Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
7 de dezembro de 2006
A REDESCOBERTA DA PALAVRA
Haverá alguns mais dados às más línguas que entenderão que ter um gato enroscado terá ajudado, mas confesso que passa muito mais pelos dias mais descansados dos fins-de-semana prolongados, pelos feriados, pelo inverno que já aí está e convida ao ursar preguiçoso pelo sofá (como eu gosto da palavra ursar, que em tempos o meu amigo Joaquim Bidarra defendia calorosamente): depois de um par de anos em que a leitura regular se ficava pelas revistas da praxe e os livros se iam acumulando escandalosamente por ler nas prateleiras, está-me outra vez a saber tão bem concentrar-me nas páginas de um livro e deixá-las correr com o tempo. Estar a ler por prazer, sem obrigação, e deixar-me levar onde as palavras me levam. Pelo meio, apanho um ensaio da falecida Susan Sontag sobre o "Berlin Alexanderplatz" de Fassbinder (no curiosíssimo "Writers at the Movies", colecção de escritos de escritores sobre filmes editada por Jim Shepard em 2003) — onde ela defende, basicamente, que se contam pelos dedos de uma mão os bons filmes tirados de bons livros, e que a única adaptação cinematográfica possível de um romance é uma visualização fiel e integral, que a própria natureza do cinema (compactando uma narrativa em duas horas) inviabiliza. Sabemos, claro, que não é exactamente assim (é isto da tradução/traição...) mas é uma posição admiravelmente defensável — e que sublinha apenas como o poder cinemático da palavra é insubstituível, mesmo pela imagem que é suposta valer mil palavras.
6 de dezembro de 2006
ALL MOD CONS
Estou — eu e, presumo, a rua toda — sem água desde ontem às oito da noite, segundo a linha de faltas de água da EPAL devido a uma "rotura imprevista" na rua onde moro (pequena dúvida etimológica: rotura será um abastardamento de ruptura?), e a EPAL prevê que a situação apenas fique regularizada lá para as quatro da tarde (às 10 da manhã era ao meio-dia; será que às duas da tarde passa a ser às oito da noite?). Não posso dizer que tenha razões de queixa da EPAL: nos seis anos que já levo a morar aqui, esta é a primeira falta de água verdadeiramente incómoda que sofro (isto de não poder tomar banho de manhã faz-me uma comichão à cabeça que nem vos imagina), mas é tão incómoda (estou há precisamente 12 horas sem água) que dá vontade de tratar mal os responsáveis. Ora, a verdade é que uma vez em seis anos é uma média muito boa, mesmo que neste momento me apeteça obrigar os responsáveis da EPAL a passarem um dia inteiro sem água a ver se acham graça. Mais interessante é perceber como estamos de tal modo habituados aos nossos pequenos confortos modernos, "civilizados", que quase nem nos passa pela cabeça que eles nos podem faltar — e, quando nos faltam, ficamos ó-tio-ó-tio sem saber bem o que fazer.
5 de dezembro de 2006
A ARTE DAS RELAÇÕES PÚBLICAS
Uma manhã em que estava a trabalhar em casa, toca-me à porta um angariador de uma empresa de telecomunicações anunciando — muito depressa e entredentes — que se eu tivesse uma factura da PT tinha uma oferta para mim. Isto sem explicar ao que vinha e de onde vinha. O jovem (dos seus 20 e poucos, tinha todo o ar de primeiro emprego e vinha vestido demasiado à moda suburbana para ter o aspecto sério e respeitável que estes angariadores supostamente devem ter) não tinha ar nenhum de funcionário da PT, pelo que lhe perguntei se era da PT, ao que me respondeu que trabalhava com a PT. Pedi-lhe se tinha algum tipo de identificação e, relutantemente, puxou do bolso das calças o cartão que o identificava como empregado de uma das empresas de telecomunicações que andam a tentar convencer os clientes a abandonar a linha fixa da PT e ter assinatura telefónica noutro fornecedor (o que é um objectivo louvável visto que a PT se estica um bocadinho em termos de preços). Só que o jovem não só mostrou o cartão relutantemente como ainda resmungou entredentes qualquer coisa do tipo "o senhor é muito desconfiado". Quando lhe disse, para o despachar o mais educadamente que podia e regressar ao trabalho, que não tinha telefone fixo, disse-me, "bom, nesse caso não o posso ajudar". Isto apesar de ninguém lhe ter pedido ajuda e de o angariador parecer estar-se razoavelmente a borrifar se eu precisava ou não da ajuda, desde que marcasse a visita como feita lá no registo de visitas.
3 de dezembro de 2006
POST FELINO SEMANAL
D. Sofia Felina tem uma especial predilecção por empoleirar-se no meu ombro esquerdo e por ali ficar a observar o mundo que a rodeia, aproveitando para de vez em quando me lamber ou cheirar (ou mesmo mordiscar) a orelha esquerda como quem subiu para cima de um móvel. Umas quantas vezes, a sua ascensão ao ombro faz-se por meio de um método aprendido decerto com Reinhold Messner na National Geographic de Novembro, subindo à força de garra pelas calças e camisola acima até se instalar no ombro e por ali ficar enquanto muito bem lhe apetecer.
1 de dezembro de 2006
A PROPÓSITO DO LUGAR-COMUM
Tenho estado a acompanhar à distância o cortejo de diatribes anti-crítica-de-cinema dos leitores do blog do meu amigo Nuno Markl (façam o favor de consultar as caixas de comentários deste e deste posts) a propósito daquilo que seria uma unificação da "classe crítica" portuguesa contra "Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão", de Larry Charles, que ontem estreou por cá.
Não vou entrar em nenhuma defesa acérrima da "classe crítica" porque não existe uma "classe crítica" — existem indivíduos com gostos diferentes, vivências diferentes e expressões diferentes, graças a Deus que somos todos diferentes e gostamos todos de coisas diferentes. Mas é curioso como a opinião de quase toda a gente que para ali comenta (mais do que o próprio Nuno Markl, que, honra lhe seja feita, esclarece bastante bem que a crítica não é uma "classe" sindicalizada mas um aglomerado de gente muito diferente, embora não se furte a uma ou outra generalização menos feliz) é uma opinião extremamente negativa para com os críticos de cinema, apelidando-os de intelectuais, de snobs, de elitistas, de gente que só gosta de filmes chatos, que odeia o sucesso de bilheteira, que horror, o filme está a fazer bem vamos dizer mal etc., etc., etc. É significativo de uma atitude bastante generalizada (e generalista) sobre esses chulos que ganham a vida a dizer mal daquilo que as pessoas gostam (reparem que "as pessoas" é sempre uma grande massa amorfa que, na vida real, nunca se comporta com essa movimentação de massas quase unânime).
O que a maior parte das "pessoas" esperam da crítica de cinema hoje em dia, no fundo, não é que quem critique emita uma opinião pessoal, mais ou menos fundamentada, pior ou melhor argumentada. O que as pessoas esperam da crítica de cinema (e não é só da de cinema) não é uma opinião — melhor, não é uma outra opinião: esperam apenas que o crítico valide a opinião de quem lê. Se a validar, é um excelente crítico; se não, não percebe nada do que faz. As pessoas no fundo não querem ler nem querem ter de pensar: querem o oráculo dos telejornais, saber o essencial em duas linhas para não terem de ler uma página que as faça pensar e confrontar a sua própria opinião com uma outra que não forçosamente igual. As pessoas não se querem dar ao trabalho. (A unanimidade de quase todos os comentários a chamar "genial" ao "Borat..." é tão suspeita como a unanimidade de quase todos os críticos que dizem mal do filme — o que só prova que os radicalismos são por natureza parciais).
Ora, o engraçado é que "Borat..." é um filme que se dá ao trabalho de desmontar ideias feitas, à volta dessa necessidade de desafiar a preguiça e o lugar-comum. E que isso parece ter passado ao lado quer de quem o acha genial quer de quem o acha indigente. A verdade, claro, está algures no meio, como a virtude.
Não vou entrar em nenhuma defesa acérrima da "classe crítica" porque não existe uma "classe crítica" — existem indivíduos com gostos diferentes, vivências diferentes e expressões diferentes, graças a Deus que somos todos diferentes e gostamos todos de coisas diferentes. Mas é curioso como a opinião de quase toda a gente que para ali comenta (mais do que o próprio Nuno Markl, que, honra lhe seja feita, esclarece bastante bem que a crítica não é uma "classe" sindicalizada mas um aglomerado de gente muito diferente, embora não se furte a uma ou outra generalização menos feliz) é uma opinião extremamente negativa para com os críticos de cinema, apelidando-os de intelectuais, de snobs, de elitistas, de gente que só gosta de filmes chatos, que odeia o sucesso de bilheteira, que horror, o filme está a fazer bem vamos dizer mal etc., etc., etc. É significativo de uma atitude bastante generalizada (e generalista) sobre esses chulos que ganham a vida a dizer mal daquilo que as pessoas gostam (reparem que "as pessoas" é sempre uma grande massa amorfa que, na vida real, nunca se comporta com essa movimentação de massas quase unânime).
O que a maior parte das "pessoas" esperam da crítica de cinema hoje em dia, no fundo, não é que quem critique emita uma opinião pessoal, mais ou menos fundamentada, pior ou melhor argumentada. O que as pessoas esperam da crítica de cinema (e não é só da de cinema) não é uma opinião — melhor, não é uma outra opinião: esperam apenas que o crítico valide a opinião de quem lê. Se a validar, é um excelente crítico; se não, não percebe nada do que faz. As pessoas no fundo não querem ler nem querem ter de pensar: querem o oráculo dos telejornais, saber o essencial em duas linhas para não terem de ler uma página que as faça pensar e confrontar a sua própria opinião com uma outra que não forçosamente igual. As pessoas não se querem dar ao trabalho. (A unanimidade de quase todos os comentários a chamar "genial" ao "Borat..." é tão suspeita como a unanimidade de quase todos os críticos que dizem mal do filme — o que só prova que os radicalismos são por natureza parciais).
Ora, o engraçado é que "Borat..." é um filme que se dá ao trabalho de desmontar ideias feitas, à volta dessa necessidade de desafiar a preguiça e o lugar-comum. E que isso parece ter passado ao lado quer de quem o acha genial quer de quem o acha indigente. A verdade, claro, está algures no meio, como a virtude.
30 de novembro de 2006
CARREIRA 58
Uma das coisas mais curiosas em que reparo quando viajo de autocarro em Lisboa é a necessidade que algumas pessoas - maioritariamente idosos de todo o tipo - têm de conversar umas com as outras. E, geralmente, as conversas têm sempre um único tópico: dizer mal. Há sempre qualquer coisa que está mal, há sempre alguém que está a enganar alguém, são sempre os mesmos que são comidos, etc., etc., etc. É raríssimo ouvir uma palavra simpática nestas conversas de autocarro.
28 de novembro de 2006
WE LOVE LESMA
Pronto. Não consigo mesmo resistir a pôr aqui o clip da rave das lesmas que a Dreamworks e a Aardman puseram a correr há largas semanas para promover "Por Água Abaixo", que estreia por cá na quinta-feira. O clip não aparece no filme, mas dá uma ideia do que as lesmas estão lá a fazer — tipo pinguins de "Madagáscar" (mas "Por Água Abaixo" é uma comédia hilariante, enquanto "Madagáscar" era uma "sitcom" sem grande graça esticada para longa-metragem). Depois disto, nunca mais verão uma lesma da mesma maneira.
27 de novembro de 2006
NAO FAZ MAL, E PAPEL NA MESMA
Amigos meus de alma caridosa e bom coração haviam avisado que, à imagem dos seus irmãos felinos, D. Sofia Felina ia encetar uma relação muito íntima e proveitosa (para ela, que não para mim) com os rolos de papel higiénico. Até ver, tal não se concretizou.
Já com os guardanapos de papel, o caso muda de figura.
Já com os guardanapos de papel, o caso muda de figura.
26 de novembro de 2006
FADISTICES
Há uma semana, Aldina Duarte na Culturgest, em rigorosa encenação de Jorge Silva Melo para apresentar o segundo (e menos conseguido) álbum, "Crua". Ontem, Cristina Branco no CCB, em antevisão do novo "Live". É curioso como o "futuro" do "Novo Fado" está cada vez mais ligado ao passado: Aldina está cada vez mais próxima das grandes castiças como Lucília do Carmo, em tom, em timbre, em enunciação, em entrega, em respeito pelo rigor e pela forma clássica do "Velho Fado"; Cristina assume cada vez mais reportório de Amália para o integrar na sua "canção" tangencial ao Fado, fazendo-o (coisa assombrosa que ainda nenhuma outra conseguiu fazer, nem mesmo Mariza ou Kátia) seu.
Ironicamente, ambas, de alguma maneira, "marcaram passo". Aldina porque se notava o nervosismo, a preocupação com uma marcação de palco a ser respeitada, que espartilhou a espontaneidade e o entusiasmo que lhe reconhecemos; a Culturgest pode ter esse lado intimidatório (Mafalda Arnauth também em tempos lá se espalhou), mas Aldina não o tinha sentido há ano e meio, na sua estreia naquele espaço, e sentiu-o desta vez. Cristina porque o seu concerto, para lá das interpretações de Amália que não faziam parte do seu reportório habitual, não é mais do que uma versão "extended" do "set" respeitante à digressão do sublime "Ulisses". Para Aldina, este concerto terá sido um degrau mais num crescimento artístico em progressão contínua dentro de uma lógica de transmissão do classicismo do Fado (e que magníficos acompanhantes são José Manuel Neto e Carlos Manuel Proença!). Para Cristina, a confirmação de uma voz e de um talento únicos que a transportam para um outro lugar para lá do Fado, mas sempre a ele ligado (mas Bernardo Couto é demasiado inexperiente para ser Custódio Castelo).
Ironicamente, ambas, de alguma maneira, "marcaram passo". Aldina porque se notava o nervosismo, a preocupação com uma marcação de palco a ser respeitada, que espartilhou a espontaneidade e o entusiasmo que lhe reconhecemos; a Culturgest pode ter esse lado intimidatório (Mafalda Arnauth também em tempos lá se espalhou), mas Aldina não o tinha sentido há ano e meio, na sua estreia naquele espaço, e sentiu-o desta vez. Cristina porque o seu concerto, para lá das interpretações de Amália que não faziam parte do seu reportório habitual, não é mais do que uma versão "extended" do "set" respeitante à digressão do sublime "Ulisses". Para Aldina, este concerto terá sido um degrau mais num crescimento artístico em progressão contínua dentro de uma lógica de transmissão do classicismo do Fado (e que magníficos acompanhantes são José Manuel Neto e Carlos Manuel Proença!). Para Cristina, a confirmação de uma voz e de um talento únicos que a transportam para um outro lugar para lá do Fado, mas sempre a ele ligado (mas Bernardo Couto é demasiado inexperiente para ser Custódio Castelo).
25 de novembro de 2006
NOTICIA DE ULTIMA HORA
Afinal, D. Sofia Felina já não tem medo do autoclismo. Pedimos desculpa pela informação errada.
24 de novembro de 2006
23 de novembro de 2006
SINGING IN THE RAIN
Reconheço aos militares, enquanto cidadãos portugueses, todo o direito de passearem por onde muito bem entenderem, quando muito bem o entenderem, com quem muito bem o entenderem, e acho que toda esta história de passeios versus manifestações é um daqueles "fait-divers" que só em Portugal é que têm esta importância toda (no entanto, devo avisar que a utilização da frase "não foi para isto que os militares fizeram o 25 de Abril" ouvida ontem no Telejornal deduz pontos na classificação final).
Só que, aqui entre nós, isto de escolher um dia de temporal para ir passear para o Rossio não faz lá muito sentido... A gente sabe que "chuva civil não molha militar", mas ir ver montras com este tempo...
Só que, aqui entre nós, isto de escolher um dia de temporal para ir passear para o Rossio não faz lá muito sentido... A gente sabe que "chuva civil não molha militar", mas ir ver montras com este tempo...
22 de novembro de 2006
ALGUEM QUE LHE EXPLIQUE QUE AS COISAS NAO SAO BEM ASSIM
No Telejornal do canal 1, um representante do sindicato dos professores que distribuia à população panfletos explicativos de qualquer coisa dizia à reportagem que a má reputação que os professores têm é uma maldosa mentira espalhada pela senhora Ministra da Educação. Mas a má reputação que os professores têm não é já anterior à actual Ministra? Ou o representante estava a falar de outra má reputação de que eu não sei nada?
Happy birthday, Bear!
I was lost
for so long
feels like it's taken
half my life
to find where
I belong
seeing you here
you're my nation
this is my application
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain
all the worlds
that I saw
I went so far away
and still wanted you more
it may sound superficial
but can we make it official?
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain
tell me where I stand
what do you envision?
one way or another
give me your decision now
is it time
to proceed?
will you give me a chance
and the status I need?
seeing you here
you're my nation
this is my application
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain.
— Neil Tennant/Chris Lowe for the Pet Shop Boys: "Indefinite Leave to Remain", in "Fundamental" (Parlophone, 2006).
I was lost
for so long
feels like it's taken
half my life
to find where
I belong
seeing you here
you're my nation
this is my application
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain
all the worlds
that I saw
I went so far away
and still wanted you more
it may sound superficial
but can we make it official?
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain
tell me where I stand
what do you envision?
one way or another
give me your decision now
is it time
to proceed?
will you give me a chance
and the status I need?
seeing you here
you're my nation
this is my application
give me hope
keep me sane
give me
indefinite leave to remain.
— Neil Tennant/Chris Lowe for the Pet Shop Boys: "Indefinite Leave to Remain", in "Fundamental" (Parlophone, 2006).
21 de novembro de 2006
ARE YOU READY TO BE HEARTBROKEN?
Aula Magna a menos de metade mas a enganar bem, 21h45, terça, 21 de Novembro de 2006. Em palco, Lloyd Cole, Neil Clark, umas poucas guitarras e um laptop Macintosh cinzento a fingir de caixa de ritmos numas poucas canções, a prova de que o pós-Commotions não fica a dever nada ao que está para trás e só não recebeu a mesma atenção (e quem editou o recente "Antidepressant" deve estar irritadíssimo por só ter havido três canções do disco novo)- 80 minutos contados (com dois míseros encores): soube a pouco. Mas soube tão bem.
Traffic
Like Lovers Do
Rattlesnakes
Past Imperfect
Butterfly
Late NIght Early Town
No More Love Songs
I'm Gone
New York City Sunshine
Are You Ready to Be Heartbroken?
2CV
My Other Life
Music in a Foreign Language
Pay for It
How Wrong Can You Be?
Why I Love Country Music
Cut Me Down
The Young Idealists
Perfect Skin
encore
Jennifer She Said
No Blue Skies
Traffic
Like Lovers Do
Rattlesnakes
Past Imperfect
Butterfly
Late NIght Early Town
No More Love Songs
I'm Gone
New York City Sunshine
Are You Ready to Be Heartbroken?
2CV
My Other Life
Music in a Foreign Language
Pay for It
How Wrong Can You Be?
Why I Love Country Music
Cut Me Down
The Young Idealists
Perfect Skin
encore
Jennifer She Said
No Blue Skies
19 de novembro de 2006
A INSUSTENTAVEL LEVEZA DO SER FELINO
Às vezes, é muito fácil esquecer-me que a bola de pêlo felpuda e ternurenta que gosta de se aninhar no meu colo quando estou ao computador, que é de uma curiosidade tão inesgotável que chega a ser exasperante, é apenas um bebé de dois meses que ainda está a descobrir o mundo e passa a maior parte do dia a dormir como se não fosse nada com ela. A verdade é que sentir a Sofia no meu colo, ou no recanto do sofá que ela adoptou como o seu cantinho para dormir sozinha, a dormir a sono solto dá uma estranha sensação de sossego e quietude. Como se o simples facto daquele bichinho teimoso e curioso estar ali fizesse tudo estar bem. E se calhar está mesmo.
17 de novembro de 2006
O MOMENTO MICK JAGGER
Na magnífica peça de Joe Klein (um dos grandes analistas da política americana contemporânea, e o autor "anónimo" do romance que inspirou o filme de Mike Nichols "Escândalos do Candidato") que vem na Time desta semana a dissecar a derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares americanas, descobre-se que há uma coisa chamada "the Mick Jagger moment". Descrita como — e passo a citar — "you can't always get what you want. The question is, can we get what we need?"
16 de novembro de 2006
WHAT HAVE WE DONE TO DESERVE THIS?
Pedro Santana Lopes vem a terreiro publicar um livro onde conta a sua versão dos catastróficos meses em que foi Primeiro-Ministro de Portugal. Não li, não tenho intenção de ler, cortei o som à conferência de imprensa nos telejornais e à entrevista de Judite de Sousa, não apanhei os comentários e as análises, mas quase aposto que vai dizer que o seu glorioso mandato foi interrompido cobardemente por aqueles que não reconheceram o seu talento inato e a sua visão luminosa de um Portugal melhor.
Enquanto isso, no mundo real...
Enquanto isso, no mundo real...
15 de novembro de 2006
ORA NEM MAIS
"Being a Christian is no excuse for being stupid." Dick Armey, político republicano e católico praticante que não subscreve a actual tendência americana para o conservadorismo religioso fundamentalista, citado na Economist desta semana. Digam lá que não é uma belíssima frase.
14 de novembro de 2006
UM HOMEM NAO CHORA
Não sei se viram, na semana passada, aquela reportagem da RTP sobre os problemas psicológicos dos agentes da polícia e as altíssimas taxas de suicídio dos agentes da autoridade. Apanhei-a um pouco por acaso, mas a verdade é que fiquei perfeitamente elucidado sobre um pormenor: a velha imagem do polícia como "homem de ferro" já não corresponde minimamente à realidade. Os polícias são tão frágeis e humanos como as "pessoas normais", o que se pensarmos bem é apenas normal mas nada evidente.
Sempre achei que estas profissões "de risco" deviam ter um enquadramento psicológico muito sério — mas a reportagem deu a entender que nem por isso. Será que, nisto como noutras coisas, Portugal ainda acha no geral que tratamento psicológico é a mesma coisa que "ser maluquinho" e que "um homem resolve os seus problemas sozinho" e "um homem não chora"? Gostava de pensar que não — porque nenhuma dessas afirmações, assim como assim, é uma verdade universal — mas algo me diz que sim.
Sempre achei que estas profissões "de risco" deviam ter um enquadramento psicológico muito sério — mas a reportagem deu a entender que nem por isso. Será que, nisto como noutras coisas, Portugal ainda acha no geral que tratamento psicológico é a mesma coisa que "ser maluquinho" e que "um homem resolve os seus problemas sozinho" e "um homem não chora"? Gostava de pensar que não — porque nenhuma dessas afirmações, assim como assim, é uma verdade universal — mas algo me diz que sim.
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