Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
16 de junho de 2005
POLAROID: FERRY CIVITAVECCHIA-OLBIA, MADRUGADA DE QUARTA, 8 DE JUNHO, PARA QUINTA, 9 DE JUNHO
O ferry para Olbia é uma verdadeira cidade flutuante, com um grande número de convés, vários bares e restaurantes, até uma sala de cinema e outra de video-jogos. Quando o ferry larga amarras, com meia-hora de atrasso, para a viagem de seis horas até ao porto de Olbia, na Sardenha, é como se não estivéssemos sequer a navegar; sentimos apenas a vibração dos motores que nos propulsionam pelo Mediterrânico. A luz amarelada vem de uma placa embutida na cabeceira do beliche; se apagar as luzes da cabina, e olhar pela janela suja, posso ver as ondas esbranquiçadas que se afastam do casco, criadas pelo navegar do ferry, uma linha firme cortando o horizonte, única maneira de distinguir onde começa o céu negro só a espaços estrelado e termina o mar negro que só as luzes pontuais de uma bóia, um farol, outro ferry cortam. Apenas a esteira do barco vem cobrir de branco, acinzentado na escuridão, o escuro da noite. A cabina climatizada obriga-me a puxar do cobertor de lã e abri-lo sobre os lençóis com cheiro a lavado ilustrados com o monograma da Tirrenia Navigazione.
POLAROID: TERMINAL TRAGHETTI, PORTO DE CIVITAVECCHIA, QUARTA, 8 DE JUNHO, 22h00
Uma caminhada rápida de 10 minutos leva-nos da estação de comboios de Civitavecchia, a uma hora de trajecto de Roma, à bilheteira para comprarmos as entradas para o ferry para Olbia, na Sardenha. A bilheteira está vazia, à excepção de dois turistas que esperam sentados e de um trio de ciganos que conversa com a empregada. O terminal é uma ilha iluminada à entrada do porto, com um pequeno bar que serve cafés e bolos. Ficamos uma boa meia-hora no autocarro que faz o transporte gratuito até ao cais 24, à espera dos "retardatários" que chegarão até ao fecho da bilheteira às 22h30 (meia-hora antes da saída do barco). Alguns ciganos, alguns indianos, uns poucos europeus de Leste, muitos turistas, italianos e de outras nacionalidades.
POLAROID: ROMA TRASTEVERE, QUARTA, 8 DE JUNHO, 19h45
A estação de comboios está em obras, folhas amarelas impressas a computador indicando as saídas e as plataformas coladas em taipais de contraplacado. A confusão dos passageiros regressando a casa ao fim do dia de trabalho, apanhando correspondências entre seis plataformas diferentes. Um grupo de homens está sentado num banco entre os vários taipais, garrafas de litro de cerveja na mão. Não se percebe se são trabalhadores à espera de um comboio ou apenas a passar o tempo, ou se são emigrantes (muito mal vistos em Itália, pelo que percebemos) à espera que a estação feche, embora estejam demasiado bem vestidos para serem sem-abrigos. Seja como for, estão ali e não se vão embora; metem-se discretamente com os transeuntes. Percebem que somos estrangeiros, dizem-nos "hello" com um sorriso trocista; quando uma freira passa, apressada, quase a correr, para apanhar o comboio, gritam-lhe "go, go, go".
14 de junho de 2005
POLAROID: ROMA FIUMICINO, QUARTA, 8 DE JUNHO, 18h45
O vôo de Lisboa aterrou há algum tempo. Esperamos as malas que foram no porão na recolha de bagagens. Uma senhora, de sotaque brasileiro, tenta tirar um carrinho de bagagens da fila por trás dos bancos. Tenta tudo para tirar o carrinho — levantá-lo, fazer força, incliná-lo, mas não consegue que ele saia dos carris e vira-se para mim, perguntando se eu sei livrar o carrinho. Aponto-lhe a máquina bem visível ao seu lado, indicando que é preciso pagar um euro para usar um carro. A senhora agradece e vai-se embora.
POLAROID: TP842 LISBOA-ROMA FIUMICINO, QUARTA, 8 DE JUNHO
O A321 aterra em Roma. Assim que abrandamos em aproximação à manga, a hospedeira levanta-se rapidamente do assento junto à porta de emergência onde esteve sentada durante a aterragem, faz cara de má e admoesta alguns passageiros para se sentarem, não vá a travagem do avião levá-los a bater com a cabeça na bagageira e acabar por exigir uma indemnização à companhia pelo seu próprio descuido.
7 de junho de 2005
POLAROID: ELÉCTRICO
Apanho o eléctrico 28 no Miradouro de Santa Luzia, perto do Castelo de S. Jorge, e rapidamente percebo que a velha tradição dos miúdos lisboetas de apanharem boleia do eléctrico pendurados nas portas traseiras continua activa. Só que agora com T-shirts de basquetebol, cabelinho à Operação Triunfo, brincos na orelha e ténis da Nike.
Há dois miúdos que fazem todo o percurso pendurados até chegarmos à Baixa — altura em que um outro miúdo, que viajava dentro do eléctrico com bilhete pago e um CD walkman nas mãos, sai e se junta a eles.
Há dois miúdos que fazem todo o percurso pendurados até chegarmos à Baixa — altura em que um outro miúdo, que viajava dentro do eléctrico com bilhete pago e um CD walkman nas mãos, sai e se junta a eles.
POLAROID: IGREJAS DE LISBOA
Experimentem ver a cidade pelos olhos de um estrangeiro e, de repente, tudo aquilo que, até aqui, tomávamos como adquirido ou trivial ganha novos contornos, uma espécie de deslumbramento atordoado, meio surpreendido — mas isto estava mesmo aqui? Sim, é verdade, estava. Nós é que, com a velocidade vertiginosa da "vida real", passamos ao lado de prazeres simples como passear no Jardim da Estrela ou descobrir a quantidade absurda de igrejas por metro quadrado na "velha Lisboa" do Bairro Alto.
E, a esse propósito, torna-se curioso contar uma pequena história.
O meu amigo David, organista (com experiência de restauro de órgãos de igreja) em São Francisco, terminou há pouco o seu curso superior de órgão e, naturalmente, em cada igreja por onde passávamos quis ver se havia órgãos (instrumento que, sem que eu o soubesse, tem uma longa e nobre tradição de construção).
Curioso, tocou à campaínha da Igreja Anglicana de S. Jorge, situada no cemitério inglês, encostada ao Liceu Pedro Nunes e por trás do Hospital Inglês (que está situado nos terrenos da igreja), junto ao Jardim da Estrela. Embora o letreiro dissesse que a igreja e o cemitério estavam abertos diariamente das 9h00 às 13h00, ninguém atendia a campaínha, mas nesse preciso momento chegou o padre, que abriu a porta e confessou, depois de arrumar o carro, que adorava que a igreja e o cemitério estivessem mais disponíveis ao público mas, infelizmente, a senhora que fazia de porteira era portuguesa, tinha quase 90 anos e relutância em permitir a entrada de visitantes. O padre Michael permitiu não só ao David visitar o órgão como o deixou à vontade para o tocar durante alguns minutos.
O David perguntou em mais algumas igrejas se era possível visitar o órgão. Em quase todas lhe disseram que seria preciso falar com o padre, que estava ausente de momento, e nem sequer abriram a possibilidade de o levar a ver o órgão; numa, o empregado limitou-se a fazer que não com o dedo, nem sequer se dignando dirigir-nos a palavra ou sequer remeter para o padre. Fez apenas que não (e olhou com cara de mau enquanto o David fotografava o reluzente e recentemente restaurado instrumento). Só na Sé de Lisboa a empregada com quem falámos levantou a hipótese de passarmos por cima do cordão que impede o acesso do público ao órgão, como quem não quer coisa — e era por eu ser português, porque se fosse o David sozinho ela não deixava. Nenhum dos empregados com quem falámos percebia o que quer que fosse de inglês apesar do grosso dos visitantes serem estrangeiros — e, com uma ou outra excepção, estavam com um ar de frete desgraçado.
O David dizia-me, à saída da Sé, que, em São Francisco, seria muito difícil encontrar uma igreja onde fosse impossível visitar o órgão. Mais: em quase todas elas, haveria alguém a tocá-lo. Em Lisboa, nem uma única tinha música.
E, a esse propósito, torna-se curioso contar uma pequena história.
O meu amigo David, organista (com experiência de restauro de órgãos de igreja) em São Francisco, terminou há pouco o seu curso superior de órgão e, naturalmente, em cada igreja por onde passávamos quis ver se havia órgãos (instrumento que, sem que eu o soubesse, tem uma longa e nobre tradição de construção).
Curioso, tocou à campaínha da Igreja Anglicana de S. Jorge, situada no cemitério inglês, encostada ao Liceu Pedro Nunes e por trás do Hospital Inglês (que está situado nos terrenos da igreja), junto ao Jardim da Estrela. Embora o letreiro dissesse que a igreja e o cemitério estavam abertos diariamente das 9h00 às 13h00, ninguém atendia a campaínha, mas nesse preciso momento chegou o padre, que abriu a porta e confessou, depois de arrumar o carro, que adorava que a igreja e o cemitério estivessem mais disponíveis ao público mas, infelizmente, a senhora que fazia de porteira era portuguesa, tinha quase 90 anos e relutância em permitir a entrada de visitantes. O padre Michael permitiu não só ao David visitar o órgão como o deixou à vontade para o tocar durante alguns minutos.
O David perguntou em mais algumas igrejas se era possível visitar o órgão. Em quase todas lhe disseram que seria preciso falar com o padre, que estava ausente de momento, e nem sequer abriram a possibilidade de o levar a ver o órgão; numa, o empregado limitou-se a fazer que não com o dedo, nem sequer se dignando dirigir-nos a palavra ou sequer remeter para o padre. Fez apenas que não (e olhou com cara de mau enquanto o David fotografava o reluzente e recentemente restaurado instrumento). Só na Sé de Lisboa a empregada com quem falámos levantou a hipótese de passarmos por cima do cordão que impede o acesso do público ao órgão, como quem não quer coisa — e era por eu ser português, porque se fosse o David sozinho ela não deixava. Nenhum dos empregados com quem falámos percebia o que quer que fosse de inglês apesar do grosso dos visitantes serem estrangeiros — e, com uma ou outra excepção, estavam com um ar de frete desgraçado.
O David dizia-me, à saída da Sé, que, em São Francisco, seria muito difícil encontrar uma igreja onde fosse impossível visitar o órgão. Mais: em quase todas elas, haveria alguém a tocá-lo. Em Lisboa, nem uma única tinha música.
5 de junho de 2005
LOGBOOK #26/27: A LEI DA COMPENSAÇÃO
Sesimbra: Pedra do Cavalo, domingo 5 de Junho, 15h30; 9.5m, 31 min, 17º C
Sesimbra: Pedra do Cavalo, domingo 5 de Junho, 16h45; 7.6m, 26 min, 18º C
Cinco semanas depois do "passeio à rua da asneira", com um joelho inflamado pelo meio, uma ausência prolongada de exercício físico e uma sobrecarga de trabalho em antecipação às bem merecidas férias, o domingo radioso e cheio de sol traz a compensação perfeita, apesar do início algo atribulado, com os protestos dos pescadores de Sesimbra a cancelarem uma primeira tentativa no sábado e a marcha lenta de domingo de manhã a atrasar as actividades para a tarde.
Não é exactamente um mergulho tradicional. Vim apenas acompanhar um amigo americano de passagem por Lisboa que quis concluir cá o curso básico de mergulho, faltando-lhe apenas as duas últimas aulas de mar. Intermediando com a escola de mergulho, fui servir de tradutor em caso de necessidade (que não houve), assistente para quaisquer eventualidade e reserva moral se o rapaz se desse mal. Não deu. Bem pelo contrário: o ar do David depois de completar o último mergulho era de uma indescritível felicidade — que só quem já esteve debaixo de água consegue perceber.
O dia, esse, estava de luxo — céu azul, sol quente, nenhum vento, água límpida e calma (apesar do sedimento que prejudica a visibilidade). Tempo perfeito para mergulhar (a ironia de os pescadores terem escolhido este fim-de-semana de verdadeiro Verão para protestar não deve com certeza ter escapado a muitos). Enquanto o José e o David fazem os exercícios de rotina, eu entretenho-me a observá-los — a segurança e a confiança do instrutor, o à-vontade tentativo do aluno — ou a olhar para o que me rodeia: os pequenos peixinhos bebés, quase transparentes sobre a areia, os cardumes e peixes que flutuam por ali. A câmara descartável que trouxe para tirar uns instantâneos escorregou para fora do colete e é ver se a encontras — nem uma busca rapidinha pela área dá por ela e, no intervalo entre os dois mergulhos, percorremos a superfície com o barco sem a encontrar. A água está menos fria do que é costume, está-se bem nestas profundidades baixinhas; no fim do mergulho, uma volta pela zona da Pedra do Cavalo, mesmo à saída do porto, possibilita ver um polvo que lentamente sai de baixo da sua pedra e assume a forma tradicional, antes de se camuflar por entre rochedos maiores.
Apesar da baixa profundidade e do limite de tempo imposto pela inexperiência do aluno e pelos tópicos a cobrir na aula, este poderia bem ser o mergulho perfeito — ou o mergulho ideal. Se tal coisa existisse.
Sesimbra: Pedra do Cavalo, domingo 5 de Junho, 16h45; 7.6m, 26 min, 18º C
Cinco semanas depois do "passeio à rua da asneira", com um joelho inflamado pelo meio, uma ausência prolongada de exercício físico e uma sobrecarga de trabalho em antecipação às bem merecidas férias, o domingo radioso e cheio de sol traz a compensação perfeita, apesar do início algo atribulado, com os protestos dos pescadores de Sesimbra a cancelarem uma primeira tentativa no sábado e a marcha lenta de domingo de manhã a atrasar as actividades para a tarde.
Não é exactamente um mergulho tradicional. Vim apenas acompanhar um amigo americano de passagem por Lisboa que quis concluir cá o curso básico de mergulho, faltando-lhe apenas as duas últimas aulas de mar. Intermediando com a escola de mergulho, fui servir de tradutor em caso de necessidade (que não houve), assistente para quaisquer eventualidade e reserva moral se o rapaz se desse mal. Não deu. Bem pelo contrário: o ar do David depois de completar o último mergulho era de uma indescritível felicidade — que só quem já esteve debaixo de água consegue perceber.
O dia, esse, estava de luxo — céu azul, sol quente, nenhum vento, água límpida e calma (apesar do sedimento que prejudica a visibilidade). Tempo perfeito para mergulhar (a ironia de os pescadores terem escolhido este fim-de-semana de verdadeiro Verão para protestar não deve com certeza ter escapado a muitos). Enquanto o José e o David fazem os exercícios de rotina, eu entretenho-me a observá-los — a segurança e a confiança do instrutor, o à-vontade tentativo do aluno — ou a olhar para o que me rodeia: os pequenos peixinhos bebés, quase transparentes sobre a areia, os cardumes e peixes que flutuam por ali. A câmara descartável que trouxe para tirar uns instantâneos escorregou para fora do colete e é ver se a encontras — nem uma busca rapidinha pela área dá por ela e, no intervalo entre os dois mergulhos, percorremos a superfície com o barco sem a encontrar. A água está menos fria do que é costume, está-se bem nestas profundidades baixinhas; no fim do mergulho, uma volta pela zona da Pedra do Cavalo, mesmo à saída do porto, possibilita ver um polvo que lentamente sai de baixo da sua pedra e assume a forma tradicional, antes de se camuflar por entre rochedos maiores.
Apesar da baixa profundidade e do limite de tempo imposto pela inexperiência do aluno e pelos tópicos a cobrir na aula, este poderia bem ser o mergulho perfeito — ou o mergulho ideal. Se tal coisa existisse.
4 de junho de 2005
THIS IS HARDCORE
Aldina Duarte assume a pose icónica da fadista tradicional, mas subverte-a com a entrega quase desesperada de quem faz isto não por trabalho ou por pose mas por fé, por destino. Porque tem de ser. É aquilo que o universo lhe pede — e ela não sabe dizer-lhe que não. Ela não pode dizer-lhe que não.
Aldina Duarte é um bloco de granito duro por limar que está, apenas. Não cede nem faz concessões. Existe, apenas. A nós cabe-nos aceitá-lo, compreendê-lo, amá-lo, admirá-lo. Aldina Duarte é o fado hardcore, puro e duro. Ela dá(-se) a 200, 300%. Quem não estiver preparado para lhe responder com menos do que isso não a merece. Ontem à noite, a Culturgest cheia soube merecê-la. Falta só Portugal render-se-lhe como se tem rendido a outras (que se dizem) fadistas mas que não chegam nem perto da intensidade e da beleza transcendente do recital com que Aldina Duarte nos presenteou.
Isto, sim, é fado. O resto é conversa da treta.
Aldina Duarte é um bloco de granito duro por limar que está, apenas. Não cede nem faz concessões. Existe, apenas. A nós cabe-nos aceitá-lo, compreendê-lo, amá-lo, admirá-lo. Aldina Duarte é o fado hardcore, puro e duro. Ela dá(-se) a 200, 300%. Quem não estiver preparado para lhe responder com menos do que isso não a merece. Ontem à noite, a Culturgest cheia soube merecê-la. Falta só Portugal render-se-lhe como se tem rendido a outras (que se dizem) fadistas mas que não chegam nem perto da intensidade e da beleza transcendente do recital com que Aldina Duarte nos presenteou.
Isto, sim, é fado. O resto é conversa da treta.
1 de junho de 2005
POLAROID: JERÓNIMOS
No interior da enorme nave do Mosteiro dos Jerónimos, sucedem-se os grupos de turistas vindos de toda a parte, sentados em grupinhos nos bancos de igreja escutando atentamente o que as guias turísticas (e são quase todas guias turísticas) lhes dizem, por entre uma babel de línguas que vai do espanhol ao francês passando pelo italiano. Excepto numa das capelas em nicho lateral, junto ao altar principal, com uma jovem que observa atentamente uma figura de uma santa (será a Virgem Maria, pergunto eu com a minha ignorância em matéria de estatuária religiosa?): por trás do cordão de veludo que impede a entrada dos turistas, uma empregada da limpeza, com a bata azul da empresa, passa o espanador pelos bancos de igreja alheia ao bichanar amplificado que a rodeia, como se não estivesse ali mais ninguém a não ser ela.
31 de maio de 2005
POLAROID: AEROPORTO
Um jovem de camisa branca e mala percorre a rampa das chegadas a ver se vê alguém. Sucedem-se as chegadas, pessoas saem e acenam aos familiares, aos amigos, aos condutores, mas o jovem continua a percorrer a rampa à espera que apareça alguém.
Um senhor de meia-idade espera junto ao gradeamento de metal, e vai batendo ritmicamente no metal com um porta-chaves (uma moeda? uma chave?) enquanto não chega quem veio buscar. Assim que chega e o senhor sai, um jovem negro ocupa o seu lugar e, passado pouco tempo, começa a bater ritmicamente com uma caneta no metal.
Uma senhora (proveniente do México?) coloca o sombrero ornamentado na cabeça à porta da saída das chegadas, para a fotografia que o marido com ar de bancário tira com a máquina digital nova.
Um senhor de meia-idade espera junto ao gradeamento de metal, e vai batendo ritmicamente no metal com um porta-chaves (uma moeda? uma chave?) enquanto não chega quem veio buscar. Assim que chega e o senhor sai, um jovem negro ocupa o seu lugar e, passado pouco tempo, começa a bater ritmicamente com uma caneta no metal.
Uma senhora (proveniente do México?) coloca o sombrero ornamentado na cabeça à porta da saída das chegadas, para a fotografia que o marido com ar de bancário tira com a máquina digital nova.
30 de maio de 2005
JUNK MAIL
Porque é que uma firma de brindes oferece "turcos personalizados"? E quem será o público-alvo de uma tal proposta?
29 de maio de 2005
OUTRA MANHÃ
Às vezes, não percebo porque é que levo tanto tempo para descobrir discos como este.
nothing ever seems
to make you happy
are you miserable, babe
or are you just plain mean
is there no joy in you
c’mon don't keep me waiting
your broken heart might bring you heaven
but it will not bring you another morning
another morning with Kathleen
someone does you wrong you give away your life to prove it
you wear your pain with pride you refuse to remove it
you become the evil that plays with you like a doll
big rules only make our lives small
was your voice never heard
c’mon you know we were all listening
justice will only bring you
a prison
and it will not bring you another morning
another morning with Kathleen
now you're the big expert with the truth
now you're all apple pie and you're bulletproof
there must have been a short five minutes somewhere in your youth
when you laughed like water breaking over the broken land
when you laughed like the wind burning the sun blind on your face
when you laughed like water breaking over the broken dam
when you laughed like the starting gun at the start of the race
I wanna smash all the violins and the symphony
I wanna see you smile with a real simple melody
it's when you wake up and you're glad that you're breathing
it's when you wake up and you're glad that you're living
well that's another morning
another morning with Kathleen.
- Mark Eitzel para os American Music Club, "Another Morning", in "Love Songs for Patriots" (Cooking Vinyl/Farol, 2004)
nothing ever seems
to make you happy
are you miserable, babe
or are you just plain mean
is there no joy in you
c’mon don't keep me waiting
your broken heart might bring you heaven
but it will not bring you another morning
another morning with Kathleen
someone does you wrong you give away your life to prove it
you wear your pain with pride you refuse to remove it
you become the evil that plays with you like a doll
big rules only make our lives small
was your voice never heard
c’mon you know we were all listening
justice will only bring you
a prison
and it will not bring you another morning
another morning with Kathleen
now you're the big expert with the truth
now you're all apple pie and you're bulletproof
there must have been a short five minutes somewhere in your youth
when you laughed like water breaking over the broken land
when you laughed like the wind burning the sun blind on your face
when you laughed like water breaking over the broken dam
when you laughed like the starting gun at the start of the race
I wanna smash all the violins and the symphony
I wanna see you smile with a real simple melody
it's when you wake up and you're glad that you're breathing
it's when you wake up and you're glad that you're living
well that's another morning
another morning with Kathleen.
- Mark Eitzel para os American Music Club, "Another Morning", in "Love Songs for Patriots" (Cooking Vinyl/Farol, 2004)
BANZAI
Estou verdadeiramente aterrorizado. Por razões que não consigo compreender, sempre que entro no Blogger sou recebido... em japonês (ou será em tailandês?). Isto não era problemático há uns meses atrás, porque os botões básicos ainda estavam todos em inglês. Mas agora (glup!) já não estão! Estou a ver um écrã em caracteres inteiramente japoneses onde só o nome do meu blog e as palavras que vou escrevendo são reconhecivelmente ocidentais! Será que, daqui por uns tempos, os meus posts começam a saír, eles próprios, também em ideogramas nipónicos?
28 de maio de 2005
ELES NÃO SABEM QUE O SONHO COMANDA A VIDA, MAS NÃO ME PARECE QUE FOSSE BEM A ISTO QUE O OUTRO SE REFERIA
Alguém me explica porque é que hoje sonhei que dava um par de estalos a uma daquelas velhotas de bigode lisboetas, de voz de peixeira, atitude de porteirinha e pernas bambas a chinelar pela rua, que vinha a entrar num sítio qualquer público à cabeça de uma comitiva eleitoral-autárquica e fazia um ar de desprezo quando me via? E, se conseguirem, explicam-me também já agora porque é que acordei logo a seguir bem-disposto como já não acontecia há largas semanas?
27 de maio de 2005
PARCERIAS
Os governos podem mudar mas há uma coisa que, garantidamente, não muda: a noção de "parceria" que, em Portugal, não significa "união de pessoas com objectivos comuns", como vem no dicionário. Isto porque, como todos sabemos, em Portugal é (sempre foi) o salve-se-quem-puder, tudo-ao-molho-e-fé-em-Deus, cada-um-por-si. Não me surpreende que o conceito de "serviço público", em Portugal, seja entendido por cada um à sua maneira. E, sinceramente, não vejo como pode haver parcerias quando os parceiros apenas estão interessados em salvaguardar os seus próprios interesses e o resto que se lixe.
Os portugueses queixam-se, sistematicamente, não sem razão, do seu desencanto com a política e com os políticos. A mim, são os portugueses que me desencantam. Todos. Sem excepção.
Os portugueses queixam-se, sistematicamente, não sem razão, do seu desencanto com a política e com os políticos. A mim, são os portugueses que me desencantam. Todos. Sem excepção.
26 de maio de 2005
POLAROID: ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM
Pela primeira vez na vida, encontro uma enfermeira (mais jovem que eu) que me diz peremptoriamente que "não dá injecções em pé" e me diz para me deitar de barriga para baixo na marquesa.
PEQUENO CONSELHO CULINÁRIO
Nunca confiar nas receitas dos livros de culinária marcadas para duas pessoas: a receita do nasi goreng indonésio (arroz frito com legumes) que estreou o wok oferecido pelos anos, supostamente para 2 pessoas, dá à vontade para 4 (e assim já tenho comida para o fim-de-semana, ena ena). Da próxima vez, não me posso esquecer de ter os ingredientes todos prontos com um pouco mais de antecipação.
24 de maio de 2005
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