantar uma refeição sem especial requinte (apesar da carne grelhada ser de boa qualidade) numa "brasserie" do outro lado da rua do recém-renovado Palau de la Musica, dos poucos restaurantes que não está cheio, sobretudo porque esta noite não há espectáculo. Se ainda deu para apanhar o metro da Vila Olimpica para o centro antes (bilhete só de ida, €1.25), à saída do restaurante está a cair água a potes, forçando-me a apanhar um táxi de regresso ao hotel. Já depois de recolher, o temporal dura cerca de três horas, com relâmpagos e trovões a intervalos regulares e chuva a cair a potes; a 3/24 fala de cheias e recordes de precipitação na Catalunha.
02/04/2007: TP0756, LIS 16h25 - BCN 19h05
Quando chego ao aeroporto, os altifalantes emitem avisos da TAP anunciando atrasos nos seus vôos de minuto a minuto. O meu vôo para Barcelona está 40 minutos atrasado e o check-in ainda nem sequer começou, com a voz impessoal nos altifalantes a anunciar que o atraso se deve à chegada tardia do avião. Depois, no embarque, a mesma voz anuncia que se vai dar início ao embarque... mas, no balcão de embarque, não está ninguém.
Não há muitos passageiros — aí uns 30 se tanto — que descem para o autocarro que nos leva ao avião. Quando lá chegamos, o condutor do autocarro irrita-se por ninguém lhe dizer para abrir a porta; sai, vai à escada do avião, bate no corrimão, acaba por subir a escada. Desce pouco depois, entra, senta-se, fica a pensar e depois arranca com o autocarro de regresso à entrada. Quando lá chega, sai e explica que voltou para trás porque o avião estava vazio e não podia ficar ali à espera connosco no autocarro; sobe ao balcão de embarque para perceber o que se passa, e passados alguns minutos regressa informando que a tripulação já está a bordo.
O vôo acaba por sair com uma hora de atraso, com as desculpas da tripulação que atribuiu o atraso adicional a problemas meteorológicos em Barcelona (está a chover quando chego, e deparo com uma noite de temporal com fortíssima trovoada durante quase duas horas). Mas o que não percebo mesmo é como, com um avião vazio, me colocam exactamente ao lado de uma senhora que passou o vôo todo a tossir e expectorar.
Não há muitos passageiros — aí uns 30 se tanto — que descem para o autocarro que nos leva ao avião. Quando lá chegamos, o condutor do autocarro irrita-se por ninguém lhe dizer para abrir a porta; sai, vai à escada do avião, bate no corrimão, acaba por subir a escada. Desce pouco depois, entra, senta-se, fica a pensar e depois arranca com o autocarro de regresso à entrada. Quando lá chega, sai e explica que voltou para trás porque o avião estava vazio e não podia ficar ali à espera connosco no autocarro; sobe ao balcão de embarque para perceber o que se passa, e passados alguns minutos regressa informando que a tripulação já está a bordo.
O vôo acaba por sair com uma hora de atraso, com as desculpas da tripulação que atribuiu o atraso adicional a problemas meteorológicos em Barcelona (está a chover quando chego, e deparo com uma noite de temporal com fortíssima trovoada durante quase duas horas). Mas o que não percebo mesmo é como, com um avião vazio, me colocam exactamente ao lado de uma senhora que passou o vôo todo a tossir e expectorar.
3 de abril de 2007
LISBOA-BARCELONA-LISBOA
...em 24 horas: o check-in atrasado, o café mau, o condutor furioso, o avião sem tripulação, a guia turística com tosse, a basílica que não é catedral, a catedral que não é basílica, os restaurantes que estão cheios, o jantar nem-por-isso, o hotel luxuoso minimalista, o chuveiro tão estilizado que não percebo como se liga, o boné Kangol, o polícia catalão que me entende a falar português, o tradutor que fala português perfeito sem sotaque, o taxista com varicela, os africanos que não comem a sanduíche da TAP, o comissário de bordo bem disposto, o fusível do táxi.
Tudo isto em 24 horas... a seguir (continua).
Tudo isto em 24 horas... a seguir (continua).
31 de março de 2007
POLAROID: ELÉCTRICO 28
É fim-de-semana. O 28 devia ser exclusivo dos turistas e passar a intervalos regulares, visto que o trânsito de Lisboa é teoricamente menor — mas leva quase meia-hora a aparecer um eléctrico que, ainda por cima, vem de tal maneira cheio que não pára, tal como na hora de ponta de dia de semana. (Já que a Carris tanto andou a falar de renovação de redes e maior atenção ao consumidor, podiam ao menos tentar que o sistema de informação de próximos autocarros/eléctricos funcionasse e não alterasse a informação de cinco em cinco minutos.)
Mas, cinco minutos depois, aparece outro 28, este menos cheio. O meu recém-carregado passe recusa-se a validar, pelo que me desvio para o lado do condutor para deixar outros passageiros entrar enquanto volto a tentar, e depois de conseguir percebo que descobri o sítio ideal para fazer a viagem: de pé, à frente, à esquerda do condutor, encostado à divisória, na primeira fila da viagem. E é muito bonito ver Lisboa na pequena montanha-russa em slow-motion que é viajar de eléctrico, apesar dos carros que de vez em quando obstruem a linha para deixar sair ou entrar gente e dos velhotes que atravessam à lagardère no meio da rua como se toda a gente tivesse de parar para eles e dos maus condutores que fazem todo o tipo de manobras só para não ficaram entalados atrás do eléctrico.
Fiquei também a perceber que os condutores de eléctricos não têm a vida fácil.
Mas, cinco minutos depois, aparece outro 28, este menos cheio. O meu recém-carregado passe recusa-se a validar, pelo que me desvio para o lado do condutor para deixar outros passageiros entrar enquanto volto a tentar, e depois de conseguir percebo que descobri o sítio ideal para fazer a viagem: de pé, à frente, à esquerda do condutor, encostado à divisória, na primeira fila da viagem. E é muito bonito ver Lisboa na pequena montanha-russa em slow-motion que é viajar de eléctrico, apesar dos carros que de vez em quando obstruem a linha para deixar sair ou entrar gente e dos velhotes que atravessam à lagardère no meio da rua como se toda a gente tivesse de parar para eles e dos maus condutores que fazem todo o tipo de manobras só para não ficaram entalados atrás do eléctrico.
Fiquei também a perceber que os condutores de eléctricos não têm a vida fácil.
29 de março de 2007
POLAROID: ANCHOVAS
Na cafetaria do Corte Inglés, à hora do almoço, duas senhoras, que me parecem mãe e filha, sentam-se na mesa do lado. Estou sentado de frente para a filha, à beira dos 30, cabelo escuro, vestida de modo informal e discreto mas com evidente cuidado. Vendo a empregada da zona ocupada a tirar contas, levanta-se para ir buscar dois menus. Quando a empregada vem atender o pedido, ouço-a pedir uma salada de atum, mas com anchovas em vez de pimentos. Passados cerca de dez, quinze minutos da empregada ter tirado o pedido, já com as bebidas na mesa, a jovem, com ar enfadado, diz a um "maître d'" que passa que se devem ter esquecido dos seus pedidos, que chegam logo a seguir pelas mãos de um empregado que pede desculpa por ter demorado um pouco mais, "mas era um pedido especial". Quando o empregado vira costas, a jovem empertiga o nariz e, com o seu melhor ar burguês das Avenidas Novas, lança: "pedido especial? trocar pimentos por anchovas?"
28 de março de 2007
MARAVILHOSOS INSULTOS POLITICAMENTE INCORRECTOS #1
O título é mesmo para não dizer que não vos avisei. Porque há umas quantas conjugações de palavras que são tão improvavelmente inspiradas que dá vontade de as usar desta exacta maneira e que se lixem as correcções políticas (que para isto dos insultos também não são cá chamadas de qualquer maneira, as lésbicas, as místicas e os militantes do Bloco de Esquerda que me desculpem em todo o caso antecipadamente) — esta é cortesia do Ex-Citador (link aqui ao lado s. f. f.):
"fufa mística do Bloco de Esquerda"
"fufa mística do Bloco de Esquerda"
RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO, RECLAMAÇÃO
Tive que ir hoje levantar ao correio uma prenda de anos que me foi enviada por um amigo americano. O DVD tinha sido encomendado pela Amazon e foi-me enviado directamente pela Amazon; dentro da caixa (que, evidentemente, tinha sido aberta para inspecção postal) o DVD vinha embrulhado com uma fita e um cartão de parabéns (que, evidentemente, não tinham sido abertos para inspecção postal).
O facto de, evidentemente, se tratar de uma prenda (ninguém se dá ao trabalho de encomendar um DVD para si próprio e de o pedir embrulhado...) não impediu de me serem cobrados 13 euros de direitos alfandegários como se tivesse sido eu a encomendá-lo. Fiz questão, no instante, de preencher um impresso de reclamação.
O facto de, evidentemente, se tratar de uma prenda (ninguém se dá ao trabalho de encomendar um DVD para si próprio e de o pedir embrulhado...) não impediu de me serem cobrados 13 euros de direitos alfandegários como se tivesse sido eu a encomendá-lo. Fiz questão, no instante, de preencher um impresso de reclamação.
27 de março de 2007
PEQUENA MEDITAÇÃO SOBRE A ESTUPIDEZ
A estupidez, em si, já não me surpreende. Que continue a haver muita gente estúpida, também não; e que os meus caminhos se cruzem quotidianamente com alguma dessa gente estúpida, ainda menos.
Que as pessoas se comportem como se tivessem orgulho nessa estupidez é que eu já não acho normal. Mas eu até os percebo: num Portugal que escolhe Salazar e Cunhal como "os grandes portugueses", de que outra coisa se podem eles orgulhar?
Que as pessoas se comportem como se tivessem orgulho nessa estupidez é que eu já não acho normal. Mas eu até os percebo: num Portugal que escolhe Salazar e Cunhal como "os grandes portugueses", de que outra coisa se podem eles orgulhar?
26 de março de 2007
PORTUGAL NO SEU MELHOR
Segundo os espectadores da RTP, os três maiores portugueses de todo o sempre são do século XX: um ditador que deixou o país na ignorância, um político comunista fundamentalista ortodoxo e um diplomata abnegado que se sacrificou pelos que estavam pior que ele.
Não sei se já olharam bem, mas é um quadro muito português. Um pai tirano, um filho revolucionário, um bom cristão.
Não sei se já olharam bem, mas é um quadro muito português. Um pai tirano, um filho revolucionário, um bom cristão.
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #77
Cavernícola.
(com um agradecimento ao Luís)
(com um agradecimento ao Luís)
25 de março de 2007
23 de março de 2007
Ó PRÓ MEU IPOD TÃO ECLÉCTICO #12
21 de março de 2007
ESTES PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS
Desculpem qualquer coisinha: a propósito dos novos cartazes da Sagres Bohemia (passe a publicidade, eu nem gosto de cerveja), como é que se passa de Pierce Brosnan a Luís Represas?
20 de março de 2007
PEQUENA DÚVIDA EXISTENCIAL
OK, alguém que faça o favor de me explicar porque raio é que eu levo tanto tempo a fazer sudoku de nível "fácil" como os de nível "médio" ou "difícil". Quem é que anda a trocar o raio das etiquetas?
19 de março de 2007
18 de março de 2007
COMO RECICLAR UM VESTIDO DE NOIVA
A cauda de um vestido de noiva é uma espécie de carro-vassoura: limpa atrás de si toda a sujidade que apanha. Ou como afinal é possível dar outras utilidades a roupas que teoricamente só se vão vestir uma vez: usá-lo para limpar a casa. (Não sei muito bem é quanto tempo é que isso pode durar sem ter de ir à lavandaria.)
16 de março de 2007
DEIXA-ME OLHAR PARA TI
No metro, enquanto o comboio não chega, um quarentão careca, vestido de casaco de napa a fingir da pele preta sobre camisa preta, jeans descoloridos da moda sobre ténis brancos, olha fixamente para uma jovem dos seus 20 anos, com a preguinha de barriga a mostrar-se entre a T-shirt por baixo da camisa e as calças de ganga justas na cintura. O senhor não tira o olho da jovem, misto de desejo, luxúria, nostalgia, ao ponto de se tornar ostensivo, impossível de não reparar. Dura o tempo de o comboio chegar e da curta viagem até à estação seguinte, onde o senhor sai, parando inclusive nas escadas para olhar, através da janela do comboio, para a jovem, como quem não quer deixar tal visão para trás. Será que ela reparou? E será que ele reparou que todos repararam?
15 de março de 2007
POLAROID: AUTOCARRO 738
Um senhor idoso faz sinal ao autocarro para abrir a porta, aproveitando o sinal vermelho; mas o autocarro está precisamente entre duas paragens e equidistante de ambas, pelo que o condutor não abre a porta. O senhor continua a insistir, apontando para o sinal vermelho, como quem diz "seja simpático, abra lá a porta, o sinal até está vermelho", mas o condutor não abre a porta. O senhor acaba por desistir e começa a descer em direcção à paragem anterior, resmungando entre dentes.
14 de março de 2007
AINDA A PROPÓSITO DA VINGANÇA DO CLIENTE INDIGNADO
Recebo eu hoje no meu telemóvel esta simpática mensagem da TVCabo:
"Informamos que terminaram os trabalhos de melhoria da rede TVCabo na sua zona. Gratos pela sua compreensão."
É simpático. Sobretudo quando não recebi nenhuma mensagem a informar que havia trabalhos de melhoria de rede na minha zona.
"Informamos que terminaram os trabalhos de melhoria da rede TVCabo na sua zona. Gratos pela sua compreensão."
É simpático. Sobretudo quando não recebi nenhuma mensagem a informar que havia trabalhos de melhoria de rede na minha zona.
13 de março de 2007
Ó PRÓ MEU IPOD TÃO ECLÉCTICO #9
A VINGANÇA DO CLIENTE INDIGNADO
Recebi hoje, pouco depois do jantar, uma simpática chamada de uma simpática senhora do serviço de clientes da TVCabo a querer interessar-me no pacote de internet da empresa. Quando ela me perguntou se eu já tinha internet e eu respondi que sim e ela me perguntou, "mas não é da Netcabo?", eu aproveitei a deixa para lhe dizer que não e para lhe explicar que não era da Netcabo por culpa da TVCabo, seguido de uma educadíssima, civilizadíssima e indignadíssima descompostura pela lata de um serviço de clientes que funciona mal andar a telefonar para as pessoas a perguntar "então não quer aderir ao nosso serviço?".
Desconfio que a TVCabo não me vai voltar a telefonar tão cedo.
Desconfio que a TVCabo não me vai voltar a telefonar tão cedo.
12 de março de 2007
CUIDADO, MÃE AO VOLANTE
É sempre agradável estar a atravessar uma passadeira de peões e perceber de repente que uma mãe ao volante de uma carrinha está a fazer marcha atrás em cima da passadeira sem prestar atenção a eventuais transeuntes.
11 de março de 2007
CRISTIANO RONALDO, A CULPA É TUA
A conjugação de T-shirts de alças ou sem mangas, cabelos curtos com gel e brincos, no que é vulgarmente designado por "look Cristiano Ronaldo", deveria ser proibida por lei, sob o pretexto de se evitar que muito boa gente andasse por aí a fazer figura de parvo.
9 de março de 2007
8 de março de 2007
POST FELINO SEMANAL
7 de março de 2007
5 de março de 2007
HIGIENE PESSOAL NO MARQUÊS DE POMBAL
O senhor de meia-idade, já meio careca mas ainda com cabelo, levanta-se do assento para sair na próxima estação, instala-se frente à porta da carruagem de metro. Vendo-se reflectido no vidro da porta, puxa de um pente que trazia no bolso de trás das calças e começa a pentear o cabelo, que de repente parece mais sujo e desgrenhado do que antes.
4 de março de 2007
PÓS-ECLIPSE
Lua cheia nos céus negros de Lisboa, círculo perfeito de um branco limpo, luminoso e cintilante como há muito não se via.
3 de março de 2007
PALAVRAS SÁBIAS
"Os pontos fracos de um livro são frequentemente a contrapartida de intenções vazias que não soubemos realizar."
— Gilles Deleuze, in Diferença e Repetição (Lisboa: Relógio d'Água, 2000)
— Gilles Deleuze, in Diferença e Repetição (Lisboa: Relógio d'Água, 2000)
2 de março de 2007
PALAVRAS SÁBIAS
"Ter 40 anos, no fundo, é um pouco como ser judeu. É o olhar dos outros que nos faz tomar consciência disso."
"Para mim, exprimir o meu desejo não tem nem nunca terá nada de humilhante."
— Marie-France Pisier, actriz francesa, em entrevista a Sophie Grassin na edição de Dezembro de 2006 da revista Premiére
"Para mim, exprimir o meu desejo não tem nem nunca terá nada de humilhante."
— Marie-France Pisier, actriz francesa, em entrevista a Sophie Grassin na edição de Dezembro de 2006 da revista Premiére
O POVO EM LUTA
Estava eu a ver as reportagens da manifestação da CGTP de hoje, com deputados e figuras públicas a dizerem que as coisas nunca estiveram tão más para os trabalhadores e tão boas para o capital, e de repente senti que estava outra vez nos "anos quentes" do pós-25 de Abril ou da década de 80. Terei sido o único?
1 de março de 2007
28 de fevereiro de 2007
Ó PRÓ MEU IPOD TÃO ECLÉCTICO #7
27 de fevereiro de 2007
26 de fevereiro de 2007
A MULHER CAMUFLADA
Acho muito bem que as mulheres também sejam militares, que eu não sou daqueles que acha que há profissões que deviam ser reservadas aos homens ou que as mulheres não se deviam meter em coisas de homens. Agora, aqui entre nós, aquele carrapitozinho que as mulheres-soldado usam é que não está mesmo com nada: não se consegue ver ali uma jovem ou uma mulher interessante, é como estar a olhar para a vizinha velhota do quarto esquerdo.
25 de fevereiro de 2007
OS PINGUINS LEGISLAM VIOLENTAMENTE
Mas não são esses em que vocês estão a pensar. São estes. Só as capas dão vontade de comprar todos.
24 de fevereiro de 2007
AINDA A PROPÓSITO DO COMUNISMO
A capa do último "Avante!" (que o dono de uma tabacaria perto de minha casa exibe ostensivamente entre os outros jornais) traz o título "PCP exige novo rumo para o país". No que não são nada originais. Todos os partidos da oposição acham o mesmo. Assim não sei se vão conseguir novos leitores.
23 de fevereiro de 2007
O COMUNISMO, A MODA E O CANTOR
Diz hoje Kalaf ao Público, questionado sobre José Afonso, que "ele era comunista, e saiu de moda ser comunista" como se a política fosse uma questão de moda. Não é exactamente assim: durante muitos anos, associou-se em Portugal "ser de esquerda" a "ser comunista", porque, durante o regime de Salazar, os dois conceitos eram sinónimos e o comunismo era a única resistência activa organizada de esquerda à direita no poder. Os tempos exigiam uma divisão preto-no-branco, dicotómica; um pró/contra.
Hoje já não é bem assim, as certezas estilhaçaram-se, há muitas maneiras de se ser de esquerda sem se ser comunista e de se ser de direita sem se ser fascista. Se José Afonso continua preso ao comunismo tal como ele era então entendido, a culpa não será tanto dele como daqueles que, sendo de esquerda, entenderam por bem reivindicá-lo como exclusivamente seu, e sublinharam a dimensão política da sua música.
Com isso, fizeram o pior que se podia ter feito a José Afonso: encerraram-no numa redoma dourada, que reduz a sua música a uma única dimensão, e provavelmente a menos interessante. José Afonso não se esgota - nunca se esgotou - na política que necessariamente enformou o seu trabalho. Mais do que de esquerda, ele era um resistente; e essa resistência partia sempre de uma música que queria abrir novos caminhos para a canção cantada em português, aberta às raízes e às invocações de África, aberta à evolução e à diferença.
A música de José Afonso nunca foi fechada. Nós é que a quisemos sempre fechar numa gaveta. E todas as gavetas são redutoras.
Hoje já não é bem assim, as certezas estilhaçaram-se, há muitas maneiras de se ser de esquerda sem se ser comunista e de se ser de direita sem se ser fascista. Se José Afonso continua preso ao comunismo tal como ele era então entendido, a culpa não será tanto dele como daqueles que, sendo de esquerda, entenderam por bem reivindicá-lo como exclusivamente seu, e sublinharam a dimensão política da sua música.
Com isso, fizeram o pior que se podia ter feito a José Afonso: encerraram-no numa redoma dourada, que reduz a sua música a uma única dimensão, e provavelmente a menos interessante. José Afonso não se esgota - nunca se esgotou - na política que necessariamente enformou o seu trabalho. Mais do que de esquerda, ele era um resistente; e essa resistência partia sempre de uma música que queria abrir novos caminhos para a canção cantada em português, aberta às raízes e às invocações de África, aberta à evolução e à diferença.
A música de José Afonso nunca foi fechada. Nós é que a quisemos sempre fechar numa gaveta. E todas as gavetas são redutoras.
22 de fevereiro de 2007
OS PORTUGUESES SÃO MUITO DESCONFIADOS
Estava eu pacatamente na caixa do supermercado quando aparece uma idosa de bengala, muito devagar, que sem dizer água vai se chega à empregada que me está a atender e lhe disse, "olhe! enganou-se a dar-me o troco". Esteve-se perfeitamente a borrifar para o facto da empregada estar a atender outro cliente, tirou da carteira o recibo e mostrou-lhe. "Eu dei-lhe uma moeda de dois euros e você não me deu o troco certo". A empregada olhou para o recibo e disse-lhe, "dei-lhe o troco certo sim senhora, a conta eram onze euros e vinte e um cêntimos e eu dei-lhe setenta e nove cêntimos de troco".
No entanto a idosa de bengala não se deixou convencer e ficou ali a insistir durante vários minutos que a empregada se tinha enganado a dar-lhe o troco e que queria que ela lhe desse o troco certo.
No entanto a idosa de bengala não se deixou convencer e ficou ali a insistir durante vários minutos que a empregada se tinha enganado a dar-lhe o troco e que queria que ela lhe desse o troco certo.
20 de fevereiro de 2007
O FELINO TRANSSEXUAL
Quando fui para Berlim, tinha uma gata chamada Sofia.
Agora que cheguei de Berlim, descubro que a gata chamada Sofia afinal é um gato. Aquelas protuberâncias não enganam.
Por sugestão da fã nº 1 da Amélia Muge, estou a pensar em chamar-lhe Urso.
Agora que cheguei de Berlim, descubro que a gata chamada Sofia afinal é um gato. Aquelas protuberâncias não enganam.
Por sugestão da fã nº 1 da Amélia Muge, estou a pensar em chamar-lhe Urso.
AFASTA DE MIM ESSE CÁLICE, PAI
Berlim é o pesadelo dos gulosos. Está cheia de cafés e confeitarias que servem doces maravilhosos. Não estou a falar apenas das célebres bolas de Berlim (ali conhecidas por "Berliners" ou "Berliner Pfannkuchen"), nem das dezenas de Dunkin' Donuts que vendem donuts à americana com inúmeras variações locais (como o Muffin Schwarzwald), nem da célebre Sachertorte.
Estou mesmo a falar de confeitarias com fabrico próprio, como o café LebensArt (Unter den Linden, 69A, comboio S1/S2/S25 Unter den Linden, autocarro 100 ou TXL, futuro metro U55 Brandenburger Tor), que tinha uma selecção de bolos de salivar até à quinta casa. Ainda não percebi exactamente o que raio era a "Herrentorte" que eu comi (reconheci camadas de pão-de-ló e um creme aromatizado, com cobertura de chocolate e amêndoa), mas lá que era maravilhoso, lá isso era.
Estou mesmo a falar de confeitarias com fabrico próprio, como o café LebensArt (Unter den Linden, 69A, comboio S1/S2/S25 Unter den Linden, autocarro 100 ou TXL, futuro metro U55 Brandenburger Tor), que tinha uma selecção de bolos de salivar até à quinta casa. Ainda não percebi exactamente o que raio era a "Herrentorte" que eu comi (reconheci camadas de pão-de-ló e um creme aromatizado, com cobertura de chocolate e amêndoa), mas lá que era maravilhoso, lá isso era.
INSTANTÂNEOS DE BERLIM
Os berlinenses andam muito de bicicleta. As ruas têm todas faixas para bicicletas reservadas nas estradas ou nos passeios.
===
Os berlinenses são muito pouco simpáticos quando um estrangeiro lhes fala em inglês. Parece que o outro tem obrigação de saber falar alemão.
Os berlinenses são muito simpáticos quando um estrangeiro lhes fala em alemão, e começam a falar com ele como se ele fosse alemão. Ou seja, tão depressa que um estrangeiro não percebe metade do que eles dizem.
===
Nos restaurantes berlinenses, a mesa não está posta antes da refeição. Só depois do pedido feito é que o empregado traz os talheres e os guardanapos, e não vem manteiga para a mesa, apenas o cesto do pão. A única coisa na mesa é sal, pimenta e açúcar.
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Os berlinenses são muito pouco simpáticos quando um estrangeiro lhes fala em inglês. Parece que o outro tem obrigação de saber falar alemão.
Os berlinenses são muito simpáticos quando um estrangeiro lhes fala em alemão, e começam a falar com ele como se ele fosse alemão. Ou seja, tão depressa que um estrangeiro não percebe metade do que eles dizem.
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Nos restaurantes berlinenses, a mesa não está posta antes da refeição. Só depois do pedido feito é que o empregado traz os talheres e os guardanapos, e não vem manteiga para a mesa, apenas o cesto do pão. A única coisa na mesa é sal, pimenta e açúcar.
A FALAR É QUE A GENTE SE ENTENDE
Só mesmo em Berlim um passageiro português e um taxista alemão se entenderiam perfeitamente a falar francês.
19 de fevereiro de 2007
A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA - ESPECIAL BERLIM
Sítios onde não se come nada mal em Berlim:
Trattoria Piazza Rossa (Rathausstraße, 5, mesmo em frente à Fernsehturm; metro U2 Alexanderplatz) - italiano de bom recorte, bem servido (as pizzas sao descomunais), a preços médios de 16 euros por pessoa.
Blaues Band (Alte Schönhauserstraße, 7; metro U2 Rosa-Luxemburg-Platz ou eléctrico M2) - "nouvelle cuisine" cosmopolita (recomendo vivamente o frango assado em molho de limão e ervas). O preço médio ronda os 18 euros.
Trattoria Ossena (Rosenthaler Straße, 42; comboio S5/S7/S75/S9 Hackescher Markt; eléctrico M2/M4/M5/M6 Hackescher Markt) - outro italiano de bom recorte e doses bem servidas, embora ligeiramente mais caro que o Piazza Rossa.
Oranium (Oranienburger Straße, 33; metro U6 Oranienburger Tor; comboio S1/S2/S25 Oranienburger Straße; eléctrico M1/M6 S Oranienburger Straße) - café restaurante bar de grandes dimensões e ambiência moderna/chique/cosmopolita onde se janta à luz de velas enquanto o écrã de TV dá imagens de desporto. Sanduíches, bifes, massas e "nouvelle cuisine" a um preço próximo dos 15-20 euros por pessoa.
Trattoria Piazza Rossa (Rathausstraße, 5, mesmo em frente à Fernsehturm; metro U2 Alexanderplatz) - italiano de bom recorte, bem servido (as pizzas sao descomunais), a preços médios de 16 euros por pessoa.
Blaues Band (Alte Schönhauserstraße, 7; metro U2 Rosa-Luxemburg-Platz ou eléctrico M2) - "nouvelle cuisine" cosmopolita (recomendo vivamente o frango assado em molho de limão e ervas). O preço médio ronda os 18 euros.
Trattoria Ossena (Rosenthaler Straße, 42; comboio S5/S7/S75/S9 Hackescher Markt; eléctrico M2/M4/M5/M6 Hackescher Markt) - outro italiano de bom recorte e doses bem servidas, embora ligeiramente mais caro que o Piazza Rossa.
Oranium (Oranienburger Straße, 33; metro U6 Oranienburger Tor; comboio S1/S2/S25 Oranienburger Straße; eléctrico M1/M6 S Oranienburger Straße) - café restaurante bar de grandes dimensões e ambiência moderna/chique/cosmopolita onde se janta à luz de velas enquanto o écrã de TV dá imagens de desporto. Sanduíches, bifes, massas e "nouvelle cuisine" a um preço próximo dos 15-20 euros por pessoa.
18 de fevereiro de 2007
EU GOSTO É DO VERÃO
Basta um bocadinho de sol que os berlinenses saem todos à rua e sentam-se na primeira esplanada a beber uma bjeca, tomar um cafézinho ou saborear um bolinho.
O DIA DOS MUSEUS
Capuccino na mão, caminho ao sol pela Karl-Liebknecht-Straße em direcção a Museumsinsel, "a ilha dos museus". No impecavelmente restaurado Zeughaus (antigo arsenal do exército) alargado por um "anexo" espectacular construído por I. M. Pei (a cobertura de vidro do pátio interior é assombrosa), está instalado o Museu Histórico Alemão (Unter den Linden 2; autocarros 100/200/TXL).
A exposição permanente sobre a história alema desde a fundação da nacionalidade à queda do Muro de Berlim é fascinante, embora muito do que ali esteja seja necessariamente restrito aos germanófilos (inexplicavelmente, nem tudo está traduzido para inglês). É comovente ver alguns dos utensílios de uso comum das famílias alemãs do século XIX - bonecas, canetas, chávenas, cadernos de exercícios - e pela primeira vez num museu, tenho a sensação de que não estou a visitar uma exposição mas sim um pouco da vida de gente que já morreu.
A mesma sensação surgirá mais tarde no Museu Judeu de Berlim (Lindenstraße 9-14; autocarros 248/M29/M41), uma criação inspiradíssima do arquitecto Daniel Libeskind onde a exposição permanente abrange dois mil anos de história dos judeus alemães; aqui, a quantidade de pertences pessoais de famílias (albuns fotográficos, cartas, bilhetes de identidade, uniformes) dá ainda uma dimensão mais humana à história, com a brutalidade do holocausto nazi sempre no horizonte.
Uma coisa fica muito bem expressa em ambas as exposições permanentes: o facto do "Terceiro Reich" Hitleriano se ter constituido como um ponto de ruptura numa história e numa sociedade. O nazismo recuperou uma série de elementos históricos que haviam estado sempre presentes para os subverter em favor dos seus próprios fins, distorcendo-os e amalgamando-os numa filosofia do ódio ao estranho e ao outro cujas raízes estão nas inúmeras convulsões pela qual o estado alemão passou ao longo das décadas.
No Museu Histórico, está também patente uma exposição temporária (até Abril) intitulada "Arte e Propaganda", contrastando arte política produzida durante a II Guerra Mundial na Alemanha, na Itália, na Uniao Soviética e nos EUA - é curioso ver como os trabalhos provenientes de regimes totalitários sao aqueles que mais consciência têm do efeito que pretendem (e conseguem) obter.
O dia completa-se ainda com uma visita à "Topografia do Terror" (Niederkirchnerstraße, ao lado do Martin-Gropius-Bau; U2 Potsdamer Platz ou U6 Kochstraße), exposição ao ar livre instalada nas ruínas da antiga sede do aparato policial nazi enquanto a cidade nao chega a uma decisão sobre o que construir naquela zona. É um trabalho exemplar de uma arqueologia histórica da arquitectura, descrevendo dois séculos de transformação de um bairro berlinense até à sua destruição nos bombardeamentos aliados de 1945. Ou como quem diz: Berlim é uma cidade que não evita a sua história - antes a exibe, porque só olhando é possível compreender.
A exposição permanente sobre a história alema desde a fundação da nacionalidade à queda do Muro de Berlim é fascinante, embora muito do que ali esteja seja necessariamente restrito aos germanófilos (inexplicavelmente, nem tudo está traduzido para inglês). É comovente ver alguns dos utensílios de uso comum das famílias alemãs do século XIX - bonecas, canetas, chávenas, cadernos de exercícios - e pela primeira vez num museu, tenho a sensação de que não estou a visitar uma exposição mas sim um pouco da vida de gente que já morreu.
A mesma sensação surgirá mais tarde no Museu Judeu de Berlim (Lindenstraße 9-14; autocarros 248/M29/M41), uma criação inspiradíssima do arquitecto Daniel Libeskind onde a exposição permanente abrange dois mil anos de história dos judeus alemães; aqui, a quantidade de pertences pessoais de famílias (albuns fotográficos, cartas, bilhetes de identidade, uniformes) dá ainda uma dimensão mais humana à história, com a brutalidade do holocausto nazi sempre no horizonte.
Uma coisa fica muito bem expressa em ambas as exposições permanentes: o facto do "Terceiro Reich" Hitleriano se ter constituido como um ponto de ruptura numa história e numa sociedade. O nazismo recuperou uma série de elementos históricos que haviam estado sempre presentes para os subverter em favor dos seus próprios fins, distorcendo-os e amalgamando-os numa filosofia do ódio ao estranho e ao outro cujas raízes estão nas inúmeras convulsões pela qual o estado alemão passou ao longo das décadas.
No Museu Histórico, está também patente uma exposição temporária (até Abril) intitulada "Arte e Propaganda", contrastando arte política produzida durante a II Guerra Mundial na Alemanha, na Itália, na Uniao Soviética e nos EUA - é curioso ver como os trabalhos provenientes de regimes totalitários sao aqueles que mais consciência têm do efeito que pretendem (e conseguem) obter.
O dia completa-se ainda com uma visita à "Topografia do Terror" (Niederkirchnerstraße, ao lado do Martin-Gropius-Bau; U2 Potsdamer Platz ou U6 Kochstraße), exposição ao ar livre instalada nas ruínas da antiga sede do aparato policial nazi enquanto a cidade nao chega a uma decisão sobre o que construir naquela zona. É um trabalho exemplar de uma arqueologia histórica da arquitectura, descrevendo dois séculos de transformação de um bairro berlinense até à sua destruição nos bombardeamentos aliados de 1945. Ou como quem diz: Berlim é uma cidade que não evita a sua história - antes a exibe, porque só olhando é possível compreender.
ICH BIN EIN BERLINER
Costuma dizer-se que uma cidade se conhece percorrendo-a a pé. Nao é inteiramente mentira - em Berlim os transportes públicos ajudam muito - mas só hoje, no "dia livre" (bem merecido, diga-se de passagem, depois quase dez dias de filmes, entrevistas e textos em regime non-stop e, sobretudo, de um final de semana alucinado e alucinante) percebi verdadeiramente como esta cidade é muito mais pequena do que nós imaginamos.
Tem tudo a ver com a rede de transportes públicos extraordinariamente (dir-se-ia quase: germanicamente) organizada, nao existindo praticamente uma zona da cidade que nao seja servida pelo menos por uma linha de comboio, metro ou autocarro. Essa redundância dá a entender que a cidade é muito maior do que parece - mas a verdade é que dá perfeitamente para se ir a pé de Alexanderplatz à Porta de Brandenburgo (devem ser aí uns 3km), desta a Potsdamer Platz (nao mais de mil metros) e desta ao Checkpoint Charlie em Kochstraße (750 metros). (Nao necessariamente tudo no mesmo dia.)
E, quando o dia estava lindo como esteve hoje - frio, mas nao demasiado; céu limpo e azul de inverno - a cidade ganha a impressionante dimensao de imponência que as suas avenidas largas e planas exigem.
Tem tudo a ver com a rede de transportes públicos extraordinariamente (dir-se-ia quase: germanicamente) organizada, nao existindo praticamente uma zona da cidade que nao seja servida pelo menos por uma linha de comboio, metro ou autocarro. Essa redundância dá a entender que a cidade é muito maior do que parece - mas a verdade é que dá perfeitamente para se ir a pé de Alexanderplatz à Porta de Brandenburgo (devem ser aí uns 3km), desta a Potsdamer Platz (nao mais de mil metros) e desta ao Checkpoint Charlie em Kochstraße (750 metros). (Nao necessariamente tudo no mesmo dia.)
E, quando o dia estava lindo como esteve hoje - frio, mas nao demasiado; céu limpo e azul de inverno - a cidade ganha a impressionante dimensao de imponência que as suas avenidas largas e planas exigem.
14 de fevereiro de 2007
ESTES PUBLICITÁRIOS SÃO UNS EXAGERADOS
"Vir a Berlim e não comer Eisbein é a mesma coisa que nadar sem água", lê-se num anúncio da cervejaria Mommseneck, "a casa das mil cervejas", na Potsdamer Platz de Berlim.
13 de fevereiro de 2007
O VERDADEIRO URSO DE OURO
Não, não é o do Festival de Berlim. É esta cria de urso polar que nasceu no jardim zoológico de Berlim e se chama Knut.
11 de fevereiro de 2007
PARK INN ALEXANDERPLATZ
É o proverbial hotel de negócios - moderno, confortável, anónimo, cheio de grupos que falam entre si outras línguas que não o alemão (espanhol, russo, francês, italiano, é o que quiserem). Funcional, decorado com algum gosto dentro de uma estética muito Europa do Norte de forma e função complementares, mas completamente despersonalizado - ao ponto de, ao pequeno-almoço, não ser verdadeiramente necessário falar com um único empregado. Não foram os Kraftwerk que em tempos falaram da "Mensch-Maschine"?
CAIO EU EM BERLIM
O problema é que, depois da neve, e sobretudo quando chove, fica tudo extremamente escorregadio e não custa nada uma pessoa escorregar e cair no chão de pedra. Só eu hoje vi quatro pessoas escorregarem e cair (as melhoras, Pedro) - a quinta fui eu, bem almofadado pelas botas de cano alto e pelo blusão quente e grosso, sem consequências de maior.
CAI NEVE EM BERLIM
Com temperaturas negativas (o frio é fora do normal) e uma forte camada de neve nas ruas e nos tejadilhos dos carros. Maravilha.
10 de fevereiro de 2007
FAHRSCHEINKONTROLLE
Surpresa: saio às onze e meia do cinema para voltar para o hotel, e no metro em direcção a Alexanderplatz apanho dois revisores no controle de bilhetes que aparecem à paisana e tiram a identificação do bolso do casaco. Parecem mais dois polícias à paisana (ténis, sapatos, calças de ganga, blusão quente contra o frio) como os que vemos nos filmes.
9 de fevereiro de 2007
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
Os placards electrónicos do metro de Berlim repetem incessantemente esta frase:
"Bitte beachten Sie beim Einsteigen die Lucke zwischen Einsteigkante und Zug!!!".
Traduzindo por miúdos, isto significa "MIND THE GAP".
"Bitte beachten Sie beim Einsteigen die Lucke zwischen Einsteigkante und Zug!!!".
Traduzindo por miúdos, isto significa "MIND THE GAP".
8 de fevereiro de 2007
INVERNO
A Fernsehturm (aquela enorme torre que está bem no centro da Alexanderplatz) está envolta em nevoeiro às três da tarde. É deste frio glacial, seco apesar do céu cinzento e da chuva molha-parvos, que eu gosto em Berlim. (Disto e da citação de Alfred Döblin que, inscrita ao longo de um longuíssimo bloco de apartamentos do lado de fora da minha janela do sexto andar enquanto trabalho ao computador, vejo do outro lado da rua.)
A COBRA CAIXA DE ÓCULOS
Como anúncio a uma óptica (visto hoje no metro de Berlim) não está nada mal não senhor: uma serpente pitosga que se apaixona por uma mangueira de jardim. Quem disse que os alemães não têm sentido de humor?
7 de fevereiro de 2007
O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO
Em plena Potsdamer Platz, junto à entrada da estação de comboios, está montado um palco no qual pareço reconhecer os bombos e os ferrinhos de um qualquer festival de folclore. Percebo, depois, quando vou comer qualquer coisa e aviar-me na drogaria e no supermercado das Arkaden, tratar-se de uma manifestação do sindicato Verdi - é só gente com bonés, casacos ou bandeiras vermelhas e brancas. Parece um desfile de 1º de Maio da CGTP - só que estes, depois do desfile em defesa do direito do trabalhador, vão consumir para o shopping.
BERLIN ALEXANDERPLATZ
Sem as obras de há um ano (enfim, sem a maior parte das obras de há um ano) - a Galleria Kaufhof (pensem Corte Inglés em mais arejado) já se vê, a estação de metro já tem as entradas todas em funcionamento (e uma fica mesmo à porta do hotel), já parece uma praça a sério e não um estaleiro (assim como a Trindade ou o Rossio). Ainda por cima, Berlim estava hoje solarenga, luminosa, brilhante (apesar do frio de rachar).
QUANDO O TELEFONE TOCA
...a bordo de um avião em plena descolagem, sem que ninguém o atenda ou se acuse, isso é um susto.
6 de fevereiro de 2007
MORNING IS BROKEN
Outro teledisco do mestre Lloyd que eu nunca tinha visto. Aliás, eu nem sabia que isto (maravilhoso glam-rock mal-disposto da fase em que ele decidiu que estava mal com o mundo e gravou um disco escandalosamente maltratado chamado "Bad Vibes") tinha sido um single.
PERGUNTA DE EXTREMA IMPORTÂNCIA SOCIAL
Vi hoje numa loja de congelados um painel a anunciar "Garoupa legítima".
Quer isto dizer que também há garoupas ilegítimas?
Quer isto dizer que também há garoupas ilegítimas?
5 de fevereiro de 2007
VOX POPULI
"António, amo-te. O Eu"
(graffiti há meses legível na Conde de Almoster, junto ao Centro de Saúde de Sete Rios)
(graffiti há meses legível na Conde de Almoster, junto ao Centro de Saúde de Sete Rios)
4 de fevereiro de 2007
THE DARK SIDE OF MOURINHA
Às vezes, penso como seria agradável ver os condutores dos Mercedes, Audis e outras berlinas de super-luxo a escavacarem os seus carros por efeito das manobras irresponsáveis que realizam. Nada de grave, entenda-se — apenas sustos ou chapa gasta. Mas sou humano, e não resisto a ter tais (oh quão humanos) pensamentos sempre que os vejo, oportunistas e completamente espertalhões, a fazerem valer o estatuto de "carro de luxo" para terem comportamentos muito pouco cívicos. Como ontem, no Rato, quando um palerma a conduzir um Mercedes vindo das Amoreiras "força" a entrada no trânsito vindo da Álvares Cabral e de S. Bento para se enfiar na faixa de transportes públicos frente à Papelaria Fernandes. Pensava eu que o senhor iria parar para deixar algum amigo ou familiar; nada, acelera na faixa bus para forçar entrada no trânsito normal para cortar para a rua da Escola Politécnica. Não consegui evitar pensar como agradável seria que o sinal mudasse para vermelho e o Mercedes desse por si bloqueado na faixa bus pelo 9 ou pelo 6 ou por dois ou mais dos autocarros que não param em frente à Fernandes, para ensinar uma liçãozinha relativa à pressa. É horrível, sim, eu sei, não é nada cristão da minha parte. Mas quem nunca pensou o mesmo que atire a primeira pedra.
2 de fevereiro de 2007
CARREIRA 718
Não é muito vulgar, admito. Mas viajar num autocarro em Lisboa, sentado à janela, é uma oportunidade de olhar para cima — para as fachadas, para as ruas, para os alinhamentos — e de ver Lisboa como se fosse uma outra cidade, de ver o modo como a paisagem se projecta em direcção ao céu. Esquecemo-nos disso demasiadas vezes — a tendência é olhar para o chão, ou então em frente. Mas há mais para ver, e muito melhor do que muitas vezes pensamos — só é preciso olhar para cima.
1 de fevereiro de 2007
DICIONÁRIO TELEFONISTA-PORTUGUÊS
(os nomes foram alterados para proteger os inocentes)
"****, boa tarde..."
"Sim, boa tarde, posso falar com ***** *********?..."
"Está ao telefone" (dito com tom de quem não quer verdadeiramente estar ao telefone e se está positivamente a borrifar se o assunto é importante, urgente ou apenas casual) = "O melhor que você tem a fazer é ligar mais tarde porque ela agora está ao telefone e como eu não estou com paciência você vai ficar dez minutos ou mais à seca a ouvir uma música horrível para eu depois lhe voltar a perguntar com quem quer falar porque já me esqueci e o voltar a pôr em espera até você desistir"
"****, boa tarde..."
"Sim, boa tarde, posso falar com ***** *********?..."
"Está ao telefone" (dito com tom de quem não quer verdadeiramente estar ao telefone e se está positivamente a borrifar se o assunto é importante, urgente ou apenas casual) = "O melhor que você tem a fazer é ligar mais tarde porque ela agora está ao telefone e como eu não estou com paciência você vai ficar dez minutos ou mais à seca a ouvir uma música horrível para eu depois lhe voltar a perguntar com quem quer falar porque já me esqueci e o voltar a pôr em espera até você desistir"
31 de janeiro de 2007
30 de janeiro de 2007
A HORA COCA-COLA LIGHT
Estava eu a pensar que já há muito tempo que não fazia aqui uma estatística felina matinal, com a contagem dos gatos (vadios ou não) que se espraiam pachorrentamente no telhado da arrecadação do meu prédio que se vê da minha janela. Não se deve essa ausência nem à entrada (nada intempestiva) de D. Sofia na minha vida nem à recente inclemência do tempo frio. As razões são bem mais prosaicas e têm a ver com obras na rua por trás da minha, obras essas que levaram à demolição integral de um prédio cujas traseiras estavam encostadas à arrecadação e, neste momento, à sua reconstrução, seis dias em cada sete, com máquinas a fazerem barulho a partir das oito da manhã. Desde que as obras arrancaram, raramente voltei a ver os gatos no telhado da arrecadação, que está agora encimada por uma espécie de muralha de tábuas e de placas destinadas a proteger a arrecadação e as traseiras da poeirada e afins trazida pela reconstrução do edifício.
29 de janeiro de 2007
DEPOIS DISTO, AINDA MAIS DEFINITIVAMENTE SIM
"Descubra o que pode acontecer em Portugal no ano em que se comemoram os 90 anos das Aparições de Nossa Senhora em Fátima", reza a capa do folheto que estava hoje na minha caixa do correio, com uma foto de uma estátua de Nossa Senhora com uma aparência piedosa.
Lá dentro, diz-se que "No ano em que se comemora o 90º Aniversário das Aparições de Fátima, Nossa Senhora chora... e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido.
No dia 11 de Fevereiro realizar-se-á um referendo nacional pela liberalização do aborto. Nesse dia, é indispensável ir às urnas e responder NÂO à pergunta do referendo: (...) Ou seja, dizer que não concorda com o assassinato brutal de inocentes ainda no ventre materno!
Esta é a resposta que a Santíssima Virgem espera de si.
Abster-se não pode ser uma opção. Diante de uma questão tão importante como esta, que trará graves consequências para o nosso País, não votar é o mesmo que dizer sim ao aborto.
E dizer sim é permitir que se matem inocentes, indefesos e pequeninos, que aguardam apenas o momento de vir ao mundo.
11 de Fevereiro é a Festa de Nossa Senhora de Lourdes! Aquela que, desde o primeiro instante da sua concepção, foi Imaculada e abriu uma fonte de vida para nos salvar. No dia 11 de Fevereiro votemos pela vida dizendo NÂO ao aborto.
Mas além do seu voto, Portugal precisa também das suas orações.
Precisamos de rezar o terço e pedir a Nossa Senhora que interceda por nós e afaste do nosso País este brutal e cobarde atentado contra a vida.
Por isso, a Acção Família está a realizar uma campanha de divulgação massiva do Terço da Vida, em comemoração do 90º aniversário das Aparições de Fátima, como grande súplica nacional para dar a vitória a Nossa Senhora e a Portugal, no dia 11 de Fevereiro.
Peça hoje mesmo o seu estojo do Terço da Vida. E receberá em sua casa o terço e o livro "O Rosário da Vida", com meditações para rezar o terço em desagravo ao referendo, que por si só já constitui uma ofensa a Deus.
Para receber em sua casa o seu estojo, siga as instruções que constam da Ficha de Participação na Campanha pela Vida."
Na "ficha de participação" destacável do folheto lê-se, à frente de três caixinhas que deverão ser marcadas com uma cruz:
"Sou Católico, e no dia 11 de Fevereiro não fugirei às minhas obrigações e vou participar do referendo nacional dizendo NÂO ao Aborto.
Comprometo-me a rezar o Terço da Vida, pelo menos uma vez antes do referendo, e assim participar dessa grande súplica nacional a Nossa Senhora de Fátima.
Gostaria de receber o livro ilustrado "O Rosário da Vida" (48 páginas), acompanhado do Terço. Como forma de colaborar com esta iniciativa pela Vida, gostaria de ajudar com:" (as opções aqui são 10 euros, 15 euros, ou uma quantia à escolha do leitor)
Depois de ter lido isto, não sei o que me choca mais: se as sugestões de ingerência na legislação de um estado de Direito que o texto faz a espaços, se o apelo apaixonado à fé para lançar um julgamento moral sobre pessoas que nunca tomam uma decisão destas de modo inconsciente, se o mercantilismo sonso de um aproveitamento encapotado da questão moral para fazer venda directa.
E fica uma reflexão: é o segundo panfleto a favor do não que me metem na caixa do correio; cadê os panfletos a favor do sim?
Lá dentro, diz-se que "No ano em que se comemora o 90º Aniversário das Aparições de Fátima, Nossa Senhora chora... e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido.
No dia 11 de Fevereiro realizar-se-á um referendo nacional pela liberalização do aborto. Nesse dia, é indispensável ir às urnas e responder NÂO à pergunta do referendo: (...) Ou seja, dizer que não concorda com o assassinato brutal de inocentes ainda no ventre materno!
Esta é a resposta que a Santíssima Virgem espera de si.
Abster-se não pode ser uma opção. Diante de uma questão tão importante como esta, que trará graves consequências para o nosso País, não votar é o mesmo que dizer sim ao aborto.
E dizer sim é permitir que se matem inocentes, indefesos e pequeninos, que aguardam apenas o momento de vir ao mundo.
11 de Fevereiro é a Festa de Nossa Senhora de Lourdes! Aquela que, desde o primeiro instante da sua concepção, foi Imaculada e abriu uma fonte de vida para nos salvar. No dia 11 de Fevereiro votemos pela vida dizendo NÂO ao aborto.
Mas além do seu voto, Portugal precisa também das suas orações.
Precisamos de rezar o terço e pedir a Nossa Senhora que interceda por nós e afaste do nosso País este brutal e cobarde atentado contra a vida.
Por isso, a Acção Família está a realizar uma campanha de divulgação massiva do Terço da Vida, em comemoração do 90º aniversário das Aparições de Fátima, como grande súplica nacional para dar a vitória a Nossa Senhora e a Portugal, no dia 11 de Fevereiro.
Peça hoje mesmo o seu estojo do Terço da Vida. E receberá em sua casa o terço e o livro "O Rosário da Vida", com meditações para rezar o terço em desagravo ao referendo, que por si só já constitui uma ofensa a Deus.
Para receber em sua casa o seu estojo, siga as instruções que constam da Ficha de Participação na Campanha pela Vida."
Na "ficha de participação" destacável do folheto lê-se, à frente de três caixinhas que deverão ser marcadas com uma cruz:
"Sou Católico, e no dia 11 de Fevereiro não fugirei às minhas obrigações e vou participar do referendo nacional dizendo NÂO ao Aborto.
Comprometo-me a rezar o Terço da Vida, pelo menos uma vez antes do referendo, e assim participar dessa grande súplica nacional a Nossa Senhora de Fátima.
Gostaria de receber o livro ilustrado "O Rosário da Vida" (48 páginas), acompanhado do Terço. Como forma de colaborar com esta iniciativa pela Vida, gostaria de ajudar com:" (as opções aqui são 10 euros, 15 euros, ou uma quantia à escolha do leitor)
Depois de ter lido isto, não sei o que me choca mais: se as sugestões de ingerência na legislação de um estado de Direito que o texto faz a espaços, se o apelo apaixonado à fé para lançar um julgamento moral sobre pessoas que nunca tomam uma decisão destas de modo inconsciente, se o mercantilismo sonso de um aproveitamento encapotado da questão moral para fazer venda directa.
E fica uma reflexão: é o segundo panfleto a favor do não que me metem na caixa do correio; cadê os panfletos a favor do sim?
28 de janeiro de 2007
SOBRAL DE MONTE AGRAÇO JÁ NÃO TEM SÓ UM PARQUE INFANTIL
...mas, segundo o noticiário da uma da RTP-1, também teve neve esta noite.
(E a história repete-se: há exactamente um ano, estava eu de férias em São Francisco, nevou em Lisboa e eu falhei a neve, tal como hoje.)
(E a história repete-se: há exactamente um ano, estava eu de férias em São Francisco, nevou em Lisboa e eu falhei a neve, tal como hoje.)
MOURINHALÂNDIA
Este blog tem andado um tudo nada ausente nos últimos dias. O muito trabalho tem destas coisas: de repente, sem darmos por isso, deixa de haver outros assuntos para se falar. O mundo não pára, eu é que de repente tenho só uma coisa em que pensar e tudo o resto deixa de estar lá (filmes, por exemplo, esta semana foram seis, outros tantos textos a preparar de dimensão variável, e isto não é linha de montagem, não sai automaticamente porque se abriu a torneira, que a criatividade não é bem assim que funciona).
Portanto, se eu tivesse de resumir um bocado esta semana que passou, diria que foi uma semana movimentada, em que o meu mundo basculou um bocado mais do que eu estava à espera. Em que redescobri alguns discos que já não ouvia há muito tempo (e soube-me muito bem reencontrá-los), acordei a trautear canções que não faço ideia porque é que se me alojaram no cérebro a desoras (ora Enya, ora J. P. Simões, não é para fazer sentido), andei a ver preços de portáteis Mac que são-tão-lindos-mas-raios-são-tão-caros, reparei que vou estar fora quando for o referendo do aborto e não vou poder votar "sim". Em que escrevi muito, li menos e me decidi a fazer algumas coisas que já devia ter feito há mais tempo, rapei muito frio de manhãzinha e dei pela minha gata a dormir comigo debaixo dos lençóis, passei o sábado a traduzir linguagem académica e ouvi a minha mãe a resmungar que os crocodilos são uma nojeira (quando eu os acho uns bichos, sim, muito feios e um tanto ou quanto repugnantes mas particularmente fascinantes).
Ou seja, continua tudo na mesma na Mourinhalândia. Some things never change.
Portanto, se eu tivesse de resumir um bocado esta semana que passou, diria que foi uma semana movimentada, em que o meu mundo basculou um bocado mais do que eu estava à espera. Em que redescobri alguns discos que já não ouvia há muito tempo (e soube-me muito bem reencontrá-los), acordei a trautear canções que não faço ideia porque é que se me alojaram no cérebro a desoras (ora Enya, ora J. P. Simões, não é para fazer sentido), andei a ver preços de portáteis Mac que são-tão-lindos-mas-raios-são-tão-caros, reparei que vou estar fora quando for o referendo do aborto e não vou poder votar "sim". Em que escrevi muito, li menos e me decidi a fazer algumas coisas que já devia ter feito há mais tempo, rapei muito frio de manhãzinha e dei pela minha gata a dormir comigo debaixo dos lençóis, passei o sábado a traduzir linguagem académica e ouvi a minha mãe a resmungar que os crocodilos são uma nojeira (quando eu os acho uns bichos, sim, muito feios e um tanto ou quanto repugnantes mas particularmente fascinantes).
Ou seja, continua tudo na mesma na Mourinhalândia. Some things never change.
24 de janeiro de 2007
NO BLUE SKIES
Se tivesse que escolher uma canção da minha vida, esta seria uma candidata fortíssima. Serviu de mote a um romance que escrevi há 13 anos (e que continua na gaveta). E acabei de perceber que nunca tinha visto o teledisco. (Ainda bem. Aquele corte de cabelo é uma vergonha.)
21 de janeiro de 2007
LAND OF HOPE AND DREAMS
A year ago I was first discovering your land of hope and dreams — and realising you are my land of hope and dreams.
Grab your ticket and your suitcase
thunder's rollin' down this track
you don't know where you're goin'
but you know you won't be back
darlin' if you're weary
lay your head upon my chest
we'll take what we can carry
and we'll leave the rest
big wheels roll through fields where
sunlight streams
meet me in a
land of hope and dreams
I will provide for you
and I'll stand by your side
you'll need a good companion for
this part of the ride
leave behind your sorrows
let this day be the last
tomorrow there'll be sunshine
and all this darkness past
big wheels roll through fields where
sunlight streams
meet me in a
land of hope and dreams
this train
carries saints and sinners
this train
carries losers and winners
this train
carries whores and gamblers
this train
carries lost souls
this train
dreams will not be thwarted
this train
faith will be rewarded
this train
hear the steel wheels singin'
this train
bells of freedom ringin'
this train
carries broken-hearted
this train
thieves and sweet souls departed
this train
carries fools and kings
this train
all aboard...
— Bruce Springsteen, "Land of Hope and Dreams" (in "Live in New York City", Columbia, 2001)
Grab your ticket and your suitcase
thunder's rollin' down this track
you don't know where you're goin'
but you know you won't be back
darlin' if you're weary
lay your head upon my chest
we'll take what we can carry
and we'll leave the rest
big wheels roll through fields where
sunlight streams
meet me in a
land of hope and dreams
I will provide for you
and I'll stand by your side
you'll need a good companion for
this part of the ride
leave behind your sorrows
let this day be the last
tomorrow there'll be sunshine
and all this darkness past
big wheels roll through fields where
sunlight streams
meet me in a
land of hope and dreams
this train
carries saints and sinners
this train
carries losers and winners
this train
carries whores and gamblers
this train
carries lost souls
this train
dreams will not be thwarted
this train
faith will be rewarded
this train
hear the steel wheels singin'
this train
bells of freedom ringin'
this train
carries broken-hearted
this train
thieves and sweet souls departed
this train
carries fools and kings
this train
all aboard...
— Bruce Springsteen, "Land of Hope and Dreams" (in "Live in New York City", Columbia, 2001)
20 de janeiro de 2007
AUTOCARRO
Qualquer homem até aos 40 anos de idade que viaje num autocarro cheio não pode ir sentado sob pena de levar com os olhares desaprovadores de quase toda a gente que acha que os lugares sentados devem ser reservados para as pessoas com mais de 40 anos de idade. Claro que há quem não se rale minimamente com isso.
19 de janeiro de 2007
BREL
Por causa da FRD apeteceu-me partilhar convosco o quão arrasador era Jacques Brel em palco. Brel sempre foi o meu "chansonnier" francófono preferido, pela honestidade brutal e perturbadora das suas canções. Até hoje, não consigo ouvir nenhum disco dele, nem vê-lo em palco sem me embargar até às lágrimas — porque Brel não era apenas compositor, não era apenas intérprete, era outra coisa, de uma intensidade avassaladora. Confirmem.
PARAGEM DE AUTOCARRO
Há paragens de autocarro em sítios de Lisboa que não lembram a ninguém. E a distância entre paragens de autocarro (e também estações de metro) em Lisboa é geralmente muito curta, sobretudo quando comparada com igual distância noutras cidades europeias (na distância entre duas estações de metro em Londres caberiam pelo menos três paragens de metro em Lisboa).
18 de janeiro de 2007
DEPOIS DISTO, COMPLETAMENTE SIM
Tinha hoje na minha caixa de correio um panfleto da plataforma contra o aborto "Portugal pela Vida", da qual transcrevo as seguintes informações:
"Sabia que...
- Às 10 semanas de gravidez, o bebé tem praticamente todos os órgãos formados e a funcionar com excepção dos pulmões?
- Nunca nenhuma mulher foi presa por crime de aborto em Portugal?
- A mulher corre o risco de vir a sofrer, após um aborto e até ao fim da vida, diversas sequelas de saúde nomeadamente depressões e outras doenças do foro psiquiátrico?
- Enquanto o Governo fecha maternidades, está disposto a financiar clínicas espanholas especializadas no aborto?
- Em todos os países onde foi liberalizado o aborto tem vindo a crescer? E esse crescimento não tem lugar apenas nos primeiros anos (por transferência de parte do aborto clandestino) mas é constante ao longo dos anos?
- Os casais que recorrem ao aborto correm um risco acrescido de ver terminada a relação que os une?
- Os defensores do Não, desde o último referendo, fundaram dezenas de associações de apoio às famílias, às mulheres e às crianças em situação fragilizada ou de risco para que a Vida seja possível e tenha lugar?
- Você também já teve 10 semanas e que foi o facto de não ter sido abortado que lhe permite estar a ler este folheto?"
A qualidade do panfleto fala por si. As conclusões ficam a cargo de quem as quiser tirar.
"Sabia que...
- Às 10 semanas de gravidez, o bebé tem praticamente todos os órgãos formados e a funcionar com excepção dos pulmões?
- Nunca nenhuma mulher foi presa por crime de aborto em Portugal?
- A mulher corre o risco de vir a sofrer, após um aborto e até ao fim da vida, diversas sequelas de saúde nomeadamente depressões e outras doenças do foro psiquiátrico?
- Enquanto o Governo fecha maternidades, está disposto a financiar clínicas espanholas especializadas no aborto?
- Em todos os países onde foi liberalizado o aborto tem vindo a crescer? E esse crescimento não tem lugar apenas nos primeiros anos (por transferência de parte do aborto clandestino) mas é constante ao longo dos anos?
- Os casais que recorrem ao aborto correm um risco acrescido de ver terminada a relação que os une?
- Os defensores do Não, desde o último referendo, fundaram dezenas de associações de apoio às famílias, às mulheres e às crianças em situação fragilizada ou de risco para que a Vida seja possível e tenha lugar?
- Você também já teve 10 semanas e que foi o facto de não ter sido abortado que lhe permite estar a ler este folheto?"
A qualidade do panfleto fala por si. As conclusões ficam a cargo de quem as quiser tirar.
17 de janeiro de 2007
16 de janeiro de 2007
PERGUNTA DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA A HUMANIDADE RELACIONADA COM A FRASE DO DIA
Como é que se curte que nem um castor?
15 de janeiro de 2007
PORTUGAL NO SEU MELHOR
Da excelente entrevista do romancista Miguel Real ao Mil Folhas da passada sexta-feira:
"(...) Portugal não tem que ser uma Irlanda, uma Finlândia, uma América, uma Alemanha. Assumir que Portugal se encontra num meio termo entre países, esses sim de facto atrasados e países de facto adiantados. Nós não precisamos de estar no pelotão da frente, ao contrário do mito que Sócrates e Cavaco continuam a alimentar. A que propósito? Sinto-me bem no pelotão geral, não estando nem no carro-vassoura nem na vanguarda. Aqueles dez estádios de futebol, que se vão transformar em elefantes brancos das câmaras; os melhores centros comerciais da Europa; a maior árvore de Natal da Europa; o maior bolo de chocolate da Europa — a farsa é querer jogar este jogo. Foi o que Eça denunciou: apontarmos para metas inatingíveis num prazo mediano."
"(...) Portugal não tem que ser uma Irlanda, uma Finlândia, uma América, uma Alemanha. Assumir que Portugal se encontra num meio termo entre países, esses sim de facto atrasados e países de facto adiantados. Nós não precisamos de estar no pelotão da frente, ao contrário do mito que Sócrates e Cavaco continuam a alimentar. A que propósito? Sinto-me bem no pelotão geral, não estando nem no carro-vassoura nem na vanguarda. Aqueles dez estádios de futebol, que se vão transformar em elefantes brancos das câmaras; os melhores centros comerciais da Europa; a maior árvore de Natal da Europa; o maior bolo de chocolate da Europa — a farsa é querer jogar este jogo. Foi o que Eça denunciou: apontarmos para metas inatingíveis num prazo mediano."
14 de janeiro de 2007
O PERIGO É A PROFISSÃO DELES
Segundo dizia a TSF na manhã de quinta-feira, os passageiros da estação de Agualva-Cacém muitas vezes atravessam a linha do comboio à frente de um comboio que se aproxima. Eu vejo peões atravessarem a estrada à frente de carros que se aproximam a toda a velocidade todos os dias.
13 de janeiro de 2007
O MELHOR DE DOIS MUNDOS
Diz a edição desta semana da Economist, citando num artigo a propósito das duas mais recentes adesões à União Europeia (Roménia e Bulgária) um observador que conhece ambos os países: "In Romania the problem is getting them to work as a team. In Bulgaria the problem is getting them to show any initiative". Ele não conhece Portugal, que é a síntese perfeita dos dois.
ORA ESTA
Serei o único que anda a receber diariamente um porradão de "junk mail" dessa coisa chamada Orkut, acusando-me de ter um perfil em violação das regras da "comunidade" — quando eu nem nunca sequer fui ao Orkut?
12 de janeiro de 2007
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO MAS QUE NÃO TÊM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #74
Escanifobética.
(com um agradecimento aos Cool Hipnoise)
(com um agradecimento aos Cool Hipnoise)
11 de janeiro de 2007
OPIÁCEOS

Bem lembrado pela bem-amada ursa honorária, um dos mais magnéticos, magníficos e desconhecidos discos que ouvi na última década: "The Opiates" (Clearspot, 2001) dos suecos Anywhen, que o mesmo é dizer o alter-ego do melancólico Thomas Feiner, vagueando nas mesmas águas plácidas e nocturnas dos grandes românticos existencialistas urbanas. É um crime que este disco — o segundo do projecto, que desde então nunca mais deu notícias — não seja mais conhecido. Para perceber a magia, é favor ir aqui.
10 de janeiro de 2007
SIM OU NÃO?
Respeito as convicções daqueles que defendem acesamente o "não" à interrupção voluntária da gravidez, e daqueles que defendem acesamente o "sim". Mas acho que, em última análise, a decisão de abortar ou não abortar não é uma decisão da sociedade, é uma decisão da mulher que se coloca a questão de o fazer ou não. É uma decisão solitária, pessoal, intransmissível — e é por isso que todas estas discussões sobre o aborto me parecem, na maior parte das vezes, retóricas, teóricas, distantes da realidade das mulheres que enfrentam a decisão. Acho que abortar é uma decisão da mulher e de mais ninguém, e por isso sou contra qualquer tentativa de a impedir de tomar a sua decisão em plena liberdade. É sempre muito fácil querer decidir pelos outros, mas, mesmo com toda a boa vontade do mundo, a verdade é que cada caso é um caso.
Dito isto, os defensores do "sim" irritam-me por terem aquela superioridade moral típica dos liberais que não compreendem como é que pode haver quem não concorde com eles, e os defensores do "não" irritam-me porque parecem querer acreditar que tudo ficará bem com uma vitória do "não" (quando ela apenas prolongará os riscos desnecessários dos abortos ilegais). Se querem a minha opinião, acho que falta nesta conversa toda um pouco de bom senso — coisa que, geralmente, as mulheres até têm mais que os homens.
Dito isto, os defensores do "sim" irritam-me por terem aquela superioridade moral típica dos liberais que não compreendem como é que pode haver quem não concorde com eles, e os defensores do "não" irritam-me porque parecem querer acreditar que tudo ficará bem com uma vitória do "não" (quando ela apenas prolongará os riscos desnecessários dos abortos ilegais). Se querem a minha opinião, acho que falta nesta conversa toda um pouco de bom senso — coisa que, geralmente, as mulheres até têm mais que os homens.
9 de janeiro de 2007
NINGUÉM SE CHAMA POSSIDÓNIO CACHAPA
Mas a verdade é que Possidónio Cachapa chama-se mesmo Possidónio Cachapa. Nunca tinha lido nada do escritor, mas vi o filme de José de Sá Caetano que ele escreveu, "Maria e as Outras" (2004), que não passava de um telefilmezinho banal sem sinais particulares. Na minha voragem literária recente, abalancei-me a "O Mar por Cima" (Lisboa: Oficina do Livro, 2002), que alguém me ofereceu em tempos, e, concedendo-me algo desiludido pelo modo como a coisa promete mais do que dá, não desgostei, sobretudo pela construção em mosaico e por alguns momentos de certeira observação da lusa natureza. Como este:
(...) Aurora estava convencida que pelo menos duas das suas múltiplas desgraças tinham sido causadas por palavras precipitadas. Por isso, desde então, tinha muito cuidado com os protestos contra o Divino.
A primeira tristeza caíra-lhe em cima, aos sete anos, quando Lhe declarou, uma noite, que ou o irmão mais novo morria ou ela não Lhe voltava a rezar. Disse isto e estava a sério. E Ele ouviu-a. Na tarde seguinte, ao chegar da venda, com uma saca de farinha à cabeça, percebeu na rua, grande agitação. Crianças que corriam a gritar o nome do infante; vizinhas que diziam, "Ai filha, grande desgraça". E, finalmente, a confirmação: O irmão pequeno tinha ido até aos fundos do quintal, os que davam com a ribeira e, como se corresse atrás de uma voz, tinha-se deixado escorregar para as águas revoltas, de Inverno. Ela ainda correu para o quarto a pedir-lhe por tudo que voltasse atrás, que haveria de ser sobre ela que as culpas recairiam. Mas em vão. Tiraram o pequeno sem vida de dentro das raízes de uma sucupira, o peitinho com equimoses e o rosto branco como um anjo. Deu um morto tão lindo que não houve quem não o chorasse. Aurora ficou um bocadinho ciumenta. Sabia que nunca viria a fazer uma defunta tão convincente, por isso agarrou-se à vida e acautelou os pedidos.
Prevaricou uma segunda vez ao pedir-Lhe um marido que gostasse de cinturas finas e vozes de pássaro. Na sua infinita paciência, fez-lhe, Ele, a vontade, dando-lhe Sabino que haveria de ganhar muito dinheiro e de a emprenhar amiúde. Trouxe a porra do sogro, como cadeau-bonus, mas já se sabe que não se pode querer comer rebuçados sem lhes tirar o papel. Aurora teve tudo o que quis. E ganhou, por tabela, o que não quis. Trabalhava de manhã à noite, do forno para o pó e deste para as arrumações. Rodeada, primeiro de ranho, em seguida de pernas sempre crescentes e más-criações, ainda assim, não desistiu da sua fé.
(...) Aurora estava convencida que pelo menos duas das suas múltiplas desgraças tinham sido causadas por palavras precipitadas. Por isso, desde então, tinha muito cuidado com os protestos contra o Divino.
A primeira tristeza caíra-lhe em cima, aos sete anos, quando Lhe declarou, uma noite, que ou o irmão mais novo morria ou ela não Lhe voltava a rezar. Disse isto e estava a sério. E Ele ouviu-a. Na tarde seguinte, ao chegar da venda, com uma saca de farinha à cabeça, percebeu na rua, grande agitação. Crianças que corriam a gritar o nome do infante; vizinhas que diziam, "Ai filha, grande desgraça". E, finalmente, a confirmação: O irmão pequeno tinha ido até aos fundos do quintal, os que davam com a ribeira e, como se corresse atrás de uma voz, tinha-se deixado escorregar para as águas revoltas, de Inverno. Ela ainda correu para o quarto a pedir-lhe por tudo que voltasse atrás, que haveria de ser sobre ela que as culpas recairiam. Mas em vão. Tiraram o pequeno sem vida de dentro das raízes de uma sucupira, o peitinho com equimoses e o rosto branco como um anjo. Deu um morto tão lindo que não houve quem não o chorasse. Aurora ficou um bocadinho ciumenta. Sabia que nunca viria a fazer uma defunta tão convincente, por isso agarrou-se à vida e acautelou os pedidos.
Prevaricou uma segunda vez ao pedir-Lhe um marido que gostasse de cinturas finas e vozes de pássaro. Na sua infinita paciência, fez-lhe, Ele, a vontade, dando-lhe Sabino que haveria de ganhar muito dinheiro e de a emprenhar amiúde. Trouxe a porra do sogro, como cadeau-bonus, mas já se sabe que não se pode querer comer rebuçados sem lhes tirar o papel. Aurora teve tudo o que quis. E ganhou, por tabela, o que não quis. Trabalhava de manhã à noite, do forno para o pó e deste para as arrumações. Rodeada, primeiro de ranho, em seguida de pernas sempre crescentes e más-criações, ainda assim, não desistiu da sua fé.
8 de janeiro de 2007
NÃO HÁ COMPRIMIDOS QUE RESOLVAM ISTO?
Tenho uma tendência chata para ficar na moleza na cama um bocado sempre que acordo; sempre tive, não é de agora. É-me difícil levantar-me imediatamente e dar início ao dia. Já D. Sofia não fica ali a perder tempo e começa logo aos pulos. E eu dou por mim a pensar porque não faço o mesmo (levantar-me logo em vez de ficar na moleza, não começar aos pulos). Alguém sabe de um bom remédio?
7 de janeiro de 2007
NÓS TAMBÉM SOMOS GENTE
Os jogadores de futebol querem fazer greve porque vão passar a ter de pagar imposto sobre a totalidade dos rendimentos em vez de só sobre apenas 90% dos rendimentos. Sou só eu ou há aqui qualquer coisa que não faz lá muito sentido?
6 de janeiro de 2007
SATURAÇÃO, SATURAÇÃO, SATURAÇÃO, SATURAÇÃO
Vocês não estão já fartos do Lisboa-Dakar, mesmo apesar de ter começado hoje?
POLAROID: ELÉCTRICO 28
No eléctrico cheio, uma senhora idosa que vai de pé logo atrás do condutor aproveita a paragem para lhe perguntar sobre o bilhete recarregável que usa e que, pela conversa, a senhora parece não saber que é recarregável. O pormenor é que, para fazer a pergunta ao condutor, a senhora coloca-se precisamente no enfiamento da porta de entrada, bloqueando o acesso a quem quiser subir para o eléctrico.
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