Sesimbra: Baía da Armação, domingo 9 de Janeiro, 10h58: 11.7m, 57min, 13º C
Eu devo é ser maluco, penso para com os meus botões às 7h30 da manhã quando o alarme dispara ao som da TSF e ouço o jornalista de serviço falar da "forte ondulação" que levou ao fecho de barras acima do Cabo Carvoeiro, quando me meto debaixo do chuveiro e saio dele sem conseguir realmente aquecer, quando tomo o pequeno-almoço e me meto no carro com 6º C de temperatura ambiente para ir visitar os peixinhos ao largo de Sesimbra após três meses de ausência causada por uma combinação de trabalho, inércia e cansaço.
Eu devo é ser maluco, penso quando, animado pelo sol radioso e pelo azul forte do céu de inverno, atravesso a ponte 25 de Abril e dou com um espessíssimo banco de nevoeiro que me acompanha desde que passo a praça da portagem até Cotovia, mesmo à beirinha de Sesimbra. Quando chego, está tudo normal, o mar está bom para sair, mesmo que um pouco agitado, não há muita gente (como é normal aos domingos).
Eu devo é ser maluco, penso quando a curta viagem de barco até à Baía da Armação é feita com vento cortante e alguma onda pequena mas insistente que nos atira com água para cima — a mim e aos outros seis malucos que se lembraram de vir mergulhar neste domingo frio de Janeiro.
Mas não sou nada maluco — abaixo da superfície a agitação do mar desaparece, e a proximidade da costa rochosa enche o local de vida, cardumes enormes que passeiam despreocupadamente. Eu e o meu parceiro José — um rapaz atlético que parece ter pouco mais de 20 anos, que tem chapas militares ao pescoço e que está perfeitamente à vontade dentro de água — andamos por ali, a lanterna pesquisando cada recanto rochoso, cada cavidade onde se possam esconder animais, e somos recompensados por um enorme polvo que se esconde pachorrentamente e que, incomodado pela luz da minha lanterna, se retira para o mais dentro da rocha que pode, por vários peixes-pedra em posição de descanso, uma estrela do mar escura que se arrasta como quem não quer a coisa, uma serpentezinha de focinho cavalar em tons de verde e alga. Fotografamos: ele com uma digital devidamente protegida por uma caixa estanque, eu com uma descartável analógica estanque até 15 metros que trouxe por brincadeira para ver se vale a pena começar a pensar a sério na fotografia subaquática (calha bem, nunca desço abaixo dos 12 neste mergulho soft de reabituação).
Eu devo mesmo ser maluco, penso quando começo a sentir frio dos 13º C que o computador marca mas que não devem de todo ser, face ao frio que começo a rapar já perto do final da hora de mergulho, é capaz de não ser má ideia começar a pensar num semi-seco em vez de um húmido de duas peças (mesmo que de 7mm).
Não sou nada maluco, penso eu quando chego a casa e me retempero com uma sopinha quente enquanto penso na excelente manhã que passei ao largo de Sesimbra e na vontade que já tenho de a repetir. Três meses sem ir ao mar? Eu devo é ser maluco.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
9 de janeiro de 2005
8 de janeiro de 2005
UMA PROFISSÃO DE FUTURO
Não, não é a marinha, nem a força aérea, nem nada que se pareça.
Canalizador, meus meninos, canalizador é o que está a dar. Com o preço que eles cobram por 15 minutos de trabalho para desentupir uma retrete emanando um eflúvio infernal (coisa que eu nunca seria capaz de fazer sem a contribuição da maquineta hidráulica manual que o senhor trazia, mas que ele fez enquanto o diabo esfrega um olho), e assumindo que eles devem receber chamadas destas a toda a hora, não estou realmente a ver muitos contras.
Canalizador, meus meninos, canalizador é o que está a dar. Com o preço que eles cobram por 15 minutos de trabalho para desentupir uma retrete emanando um eflúvio infernal (coisa que eu nunca seria capaz de fazer sem a contribuição da maquineta hidráulica manual que o senhor trazia, mas que ele fez enquanto o diabo esfrega um olho), e assumindo que eles devem receber chamadas destas a toda a hora, não estou realmente a ver muitos contras.
7 de janeiro de 2005
VALHA-NOS SÃO ESTEVÃO MÉRITO
Ele e ele decidiram-se a voltar.
Em honra da ocasião vos recomendo fervorosamente dois filmes assombrosos que vi esta semana: "Saraband" de Ingmar Bergman (estreia a 13 de Janeiro, no Alvaláxia, em Lisboa), com Liv Ullmann e Erland Josephson; "Clean" de Olivier Assayas (estreia a 20 de Janeiro), com Maggie Cheung e Nick Nolte (e Béatrice Dalle e Jeanne Balibar).
Em honra da ocasião vos recomendo fervorosamente dois filmes assombrosos que vi esta semana: "Saraband" de Ingmar Bergman (estreia a 13 de Janeiro, no Alvaláxia, em Lisboa), com Liv Ullmann e Erland Josephson; "Clean" de Olivier Assayas (estreia a 20 de Janeiro), com Maggie Cheung e Nick Nolte (e Béatrice Dalle e Jeanne Balibar).
POLAROID: BARBEIRO
O barbeiro fica inquieto quando entro no salão. Nenhum dos seus colaboradores está, sairam para tomar café, ele está a fazer arrumações e limpezas e procura-os por um instante antes de pôr as limpezas de lado algum tempo para me cortar o cabelo. A um canto do salão, a esposa, cabelo branco e óculos, retrato-robot de uma avozinha portuguesa de subúrbio clássico, entoa num tom paternalista e condescendente uma ladainha destinada a embalar o neto ainda bebé, que não deixa por isso de soltar exclamações pontuais e ameaçar choro. Por um momento, penso que ele está a protestar por ter de ouvir repetido durante tanto tempo "quem é o queridinho da avó", naquela linguagem palradora e perfeitamente irritante que os adultos fazem ideia (errada) que as crianças percebem. Por um instante pensei que era isso que o bebé estava a querer dizer — "cala-te, já estou farto de te ouvir com essa patetice, achas que eu não te topo?". O barbeiro também já parece farto de ouvir a ladainha, às tantas pergunta à mulher num tom ríspido porque não vê se o menino está sujo. Mas a senhora insiste.
E, quando a filha regressa, descobre-se que o bebé estava realmente sujo.
E, quando a filha regressa, descobre-se que o bebé estava realmente sujo.
5 de janeiro de 2005
CÓDIGO DA ESTRADA
Muita gente fala — e com razão — da falta de civismo dos condutores portugueses, mas ninguém fala da falta de civismo dos peões, que atravessam "à Lagardère" pelo meio de faixas de rodagem rápidas, indiferentes ao volume de tráfego, indiferentes às passadeiras ou aos semáforos. Na avenida Infante Santo, na rua Conde Redondo, na avenida Álvares Cabral, é vê-los, até à noite, a atravessarem a avenida ou a pararem em cima do traço divisor como se fosse um passeio. Um pouco por toda a Lisboa, é vê-los a atravessarem intersecções turbulentas como se atravessassem um jardim público. Às vezes, acho que, entre a inconsciência dos condutores que não respeitam a velocidade máxima urbana, o traço contínuo ou as passadeiras, e a inconsciência dos transeuntes que atravessam a rua como se todos os carros tivessem de parar para os deixar passar (recordo-me das vacas sagradas hindus), é um milagre que não haja mais atropelamentos em Lisboa.
4 de janeiro de 2005
VISÃO PERIFÉRICA
Existem coisas que nunca aprendemos realmente. Erros que insistimos em fazer. Armadilhas bem à nossa frente que persistimos em ignorar, como se fossem ilusões que criámos para nós próprios. Mas a única ilusão está em teimarmos que elas não estão lá, e em não percebermos que só nós é que não as vemos.
Chama-se ao processo crescer.
Chama-se ao processo crescer.
3 de janeiro de 2005
2 de janeiro de 2005
NOT EVERYONE CAN CARRY THE WEIGHT OF THE WORLD
Hoje, uma semana depois, todos os noticiários ocupam 30 minutos a esmiuçar os pormenores da tragédia da Ásia; a repetir até à exaustão os mesmos dados que já todos ouvimos esmiuçados nos últimos sete dias; a convocar os sobreviventes portugueses da tragédia para contarem as suas experiências (como se elas pudessem fornecer-nos um qualquer insight precioso sobre os desígnios insondáveis da natureza). Perturba-me esta exploração, quase pornográfica, da tragédia; perturbam-me os lugares comuns que ouço repetidos vezes sem conta ao dia, perturbam-me as pequenas histórias que todos os dias surgem do milagre da sobrevivência, perturbam-me as imagens de valas comuns e cadáveres que me entram pela sala dentro sem pedir licença.
Não estou a protestar contra a necessidade de informar, porque é urgente ajudar, é urgente tomarmos consciência que este é um só mundo e todos somos afectados por uma tragédia destas, é importante que não nos esqueçamos que as consequências da tragédia afectarão os países durante meses, anos. Mas onde se desenha a fronteira da informação? Quando é que a dignidade cede o lugar à exploração dos sentimentos de culpa ocidentais?
Quando vejo sobreviventes ingleses a chorarem convulsivamente face às câmaras de televisão, sinto-me um intruso num momento catártico que não é, não pode ser público, que tem de ser privado. Quando vejo cadáveres embrulhados em plástico a serem despejados numa vala comum, sinto-me um voyeur perverso, porque aquele é um momento demasiado impressionante para ser repetido ad infinitum num écrã de televisão, que não é para ser visto levianamente à mesa do jantar por entre discussões de futebol e política. E não quero com isto invocar preceitos morais ou éticos de qualquer espécie — apenas que há um respeito que estas incontáveis vítimas merecem que não se compadece com os horários rígidos dos telejornais, com a medição das audiências.
O sofrimento é, sempre foi, algo de privado, de pessoal. Não acredito na sua exibição pública. E há momentos em que o que me parece ver, na procissão de imagens televisivas, é uma mera exposição da dor. Para que os outros se possam considerar sortudos. E essa é a pior das razões para querermos ajudar.
Não estou a protestar contra a necessidade de informar, porque é urgente ajudar, é urgente tomarmos consciência que este é um só mundo e todos somos afectados por uma tragédia destas, é importante que não nos esqueçamos que as consequências da tragédia afectarão os países durante meses, anos. Mas onde se desenha a fronteira da informação? Quando é que a dignidade cede o lugar à exploração dos sentimentos de culpa ocidentais?
Quando vejo sobreviventes ingleses a chorarem convulsivamente face às câmaras de televisão, sinto-me um intruso num momento catártico que não é, não pode ser público, que tem de ser privado. Quando vejo cadáveres embrulhados em plástico a serem despejados numa vala comum, sinto-me um voyeur perverso, porque aquele é um momento demasiado impressionante para ser repetido ad infinitum num écrã de televisão, que não é para ser visto levianamente à mesa do jantar por entre discussões de futebol e política. E não quero com isto invocar preceitos morais ou éticos de qualquer espécie — apenas que há um respeito que estas incontáveis vítimas merecem que não se compadece com os horários rígidos dos telejornais, com a medição das audiências.
O sofrimento é, sempre foi, algo de privado, de pessoal. Não acredito na sua exibição pública. E há momentos em que o que me parece ver, na procissão de imagens televisivas, é uma mera exposição da dor. Para que os outros se possam considerar sortudos. E essa é a pior das razões para querermos ajudar.
1 de janeiro de 2005
IMPORTANTE COMUNICADO À NAÇÃO
Correndo o risco de cair no lugar-comum, bom 2005.
(E três palavras para descrever o meu réveillon: patê de atum.)
(E três palavras para descrever o meu réveillon: patê de atum.)
30 de dezembro de 2004
DISCOS DE 2004
(uma lista possível puramente alfabética, nada definitiva e muito idiossincrática)
1-UIK PROJECT, Strategies and Survival (Enchufada/Movieplay)
ADRIANA CALCANHOTTO, Adriana Partimpim (Ariola/BMG)
ALDINA DUARTE, Apenas o Amor (Virgin/EMI)
ANAMAR, Transfado (Companhia Nacional de Música/MVM)
ARNALDO ANTUNES, Saiba (Rosa Celeste/BMG)
BiD, Bambas & Biritas Vol. I (Soul City/Beleza/Universal)
BILL FRISELL, Unspeakable (Nonesuch/Warner)
The BLUE NILE, High (Epstein/Sanctuary/Som Livre)
CAETANO VELOSO, A Foreign Sound (Emarcy/Universal)
ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS, The Delivery Man (Lost Highway/Universal)
CHULLAGE, Rapensar (Lisafonia)
DA WEASEL, Re-Definições (Virgin/EMI)
DAVID BYRNE, Grown Backwards (Nonesuch/Warner)
HÉLDER MOUTINHO, Luz de Lisboa (Ocarina)
HOME (Benjamin Biolay & Chiara Mastroianni, Home (Virgin/EMI)
HUMANOS, Humanos (Capitol/EMI)
JILL SCOTT, Beautifully Human: Words & Sounds vol. 2 (Hidden Beach/Sony)
JOSÉ MÁRIO BRANCO, Resistir É Vencer (Capitol/EMI)
k. d. lang, Hymns of the 49th Parallel (Nonesuch/Warner)
The KILLERS, Hot Fuss (Island/Universal)
The MAGNETIC FIELDS, I (Nonesuch/Warner)
MARIA JOÃO MÁRIO LAGINHA, Tralha (Emarcy/Universal)
The MOUNTAIN GOATS, We Shall All Be Healed (4AD)
A NAIFA, Canções Subterrâneas (Columbia/Sony)
RODRIGO LEÃO, Cinema (Columbia/Sony)
STEVE EARLE, The Revolution Starts Now (Artemis/Edel)
TANYA DONELLY, Whiskey Tango Ghosts (4AD)
TOM WAITS, Real Gone (Anti-/Edel)
TV ON THE RADIO, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (4AD)
U2, How to Dismantle an Atomic Bomb (Island/Universal)
VINICIUS CANTUÁRIA, Horse and Fish (Hannibal/Rykodisc/Edel)
1-UIK PROJECT, Strategies and Survival (Enchufada/Movieplay)
ADRIANA CALCANHOTTO, Adriana Partimpim (Ariola/BMG)
ALDINA DUARTE, Apenas o Amor (Virgin/EMI)
ANAMAR, Transfado (Companhia Nacional de Música/MVM)
ARNALDO ANTUNES, Saiba (Rosa Celeste/BMG)
BiD, Bambas & Biritas Vol. I (Soul City/Beleza/Universal)
BILL FRISELL, Unspeakable (Nonesuch/Warner)
The BLUE NILE, High (Epstein/Sanctuary/Som Livre)
CAETANO VELOSO, A Foreign Sound (Emarcy/Universal)
ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS, The Delivery Man (Lost Highway/Universal)
CHULLAGE, Rapensar (Lisafonia)
DA WEASEL, Re-Definições (Virgin/EMI)
DAVID BYRNE, Grown Backwards (Nonesuch/Warner)
HÉLDER MOUTINHO, Luz de Lisboa (Ocarina)
HOME (Benjamin Biolay & Chiara Mastroianni, Home (Virgin/EMI)
HUMANOS, Humanos (Capitol/EMI)
JILL SCOTT, Beautifully Human: Words & Sounds vol. 2 (Hidden Beach/Sony)
JOSÉ MÁRIO BRANCO, Resistir É Vencer (Capitol/EMI)
k. d. lang, Hymns of the 49th Parallel (Nonesuch/Warner)
The KILLERS, Hot Fuss (Island/Universal)
The MAGNETIC FIELDS, I (Nonesuch/Warner)
MARIA JOÃO MÁRIO LAGINHA, Tralha (Emarcy/Universal)
The MOUNTAIN GOATS, We Shall All Be Healed (4AD)
A NAIFA, Canções Subterrâneas (Columbia/Sony)
RODRIGO LEÃO, Cinema (Columbia/Sony)
STEVE EARLE, The Revolution Starts Now (Artemis/Edel)
TANYA DONELLY, Whiskey Tango Ghosts (4AD)
TOM WAITS, Real Gone (Anti-/Edel)
TV ON THE RADIO, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (4AD)
U2, How to Dismantle an Atomic Bomb (Island/Universal)
VINICIUS CANTUÁRIA, Horse and Fish (Hannibal/Rykodisc/Edel)
29 de dezembro de 2004
28 de dezembro de 2004
COMENTÁRIO TÍPICO DE MARIDO DISTRAÍDO
O marido entretém-se a ver aquilo de que gosta enquanto a mulher, aborrecida, espreita a montra de roupa na loja do lado: "Vou ali e já venho". Comenta o marido, absorto: "Ali aonde?"
27 de dezembro de 2004
PARA QUE SERVEM OS PASSEIOS?
A matrona cinquentona desce a rua estreita mesmo pelo meio da estrada, apesar do passeio à direita, mesmo que estreito, estar desocupado. Não me apetece buzinar-lhe, e vou descendo devagar para ver se ela percebe. Ela percebe. Olha para trás. Chega-se ao passeio, mas não sobe para cima dele. Lança-me um olhar de desprezo, como quem diz "que impertinência a sua! Veja lá, querer andar de carro na rua!". Pelo retrovisor a senhora continua a descer pelo meio da rua como se não fosse nada com ela. Arrependi-me de não lhe ter buzinado.
25 de dezembro de 2004
PAREM O MUNDO
Gostei que a noite de Natal pouco tenha diferido de uma qualquer noite de fim-de-semana e que o dia de Natal tenha sido apenas um sábado como outro qualquer, passado entre quatro paredes com as janelas abertas ao céu azul acinzentado e ao sol frio de inverno, com o aquecedor ligado, a música a correr no CD, as revistas em cima do sofá. Parar o mundo assim pode ser bom.
24 de dezembro de 2004
árvorezinha
(ou: saudação natalícia alternativa menos mas ainda assim alternativa, descaradamente influenciada por um e-mail natalício de proveniência desconhecida mas que me parece assinalavelmente apropriada)
little tree
little silent Christmas tree
you are so little
you are more like a flower
who found you in the green forest
and were you very sorry to come away?
see i will comfort you
because you smell so sweetly
i will kiss your cool bark
and hug you safe and tight
just as your mother would,
only don't be afraid
look the spangles
that sleep all the year in a dark box
dreaming of being taken out and allowed to shine,
the balls the chains red and gold the fluffy threads,
put up your little arms
and i'll give them all to you to hold
every finger shall have its ring
and there won't be a single place dark or unhappy
then when you're quite dressed
you'll stand in the window for everyone to see
and how they'll stare!
oh but you'll be very proud
and my little sister and i will take hands
and looking up at our beautiful tree
we'll dance and sing
"Noel Noel"
- e. e. cummings
little tree
little silent Christmas tree
you are so little
you are more like a flower
who found you in the green forest
and were you very sorry to come away?
see i will comfort you
because you smell so sweetly
i will kiss your cool bark
and hug you safe and tight
just as your mother would,
only don't be afraid
look the spangles
that sleep all the year in a dark box
dreaming of being taken out and allowed to shine,
the balls the chains red and gold the fluffy threads,
put up your little arms
and i'll give them all to you to hold
every finger shall have its ring
and there won't be a single place dark or unhappy
then when you're quite dressed
you'll stand in the window for everyone to see
and how they'll stare!
oh but you'll be very proud
and my little sister and i will take hands
and looking up at our beautiful tree
we'll dance and sing
"Noel Noel"
- e. e. cummings
have yourself a mary little xmas
(ou: saudação natalícia alternativa)
já nasceu o Deus menino
e as vaquinhas vão mugindo
blim blom, blim blom
blim blom nylon
Mary, Mary, Mary Cristo
Cristo, Cristo, Mary, Mary
esta noite olham por nós
anjos cantam de lá do céu
carneirinho me dá lã, mé
passarinhos de manhã, né
cantam
tudo tão bom
Papai Noel
momo do céu.
- Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte, "Mary Cristo", in "Tribalistas" (Phonomotor/EMI, 2002)
já nasceu o Deus menino
e as vaquinhas vão mugindo
blim blom, blim blom
blim blom nylon
Mary, Mary, Mary Cristo
Cristo, Cristo, Mary, Mary
esta noite olham por nós
anjos cantam de lá do céu
carneirinho me dá lã, mé
passarinhos de manhã, né
cantam
tudo tão bom
Papai Noel
momo do céu.
- Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte, "Mary Cristo", in "Tribalistas" (Phonomotor/EMI, 2002)
23 de dezembro de 2004
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