Mictar.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
1 de janeiro de 2005
IMPORTANTE COMUNICADO À NAÇÃO
Correndo o risco de cair no lugar-comum, bom 2005.
(E três palavras para descrever o meu réveillon: patê de atum.)
(E três palavras para descrever o meu réveillon: patê de atum.)
30 de dezembro de 2004
DISCOS DE 2004
(uma lista possível puramente alfabética, nada definitiva e muito idiossincrática)
1-UIK PROJECT, Strategies and Survival (Enchufada/Movieplay)
ADRIANA CALCANHOTTO, Adriana Partimpim (Ariola/BMG)
ALDINA DUARTE, Apenas o Amor (Virgin/EMI)
ANAMAR, Transfado (Companhia Nacional de Música/MVM)
ARNALDO ANTUNES, Saiba (Rosa Celeste/BMG)
BiD, Bambas & Biritas Vol. I (Soul City/Beleza/Universal)
BILL FRISELL, Unspeakable (Nonesuch/Warner)
The BLUE NILE, High (Epstein/Sanctuary/Som Livre)
CAETANO VELOSO, A Foreign Sound (Emarcy/Universal)
ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS, The Delivery Man (Lost Highway/Universal)
CHULLAGE, Rapensar (Lisafonia)
DA WEASEL, Re-Definições (Virgin/EMI)
DAVID BYRNE, Grown Backwards (Nonesuch/Warner)
HÉLDER MOUTINHO, Luz de Lisboa (Ocarina)
HOME (Benjamin Biolay & Chiara Mastroianni, Home (Virgin/EMI)
HUMANOS, Humanos (Capitol/EMI)
JILL SCOTT, Beautifully Human: Words & Sounds vol. 2 (Hidden Beach/Sony)
JOSÉ MÁRIO BRANCO, Resistir É Vencer (Capitol/EMI)
k. d. lang, Hymns of the 49th Parallel (Nonesuch/Warner)
The KILLERS, Hot Fuss (Island/Universal)
The MAGNETIC FIELDS, I (Nonesuch/Warner)
MARIA JOÃO MÁRIO LAGINHA, Tralha (Emarcy/Universal)
The MOUNTAIN GOATS, We Shall All Be Healed (4AD)
A NAIFA, Canções Subterrâneas (Columbia/Sony)
RODRIGO LEÃO, Cinema (Columbia/Sony)
STEVE EARLE, The Revolution Starts Now (Artemis/Edel)
TANYA DONELLY, Whiskey Tango Ghosts (4AD)
TOM WAITS, Real Gone (Anti-/Edel)
TV ON THE RADIO, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (4AD)
U2, How to Dismantle an Atomic Bomb (Island/Universal)
VINICIUS CANTUÁRIA, Horse and Fish (Hannibal/Rykodisc/Edel)
1-UIK PROJECT, Strategies and Survival (Enchufada/Movieplay)
ADRIANA CALCANHOTTO, Adriana Partimpim (Ariola/BMG)
ALDINA DUARTE, Apenas o Amor (Virgin/EMI)
ANAMAR, Transfado (Companhia Nacional de Música/MVM)
ARNALDO ANTUNES, Saiba (Rosa Celeste/BMG)
BiD, Bambas & Biritas Vol. I (Soul City/Beleza/Universal)
BILL FRISELL, Unspeakable (Nonesuch/Warner)
The BLUE NILE, High (Epstein/Sanctuary/Som Livre)
CAETANO VELOSO, A Foreign Sound (Emarcy/Universal)
ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS, The Delivery Man (Lost Highway/Universal)
CHULLAGE, Rapensar (Lisafonia)
DA WEASEL, Re-Definições (Virgin/EMI)
DAVID BYRNE, Grown Backwards (Nonesuch/Warner)
HÉLDER MOUTINHO, Luz de Lisboa (Ocarina)
HOME (Benjamin Biolay & Chiara Mastroianni, Home (Virgin/EMI)
HUMANOS, Humanos (Capitol/EMI)
JILL SCOTT, Beautifully Human: Words & Sounds vol. 2 (Hidden Beach/Sony)
JOSÉ MÁRIO BRANCO, Resistir É Vencer (Capitol/EMI)
k. d. lang, Hymns of the 49th Parallel (Nonesuch/Warner)
The KILLERS, Hot Fuss (Island/Universal)
The MAGNETIC FIELDS, I (Nonesuch/Warner)
MARIA JOÃO MÁRIO LAGINHA, Tralha (Emarcy/Universal)
The MOUNTAIN GOATS, We Shall All Be Healed (4AD)
A NAIFA, Canções Subterrâneas (Columbia/Sony)
RODRIGO LEÃO, Cinema (Columbia/Sony)
STEVE EARLE, The Revolution Starts Now (Artemis/Edel)
TANYA DONELLY, Whiskey Tango Ghosts (4AD)
TOM WAITS, Real Gone (Anti-/Edel)
TV ON THE RADIO, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (4AD)
U2, How to Dismantle an Atomic Bomb (Island/Universal)
VINICIUS CANTUÁRIA, Horse and Fish (Hannibal/Rykodisc/Edel)
29 de dezembro de 2004
28 de dezembro de 2004
COMENTÁRIO TÍPICO DE MARIDO DISTRAÍDO
O marido entretém-se a ver aquilo de que gosta enquanto a mulher, aborrecida, espreita a montra de roupa na loja do lado: "Vou ali e já venho". Comenta o marido, absorto: "Ali aonde?"
27 de dezembro de 2004
PARA QUE SERVEM OS PASSEIOS?
A matrona cinquentona desce a rua estreita mesmo pelo meio da estrada, apesar do passeio à direita, mesmo que estreito, estar desocupado. Não me apetece buzinar-lhe, e vou descendo devagar para ver se ela percebe. Ela percebe. Olha para trás. Chega-se ao passeio, mas não sobe para cima dele. Lança-me um olhar de desprezo, como quem diz "que impertinência a sua! Veja lá, querer andar de carro na rua!". Pelo retrovisor a senhora continua a descer pelo meio da rua como se não fosse nada com ela. Arrependi-me de não lhe ter buzinado.
25 de dezembro de 2004
PAREM O MUNDO
Gostei que a noite de Natal pouco tenha diferido de uma qualquer noite de fim-de-semana e que o dia de Natal tenha sido apenas um sábado como outro qualquer, passado entre quatro paredes com as janelas abertas ao céu azul acinzentado e ao sol frio de inverno, com o aquecedor ligado, a música a correr no CD, as revistas em cima do sofá. Parar o mundo assim pode ser bom.
24 de dezembro de 2004
árvorezinha
(ou: saudação natalícia alternativa menos mas ainda assim alternativa, descaradamente influenciada por um e-mail natalício de proveniência desconhecida mas que me parece assinalavelmente apropriada)
little tree
little silent Christmas tree
you are so little
you are more like a flower
who found you in the green forest
and were you very sorry to come away?
see i will comfort you
because you smell so sweetly
i will kiss your cool bark
and hug you safe and tight
just as your mother would,
only don't be afraid
look the spangles
that sleep all the year in a dark box
dreaming of being taken out and allowed to shine,
the balls the chains red and gold the fluffy threads,
put up your little arms
and i'll give them all to you to hold
every finger shall have its ring
and there won't be a single place dark or unhappy
then when you're quite dressed
you'll stand in the window for everyone to see
and how they'll stare!
oh but you'll be very proud
and my little sister and i will take hands
and looking up at our beautiful tree
we'll dance and sing
"Noel Noel"
- e. e. cummings
little tree
little silent Christmas tree
you are so little
you are more like a flower
who found you in the green forest
and were you very sorry to come away?
see i will comfort you
because you smell so sweetly
i will kiss your cool bark
and hug you safe and tight
just as your mother would,
only don't be afraid
look the spangles
that sleep all the year in a dark box
dreaming of being taken out and allowed to shine,
the balls the chains red and gold the fluffy threads,
put up your little arms
and i'll give them all to you to hold
every finger shall have its ring
and there won't be a single place dark or unhappy
then when you're quite dressed
you'll stand in the window for everyone to see
and how they'll stare!
oh but you'll be very proud
and my little sister and i will take hands
and looking up at our beautiful tree
we'll dance and sing
"Noel Noel"
- e. e. cummings
have yourself a mary little xmas
(ou: saudação natalícia alternativa)
já nasceu o Deus menino
e as vaquinhas vão mugindo
blim blom, blim blom
blim blom nylon
Mary, Mary, Mary Cristo
Cristo, Cristo, Mary, Mary
esta noite olham por nós
anjos cantam de lá do céu
carneirinho me dá lã, mé
passarinhos de manhã, né
cantam
tudo tão bom
Papai Noel
momo do céu.
- Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte, "Mary Cristo", in "Tribalistas" (Phonomotor/EMI, 2002)
já nasceu o Deus menino
e as vaquinhas vão mugindo
blim blom, blim blom
blim blom nylon
Mary, Mary, Mary Cristo
Cristo, Cristo, Mary, Mary
esta noite olham por nós
anjos cantam de lá do céu
carneirinho me dá lã, mé
passarinhos de manhã, né
cantam
tudo tão bom
Papai Noel
momo do céu.
- Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte, "Mary Cristo", in "Tribalistas" (Phonomotor/EMI, 2002)
23 de dezembro de 2004
AI AS FILHÓS
"MONSTRO FAZER MUITA FALTA" - sms de desespero de uma amiga que eu costumo ajudar a fazer doces natalícios.
22 de dezembro de 2004
ANGER MANAGEMENT
Sentir-me um boxeur que está a levar porrada por tudo quanto é sítio e, contudo, sem perceber bem porquê, insistir em levantar-me, insistir em cumprir cada longo e doloroso round, sabendo que cada segundo apenas aumenta as probabilidades estatísticas de ceder o combate. E, contudo, insistir. Resistir. Como se pudesse mudar algo que não depende de mim. E continuar a invocar, sei lá de onde, a força de vontade de acreditar que tudo isto é só um momento mau que em breve ficará para trás.
Nem sempre o inferno são os outros.
Nem sempre o inferno são os outros.
21 de dezembro de 2004
AFORISMO
Descobri que tenho todas as rotinas do típico chefe de família. Só que não tenho família da qual ser chefe.
20 de dezembro de 2004
TELEFONEMAS
Saber que não posso fazer nada, deixar a culpa a ferver em lume brando, lentamente, durante todo o dia, entrecortada por telefonemas indagando de evoluções. Sentir-me prisioneiro de uma qualquer jaula de cuja chave receio conhecer o paradeiro. Perguntar-me se a responsabilidade não assume sempre uma quota-parte de fuga, se a opção não é, no fundo, em vez de uma aceitação de algo a rejeição do outro. Sinto-me esgotado.
19 de dezembro de 2004
TELEJORNAL
É impressão minha, ou (à falta de congressos partidários, crises políticas e outros acontecimentos semelhantes) os noticiários de fim-de-semana estão cada vez mais virados para a exploração do "caso da vida", da reportagem sobre as injustiças, as iniquidades e as infelicidades que pululam pelo nosso país? Por vezes pergunto-me como é que um estrangeiro verá estes telejornais que, ao mesmo tempo que exibem políticos seguros de si e executivos que pintam imagens de amanhãs que cantam, remexem à procura das desgraças quotidianas, dos labirintos kafkianos em que a burocracia encerra as pessoas, da luta que por vezes é apenas sobreviver. Algures entre o folhetim do desgraçadinho e a ilusão de sucesso, está um Portugal normal que os telejornais raramente mostram, porque a imensa maioria nunca gosta de se ver ao espelho; gosta de se sentir melhor que os infelizes e de resmungar com aqueles que estão melhores que ela. Faz sentido. Ou talvez não.
18 de dezembro de 2004
POLAROID: BOMBEIROS
Como moro perto de S. Bento, estou habituado aos uivos das sirenes dos batedores da polícia que se ouvem pelo menos uma vez ao dia, escoltando as individualidades pelo meio do trânsito de Lisboa, e por vezes também à noite. Não costumo é ouvi-las na minha rua, e por isso fui à janela onde vi nada menos de três carros de bombeiros, strobes azuis a piscar, parados com poucos metros de intervalo, frente a uma das casas antigas da rua, mais abaixo. Mas da minha janela nem fumo nem fogo se via, apesar da movimentação de bombeiros à porta e das janelas acesas e mirones que vieram à rua perceber o que se passava. Em breve começou a desmobilização, com os bombeiros a regressar aos carros para se desequiparem, e confesso que não cheguei a perceber se houve realmente incêndio ou tudo não passou de um falso alarme. Tudo voltou à normalidade da qual, provavelmente, nunca se terá chegado a sair.
Creio que terá sido há dois anos que um episódio semelhante ocorreu no meu prédio, precisamente por alturas do Natal. Uma vela decorativa deixada acesa em cima do televisor durante o jantar pegou fogo ao televisor, cuja caixa plástica, ao derreter, criou uma fumarada e um cheiro nauseabundo que rapidamente se espalharam à caixa do elevador e das escadas — mas não havia fogo visível em lado nenhum, e só quando os bombeiros (em muito menos quantidade) vieram é que conseguimos perceber o que estava a acontecer. Durante os dias seguintes, todos os inquilinos do prédio deixavam os lenços negros das poeiras acumuladas no nariz sempre que se assoavam.
Creio que terá sido há dois anos que um episódio semelhante ocorreu no meu prédio, precisamente por alturas do Natal. Uma vela decorativa deixada acesa em cima do televisor durante o jantar pegou fogo ao televisor, cuja caixa plástica, ao derreter, criou uma fumarada e um cheiro nauseabundo que rapidamente se espalharam à caixa do elevador e das escadas — mas não havia fogo visível em lado nenhum, e só quando os bombeiros (em muito menos quantidade) vieram é que conseguimos perceber o que estava a acontecer. Durante os dias seguintes, todos os inquilinos do prédio deixavam os lenços negros das poeiras acumuladas no nariz sempre que se assoavam.
17 de dezembro de 2004
16 de dezembro de 2004
(adenda ao post anterior em forma de publicidade desavergonhada)
PS 1 — sem o saber, o Roda Livre partilha o aniversário com a minha querida amiga V., que geralmente "can't be bothered" (com o quê, isso caber-lhe-á a ela responder)
PS 2 — uma cunha desavergonhada ao "irmãozinho mais novo", ficheiro-arquivo a meu bel-prazer de textos sobre cinema que, por uma ou outra razão, não têm cabimento nem actualidade para serem mencionados nem aqui nem no meu day job. A Casa Encantada não é actualizado diariamente como o Roda Livre, mas todas as semanas (um pouco como as estreias de cinema...) lá vão caindo mais umas fichinhas
PS 2 — uma cunha desavergonhada ao "irmãozinho mais novo", ficheiro-arquivo a meu bel-prazer de textos sobre cinema que, por uma ou outra razão, não têm cabimento nem actualidade para serem mencionados nem aqui nem no meu day job. A Casa Encantada não é actualizado diariamente como o Roda Livre, mas todas as semanas (um pouco como as estreias de cinema...) lá vão caindo mais umas fichinhas
15 de dezembro de 2004
IT WAS A VERY GOOD YEAR (Sinatra dixit)
Vou-vos contar um segredo: o Roda Livre faz hoje um ano. Embora a data "oficial" seja amanhã, 16 de Dezembro, o facto é que os primeiros ensaios foram feitos a 15, ainda em modo "privado", e só a 16 é que entrou no "domínio público".
Há um ano, não fazia a mínima ideia quanto tempo é que me ia apetecer aguentar este pequeno manifesto diletante. Hoje, tornou-se num daqueles bons hábitos, como ler o jornal de manhã, comer um pastel de nata a seguir a um bom café, ficar no sofá enroscado com um bom livro.
Mas acho que os parabéns não são tanto para mim (não vejo que um "espelho" tão inclassificavelmente pessoal como este os justifique...) como para os mais de 25 mil visitantes que, para minha agradada mas estupefacta surpresa, por aqui passaram ao longo do ano. E para todos aqueles (muitos menos!) que, para lá disso, têm comentado, escrito, resmungado, apoiado, mandado vir, compreendido e enviado beijos e abraços ao longo deste ano. Enquanto estiverem desse lado, acho que vou continuar a ter (muito) gosto em estar deste lado.
Há um ano, não fazia a mínima ideia quanto tempo é que me ia apetecer aguentar este pequeno manifesto diletante. Hoje, tornou-se num daqueles bons hábitos, como ler o jornal de manhã, comer um pastel de nata a seguir a um bom café, ficar no sofá enroscado com um bom livro.
Mas acho que os parabéns não são tanto para mim (não vejo que um "espelho" tão inclassificavelmente pessoal como este os justifique...) como para os mais de 25 mil visitantes que, para minha agradada mas estupefacta surpresa, por aqui passaram ao longo do ano. E para todos aqueles (muitos menos!) que, para lá disso, têm comentado, escrito, resmungado, apoiado, mandado vir, compreendido e enviado beijos e abraços ao longo deste ano. Enquanto estiverem desse lado, acho que vou continuar a ter (muito) gosto em estar deste lado.
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