Deixei de acreditar definitivamente no Pai Natal numa véspera de Natal, em finais dos anos 70, quando eu tinha 10, 11 anos, em que, enquanto estava a dar "O Feiticeiro de Oz" na televisão, os meus pais desapareceram de repente da sala de jantar e eu fui à procura deles para os encontrar a arrumar os presentes na sala de estar. Eu já não acreditava muito no Pai Natal antes, acho eu, pelo menos do que me recordo, mas nesse ano percebi o esquema todo. E foi também nesse ano que percebi que a quantidade absurda de presentes que me davam era uma maneira dos meus pais compensarem outras coisas que não me sabiam dar.
É uma chatice perceber estas coisas tão novo. Dá-nos cabo da cabeça cedo demais.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
12 de novembro de 2004
11 de novembro de 2004
I STILL HAVEN'T FOUND WHAT I'M LOOKING FOR
No outro dia, falava da minha mãe viver no mundo fechado das suas quatro paredes. Às vezes, descubro que sou mais parecido com ela do que eu próprio penso: também eu vivo no meu mundo fechado. Porque o diâmetro ou a área não têm importância quando o percurso continua a ser um círculo que me leva do ponto A outra vez ao ponto A. Obviamente isto cria os seus problemas: a maior parte do que realmente interessa está lá fora.
A minha mãe sempre disse — geralmente qusndo está a mandar vir — uma coisa com uma certa piada: "nós sempre tivemos muito medo que o ar te chegasse". Parabéns, conseguiram.
A minha mãe sempre disse — geralmente qusndo está a mandar vir — uma coisa com uma certa piada: "nós sempre tivemos muito medo que o ar te chegasse". Parabéns, conseguiram.
10 de novembro de 2004
PEQUENO MOMENTO DE LUCIDEZ ILUMINADA
Percebi que sou um quarentão ressabiado. Isto é muito perturbante porque só tenho 36 anos.
9 de novembro de 2004
QUESTIONÁRIO DE ESCOLHA MÚLTIPLA
Dizia o teaser na caixa multibanco: Sabe qual é o seu nível de açúcar no sangue?. E, depois de levantar os 60 euros, lá veio a resposta: 14 de Novembro - Dia Mundial da Diabetes. X% de portugueses não sabe que sofre de diabetes.
Isto é suposto:
a) gerar sentimentos de culpa por comer doces?
b) assustar-me para ir ao médico já ver o açúcar no sangue?
c) lançar-me em depressão porque tudo o que faço e como pode ser potencialmente perigoso?
d) fazer-me sentir superior aos outros porque controlo o meu açúcar no sangue?
Como podem ver, a trip da culpa não tem escapatória possível. O que nos querem vender não é saúde nem cuidados por si próprios, é mesmo usar a culpa como um motivador. E sabem que mais? Bardamerda para a culpa. Venha daí esse quadradinho de chocolate negro amargo com 70% de cacau.
Isto é suposto:
a) gerar sentimentos de culpa por comer doces?
b) assustar-me para ir ao médico já ver o açúcar no sangue?
c) lançar-me em depressão porque tudo o que faço e como pode ser potencialmente perigoso?
d) fazer-me sentir superior aos outros porque controlo o meu açúcar no sangue?
Como podem ver, a trip da culpa não tem escapatória possível. O que nos querem vender não é saúde nem cuidados por si próprios, é mesmo usar a culpa como um motivador. E sabem que mais? Bardamerda para a culpa. Venha daí esse quadradinho de chocolate negro amargo com 70% de cacau.
8 de novembro de 2004
DO FUNDO DOS TEMPOS
Na escola primária (terá sido na 3ª classe?), aprendi o que significa as pessoas não acreditarem em nós. Alguém deixou um "presente" desagradável debaixo da minha carteira. Levou-me tempo a perceber de onde vinha o mau cheiro e, quando dei pela sola da bota suja, disse ao professor. Todos pensaram que tinha sido eu. Até o professor. De nada serviram os meus protestos, o meu desespero; fui mandado para o recreio, de castigo. Lembro-me que o dia estava cinzento. Lembro-me que chorei, chorei muito, sozinho no recreio. Lembro-me que os meus pais acreditaram em mim porque me viram transtornado como nunca tinham visto.
Não me recordo como foram os dias seguintes, como ultrapassei o trauma de ninguém acreditar em mim. Talvez nunca o tenha ultrapassado; isto foi quase há trinta anos e recordo-me como se fosse ontem. Nesse dia aprendi a não confiar nas pessoas. Nesse dia aprendi que há amizades — talvez a maior parte delas — que são meros jogos de interesses (e, ao longo dos anos que se seguiram, no ciclo preparatório e grande parte do liceu, apenas o confirmei). Nesse dia aprendi o que é a cegueira dos outros.
Desse dia data a minha necessidade de ser aceite, de ser compreendido, de pertencer — e a minha certeza que, por mais que tente, isso nunca acontecerá.
Não me recordo como foram os dias seguintes, como ultrapassei o trauma de ninguém acreditar em mim. Talvez nunca o tenha ultrapassado; isto foi quase há trinta anos e recordo-me como se fosse ontem. Nesse dia aprendi a não confiar nas pessoas. Nesse dia aprendi que há amizades — talvez a maior parte delas — que são meros jogos de interesses (e, ao longo dos anos que se seguiram, no ciclo preparatório e grande parte do liceu, apenas o confirmei). Nesse dia aprendi o que é a cegueira dos outros.
Desse dia data a minha necessidade de ser aceite, de ser compreendido, de pertencer — e a minha certeza que, por mais que tente, isso nunca acontecerá.
O BENEFÍCIO DA DÚVIDA
I had a kind of a not sad — well, maybe sad — but an acceptance of who I am as a woman and that maybe who I am as a woman isn't somebody that can be the great partner and wife and also do the things that I want to do (...). I've come to reaize there's a very strong possibility I might be raising my children by myself and have great lovers and friends, but not find that one great love. And that's sad, you know. But better that than hurt somebody or go through another divorce.
Quem diz isto é Angelina Jolie, na edição de Outubro da Première americana. E, transferindo o conteúdo para a minha própria experiência, estou como ela: será melhor partir em busca de um sonho distante (e, talvez, impossível) do que saber desfrutar do que tenho? As dúvidas estão sempre a dar cabo de mim. Acho que é uma herança materna.
Quem diz isto é Angelina Jolie, na edição de Outubro da Première americana. E, transferindo o conteúdo para a minha própria experiência, estou como ela: será melhor partir em busca de um sonho distante (e, talvez, impossível) do que saber desfrutar do que tenho? As dúvidas estão sempre a dar cabo de mim. Acho que é uma herança materna.
7 de novembro de 2004
5 DE NOVEMBRO DE 1929
A minha mãe fez 75 anos na sexta-feira. Recordo-me que, quando o meu pai fez anos, em Março, coloquei aqui um post sobre a ocasião, mas não fiz o mesmo com a minha mãe. Provavelmente, para alguns isto equivalerá a ser um filho desnaturado, ou então será lido como uma manifestação freudiana da clássica preferência por um dos pais.
Lamento desiludi-los; entre o laconismo reservado e repetidamente silencioso do meu pai e os monólogos cada vez mais amargos e histriónicos da minha mãe, não prefiro nenhum. E gosto muito de ambos os meus pais, por muitas dificuldades de relacionamento que tenha com eles. Acontece, apenas, que a minha mãe é uma figura complicada. Uma mulher que cresceu no "obscurantismo" de um tempo onde a célula familiar era rigidamente estruturada e o lugar da mulher era em casa, a tomar conta dos filhos.
A minha mãe sempre se dividiu entre a vontade (em alguns casos, quase necessidade) de se revoltar contra o papel meramente utilitário que a sociedade lhe impunha e o medo de ser incapaz de se aguentar sozinha se mandasse tudo ás urtigas e se revoltasse efectivamente. A minha mãe sempre nos usou a nós, os três filhos que teve, como a sua desculpa para se resignar ao papel que lhe tinham destinado mas que ela nunca quis aceitar. A minha mãe sempre diz que, graças a Deus, criou três bons rapazinhos, honestos e trabalhadores — como se tudo isso fosse a única coisa que valesse a pena. Mas a minha mãe sempre viveu no mundo fechado das quatro paredes do apartamento do Bairro das Colónias onde nos criou, e nunca visitou o mundo fora dessas quatro paredes que tanto gostaria de ter visto. E criou-nos de acordo com valores e experiências de um outro tempo, que não era nem nunca foi o nosso.
A minha mãe fez 75 anos na sexta-feira e não celebrou a ocasião. Há vários anos que ela se recusa a celebrar o que quer que seja, nos diz sempre que não gastemos dinheiro com ela (embora fique ofendidíssima se não gastamos), que se calhar para o ano que vem já cá não está. A minha mãe está uma mulher amarga, que, chegada à velhice e à doença, lamenta tudo aquilo que nunca teve a coragem para fazer, sacudindo muito lusamente a água do capote como se não fosse culpa dela mas um conjunto de circunstâncias. Talvez seja a única maneira que ela tem de não sucumbir ao desespero mais absoluto de se ver uma mulher velha e doente confinada a quatro paredes. E, por isso, este fim-de-semana voltou a ser um fim-de-semana de jantares crispados, em que a palavra mais casual ou a afirmação dita em tom jocoso é virada contra nós para se transformar numa denúncia da santidade dela, numa defesa da sua ser a única verdade possível e existente. A minha mãe é possessiva, centralizadora, sábia (mesmo que inconsciente) manipuladora; daria uma óptima ditadora, mas infelizmente criou filhos libertários. E é por isso que eu não escrevi nada quando a minha mãe fez anos; porque gosto muito dela, mas há alturas em que é muito difícil estar com ela.
Lamento desiludi-los; entre o laconismo reservado e repetidamente silencioso do meu pai e os monólogos cada vez mais amargos e histriónicos da minha mãe, não prefiro nenhum. E gosto muito de ambos os meus pais, por muitas dificuldades de relacionamento que tenha com eles. Acontece, apenas, que a minha mãe é uma figura complicada. Uma mulher que cresceu no "obscurantismo" de um tempo onde a célula familiar era rigidamente estruturada e o lugar da mulher era em casa, a tomar conta dos filhos.
A minha mãe sempre se dividiu entre a vontade (em alguns casos, quase necessidade) de se revoltar contra o papel meramente utilitário que a sociedade lhe impunha e o medo de ser incapaz de se aguentar sozinha se mandasse tudo ás urtigas e se revoltasse efectivamente. A minha mãe sempre nos usou a nós, os três filhos que teve, como a sua desculpa para se resignar ao papel que lhe tinham destinado mas que ela nunca quis aceitar. A minha mãe sempre diz que, graças a Deus, criou três bons rapazinhos, honestos e trabalhadores — como se tudo isso fosse a única coisa que valesse a pena. Mas a minha mãe sempre viveu no mundo fechado das quatro paredes do apartamento do Bairro das Colónias onde nos criou, e nunca visitou o mundo fora dessas quatro paredes que tanto gostaria de ter visto. E criou-nos de acordo com valores e experiências de um outro tempo, que não era nem nunca foi o nosso.
A minha mãe fez 75 anos na sexta-feira e não celebrou a ocasião. Há vários anos que ela se recusa a celebrar o que quer que seja, nos diz sempre que não gastemos dinheiro com ela (embora fique ofendidíssima se não gastamos), que se calhar para o ano que vem já cá não está. A minha mãe está uma mulher amarga, que, chegada à velhice e à doença, lamenta tudo aquilo que nunca teve a coragem para fazer, sacudindo muito lusamente a água do capote como se não fosse culpa dela mas um conjunto de circunstâncias. Talvez seja a única maneira que ela tem de não sucumbir ao desespero mais absoluto de se ver uma mulher velha e doente confinada a quatro paredes. E, por isso, este fim-de-semana voltou a ser um fim-de-semana de jantares crispados, em que a palavra mais casual ou a afirmação dita em tom jocoso é virada contra nós para se transformar numa denúncia da santidade dela, numa defesa da sua ser a única verdade possível e existente. A minha mãe é possessiva, centralizadora, sábia (mesmo que inconsciente) manipuladora; daria uma óptima ditadora, mas infelizmente criou filhos libertários. E é por isso que eu não escrevi nada quando a minha mãe fez anos; porque gosto muito dela, mas há alturas em que é muito difícil estar com ela.
AI PORTUGAL, PORTUGAL
Incomoda-me aquela saloiice tipicamente portuguesa que nos faz dar palmadinhas nas nossas próprias costas sempre que há um português que triunfa algures no mundo, como se o seu triunfo fosse também um triunfo nosso, como se nós tivéssemos contribuido, nem que fosse só um pouquinho, para ele.
Tretas. Quem triunfa lá fora fá-lo porque arranjou a força de vontade necessária para partir e não voltar. Hoje, no Telejornal do canal 1 (que, garantidamente, eu cada vez mais só gosto de ver quando é apresentado por José Alberto Carvalho e positivamente detesto quando é feito por Judite de Sousa ou Fátima Campos Ferreira), uma elucidativa reportagem de Márcia Rodrigues sobre um cozinheiro de Viseu que trabalha no hotel Plaza de Nova Iorque, em que a certa altura se dizia com mal-escondido orgulho que tinha sido cumprimentado por Johnny Depp pela qualidade da refeição e que tinha servido Bill Clinton. Como se um cumprimento de um actor de cinema fosse o mais a que um cozinheiro português em Nova Iorque pudesse aspirar, como se esse cumprimento fosse mais significativo do que ter um cargo de responsabilidade num dos mais exigentes hotéis do mundo. Ou como uma coisa realmente digna de orgulho é reduzida à patetice comiserativa do portuguesinho no estrangeiro.
É por estas e por outras que o temperamento português me irrita solenemente.
Tretas. Quem triunfa lá fora fá-lo porque arranjou a força de vontade necessária para partir e não voltar. Hoje, no Telejornal do canal 1 (que, garantidamente, eu cada vez mais só gosto de ver quando é apresentado por José Alberto Carvalho e positivamente detesto quando é feito por Judite de Sousa ou Fátima Campos Ferreira), uma elucidativa reportagem de Márcia Rodrigues sobre um cozinheiro de Viseu que trabalha no hotel Plaza de Nova Iorque, em que a certa altura se dizia com mal-escondido orgulho que tinha sido cumprimentado por Johnny Depp pela qualidade da refeição e que tinha servido Bill Clinton. Como se um cumprimento de um actor de cinema fosse o mais a que um cozinheiro português em Nova Iorque pudesse aspirar, como se esse cumprimento fosse mais significativo do que ter um cargo de responsabilidade num dos mais exigentes hotéis do mundo. Ou como uma coisa realmente digna de orgulho é reduzida à patetice comiserativa do portuguesinho no estrangeiro.
É por estas e por outras que o temperamento português me irrita solenemente.
6 de novembro de 2004
4 de novembro de 2004
IT'S ONLY A MOVIE
Presumo que muito boa gente vá ficar a toa com a fantasia retro, propositadamente ingénua, de "Sky Captain e o Mundo de Amanhã" (estreia hoje). É normal que assim seja: o filme de Kerry Conran é um misto de ode a e elegia por um cinema clássico que parece irrecuperavelmente fora do nosso alcance, um retorno a tempos mais simples, menos matizados, mais preto-no-branco, de um cinema genuinamente popular. Por isso mesmo, é um filme que só quem muito ama o cinema, e sobretudo os anos dourados dos estúdios de Hollywood, saberá amar, porque nele reconhecerá o deslumbramento maravilhoso e inocente dos tempos em que o cinema era o futuro. E, por 105 minutos, volta a sê-lo — mesmo que esse futuro esteja solidamente ancorado no passado. Mas que futuro nunca o está?
3 de novembro de 2004
PEQUENA MEDITAÇÃO ELEITORAL
Parece-me que todos os cidadãos portugueses que se sentem decepcionados com a vitória de George W. Bush, independentemente de estarem no seu pleno direito, se esquecem fundamentalmente de uma coisa que poderá servir de consolação, mesmo que fraca: também não votaram em Pedro Santana Lopes e levaram com ele na mesma.
Pronto. Mais animadinhos?
Pronto. Mais animadinhos?
O MISTÉRIO DO AUTO-RÁDIO TEMPERAMENTAL
O meu auto-rádio deu em interromper a cassete (ontem: "High", dos Blue Nile; hoje: "The Capitol Years", de Frank Sinatra) quando a TSF acciona o RDIS das indicações de trânsito, o que é uma chatice (imaginem "I Would Never" ou "Because of Toledo"; ou "I Get a Kick Out of You" ou "Young at Heart" interrompidos pelo acidente na A8 ou na fila nas portagens de Vila Franca e tirem as vossas conclusões).
O que eu só não percebo, mesmo, é porque só agora, ao fim de cinco anos, é que isto acontece.
O que eu só não percebo, mesmo, é porque só agora, ao fim de cinco anos, é que isto acontece.
MUNDO LIVRE S/A
I sit at my table and wage war on myself
it seems like it's all...it's all for nothing
I know the barricades, and
I know the mortar in the wall breaks
I recognize the weapons, I used them well
this is my mistake. let me make it good
I raised the wall, and I will be the one to knock it down
I've a rich understanding of my finest defenses
I proclaim that claims are left unstated,
I demand a rematch
I decree a stalemate
I divine my deeper motives
I recognize the weapons
I've practiced them well. I fitted them myself
it's amazing what devices you can sympathize... empathize
this is my mistake. let me make it good
I raised the walls, and I will be the one to knock it down
reach out for me and hold me tight. hold that memory
let my machine talk to me. let my machine talk to me
this is my world
and I am the world leader pretend
this is my life
and this is my time
I have been given the freedom
to do as I see fit
it's high time I've razed the walls
that I've constructed
it's amazing what devices you can sympathize... empathize
this is my mistake. let me make it good
I raised the walls, and I will be the one to knock it down
you fill in the mortar. you fill in the harmony
you fill in the mortar. I raised the walls
and I'm the only one
I will be the one to knock it down.
- Michael Stipe para R. E. M., "World Leader Pretend", in "Green" (Warner Bros., 1989)
it seems like it's all...it's all for nothing
I know the barricades, and
I know the mortar in the wall breaks
I recognize the weapons, I used them well
this is my mistake. let me make it good
I raised the wall, and I will be the one to knock it down
I've a rich understanding of my finest defenses
I proclaim that claims are left unstated,
I demand a rematch
I decree a stalemate
I divine my deeper motives
I recognize the weapons
I've practiced them well. I fitted them myself
it's amazing what devices you can sympathize... empathize
this is my mistake. let me make it good
I raised the walls, and I will be the one to knock it down
reach out for me and hold me tight. hold that memory
let my machine talk to me. let my machine talk to me
this is my world
and I am the world leader pretend
this is my life
and this is my time
I have been given the freedom
to do as I see fit
it's high time I've razed the walls
that I've constructed
it's amazing what devices you can sympathize... empathize
this is my mistake. let me make it good
I raised the walls, and I will be the one to knock it down
you fill in the mortar. you fill in the harmony
you fill in the mortar. I raised the walls
and I'm the only one
I will be the one to knock it down.
- Michael Stipe para R. E. M., "World Leader Pretend", in "Green" (Warner Bros., 1989)
2 de novembro de 2004
FUGAS PARA A FRENTE
É, realmente, verdade: mesmo aquilo de que mais gostamos no mundo, quando o temos de fazer todos os dias, se pode banalizar e tornar em "apenas" mais uma coisa. Nessas alturas, é preciso arranjar estratégias para manter o entusiasmo. O problema é quando arranjar essas estratégias é, em si próprio, uma tarefa banal.
1 de novembro de 2004
POLAROID: TÁXI
Cheiro intenso a fumo, como se o táxi estivesse fechado 24/7 numa tabaqueira. Janela do condutor aberta, com o resultado da deslocação a velocidades habitualmente excessivas para o trânsito lisboeta criar uma rapidíssima circulação de ar frio do anoitecer no interior do veículo. Rádio em altíssimos berros na Orbital, que transmite uma qualquer melopeia disco na melhor tradição Village People. Rádio CB dos Rádio Taxis emitindo as habituais mensagens roufenhas "...táxi ao número tal e tal da rua não sei quantos...". E o taxista, de cabelo ralo espicaçado pelo gel, a dissertar com propriedade sobre ser espantoso como, quando ele precisou de ir à garagem mudar não sei o quê, só lhe saírem serviços para o outro lado da cidade e, desde que veio da garagem, todos os serviços o levarem à rua da dita cuja garagem.
O CONSUMIDOR RECLAMA
Ocorreu-me hoje que andamos todos à busca de qualquer coisa para preencher as nossas solidões — uns chamam-lhe amor, outros chamam-lhe amizade, outros ainda desejo. Mas, seja ela o que for, conheçamo-la nós por que nome, quando a encontramos ela nunca corresponde na realidade àquilo que nos foi prometido. Àquilo a que temos direito. Talvez devêssemos exigir o livro de reclamações.
30 de outubro de 2004
PEQUENO AFORISMO OBSERVACIONAL
O traje académico é muito pouco prático quando está a chover a potes.
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