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21 de agosto de 2005

COMO DISTINGUIR ENTRE A POESIA E A IDIOTICE

Without going into the finer distinctions between idiots and cretins, suffice it to say that an idiot of a certain degree is not up to forming the concept "parents", even though he has no trouble with the idea of "father and mother." This same simple additive, "and," was Meseritscher's device for relating social phenomena to one another. Another point about idiots is that in the basic concreteness of their thinking they have something that is generally agreed to appeal to the emotions in a mysterious way; and poets appeal directly to the emotions in very much the same way, insofar as their minds run to palpable realities. And so, when Friedel Feuermaul addressed Meseritscher as a poet, he could just as well — that is, out of the same obscure, hovering feeling, which, in his case, was tantamount to a sudden illumination — have called him an idiot, in a way that would have had considerable significance for all mankind. For the element common to both is a mental condition that cannot be spanned by far-reaching concepts, or refined by distinctions and abstractions, a mental state of the crudest pattern, expressed most clearly in the way it limits itself to the simplest of coordinating conjunctions, the helplessly additive "and," which for those of meager mental capacity replaces more intrincate relationships; and it may be said that our world, regardless of all its intellectual riches, is in a mental condition akin to idiocy; indeed, there is no avoiding this conclusion if one tries to grasp as a totality what is going on in the world.

- Robert Musil, in "The Man Without Qualities", na tradução inglesa de Sophie Wilkins e Burton Pike (Londres: Picador, 1997)

19 de agosto de 2005

A IRMANDADE DA MASALA DE ESPERA #1

Porque há sempre uma tikka masala aveludada ou uma galáxia de açúcar baunilhado algures por aí à espera, aqui proponho (em homenagem a amiga de devoção a tikka masala aveludada & a amigo de desprazer com galáxias de açúcar baunilhado) a abertura de uma série irregular de posts dedicados à gastronomia urbana descoberta por aqui por ali, iniciados com a visita, ontem à noite, à campodeouriquense Charcutaria (rua Coelho da Rocha, perto do Mercado de Campo de Ourique), salinha mínima que não deve levar mais de 20 pessoas por soirée onde, garante-me o meu comparsa de degustação, amiga e vizinha comum toma diariamente o pequeno-almoço (gosto destes sítios multifacetados, com o seu quê de bem).

Visita anterior à Charcutaria terá sido em encarnação anterior da casa, há uns bons dez anos, não me recordando por isso de eventuais variações de então para cá. Para já, serviço simpático, cortês a cargo de moço aprumado e bem vestido de suave sotaque estrangeiro, sozinho a servir em sala cheia (ainda que pequena) modestamente fornecida e decorada, com ar polivalente (café / restaurante / salão de chá) - a atrapalhação foi ligeira, não houve grandes esperas, mas foi curioso ver as estratégias para lidar com as exigências. Avisado pelo comparsa que o preço da coisa poderia ser para o puxadito, a surpresa foi ver que só alguns dos pratos mais elaborados (dos quais fugimos, até porque empada de perdiz não faz o meu género) ultrapassavam a barreira psicológica dos €10,00, e como eu me fiquei pela água e ele pela cerveja, a coisa não saiu estupidamente cara.

Couvert proposto - fatias de pão de forma cortadas em triângulos acompanhadas por pâté caseiro levemente avinagrado mas de agradável textura, mais empadinhas de galinha acabadinhas de sair do forno e ainda quentes (que, por isso, não ficaram especialmente na memória).

Passando ao prato principal, parece que o polvo grelhado com batatas a murro (coberto por picadinho de cebola, salsa e alho e servido com liberal dose de azeite) não estava mal (embora o comparsa tenha achado um tudo nada azeitado em excesso). Coube-me provar os secretos de porco preto com migas de batata e couve - quatro lombinhos grelhados no ponto servidos com salsa picada em cama de azeite condimentado com um toque de vinagre, com as migas (de um verde claro esbranquiçado, com uma textura agradavelmente próxima do esparregado mas travo mais delicado) servidas em pratinho separado. Depois das entradas, a dose surge na quantidade ideal para satisfazer sem encher.

Dispensámos o café, mas o amigo comparsa não dispensou doce e encomendou a sobremesa mista, prato degustação com quatro fatias finas de quatro especialidades. Não sou moço de fios de ovos pelo que a encharcada ficou toda para ele, e o bolo de chocolate era um pouco carregado demais, mas a sericaia estava excelente. O todo ficou por €26.50 para duas pessoas, o que é aceitável sem ser excessivo, mas caso houvesse vinho à mistura facilmente teria inchado para o dobro.

18 de agosto de 2005

ESTATÍSTICA FELINA MATINAL

Número de gatos que relaxam no telhado da arrecadação nas minhas traseiras às 08h31 de quinta-feira, 18 de Agosto de 2005: seis.

17 de agosto de 2005

PILOTO AUTOMÁTICO

Hoje compreendi que já tenho alguns percursos de automóvel de tal maneira interiorizados que quase nem dou pelos movimentos que faço. Até já meto mudanças apenas com os músculos do pulso, sem sequer agarrar a alavanca. Deverei estar preocupado?

PAGAR AS CONTAS

O meu pai é daquelas pessoas que paga sempre as contas, quaisquer que elas sejam, no último dia do prazo, para garantir que o dinheiro não fica lá a render para "eles".

Eu prefiro sempre pagar as contas assim que as recebo, porque já sei que se não o faço sou gajo para me esquecer de as pagar ou de as pagar depois do prazo.

15 de agosto de 2005

ZOO TV (SLIGHT RETURN)

O ponto em que a Vertigo Tour 2005 em Alvalade rebentou a escala e virou (outra vez) um dos concertos da minha vida: a abertura do encore com "Zoo Station" e "The Fly", com os écrãs a recriar o ambiente caótico da Zoo TV.

The secret is yourself
your pain
letting go
giving up
breaking down
giving in
to the end...
...to the beginning
giving in to
love.


Os U2 ainda são os U2. Felizmente.

13 de agosto de 2005

FANNY ARDANT E EU

Estou obcecado. Desculpem qualquer coisinha. (A culpa é do Dr. Cão.)



on écoute du chant gregorien
elle parle à peine et moi je dis rien
on a une relation comme ça
Fanny Ardant et moi
je passe la soirée avec Sylvain
pendant qu’elle mate le papier peint
on est restés indépendants
moi et Fanny Ardant

elle est posée sur l’étagère
entre un bouquin d’Eric Holder
un chandelier blanc IKEA
et une carte postale de Maria
elle est toujours toute noire et blanche
elle ne dit plus “vivement dimanche!”
depuis que je la traîne chez mes parents
tous les weekends Fanny Ardant

je lui parle pas des filles de Jussieu
elle parle pas trop de Depardieu
et on évite ces sujets-là
Fanny Ardant et moi
il y a un truc dans son regard
qui me reproche de rentrer trop tard
elle voudrait que je sois là tout le temps
évidemment Fanny Ardant

elle est posée sur l’étagère
entre un bouquin d’Eric Holder
un chandelier blanc IKEA
et une carte postale de Maria
elle est toujours toute noire et blanche
elle ne dit plus “vivement dimanche!”
depuis que je la traîne chez mes parents
tous les weekends Fanny Ardant

on écoute du chant grégorien
elle parle à peine et moi je dis rien
on a une relation comme ça
Fanny Ardant et moi.


- Vincent Delerm, "Fanny Ardant et Moi", in "Vincent Delerm" (Tôt ou Tard, 2002)

IDEALISMOS

"A nossa vida nas nossas mãos"

(graffiti lido nas paredes da Avenida dos Fundadores, em Paço d'Arcos, perto do Oeiras Parque)

12 de agosto de 2005

FOLHAS CAÍDAS NO MEIO DA ESTRADA

Pela avenida de Ceuta, do lado de fora, perto do rio, o asfalto da estrada está cheio de folhas amarelo-acastanhadas, encarquilhadas, caídas das árvores. A deslocação de ar dos carros que passam em ambos os sentidos elevam as folhas em pequenas nuvens, como o restolhar dos ramos de uma árvore ao vento.

11 de agosto de 2005

O GATO

Estou sentado no pouf em casa da Rita e do António quando o gato, preto, elegante, se dá finalmente ao trabalho de aparecer. Ronda-me a cheirar-me, encosta o focinho curioso ao meu braço, olha-me com os olhos muito abertos durante vários minutos. Estou sentado com as pernas em arco; o gato arqueia o lombo, enrola e desenrola a cauda e passa por baixo do arco das pernas, roçando a cauda e o lombo no ângulo dos joelhos, uma, duas, três, quatro vezes. Entre elas, encosta o focinho aos nós dos dedos das minhas mãos. Depois, deita-se no chão, de lado, a olhar para mim. Estico um dedo e ele dá-me pequenas patadas no dedo, como quem agarra uma coisa para a soltar a seguir, mas sem pôr as garras de fora, e pega no dedo para o levar à boca aberta e fingir que o morde sem o morder. Tento pegar-lhe nas patas estendidas, mas só me deixa pegar na pata traseira direita, a única que ele não pode mexer livremente por estar encostada ao chão, a servir de suporte, enquanto continua a brincar com o dedo da minha outra mão. Fica ali mais um bocadinho, põe-se de pé, tento agarrar-lhe na cauda, e desaparece tão discretamente como apareceu.

10 de agosto de 2005

O PREÇO DO TABACO

"O tabaco está caro mas a ganza mantém-se! Muito fumo!"

(graffiti lido nas paredes do Bairro Alto)

9 de agosto de 2005

O MONÓLOGO SHAKESPEARIANO

Indizível de tão bom, de tão espirituoso, de tão certeiro no comentário ácido.



pendant la première scène je regardais sur le côté
pour essayer de comprendre comment ses cheveux étaient noués
pendant la deuxième scène en fait j'imaginais
ses vacances y a deux ans sur la plage de Bénodet
pendant la troisième scène je me suis un peu rendu compte
j'avais pas bien suivi les répliques du Vicomte
pendant la quatrième elle s'est penchée vers moi
elle a failli me dire un truc et puis finalement pas

on est partis avant la fin
du monologue shakespearien
partis avant de savoir le fin mot de l'histoire
on a planté en pleine nuit
l'archevêque de Canterbury
on a posé un lapin à l'épilogue shakespearien

début du deuxième acte, toute la rangée soupire
le clan des veuves s'éclate parce que bon c'est Shakespeare
niveau intensité quelque chose qui rappelle
le programme d'EMT pour l'année de quatrième
pourtant la mise en scène était pas mal trouvée
pas de décor, pas de costumes, c'était une putain d'idée
aucune intonation et aucun déplacement
on s'est dit pourquoi pas, aucun public finalement

on est partis avant la fin
du monologue shakespearien
partis avant de savoir le fin mot de l'histoire
on a planté en pleine nuit
l'archevêque de Canterbury
on a posé un lapin au dénouement shakespearien

dans les rues d'Avignon y a des lumières la nuit
on boit des demi-citrons et on se photographie
à la table d'à côté ils ont vu un Beckett
ils disent "c'est pas mal joué mais faut aimer Beckett"
dans les rues d'Avignon il y a des projets balèzes
"demain à 23 heures je vais voir une pièce polonaise"
dans les rues d'Avignon y a du Pepsi Cola
et puis y a une fille qui dit "ba en fait je viens de Levallois"

on est partis avant la fin
du monologue shakespearien
partis avant de savoir le fin mot de l'histoire
on a planté en pleine nuit
l'archevêque de Canterbury
on a posé un lapin au monologue shakespearien

pendant la première scène je regardais sur le côté
pour essayer de comprendre comment ses cheveux étaient noués
pendant la deuxième scène en fait j'imaginais
mes vacances dans deux ans sur la plage de Bénodet.


- Vincent Delerm, "Le Monologue Shakespearien", in "Vincent Delerm" (Tôt ou Tard, 2002)

7 de agosto de 2005

THE BEAUTIFUL GAME

Assim chamam os britânicos ao desporto vulgo rei chamado "futebol", actividade que, confesso, nunca me causou especial atracção, excepto em situações pontuais como as finais da Taça de Inglaterra (em que eu percebia como, realmente, podia ser um desporto interessante quando bem jogado) e um ou outro jogo do Euro 2004 por terras lusas.

Oriundo de uma família de benfiquistas razoavelmente ferrenhos, o meu desinteresse pelo futebol foi sempre recebido com alguma tristeza pelos meus irmãos, muito embora o meu pai se tenha tornado num benfiquista particularmente mordaz quanto às actuais capacidades da equipa, oh, para aí nas últimas vinte temporadas. Era eu muito miúdo, para aí com os meus cinco-seis anos, lembro-me de ter ido ao futebol com o meu pai, ao Estádio da Luz, mas para além da seca que apanhei só me recordo de passarmos por baixo do túnel de acesso sob a Segunda Circular.

O túnel ainda lá está, como percebi ontem quando acompanhei o meu irmão ao jogo de "apresentação" da "equipa" aos sócios, a convite dele, marcando assim a primeira vez em para aí 30 anos que entrei num estádio de futebol sem ser para assistir a um concerto de rock. Entre as várias conclusões que tirei do triste acontecimento em que o Benfica fez uma miserável exibição perante uma Juventus que nem sequer se esforçou muito para justificar a vitória por 2-0, estão as seguintes:

1. Assistir a um jogo de futebol ao vivo é uma excelente oportunidade para exercer a prática nacional sempre saudável do cinismo.

2. Assistir a um jogo de futebol ao vivo equivale igualmente a um qualquer misterioso exercício de masoquismo por parte dos adeptos, que se deliciam a explorar tudo o que de pior pode acontecer à sua equipa (e que, pelos vistos, acontece mais do que seria desejável).

3. Assistir a um jogo de futebol ao vivo é ainda a colocação em prática daquele que é, na realidade, o primeiro desporto nacional — a saber, duvidar de tudo e de todos até ao ponto em que a apatia resignada, mas telhuda, é a única solução.

Claro que, para continuar este interessante exercício de entomologia sociológica, o ideal será mesmo assistir a um jogo que corra bem para o Benfica e compreeender quantas destas conclusões são comuns a ambas as ocasiões.

6 de agosto de 2005

THE KNOWLEDGE

Em Londres, os taxistas têm, sempre, de passar por um rigorosíssimo exame, conhecido como The Knowledge, que os leva a percorrer vezes sem conta a cidade, memorizando mais de 300 trajectos diferentes. Parece que é muito raro alguém obter a licença de taxista sem ter passado uma dezena de vezes pelo exame.

Em Lisboa, é normal ter de ser o passageiro a explicar ao taxista como se chega ao endereço pretendido.

5 de agosto de 2005

DESCUBRAM O ERRO

MASSA DE AR QUENTE VAI SOFUCAR PORTUGAL - manchete impressa numa das páginas interiores da edição de hoje do Correio da Manhã (não vale a pena ir ao site, o erro só passou mesmo na edição impressa)

40 POLÍCIAS FERIDOS EM CONFRONTO COM A POLÍCIA - legenda no Telejornal da RTP-1 desta noite sobre confrontos na Irlanda do Norte entre manifestantes e polícia

4 de agosto de 2005

POLAROID: 4 DE AGOSTO

09h30. Desço a Alexandre Herculano em direcção à avenida da Liberdade. Cruzo-me com um negro de meia-idade de fato, gravata e cachecol, auscultadores brancos nos ouvidos com um fio que leva ao casaco, andando depressa com uma bengala de madeira escura na mão, que costuma andar pela zona. Demasiado bem vestido e arranjado para ser um sem abrigo, pára frente à porta de uma pastelaria e começa a gritar para o interior, como quem disparata com alguém, mas sem se dirigir a ninguém em particular. Do que diz percebo apenas "Ainda vou ser presidente de Portugal!".

Alguns metros mais à frente, num dos semáforos que orienta as passagens de peões, um idoso de bengala ignora olimpicamente o sinal vermelho para peões e a aproximação rápida de um furgão comercial e atravessa a rua como se fosse sua, no que é seguido, embora a medo, por dois ou três transeuntes.

13h10. Subo a Braancamp em direcção ao Rato. Na esquina da Rodrigo da Fonseca, um casal que parece sair do McDonald's discute em voz alta, com sotaque popular. Ela é anafada, vem de cores claras, com sacos na mão e um casaco de malha à cintura. Ele é muito magro, está de camisola da selecção e calções, e grita-lhe com voz mal-disposta; traz na mão um guardanapo de papel, mas não vejo o que segura; há duas crianças, separadas, a andar à frente deles a ver se a discussão acaba.

3 de agosto de 2005

MATRÍCULAS

Fim da tarde, Marginal, um pequeno comboio de quatro ou cinco carros, quase todos de aparência nova, todos de matrícula francesa (letras pretas sobre fundo amarelo). Um dos condutores tem um boné do Sporting, mas os condutores de dois dos carros não têm aspecto de emigrantes. Excepto, claro, no modo como conduziam.

Vendo os quatro, cinco carros de seguida, lembrei-me das matrículas em chapa que vinham, na minha infância, nos gelados da Olá (seria nos gelados?)... Ainda tive uma dezena e tal dessas matrículas em miniatura, mas não sei o que é feito delas. Mais alguém se lembra?

2 de agosto de 2005

O VERÃO EM LISBOA

...é uma coisa óptima. Mas seria melhor se os nossos sítios de referência não tivessem a brilhante ideia de, também eles, fecharem para férias.

1 de agosto de 2005

A BALADA DE LUCY JORDAN



Quando Marianne canta isto, o mundo pára.

the morning sun touched lightly on
the eyes of Lucy Jordan
in a white suburban bedroom
in a white suburban town
as she lay there beneath the covers
dreaming of a thousand lovers
'till the world turned to orange
and the room went spinning 'round

at the age of 37
she realised
she'd never ride
through Paris
in a sports car
with the warm wind in her hair
so she let the phone keep ringing
and she sat there softly singing
pretty nursery rhymes she'd memorised
in her daddy's easy chair

her husband is off to work
and the kids are off to school
and there were oh so many ways
for her to spend a day
she could clean the house for hours
or rearrange the flowers
or run naked through the shady street
screaming all the way

at the age of 37
she realised
she'd never ride
through Paris
in a sports car
with the warm wind in her hair
so she let the phone keep ringing
as she sat there softly singing
pretty nursery rhymes she'd memorised
in her daddy's easy chair

the evening sun touched gently on
the eyes of Lucy Jordan
on the rooftop where she climbed
when all the laughter grew too loud

then she bowed and curtsied to the knight
who reached and offered her his hand
and he led her down to the long white car
that waited past the crowd

at the age of 37
she knew she'd found forever
as she rode along through Paris
with the warm wind in her hair.


("The Ballad of Lucy Jordan", in "Broken English", Island/Universal, 1979)