Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
11 de fevereiro de 2007
CAI NEVE EM BERLIM
Com temperaturas negativas (o frio é fora do normal) e uma forte camada de neve nas ruas e nos tejadilhos dos carros. Maravilha.
10 de fevereiro de 2007
FAHRSCHEINKONTROLLE
Surpresa: saio às onze e meia do cinema para voltar para o hotel, e no metro em direcção a Alexanderplatz apanho dois revisores no controle de bilhetes que aparecem à paisana e tiram a identificação do bolso do casaco. Parecem mais dois polícias à paisana (ténis, sapatos, calças de ganga, blusão quente contra o frio) como os que vemos nos filmes.
9 de fevereiro de 2007
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
Os placards electrónicos do metro de Berlim repetem incessantemente esta frase:
"Bitte beachten Sie beim Einsteigen die Lucke zwischen Einsteigkante und Zug!!!".
Traduzindo por miúdos, isto significa "MIND THE GAP".
"Bitte beachten Sie beim Einsteigen die Lucke zwischen Einsteigkante und Zug!!!".
Traduzindo por miúdos, isto significa "MIND THE GAP".
8 de fevereiro de 2007
INVERNO
A Fernsehturm (aquela enorme torre que está bem no centro da Alexanderplatz) está envolta em nevoeiro às três da tarde. É deste frio glacial, seco apesar do céu cinzento e da chuva molha-parvos, que eu gosto em Berlim. (Disto e da citação de Alfred Döblin que, inscrita ao longo de um longuíssimo bloco de apartamentos do lado de fora da minha janela do sexto andar enquanto trabalho ao computador, vejo do outro lado da rua.)
A COBRA CAIXA DE ÓCULOS
Como anúncio a uma óptica (visto hoje no metro de Berlim) não está nada mal não senhor: uma serpente pitosga que se apaixona por uma mangueira de jardim. Quem disse que os alemães não têm sentido de humor?
7 de fevereiro de 2007
O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO
Em plena Potsdamer Platz, junto à entrada da estação de comboios, está montado um palco no qual pareço reconhecer os bombos e os ferrinhos de um qualquer festival de folclore. Percebo, depois, quando vou comer qualquer coisa e aviar-me na drogaria e no supermercado das Arkaden, tratar-se de uma manifestação do sindicato Verdi - é só gente com bonés, casacos ou bandeiras vermelhas e brancas. Parece um desfile de 1º de Maio da CGTP - só que estes, depois do desfile em defesa do direito do trabalhador, vão consumir para o shopping.
BERLIN ALEXANDERPLATZ
Sem as obras de há um ano (enfim, sem a maior parte das obras de há um ano) - a Galleria Kaufhof (pensem Corte Inglés em mais arejado) já se vê, a estação de metro já tem as entradas todas em funcionamento (e uma fica mesmo à porta do hotel), já parece uma praça a sério e não um estaleiro (assim como a Trindade ou o Rossio). Ainda por cima, Berlim estava hoje solarenga, luminosa, brilhante (apesar do frio de rachar).
QUANDO O TELEFONE TOCA
...a bordo de um avião em plena descolagem, sem que ninguém o atenda ou se acuse, isso é um susto.
6 de fevereiro de 2007
MORNING IS BROKEN
Outro teledisco do mestre Lloyd que eu nunca tinha visto. Aliás, eu nem sabia que isto (maravilhoso glam-rock mal-disposto da fase em que ele decidiu que estava mal com o mundo e gravou um disco escandalosamente maltratado chamado "Bad Vibes") tinha sido um single.
PERGUNTA DE EXTREMA IMPORTÂNCIA SOCIAL
Vi hoje numa loja de congelados um painel a anunciar "Garoupa legítima".
Quer isto dizer que também há garoupas ilegítimas?
Quer isto dizer que também há garoupas ilegítimas?
5 de fevereiro de 2007
VOX POPULI
"António, amo-te. O Eu"
(graffiti há meses legível na Conde de Almoster, junto ao Centro de Saúde de Sete Rios)
(graffiti há meses legível na Conde de Almoster, junto ao Centro de Saúde de Sete Rios)
4 de fevereiro de 2007
THE DARK SIDE OF MOURINHA
Às vezes, penso como seria agradável ver os condutores dos Mercedes, Audis e outras berlinas de super-luxo a escavacarem os seus carros por efeito das manobras irresponsáveis que realizam. Nada de grave, entenda-se — apenas sustos ou chapa gasta. Mas sou humano, e não resisto a ter tais (oh quão humanos) pensamentos sempre que os vejo, oportunistas e completamente espertalhões, a fazerem valer o estatuto de "carro de luxo" para terem comportamentos muito pouco cívicos. Como ontem, no Rato, quando um palerma a conduzir um Mercedes vindo das Amoreiras "força" a entrada no trânsito vindo da Álvares Cabral e de S. Bento para se enfiar na faixa de transportes públicos frente à Papelaria Fernandes. Pensava eu que o senhor iria parar para deixar algum amigo ou familiar; nada, acelera na faixa bus para forçar entrada no trânsito normal para cortar para a rua da Escola Politécnica. Não consegui evitar pensar como agradável seria que o sinal mudasse para vermelho e o Mercedes desse por si bloqueado na faixa bus pelo 9 ou pelo 6 ou por dois ou mais dos autocarros que não param em frente à Fernandes, para ensinar uma liçãozinha relativa à pressa. É horrível, sim, eu sei, não é nada cristão da minha parte. Mas quem nunca pensou o mesmo que atire a primeira pedra.
2 de fevereiro de 2007
CARREIRA 718
Não é muito vulgar, admito. Mas viajar num autocarro em Lisboa, sentado à janela, é uma oportunidade de olhar para cima — para as fachadas, para as ruas, para os alinhamentos — e de ver Lisboa como se fosse uma outra cidade, de ver o modo como a paisagem se projecta em direcção ao céu. Esquecemo-nos disso demasiadas vezes — a tendência é olhar para o chão, ou então em frente. Mas há mais para ver, e muito melhor do que muitas vezes pensamos — só é preciso olhar para cima.
1 de fevereiro de 2007
DICIONÁRIO TELEFONISTA-PORTUGUÊS
(os nomes foram alterados para proteger os inocentes)
"****, boa tarde..."
"Sim, boa tarde, posso falar com ***** *********?..."
"Está ao telefone" (dito com tom de quem não quer verdadeiramente estar ao telefone e se está positivamente a borrifar se o assunto é importante, urgente ou apenas casual) = "O melhor que você tem a fazer é ligar mais tarde porque ela agora está ao telefone e como eu não estou com paciência você vai ficar dez minutos ou mais à seca a ouvir uma música horrível para eu depois lhe voltar a perguntar com quem quer falar porque já me esqueci e o voltar a pôr em espera até você desistir"
"****, boa tarde..."
"Sim, boa tarde, posso falar com ***** *********?..."
"Está ao telefone" (dito com tom de quem não quer verdadeiramente estar ao telefone e se está positivamente a borrifar se o assunto é importante, urgente ou apenas casual) = "O melhor que você tem a fazer é ligar mais tarde porque ela agora está ao telefone e como eu não estou com paciência você vai ficar dez minutos ou mais à seca a ouvir uma música horrível para eu depois lhe voltar a perguntar com quem quer falar porque já me esqueci e o voltar a pôr em espera até você desistir"
31 de janeiro de 2007
30 de janeiro de 2007
A HORA COCA-COLA LIGHT
Estava eu a pensar que já há muito tempo que não fazia aqui uma estatística felina matinal, com a contagem dos gatos (vadios ou não) que se espraiam pachorrentamente no telhado da arrecadação do meu prédio que se vê da minha janela. Não se deve essa ausência nem à entrada (nada intempestiva) de D. Sofia na minha vida nem à recente inclemência do tempo frio. As razões são bem mais prosaicas e têm a ver com obras na rua por trás da minha, obras essas que levaram à demolição integral de um prédio cujas traseiras estavam encostadas à arrecadação e, neste momento, à sua reconstrução, seis dias em cada sete, com máquinas a fazerem barulho a partir das oito da manhã. Desde que as obras arrancaram, raramente voltei a ver os gatos no telhado da arrecadação, que está agora encimada por uma espécie de muralha de tábuas e de placas destinadas a proteger a arrecadação e as traseiras da poeirada e afins trazida pela reconstrução do edifício.
29 de janeiro de 2007
DEPOIS DISTO, AINDA MAIS DEFINITIVAMENTE SIM
"Descubra o que pode acontecer em Portugal no ano em que se comemoram os 90 anos das Aparições de Nossa Senhora em Fátima", reza a capa do folheto que estava hoje na minha caixa do correio, com uma foto de uma estátua de Nossa Senhora com uma aparência piedosa.
Lá dentro, diz-se que "No ano em que se comemora o 90º Aniversário das Aparições de Fátima, Nossa Senhora chora... e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido.
No dia 11 de Fevereiro realizar-se-á um referendo nacional pela liberalização do aborto. Nesse dia, é indispensável ir às urnas e responder NÂO à pergunta do referendo: (...) Ou seja, dizer que não concorda com o assassinato brutal de inocentes ainda no ventre materno!
Esta é a resposta que a Santíssima Virgem espera de si.
Abster-se não pode ser uma opção. Diante de uma questão tão importante como esta, que trará graves consequências para o nosso País, não votar é o mesmo que dizer sim ao aborto.
E dizer sim é permitir que se matem inocentes, indefesos e pequeninos, que aguardam apenas o momento de vir ao mundo.
11 de Fevereiro é a Festa de Nossa Senhora de Lourdes! Aquela que, desde o primeiro instante da sua concepção, foi Imaculada e abriu uma fonte de vida para nos salvar. No dia 11 de Fevereiro votemos pela vida dizendo NÂO ao aborto.
Mas além do seu voto, Portugal precisa também das suas orações.
Precisamos de rezar o terço e pedir a Nossa Senhora que interceda por nós e afaste do nosso País este brutal e cobarde atentado contra a vida.
Por isso, a Acção Família está a realizar uma campanha de divulgação massiva do Terço da Vida, em comemoração do 90º aniversário das Aparições de Fátima, como grande súplica nacional para dar a vitória a Nossa Senhora e a Portugal, no dia 11 de Fevereiro.
Peça hoje mesmo o seu estojo do Terço da Vida. E receberá em sua casa o terço e o livro "O Rosário da Vida", com meditações para rezar o terço em desagravo ao referendo, que por si só já constitui uma ofensa a Deus.
Para receber em sua casa o seu estojo, siga as instruções que constam da Ficha de Participação na Campanha pela Vida."
Na "ficha de participação" destacável do folheto lê-se, à frente de três caixinhas que deverão ser marcadas com uma cruz:
"Sou Católico, e no dia 11 de Fevereiro não fugirei às minhas obrigações e vou participar do referendo nacional dizendo NÂO ao Aborto.
Comprometo-me a rezar o Terço da Vida, pelo menos uma vez antes do referendo, e assim participar dessa grande súplica nacional a Nossa Senhora de Fátima.
Gostaria de receber o livro ilustrado "O Rosário da Vida" (48 páginas), acompanhado do Terço. Como forma de colaborar com esta iniciativa pela Vida, gostaria de ajudar com:" (as opções aqui são 10 euros, 15 euros, ou uma quantia à escolha do leitor)
Depois de ter lido isto, não sei o que me choca mais: se as sugestões de ingerência na legislação de um estado de Direito que o texto faz a espaços, se o apelo apaixonado à fé para lançar um julgamento moral sobre pessoas que nunca tomam uma decisão destas de modo inconsciente, se o mercantilismo sonso de um aproveitamento encapotado da questão moral para fazer venda directa.
E fica uma reflexão: é o segundo panfleto a favor do não que me metem na caixa do correio; cadê os panfletos a favor do sim?
Lá dentro, diz-se que "No ano em que se comemora o 90º Aniversário das Aparições de Fátima, Nossa Senhora chora... e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido.
No dia 11 de Fevereiro realizar-se-á um referendo nacional pela liberalização do aborto. Nesse dia, é indispensável ir às urnas e responder NÂO à pergunta do referendo: (...) Ou seja, dizer que não concorda com o assassinato brutal de inocentes ainda no ventre materno!
Esta é a resposta que a Santíssima Virgem espera de si.
Abster-se não pode ser uma opção. Diante de uma questão tão importante como esta, que trará graves consequências para o nosso País, não votar é o mesmo que dizer sim ao aborto.
E dizer sim é permitir que se matem inocentes, indefesos e pequeninos, que aguardam apenas o momento de vir ao mundo.
11 de Fevereiro é a Festa de Nossa Senhora de Lourdes! Aquela que, desde o primeiro instante da sua concepção, foi Imaculada e abriu uma fonte de vida para nos salvar. No dia 11 de Fevereiro votemos pela vida dizendo NÂO ao aborto.
Mas além do seu voto, Portugal precisa também das suas orações.
Precisamos de rezar o terço e pedir a Nossa Senhora que interceda por nós e afaste do nosso País este brutal e cobarde atentado contra a vida.
Por isso, a Acção Família está a realizar uma campanha de divulgação massiva do Terço da Vida, em comemoração do 90º aniversário das Aparições de Fátima, como grande súplica nacional para dar a vitória a Nossa Senhora e a Portugal, no dia 11 de Fevereiro.
Peça hoje mesmo o seu estojo do Terço da Vida. E receberá em sua casa o terço e o livro "O Rosário da Vida", com meditações para rezar o terço em desagravo ao referendo, que por si só já constitui uma ofensa a Deus.
Para receber em sua casa o seu estojo, siga as instruções que constam da Ficha de Participação na Campanha pela Vida."
Na "ficha de participação" destacável do folheto lê-se, à frente de três caixinhas que deverão ser marcadas com uma cruz:
"Sou Católico, e no dia 11 de Fevereiro não fugirei às minhas obrigações e vou participar do referendo nacional dizendo NÂO ao Aborto.
Comprometo-me a rezar o Terço da Vida, pelo menos uma vez antes do referendo, e assim participar dessa grande súplica nacional a Nossa Senhora de Fátima.
Gostaria de receber o livro ilustrado "O Rosário da Vida" (48 páginas), acompanhado do Terço. Como forma de colaborar com esta iniciativa pela Vida, gostaria de ajudar com:" (as opções aqui são 10 euros, 15 euros, ou uma quantia à escolha do leitor)
Depois de ter lido isto, não sei o que me choca mais: se as sugestões de ingerência na legislação de um estado de Direito que o texto faz a espaços, se o apelo apaixonado à fé para lançar um julgamento moral sobre pessoas que nunca tomam uma decisão destas de modo inconsciente, se o mercantilismo sonso de um aproveitamento encapotado da questão moral para fazer venda directa.
E fica uma reflexão: é o segundo panfleto a favor do não que me metem na caixa do correio; cadê os panfletos a favor do sim?
28 de janeiro de 2007
SOBRAL DE MONTE AGRAÇO JÁ NÃO TEM SÓ UM PARQUE INFANTIL
...mas, segundo o noticiário da uma da RTP-1, também teve neve esta noite.
(E a história repete-se: há exactamente um ano, estava eu de férias em São Francisco, nevou em Lisboa e eu falhei a neve, tal como hoje.)
(E a história repete-se: há exactamente um ano, estava eu de férias em São Francisco, nevou em Lisboa e eu falhei a neve, tal como hoje.)
MOURINHALÂNDIA
Este blog tem andado um tudo nada ausente nos últimos dias. O muito trabalho tem destas coisas: de repente, sem darmos por isso, deixa de haver outros assuntos para se falar. O mundo não pára, eu é que de repente tenho só uma coisa em que pensar e tudo o resto deixa de estar lá (filmes, por exemplo, esta semana foram seis, outros tantos textos a preparar de dimensão variável, e isto não é linha de montagem, não sai automaticamente porque se abriu a torneira, que a criatividade não é bem assim que funciona).
Portanto, se eu tivesse de resumir um bocado esta semana que passou, diria que foi uma semana movimentada, em que o meu mundo basculou um bocado mais do que eu estava à espera. Em que redescobri alguns discos que já não ouvia há muito tempo (e soube-me muito bem reencontrá-los), acordei a trautear canções que não faço ideia porque é que se me alojaram no cérebro a desoras (ora Enya, ora J. P. Simões, não é para fazer sentido), andei a ver preços de portáteis Mac que são-tão-lindos-mas-raios-são-tão-caros, reparei que vou estar fora quando for o referendo do aborto e não vou poder votar "sim". Em que escrevi muito, li menos e me decidi a fazer algumas coisas que já devia ter feito há mais tempo, rapei muito frio de manhãzinha e dei pela minha gata a dormir comigo debaixo dos lençóis, passei o sábado a traduzir linguagem académica e ouvi a minha mãe a resmungar que os crocodilos são uma nojeira (quando eu os acho uns bichos, sim, muito feios e um tanto ou quanto repugnantes mas particularmente fascinantes).
Ou seja, continua tudo na mesma na Mourinhalândia. Some things never change.
Portanto, se eu tivesse de resumir um bocado esta semana que passou, diria que foi uma semana movimentada, em que o meu mundo basculou um bocado mais do que eu estava à espera. Em que redescobri alguns discos que já não ouvia há muito tempo (e soube-me muito bem reencontrá-los), acordei a trautear canções que não faço ideia porque é que se me alojaram no cérebro a desoras (ora Enya, ora J. P. Simões, não é para fazer sentido), andei a ver preços de portáteis Mac que são-tão-lindos-mas-raios-são-tão-caros, reparei que vou estar fora quando for o referendo do aborto e não vou poder votar "sim". Em que escrevi muito, li menos e me decidi a fazer algumas coisas que já devia ter feito há mais tempo, rapei muito frio de manhãzinha e dei pela minha gata a dormir comigo debaixo dos lençóis, passei o sábado a traduzir linguagem académica e ouvi a minha mãe a resmungar que os crocodilos são uma nojeira (quando eu os acho uns bichos, sim, muito feios e um tanto ou quanto repugnantes mas particularmente fascinantes).
Ou seja, continua tudo na mesma na Mourinhalândia. Some things never change.
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