Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
11 de julho de 2006
O PRIMEIRO SEGREDO DE BERLIM
A bolsa de apostas sobre o que terá Materazzi dito a Zidane para que o jogador francês se vá a ele como touro arfante a diestro de capa vermelha começa a parecer-se perigosamente com o célebre Terceiro Segredo de Fátima: toda a gente tem uma opinião mas ninguém sabe o que realmente foi dito.
10 de julho de 2006
CONTINUANDO O SEMPRE BEM-VINDO TÓPICO PLANTÍGRADO
Não gosto tanto de pandas como dos ursos menos "kiduchos", mas aqui confesso que também não consigo resistir.
9 de julho de 2006
MUNDO DE AVENTURAS
Já não é a primeira vez que passo pela loja na rua da Misericórdia e fico a olhar para a montra e para o seu interior, mas foi a primeira vez que entrei na Loja das Colecções — no fundo, nada mais do que um alfarrabista mais organizado do que a média, onde em tempos existia um McDonald's — , onde coexistem alegremente, lado a lado, discos de António Mourão e Amália Rodrigues, literatura revolucionária do 25 de Abril e traduções do Portugal salazarista do "Mein Kampf".
Ao fundo, mesmo em frente à porta de entrada, estão as bandas-desenhadas. E aí, com grande surpresa, dei por uma série perfeitamente organizada de colecções do Falcão, Mundo de Aventuras e outros Selecções, entre os quais, numa breve passagem, reconheci as capas de inúmeros números de que me recordo em casa dos pais, passadas de mão em mão dos meus irmãos mais velhos (números posteriores, já dos anos 1970, eram comprados mais pelo meu pai e por mim próprio). Alguns deles ainda os tenho, guardados em minha casa num arquivo de cartão. Folheando as caixas, deliciei-me com as traduções "às três pancadas", letradas à máquina de escrever e que pareciam muitas vezes deturpar o sentido das histórias e ocupar mais espaço que os próprios desenhos. E regressei a uma época em que havia outra ingenuidade e outro maravilhamento no modo como criávamos e líamos a "pulp fiction" descartável.
Ao fundo, mesmo em frente à porta de entrada, estão as bandas-desenhadas. E aí, com grande surpresa, dei por uma série perfeitamente organizada de colecções do Falcão, Mundo de Aventuras e outros Selecções, entre os quais, numa breve passagem, reconheci as capas de inúmeros números de que me recordo em casa dos pais, passadas de mão em mão dos meus irmãos mais velhos (números posteriores, já dos anos 1970, eram comprados mais pelo meu pai e por mim próprio). Alguns deles ainda os tenho, guardados em minha casa num arquivo de cartão. Folheando as caixas, deliciei-me com as traduções "às três pancadas", letradas à máquina de escrever e que pareciam muitas vezes deturpar o sentido das histórias e ocupar mais espaço que os próprios desenhos. E regressei a uma época em que havia outra ingenuidade e outro maravilhamento no modo como criávamos e líamos a "pulp fiction" descartável.
8 de julho de 2006
MOMENTO DE ADMIRAÇÃO PLANTÍGRADA
Não quer dizer que tenhamos de nos chegar perto, mas os ursos são tão fixes.
7 de julho de 2006
6 de julho de 2006
O CLIENTE TEM SEMPRE RAZÃO
No banco, depois de levantar cheques na máquina automática, para a qual está uma fila de três pessoas atrás de mim, dirijo-me para a caixa multibanco da qual acaba de se afastar uma pessoa. O senhor de T-shirt amarela e pochette castanha toca-me no ombro e, com excessiva e melíflua educação, diz-me que "é fila única", nem me dando tempo para meter o cartão à máquina. Surpreendido, cedo-lhe o lugar e digo-lhe que não sabia que era fila única — naquela sucursal, o habitual é filas separadas. A senhora que estava atrás dele, com um sorriso "que é que se há-de fazer?", diz que qualquer pessoa acharia que eram filas separadas.
Logo a seguir, no posto de correio, dirijo-me ao balcão para solicitar um impresso de registo e um aviso de recepção para ir preenchendo enquanto espero a minha vez. A empregada pede com maus modos para esperar enquanto fala com um colega, puxando dos impressos e mantendo-os na mão enquanto conversa mas só mos entregando depois de terminar de falar.
Logo a seguir, no posto de correio, dirijo-me ao balcão para solicitar um impresso de registo e um aviso de recepção para ir preenchendo enquanto espero a minha vez. A empregada pede com maus modos para esperar enquanto fala com um colega, puxando dos impressos e mantendo-os na mão enquanto conversa mas só mos entregando depois de terminar de falar.
5 de julho de 2006
MARIA ALBERTINA COMO FOSTE NESSA DE CHAMAR VANESSA À TUA MENINA
Na interminável série dos nomes-que-se-não-existissem-tinham-de-ser-inventados, numa loja do Colombo que estava com uma mão-cheia de currículos de potenciais empregados em cima da mesa, vi no topo da pilha o seguinte nome: Vilma Solange.
4 de julho de 2006
CARREIRA 28 (slight return, a pedido de várias famílias)
É domingo, meio da manhã. O eléctrico vem relativamente vazio dos Prazeres, mas é na rua da Conceição que começa genuinamente a encher, maioritariamente com turistas. Uma jovem gorda, com um bebé ao colo, faz sinal a um casal estrangeiro sentado na frente do eléctrico apontando com o dedo o letreiro vermelho que indica que aqueles lugares devem ser cedidos a idosos, grávidas ou acompanhantes de crianças de colo; não percebo se o casal não queria ceder o lugar ou, face à enchente, não se conseguia levantar antes do eléctrico parar num sinal ou numa paragem.
Algures também pela Baixa, um senhor de meia-idade, cabelo branco, camisa aos quadrados largos, calças de fazenda, sacos de plástico na mão, posiciona-se em pé ao meu lado. A certa altura, começa a cantarolar em voz alta com requebros fadistas, não sei se inventando a letra ou cantando quadras soltas, intercaladas com o assobiar da melodia. O concerto imprevisto e não solicitado, que ainda pensei se dever à forte presença turística continua no entanto depois do eléctrico se esvaziar consideravelmente no Castelo de São Jorge, e continua ininterruptamente — quando saio no Bairro das Colónias, o senhor continua a trautear impetuosamente.
Algures também pela Baixa, um senhor de meia-idade, cabelo branco, camisa aos quadrados largos, calças de fazenda, sacos de plástico na mão, posiciona-se em pé ao meu lado. A certa altura, começa a cantarolar em voz alta com requebros fadistas, não sei se inventando a letra ou cantando quadras soltas, intercaladas com o assobiar da melodia. O concerto imprevisto e não solicitado, que ainda pensei se dever à forte presença turística continua no entanto depois do eléctrico se esvaziar consideravelmente no Castelo de São Jorge, e continua ininterruptamente — quando saio no Bairro das Colónias, o senhor continua a trautear impetuosamente.
3 de julho de 2006
DESCONTEXTUALIZAR POR AÍ
"Emagreci sete quilos desde que comecei a fazer de vaca num musical" - Mafalda Sacchetti, cantora, a Micael Pereira, na revista Única do Expresso, sábado, 1 de Julho.
2 de julho de 2006
PODER MATERNAL
Ameaça da mãe à criancinha que não pára de se portar mal na loja. "Olha, estás a ver o McDonald's? Já era."
1 de julho de 2006
NATUREZA MORTA NAS ESCADINHAS DA RUA DE S. BERNARDO
1 de Julho, duas da manhã: uma garrafa de meio litro de cerveja, vazia, de um lado do corrimão; uma lata de Fanta limão, vazia, do outro lado do corrimão, no mesmo degrau; uma caixa de cartão, de pastelaria, vazia, por baixo do corrimão, dois degraus abaixo, com alguns guardanapos de papel amarrotados.
30 de junho de 2006
SALÃO PAIS
Já sou cliente do meu barbeiro há tanto tempo, e já estou tão habituado às idiossincrasias típicas do barbeiro de bairro, que ainda me pergunto porque é que me surpreende quando ele interrompe o corte de cabelo sem pedir desculpa para ir à porta perguntar alguma coisa a um amigo que passa de carro.
29 de junho de 2006
FORMA E FUNÇÃO (PÚBLICA)
Soube hoje pelo noticiário da televisão que as escrituras públicas deixam de ser obrigatórias para as empresas dentro de uma procura de redução da burocracia. Os empresários acham muito bem. Os notários acham muito mal, o que não só é compreensível como perfeitamente legítimo porque vão ter menos trabalho. No entanto, o porta-voz dos notários tentou mascarar o desacordo da classe com esta medida por trás de um discurso curiosamente emproado segundo o qual os empresários continuariam a preferir ter um documento validando legal e juridicamente a constituição de uma empresa, mesmo que ele já não seja obrigatório.
28 de junho de 2006
SERVIÇOS PÚBLICOS
Desde miúdo que me habituei a funcionar com gás de garrafa: em casa dos meus pais sempre tivemos gás de garrafa, com o resultado prático de que geralmente era quando eu estava no banho que o súbito enregelamento da água informava que o gás tinha acabado e era preciso substituir a garrafa.
Pensei que esses tempos teriam ficado para trás quando finalmente me mudei e a minha primeira casa alugada tinha gás de cidade. Quando me mudei para a minha actual casa, mantive o gás canalizado — até ao momento em que uma misteriosa fuga descoberta pela Lisboagás mas cuja localização nunca foi verdadeiramente encontrada os levou a cortar o fornecimento. O senhorio pesou bem as coisas e decidiu-se a instalar gás de garrafa em minha casa, em alternativa a um período prolongado de obras que implicaria deitar abaixo e reconstruir totalmente a cozinha, o que não o motivava sobremaneira (nem a mim, diga-se em abono da verdade).
O gás de garrafa continua a ter tendência para acabar quando estou no banho. Mas dá muito jeito em dias como o de hoje, em que, devido a obras de substituição das condutas realizadas pela Lisboagás, o meu prédio tem o gás cortado, situação que só deverá ser regularizada amanhã à tarde. Envio daqui um abraço de solidariedade aos infelizes da Barjona de Freitas que a Lisboagás deixou sem gás já há uns largos dias e não há maneira de resolver.
Pensei que esses tempos teriam ficado para trás quando finalmente me mudei e a minha primeira casa alugada tinha gás de cidade. Quando me mudei para a minha actual casa, mantive o gás canalizado — até ao momento em que uma misteriosa fuga descoberta pela Lisboagás mas cuja localização nunca foi verdadeiramente encontrada os levou a cortar o fornecimento. O senhorio pesou bem as coisas e decidiu-se a instalar gás de garrafa em minha casa, em alternativa a um período prolongado de obras que implicaria deitar abaixo e reconstruir totalmente a cozinha, o que não o motivava sobremaneira (nem a mim, diga-se em abono da verdade).
O gás de garrafa continua a ter tendência para acabar quando estou no banho. Mas dá muito jeito em dias como o de hoje, em que, devido a obras de substituição das condutas realizadas pela Lisboagás, o meu prédio tem o gás cortado, situação que só deverá ser regularizada amanhã à tarde. Envio daqui um abraço de solidariedade aos infelizes da Barjona de Freitas que a Lisboagás deixou sem gás já há uns largos dias e não há maneira de resolver.
27 de junho de 2006
PORTUGAL PORTUGAL PORTUGAL
Quem quisesse ontem saber efectivamente notícias do país e do mundo no noticiário das 20h00 da RTP-1 teve de esperar precisamente 32 minutos: 19 dedicados à gloriosa vitória lusa sobre as hordes holandesas, à arbitragem, aos casos do jogo, ao que os outros acharam do jogo e ao dia de folga do próximo adversário; 8 minutos de intervalo preenchidos por anúncios; e 4 dedicados ao jogo Itália-Austrália. 26 minutos depois, o noticiário estava terminado, para dar lugar a António Vitorino e Judite de Sousa, e não se falou das propostas da Ministra da Cultura.
26 de junho de 2006
O MARAVILHOSO MUNDO DA ESTRADA DE BENFICA
Letreiro luminoso de um sapateiro: "Super-Rápido de Sete Rios — concerto de solas e sapatos".
Graffiti lido junto ao restaurante Coral: "Pena de morte já para os ladrões!".
Graffiti lido alguns metros mais à frente, na mesma letra: "O ar condicionado mata as pessoas".
Cartão escrito em maiúsculas numa loja de colchões: "Osteoporose? Visco-elástico!"
Graffiti lido junto ao restaurante Coral: "Pena de morte já para os ladrões!".
Graffiti lido alguns metros mais à frente, na mesma letra: "O ar condicionado mata as pessoas".
Cartão escrito em maiúsculas numa loja de colchões: "Osteoporose? Visco-elástico!"
25 de junho de 2006
AND EACH TIME I GO TO BED I PRAY LIKE ARETHA FRANKLIN
Ainda não ouvi o disco novo, mas a existência de um quinto álbum de estúdio do projecto de Paul Strohmeyer aka Green Gartside, isto é, dos Scritti Politti, levou-me a repescar dois dos meus discos favoritos de todo o sempre, dois dos mais extraordinários álbuns pop que me passaram pelos ouvidos — e perceber que ainda o continuam a ser. Um recorda-me dos meus tempos de liceu e das descobertas que eu fazia no "Som da Frente" do António Sérgio no horário das quatro da tarde, o outro dos meus primeiros tempos a trabalhar na EMI, em "part-time" por entre o segundo ano da faculdade.
"Cupid & Psyche '85" (Virgin, 1985) e "Provision" (Virgin, 1988) são dois monumentos ao hedonismo inteligente, alma soul e enlevo pop capturados dentro da tecnologia polida e precisa da electrónica asséptica, uma espécie de "blue-eyed soul" carregada de subtextos semióticos, paradoxo apropriado a uma década de forma antes de função, fachada em vez de substância (uma das canções de "Provision" chamava-se até "Philosophy Now"), numa desconstrução subversiva e doce das regras e códigos da canção pop que nunca saía das suas fronteiras. "Cupid & Psyche '85" é a exposição, "Provision" o desenvolvimento (ou, se quisermos, a expansão do orçamento para a super-produção, mantendo intocável a capacidade de fazer de uma letra abstracta um lúdico jogo de palavras sobre o amor perfeitamente encaixado numa melodia contagiante). E, sendo dois álbuns absolutamente do seu tempo, cápsulas perfeitas de uma era que já não volta, sobreviveram-lhe com uma ingenuidade desarmante que chega a surpreender.
Mas Simon Reynolds explica tudo muito melhor do que eu.
"Cupid & Psyche '85" (Virgin, 1985) e "Provision" (Virgin, 1988) são dois monumentos ao hedonismo inteligente, alma soul e enlevo pop capturados dentro da tecnologia polida e precisa da electrónica asséptica, uma espécie de "blue-eyed soul" carregada de subtextos semióticos, paradoxo apropriado a uma década de forma antes de função, fachada em vez de substância (uma das canções de "Provision" chamava-se até "Philosophy Now"), numa desconstrução subversiva e doce das regras e códigos da canção pop que nunca saía das suas fronteiras. "Cupid & Psyche '85" é a exposição, "Provision" o desenvolvimento (ou, se quisermos, a expansão do orçamento para a super-produção, mantendo intocável a capacidade de fazer de uma letra abstracta um lúdico jogo de palavras sobre o amor perfeitamente encaixado numa melodia contagiante). E, sendo dois álbuns absolutamente do seu tempo, cápsulas perfeitas de uma era que já não volta, sobreviveram-lhe com uma ingenuidade desarmante que chega a surpreender.
Mas Simon Reynolds explica tudo muito melhor do que eu.
24 de junho de 2006
22 de junho de 2006
PARIS DAY TRIP
07h55 TP432 Lisboa/Paris Orly
O aeroporto de Lisboa está cheio de grupos (muitos deles "corporate") com camisolas, cachecóis, bandeiras portuguesas, prestes a apanhar o avião para ir apoiar a selecção. Este conceito da "day trip" parece estar a ganhar apoiantes. O vôo para Paris sai, contudo, com cerca de 20 minutos de atraso, explicados de modo pouco convincente pelo comandante com atraso no carregamento das malas e um pequeno problema técnico já resolvido. À chegada a Paris, o tempo está encoberto.
13h00-15h45 Marais
Chuvisca quando o táxi nos deixa no Marais. Decidimos almoçar perto da zona das entrevistas: escolhemos um "bistro" de esplanada na Rue Garon, debaixo de um toldo. Um delicioso pato confitado com batatas salteadas e salada de alface e rúcula com um vinagrete muito suave. Quando visito a casa de banho, fico surpreendido com a acanhada cozinha.
Já perto do fim da refeição, sentam-se na mesa do lado duas trintonas elegantes, com ar de mulheres de negócios do mundo da moda, acompanhadas por um trintão igualmente elegante, com ar dubitativamente bissexual, todos vestidos de preto justo. Ele pede só um café, elas bebem coca-cola e pedem sanduíches. Uma delas, loura, longos cabelos, mala de mão multicor ao colo, passa o almoço todo a falar ao telemóvel em italiano enquanto come a sanduíche de garfo e faca, e só quando no prato apenas resta um pouco de salada e uma ponta de pão torrado pousa o telemóvel.
16h00-18h00 Centre Pompidou, Le Centre Halles Café, Les Halles
Beaubourg (o nome comum do museu de arte moderna que é o Centre Pompidou) é um labirinto, um emaranhado de galerias dentro de uma estrutura que parece um emaranhado temporário e exposto de tubos e armações metálicas. Subimos as escadas rolantes exteriores pelos tubos laterais translúcidos que, do sexto andar, nos deixam ver a cidade em toda a sua magnificência tradicional, mesmo num dia cinzento e encoberto como este, com a Torre Eiffel a dominar a paisagem à esquerda.
Nas ruas, toda a gente parece estar a passear depois do almoço, tal o movimento nesta tarde de quarta-feira, dia da Fête de la Musique espalhada por toda a cidade.
19h20-20h00 RER linha B3 Châtelet Les Halles-Roissy Charles de Gaulle 1
De regresso ao aeroporto (mas não o mesmo de onde partimos), tomamos o comboio suburbano para Roissy — oito euros o bilhete, apanhamos um comboio quase imediatamente, e o João Miguel aponta correctamente que, assim que saímos da segunda estação ainda parisiense, Paris Nord, contam-se pelos dedos os passageiros de etnia branca no comboio, que se vai esvaziando lentamente nas estações suburbanas de Aulnay-sous-Bois e Sevran/Beaudottes. Uma vez saídos desta última, feia e subterrânea, o comboio viaja por entre bosques imaculadamente verdes até regressar ao subterrâneo em Roissy Charles de Gaulle.
20h00-21h45 Roissy Charles de Gaulle Satellite 6
21h45 TP429 Roissy Charles de Gaulle/Lisboa
A empregada do check-in da TAP é uma volumosa senhora negra simpatiquíssima que nos senta na traseira do avião em coxias contíguas, permitindo-nos assim viajar afastados do enorme grupo de pais e crianças que regressam de uma excursão-rodarte à Disneylândia de Paris, visível pelos lenços de pirata que alguns pais usam à cabeça por cima de T-shirts justas que deixam ver as barrigas de cerveja, pelas maquilhagens de princesa usadas por algumas meninas, pelos inúmeros sacos de plástico Disneyland Resort Paris que parecem proliferar, pelas orelhas, bonés e T-shirts do rato Mickey. A aterragem é um bocado camioneta-de-carreira-na-estrada-da-Malveira devido ao vento que se faz sentir lá fora.
O aeroporto de Lisboa está cheio de grupos (muitos deles "corporate") com camisolas, cachecóis, bandeiras portuguesas, prestes a apanhar o avião para ir apoiar a selecção. Este conceito da "day trip" parece estar a ganhar apoiantes. O vôo para Paris sai, contudo, com cerca de 20 minutos de atraso, explicados de modo pouco convincente pelo comandante com atraso no carregamento das malas e um pequeno problema técnico já resolvido. À chegada a Paris, o tempo está encoberto.
13h00-15h45 Marais
Chuvisca quando o táxi nos deixa no Marais. Decidimos almoçar perto da zona das entrevistas: escolhemos um "bistro" de esplanada na Rue Garon, debaixo de um toldo. Um delicioso pato confitado com batatas salteadas e salada de alface e rúcula com um vinagrete muito suave. Quando visito a casa de banho, fico surpreendido com a acanhada cozinha.
Já perto do fim da refeição, sentam-se na mesa do lado duas trintonas elegantes, com ar de mulheres de negócios do mundo da moda, acompanhadas por um trintão igualmente elegante, com ar dubitativamente bissexual, todos vestidos de preto justo. Ele pede só um café, elas bebem coca-cola e pedem sanduíches. Uma delas, loura, longos cabelos, mala de mão multicor ao colo, passa o almoço todo a falar ao telemóvel em italiano enquanto come a sanduíche de garfo e faca, e só quando no prato apenas resta um pouco de salada e uma ponta de pão torrado pousa o telemóvel.
16h00-18h00 Centre Pompidou, Le Centre Halles Café, Les Halles
Beaubourg (o nome comum do museu de arte moderna que é o Centre Pompidou) é um labirinto, um emaranhado de galerias dentro de uma estrutura que parece um emaranhado temporário e exposto de tubos e armações metálicas. Subimos as escadas rolantes exteriores pelos tubos laterais translúcidos que, do sexto andar, nos deixam ver a cidade em toda a sua magnificência tradicional, mesmo num dia cinzento e encoberto como este, com a Torre Eiffel a dominar a paisagem à esquerda.
Nas ruas, toda a gente parece estar a passear depois do almoço, tal o movimento nesta tarde de quarta-feira, dia da Fête de la Musique espalhada por toda a cidade.
19h20-20h00 RER linha B3 Châtelet Les Halles-Roissy Charles de Gaulle 1
De regresso ao aeroporto (mas não o mesmo de onde partimos), tomamos o comboio suburbano para Roissy — oito euros o bilhete, apanhamos um comboio quase imediatamente, e o João Miguel aponta correctamente que, assim que saímos da segunda estação ainda parisiense, Paris Nord, contam-se pelos dedos os passageiros de etnia branca no comboio, que se vai esvaziando lentamente nas estações suburbanas de Aulnay-sous-Bois e Sevran/Beaudottes. Uma vez saídos desta última, feia e subterrânea, o comboio viaja por entre bosques imaculadamente verdes até regressar ao subterrâneo em Roissy Charles de Gaulle.
20h00-21h45 Roissy Charles de Gaulle Satellite 6
21h45 TP429 Roissy Charles de Gaulle/Lisboa
A empregada do check-in da TAP é uma volumosa senhora negra simpatiquíssima que nos senta na traseira do avião em coxias contíguas, permitindo-nos assim viajar afastados do enorme grupo de pais e crianças que regressam de uma excursão-rodarte à Disneylândia de Paris, visível pelos lenços de pirata que alguns pais usam à cabeça por cima de T-shirts justas que deixam ver as barrigas de cerveja, pelas maquilhagens de princesa usadas por algumas meninas, pelos inúmeros sacos de plástico Disneyland Resort Paris que parecem proliferar, pelas orelhas, bonés e T-shirts do rato Mickey. A aterragem é um bocado camioneta-de-carreira-na-estrada-da-Malveira devido ao vento que se faz sentir lá fora.
21 de junho de 2006
PARIS DAY TRIP (prelúdio/resumo)
07h55 TP432 Lisboa/Paris Orly 13h00-15h45Marais, Café Bar Rue Garon, entrevistas 16h00-18h00 Centre Georges Pompidou, Le Centre Halles Café, Les Halles 18h00-19h15 Fnac Forum les Halles 19h20-20h00 RER linha B3 Châtelet-Les Halles/Roissy Charles de Gaulle 21h45 TP429 Paris Charles de Gaulle/Lisboa
(e porque será que sempre que há uma criança birrenta a fazer fitas num aeroporto é sempre uma criança portuguesa?)
(desenvolvimentos no próximo post)
(e porque será que sempre que há uma criança birrenta a fazer fitas num aeroporto é sempre uma criança portuguesa?)
(desenvolvimentos no próximo post)
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