É precisamente por causa de jogos como o de ontem que me recuso a gostar de futebol: qualquer jogo que ponha milhares de pessoas a portarem-se como perfeitos anormais, como adolescentes imberbes que ainda nem entraram na puberdade, não merece realmente que nos interessemos por ele. Se aquilo é um "clássico", então o classicismo, claramente, já não é o que era.
Blog-notas de ideias soltas; post-it público de observações casuais; fragmentos em roda livre, fixados em âmbar. Eu, sem filtro. jorge.mourinha@gmail.com
18 de outubro de 2004
17 de outubro de 2004
TÁXI AO DOMINGO
Sempre que apanha um táxi ao domingo, fico com a forte impressão que, ao domingo, os taxistas "habituais" estão de folga e deixam o campo livre aos "ocasionais" que procuram adicionar uns cobres extra ao seu rendimento regular fazendo um biscate de fim-de-semana.
E fico com esta forte impressão porque, falando estatisticamente da minha experiência pessoal, aos domingos há muito menos taxistas que sabem onde ficam os destinos que lhes pedem. Percebo perfeitamente que um taxista não conheça uma rua obscura como é a Luís Derouet, em Campo de Ourique (uma rua curta, de dois quarteirões e sentido único, paralela à Ferreira Borges) ou uma menos conhecida como a Triângulo Vermelho (transversal à Heliodoro Salgado que vai dar à Penha de França mais próximo de Sapadores).
Mas qualquer coisa está mal quando, esta noite, entro num táxi junto ao Banco de Portugal, peço ao condutor para me levar à avenida Álvares Cabral e ele, com sotaque brasileiro, me diz que "não sabe onde fica".
Sem dizer uma palavra, saí do táxi e mandei parar outro. Ele ainda voltou para trás, dizendo "senhor, entre que eu levo". Mas recuso-me a ser conduzido por um taxista que, literalmente, não sabe para onde vai.
E fico com esta forte impressão porque, falando estatisticamente da minha experiência pessoal, aos domingos há muito menos taxistas que sabem onde ficam os destinos que lhes pedem. Percebo perfeitamente que um taxista não conheça uma rua obscura como é a Luís Derouet, em Campo de Ourique (uma rua curta, de dois quarteirões e sentido único, paralela à Ferreira Borges) ou uma menos conhecida como a Triângulo Vermelho (transversal à Heliodoro Salgado que vai dar à Penha de França mais próximo de Sapadores).
Mas qualquer coisa está mal quando, esta noite, entro num táxi junto ao Banco de Portugal, peço ao condutor para me levar à avenida Álvares Cabral e ele, com sotaque brasileiro, me diz que "não sabe onde fica".
Sem dizer uma palavra, saí do táxi e mandei parar outro. Ele ainda voltou para trás, dizendo "senhor, entre que eu levo". Mas recuso-me a ser conduzido por um taxista que, literalmente, não sabe para onde vai.
16 de outubro de 2004
PEQUENA RECEITA PARA AFASTAR O MAU FEITIO
Naan de alho e um bagia de cebola com chutney de menta e um pouco de picante diluído, frango tikka com arroz pilau, duas colas, um descafeinado, três amigos de ambos os sexos e um restaurante indiano de confiança à sexta à noite. Animação garantida.
15 de outubro de 2004
EM RESPOSTA À PERGUNTA QUE SE IMPÕE
Hoje sou cínico. Amanhã, não sei.
(ver o Y de hoje para a pergunta)
(ver o Y de hoje para a pergunta)
14 de outubro de 2004
OS AMANHÃS QUE CANTAM (MAS ALGUÉM SE ESQUECEU DE LIGAR O MICROFONE)
Estou com Luiz Felipe Scolari, que já se deve andar há uns largos meses a perguntar em que raio de país pré-histórico veio parar: vão-se foder. Todos.
E vais-me desculpar, Alexandre, mas cada vez mais me convenço que Portugal não merece a gente boa que ainda vai tendo. E que é cada vez menos e tem cada vez menos paciência para o país que lhe calhou em sorte. Começo a concordar com o meu amigo João: anexe-se isto a Espanha, depressa e em força, e bardamerda para a "nação imortal" e para outras patetices nacionalistas de quem ainda acredita em sonhos de impérios desfeitos que talvez só tenham existido na cabeça de quem os sonhou.
A verdade é só uma: somos um cantinho da Europa que não tem dinheiro para mandar cantar um cego, entregue ao Deus dará, e que anda aqui emproado armado em aristocrata decadente quando não passa de saloio novo-rico que se finge grande senhor.
Portugal não interessa nem ao menino Jesus. Aliás, esse desinteresse nota-se.
Scolari é que tem razão: de que vale uma pessoa ser o único a ralar-se? Qual é a recompensa do bom samaritano? (E não estou com isto a dizer que Scolari é um bom samaritano. Não façam interpretações literais.)
E vais-me desculpar, Alexandre, mas cada vez mais me convenço que Portugal não merece a gente boa que ainda vai tendo. E que é cada vez menos e tem cada vez menos paciência para o país que lhe calhou em sorte. Começo a concordar com o meu amigo João: anexe-se isto a Espanha, depressa e em força, e bardamerda para a "nação imortal" e para outras patetices nacionalistas de quem ainda acredita em sonhos de impérios desfeitos que talvez só tenham existido na cabeça de quem os sonhou.
A verdade é só uma: somos um cantinho da Europa que não tem dinheiro para mandar cantar um cego, entregue ao Deus dará, e que anda aqui emproado armado em aristocrata decadente quando não passa de saloio novo-rico que se finge grande senhor.
Portugal não interessa nem ao menino Jesus. Aliás, esse desinteresse nota-se.
Scolari é que tem razão: de que vale uma pessoa ser o único a ralar-se? Qual é a recompensa do bom samaritano? (E não estou com isto a dizer que Scolari é um bom samaritano. Não façam interpretações literais.)
13 de outubro de 2004
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #25
Pessoas que aproveitam as «pessoas amigas» que estavam na fila para o que quer que seja para passarem à frente do resto da fila. Como ontem, no atendimento ao cliente da Fnac do Chiado, quando uma terceira jovem chega no exacto momento em que as duas amigas se estavam a levantar e ocupa o lugar delas e, displicentemente, quando lhe é chamada a atenção, diz que «eu estava com elas e é rápido», ignorando o meu comentário «a senhora não estava na fila e eu não a vi aí sentada». Contei sete minutos de atendimento.
MALDITOS HEADPHONES
Isto parece-me uma questão interessante. Pessoalmente, acho de uma falta de educação gritante deixar que o nosso comunicador pessoal incomode a plateia no meio de um espectáculo, qualquer que ele seja (no limite, deixá-lo ligado mas em modo silêncio ou vibração, ou seja, sem incomodar os outros parece-me aceitável). Mas aí vem a célebre questão da liberdade pessoal...
PEQUENO AFORISMO MATINAL
O mundo seria tão mais interessante se não houvesse sempre "coisas a fazer".
A DESPROPÓSITO
No outro dia, o maradona protestou comigo por ter sido excluído do meu top-5 de blogs. Ao que lhe retorqui que um top-5 só pode ter cinco e que ausências de 15 dias na Flandres não ajudam à sua manutenção entre os cinco mais visitados. Folgo, por isso, em saber do retorno da 1poucomais de Roma (que inveja) e do Alexandre lá de onde quer que seja que esteve. Ter um top-5 de blogs mais visitados onde dois não são actualizados durante uma semana não abona em favor do bom gosto de ninguém e, passando à frente do chiste (ora aqui está uma bela palavra para a lista), andava-me a fazer falta ler-vos. Mesmo. Não façam isso muitas vezes para eu não ficar com mais stress do que o que já tenho s. f. f.
12 de outubro de 2004
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #24
Pessoas que vão a ante-estreias de filmes sem saber o que vão ver e, quando começam a compreender que não estão a apreciar o filme que estão a ver (assumindo que têm capacidade intelectual para apreciar), começam a perturbar o normal andamento da sessão, rindo, cochichando, atendendo telemóveis. Miguel Sousa Tavares dizia há umas semanas atrás na sua coluna do Público, com alguma presciência, que andam a fazer falta elites; subscrevendo parte dos argumentos que ele utilizou — nomeadamente o facto de as pessoas precisarem de aspirar a algo como motivação para o seu desenvolvimento enquanto pessoas — penso que o que anda realmente a fazer falta é boa educação. Um cházinho nunca fez mal a ninguém. (O meu é de tília, ou então de camomila s. f. f., que o meu médico diz-me que tenho muito stress.)
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #23
O clima de desinformação e mal-estar que se cria nas salas de espera dos consultórios médicos dos centros de saúde quando as velhotes, velhotas, senhoras e senhores de meia-idade e outros representantes do proletariado português decidem começar a desconfiar de que o médico não está a chamar os pacientes, não está a chamar os pacientes que devia, ou está a chamar pela ordem errada.
11 de outubro de 2004
O BOMBEIRO VOLUNTÁRIO
A notícia do Público de hoje sobre os bons esforços do ministro da Defesa para incentivar a mancebia contemporânea a encarar as forças armadas como carreira profissional, punindo os faltosos (que, presume-se, não estão ainda no mercado laboral e, logo, não têm exactamente fonte de rendimento próprio) ao Dia da Defesa Nacional com uma multa que pode ir aos mil euros, faz-me lembrar aquela célebre história de Raul Solnado que começa com o desígnio paternal "Meu filho, quer queiras, quer não queiras, hás-de ser bombeiro voluntário".
10 de outubro de 2004
POLAROID XUTOS
Um contingente de adolescentes betas (futuras tias), mascando pastilha elástica, cheirando a perfume caro, invadem o meu espaço vital (ler: as cadeiras vazias na fila da frente e ao meu lado), uma ou duas canções depois do concerto ter começado. Uma delas pergunta-me "desculpe, sabe onde é que se bebe aqui?" e respondo-lhe que não. Durante o concerto, dançam muito, gritam como se estivessem a ver qualquer ídolo adolescente (Britney Spears, Justin Timberlake), e quando não reconhecem as canções sacam do telemóvel e desatam a trocar mensagens. Duas delas escolhem um momento mais calmo para refazerem impossivelmente longamente o rabo de cavalo. Quando o concerto embarca na fase final dançam freneticamente na fila, de braços no ar, indiferentes a pisarem ou empurrarem quem está ao seu lado.
9 de outubro de 2004
CHAMA-ME TARZAN
A tal canção do teledisco do Chevy Chase é uma das mais aterradoras polaroides da encruzilhada da meia-idade que já li. Bem-humorada? Uma ova. Precisar de preencher um vazio, de tapar uma solidão, dê lá por onde der, não é, nunca, divertido. Falo por experiência. E para quem quiser ler nas entrelinhas, Paul Simon dá as pistas todas.
a man walks down the street
he says why am I soft in the middle now
why am I soft in the middle
the rest of my life is so hard
I need a photo opportunity
I want a shot at redemption
don't want to end up a cartoon
in a cartoon graveyard
bonedigger, bonedigger
dogs in the moonlight
far away my well-lit door
mr. beerbelly, beerbelly
get these mutts away from me
you know I don't find this stuff amusing anymore
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al
a man walks down the street
he says why am I short of attention
got a short little span of attention
and wo my nights are so long
where's my wife and family
what if I die here
who'll be my role model
now that my role model is
gone, gone
he ducked back down the alley
with some roly-poly little bat-faced girl
all along along
there were incidents and accidents
there were hints and allegations
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al
call me Al
a man walks down the street
it's a street in a strange world
maybe it's the third world
maybe it's his first time around
he doesn't speak the language
he holds no currency
he is a foreign man
he is surrounded by the sound
the sound
cattle in the marketplace
scatterlings and orphanages
he looks around, around
he sees angels in the architecture
spinning in infinity
he says amen! and hallelujah!
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al.
- Paul Simon, "You Can Call Me Al", in "Graceland" (Warner Bros., 1986)
a man walks down the street
he says why am I soft in the middle now
why am I soft in the middle
the rest of my life is so hard
I need a photo opportunity
I want a shot at redemption
don't want to end up a cartoon
in a cartoon graveyard
bonedigger, bonedigger
dogs in the moonlight
far away my well-lit door
mr. beerbelly, beerbelly
get these mutts away from me
you know I don't find this stuff amusing anymore
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al
a man walks down the street
he says why am I short of attention
got a short little span of attention
and wo my nights are so long
where's my wife and family
what if I die here
who'll be my role model
now that my role model is
gone, gone
he ducked back down the alley
with some roly-poly little bat-faced girl
all along along
there were incidents and accidents
there were hints and allegations
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al
call me Al
a man walks down the street
it's a street in a strange world
maybe it's the third world
maybe it's his first time around
he doesn't speak the language
he holds no currency
he is a foreign man
he is surrounded by the sound
the sound
cattle in the marketplace
scatterlings and orphanages
he looks around, around
he sees angels in the architecture
spinning in infinity
he says amen! and hallelujah!
if you'll be my bodyguard
I can be your long lost pal
I can call you Betty
and Betty when you call me
you can call me Al.
- Paul Simon, "You Can Call Me Al", in "Graceland" (Warner Bros., 1986)
8 de outubro de 2004
PALAVRAS DE QUE GOSTO MUITO EMBORA NÃO TENHAM GRANDE UTILIZAÇÃO PRÁTICA QUOTIDIANA #34
Hirsuto.
(cortesia do António P.)
(cortesia do António P.)
PEQUENOS IRRITANTES QUOTIDIANOS #22
Pessoas que vão às ante-estreias e depois contam detalhadamente a história do filme a quem as queira ouvir, independentemente de elas quererem ou não ir ver o filme.
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